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Alternativfor minstevassføring

In document 7 APR 2008 Dato : 0 (sider 49-52)

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2. Alternativfor minstevassføring

No panorama de procura crescente de multidisciplinaridade ou de interdisciplinaridade, emergiu, como dissemos, no seio da linguística textual, uma corrente designada linguística textual-interactiva. Esta corrente alicerça os seus fundamentos teóricos (Jubran, 2006) na pragmática, na linguística textual e na análise da conversação. Esta corrente reformula a concepção clássica de texto e está em consonância com a tendência actual em criar novas configurações interdisciplinares integradoras, na área do estudo do discurso. Esta corrente da linguística textual-interactiva é particularmente convincente nos tipos de argumentos utilizados para empurrar a linguística textual, para uma visão interacionista integrativa. Em primeiro lugar atende à nova concepção de linguagem injectada nas ciências pelas correntes interacionistas (Goffman, interacionismo simbólico, Palo Alto, dialogismo bakhtiniano, socio-construtivismo vygostskiano, etc) cujas principais expressões apresentámos nas nossas ancoragens teóricas.

A linguagem, na linguística textual-interactiva, é olhada como forma de acção e interação social, num contexto enunciativo e socio-históricos específicos.

Já a noção de texto sofre uma reconfiguração que o considera como uma unidade globalizante, em cuja superfície linguístico-textual é possível detectar marcas de formulação dos processos interacionais associados à sua enunciação. O texto congrega simultaneamente na sua estrutura de superfície, sinalizando-os explicitamente, processos de formulação textual e interacional, que (Lopes-Damasio, 2013)

[…] não resultam em dicotomias de funções textuais e interativas, mas na conjugação delas, de acordo com um princípio de gradiência (Jubran, 2004, 2006a), segundo o qual não há funções excludentes ou dicotómicas: toda função textual deve ter, em contrapartida, algum traço interacional, sendo o inverso também verdadeiro (p. 149). Jubran (2006a), pelo seu lado, afirma

[…] os factores interacionais são inerentes à expressão linguística, pela introjecção natural da actividade discursiva no processamento verbal de um ato comunicativo. As

condições comunicativas que sustentam a acção verbal inscrevem-se na superfície textual, de modo que se observam marcas do processamento formulativo-interacional na materialidade linguística do texto (p. 33).

É importante considerar que a linguística textual-interactiva, ao estudar o texto, não dicotomiza as funções textuais e interactivas. Estas funções encontram-se conjugadas no texto, segundo um princípio de gradatividade. À luz deste princípio, qualquer das funções pode ser dominante. Isto é a construção do texto pode incidir mais sobre a organização do fluxo informacional ou sobre a construção da relação entre os interlocutores.

A agenda investigativa da linguística textual-interactiva inclui, portanto, os processos de formulação textual e os processos interacionais que reflectem as condições da enunciação, que deixam a sua marca na estrutura linguístico-textual de superfície, possibilitando assim a sua análise.

Barbosa-Paiva (2011), citando Fávero, Andrade e Aquino, entende que na formulação de um texto devem transparecer dois tipos de marcas:

[…] o esforço que o locutor faz para produzir um enunciado se manifesta por traços que ele deixa em seu discurso; isto é, formular um texto não significa simplesmente deixar ao interlocutor a tarefa da compreensão, mas significa deixar, através das marcas, pistas para que ele, interlocutor, se esforce por compreendê-lo [...] (p. 777). Esta nova abordagem mostra que, quase sempre, o mesmo mecanismo textual-discursivo apresenta uma dupla funcionalidade: reflecte o trabalho de formulação, mas simultaneamente uma dinâmica interacional, tal como postulava o círculo de Bakhtin, de que a palavra é meia do emissor e meia do destinatário.

Assim, a separação entre processos formulativo-informativos e interacionais tem apenas uma validade e comodidade analíticas, já que não corresponde à realidade do evento comunicativo verbal.

