• No results found

Alternative measures of level of development

11:00   Consulta  de   diabetes  mellitus.   09:00   Enfermaria.   09:00     Enfermaria.   12:00  

Journal  club  (sob   programação).     08:30   Reunião  clínica.   10:30   Enfermaria.   09:00   Enfermaria.   11:00   Consultas  de   Medicina  Interna.   Actividades  de   formação  não   programadas.       14:00     Consulta   de   diabetes   mellitus   (Hospital   de  Santa   Cruz).*   14:30   Seminários   de   Medicina   Interna  na   FCMUNL.   14:30   Seminários  de   Princípios  da   Prática  Clínica.        

Enfermaria  do  Serviço  de  Medicina  III  

As   actividades   em   ambiente   de   enfermaria   foram   desenvolvidas   no   Serviço   de   Medicina   III/Ortopedia,   no   piso  3  do  HSFX,  tendo  integrado  a  equipa  médica  sob  coordenação  da  Dra.  Ana  Ribeiro  da  Cunha,  constituída   pela  Dra.  Joana  Rodrigues  (interna  de  Medicina  Interna)  e  o  Dr.  Diogo  Brás  (interno  do  Ano  Comum).  Esta     equipa   é   responsável   pela   observação   dos   doentes   que   ocupam   quatro   camas,   sendo   que,   excepcionalmente,   poderiam   ser   atribuídas   mais   camas   provenientes   da   “bolsa   de   camas”   ou   provisoriamente  ocupadas  por  doentes  do  serviço  de  ortopedia.  

Foi   desde   logo   concedido   um   elevado   grau   de   autonomia   e   de   responsabilização,   tendo   a   integração   decorrido  de  forma  adequada  e  orientada.  

As  tarefas  realizadas  incluíam  a  observação  diária  de  todos  os  doentes  internados,  com  um  mínimo  de  dois  a   três  doentes  observados  por  dia,  com  actualização  dos  respectivos  diários  clínicos,  registo  das  observações   nas   últimas   24h,   avaliação   dos   parâmetros   vitais,   exame   objectivo   detalhado   ou   sumário,   registo   e  

farmacoterapêutica,  prescrição  de  MCD  ou  encaminhamento  do  processo  de  alta.  Houve  particular  zelo  no   estudo   farmacoterapêutico   individual   dos   diversos   doentes,   com   oportunidade   de   identificar   algumas   interacções   medicamentosas   major,   tanto   em   regime   de   ambulatório   assim   como   em   internamento,   com   posterior  discussão  dos  casos  e  reajuste  terapêutico.  

Foi   possível   a   colheita   da   história   clínica   de   doentes   com   entrada   em   internamento,   a   realização   de   uma   história   clínica   discutida   com   a   tutora   (vide   Anexo   1),   bem   como   a   realização   de   5   relatórios   de   alta   e   a   colaboração  na  realização  de  outros  com  os  restantes  elementos  da  equipa.  

Houve  a  possibilidade  de  observar  e  de  realizar  alguns  procedimentos  médicos  específicos  como  a  requisição   exames  ao  exterior,  a  requisição  de  diferentes  tipos  de  MCDs,  a  requisição  de  hemoderivados,  a  solicitação   de  colaboração  interna  por  outros  especialistas  médicos,  a  marcação  de  consultas  e  a  emissão  de  certidões   de   óbito,   com   contacto   e   aprendizagem   na   óptica   do   utilizador   dos   diversos   sistemas   informáticos   associados  a  estes  procedimentos.    

Ao   nível   de   técnicas   médicas,   houve   a   possibilidade   de   observação   e   de   realização   de   punções   arteriais   periféricas,   eletrocardiogramas,   prova   de   Mantoux,   abordagem   a   feridas,   regulação   de   oxigenoterapia,   abordagem  ao  doente  com  sonda  nasogástrica  e  traqueostomia,  avaliação  de  débito  urinário  e  de  drenagem   passiva  de  drenos  pós  cirúrgicos  e  toracocentese.  

Foi,  também,  parte  integrante  das  tarefas  desenvolvidas  o  contacto  e  a  discussão  de  casos  com  profissionais   de   outras   especialidades,   destacando-­‐se   a   discussão   com   especialistas   de   gastroenterologia,   oncologia,   anestesiologia,   ortopedia,   cirurgia   geral,   otorrinolaringologia,   cirurgia   plástica,   medicina   laboratorial,   bem   como  com  elementos  da  equipa  de  enfermagem,  técnicos  de  fisioterapia,  técnicos  de  análises,  nutricionista,   assistente   social   e   pessoal   administrativo,   revelando-­‐se   a   abordagem   ao   doente   todo   um   processo   multidisciplinar  e  global.  

Fundamental   e   de   relevo   foi,   ainda,   o   contacto   com   os   familiares   dos   doentes,   com   ganhos   ao   nível   de     competências   comunicacionais   e   relacionais   aquando,   por   exemplo,   da   descrição   da   evolução   em   internamento,  do  prognóstico  dos  doentes  ou  da  notícia  de  óbito.  

Durante   o   estágio   e   até   ao   dia   13   de   Março   foi   possível   observar   19   doentes   em   ambiente   de   enfermaria   com  uma  maior  prevalência  do  género  feminino  (81,25%)  e  de  idades  compreendidas  entre  os  81-­‐90  anos.   Foram   observados   doentes   com   diferente   patologia   e   comorbilidades   associadas,   com   predomínio   da   patologia   respiratória   (de   etiologia   infecciosa)   e   cardiovascular   como   principais   motivos   de   internamento.   Destes   doentes   internados,   88%   requereram   uso   de   antibioterapia,   com   recurso   a   antibióticos   de   largo   espectro  em  33,3%  dos  casos,  sendo  que,  em  44%  dos  casos  não  foi  possível  isolar  o  agente  infeccioso.     Refere-­‐se  uma  média  de  11  dias  de  internamento,  sendo  que  36,8%  dos  doentes  observados  apresentavam   dependência   nas   actividades   da   vida   diária   (AVDs)   e   31%   eram   parcialmente   dependentes   nas   AVDs.   Destaca-­‐se,  ainda,  que  47,3%  dos  doente  apresentaram  intercorrências  em  internamento,  correspondendo   habitualmente  mais  do  que  uma  intercorrência  para  o  mesmo  doente,  sendo  as  mais  frequentes  a  agitação   psicomotora,  a  infecção  do  tracto  urinário  (ITU)  e  o  derrame  pleural.  Em  anexo  (vide  Anexo  2)  encontra-­‐se   um  resumo  Figura  da  casuística  observada  e  alguma  informação  adicional  considerada  de  relevo,  embora  se   reconheça,  desde  já,  a  simplicidade  e  os  limites  da  informação  disponível,  nomeadamente  em  relação  à  sua   representatividade  numérica  e  temporal,  enquanto  caracterização  plena  do  serviço.    

 