Os processos de formulação textual que preenchem a agenda investigativa da linguística textual, são de três tipos, segundo os autores que representam esta corrente. Estes processos não representam em si nenhuma novidade já que, os encontramos espalhados em muitas investigações com origens diferentes (modelo de Genebra, Salamanca, processamento da informação, etc.). A linguística textual-interactiva tem, porém, o mérito de os abordar de uma forma sistematizada, tipificando-os e unificando-os numa perspectiva ou abordagem integradora.

Sem postular um conjunto fechado, os processos de formulação textual que preenchem a agenda investigativa da linguística textual, são de três tipos, segundo os autores que representam esta corrente (Castilho, 1998, p. 55 e ss.)

1) Processo de activação. Realiza o processo central de constituição da língua: “selecção de palavras para a constituição do texto e suas unidades e das sentenças e suas estruturas” (Barbosa-Paiva, 2011, pp. 775-776). Pela sua parte Galembeck (2010) entende do seguinte modo o processo de activação:

Este é o processo central de construção da língua e, por isso mesmo, envolve uma pluralidade de aspectos, desde a construção do enunciado a questões relativas à sequência tópica. Nesta parte, serão focalizados os seguintes itens: tópico conversacional, unidades discursivas e marcadores conversacionais (pp. 1565-1566)

2) Processo de reactivação: consiste numa espécie de “processamento anafórico” que recorre à repetição e à paráfrase. Galembeck (2010) refere-se a este processo da seguinte forma:

Esses procedimentos, documentáveis tanto no texto quanto na sentença, dão lugar à construção por reactivação, que é uma sorte de "processamento anafórico", por meio da qual voltamos atrás, retomando e repetindo formas, ou repetindo conteúdos. A repetição, ou recorrências de expressões, e a paráfrase, ou recorrência de conteúdos, são as duas manifestações da construção por reactivação. As manifestações desse processo de construção textual são a repetição, a paráfrase e a correcção (p.1573.

3) Processo de desactivação: suspende o fluxo informativo para acentuar a orientação para o destinatário, por exemplo mediante a utilização de digressões e de inserções parentéticas. Estas digressões e inserções parentéticas têm a forma, muitas vezes, de recursos fáticos, perguntas retóricas, busca de aprovação ou concordância, apelos ao esforço e á participação, evocações de conhecimentos partilhados, comentários, manifestações atitudinais do locutor, formas de testar a compreensão do interlocutor, preservação da “face” do interlocutor, construção da relação interlocutiva, sinalização de aspectos importantes, construção da negociação com o interlocutor etc. .

Nesta nova concepção, parece-nos apropriado distanciarmo-nos da distinção texto-discurso, fusionando os dois numa expressão como “evento comunicativo verbal”, que se ajusta perfeitamente à situação em que a investigação empírica usa transcrições de discursos verbais autênticos ou naturais, ou então seguir o posicionamento da linguística textual-

interactiva de considerar o texto como uma unidade globalizante, em cuja superfície é possível detectar, porque nelas estão inscritas, marcas da formulação textual e da dinâmica interacional subjacente à formulação.

Em suma, a linguística textual-interactiva rejeita uma abordagem do texto centrada apenas em aspectos tão só linguísticos e, advoga, uma abordagem do texto que inclua uma dimensão socio-comunicativa, porque esta está inscrita na materialidade linguística do texto.

Para o caso da nossa investigação empírica, a linguística textual-interactiva mostra-se particularmente relevante porque, analisamos um objecto que corresponde a uma transcrição, que recolhe a configuração formulativo-textual e interacional do discurso. Neste tipo de perspectivação de objecto de análise, a imbricação dos dois aspectos, formulativo- informativo e interacional é particularmente interessante.

A vinculação entre a linguística textual-interactiva e a nossa investigação empírica manifesta- se particularmente ao nível:

 Do conceito de linguagem como forma de acção e interação social, que, de resto, é transversal às outras propostas em que nos inspiramos.

 A consideração de que, na superfície textual, se imbricam, indissociavelmente, uma substância formulativo-informativa e uma vertente interacional e, de que existem, nessa mesma superfície, marcas explícitas das duas substâncias imbricadas.

 A tipificação tripartida dos processos de construção textual: activação, reactivação e desactivação.

 Mecanismos correspondentes a cada um dos processos: composição sintáctica, repetições, paráfrases, recapitulações, inserções etc.

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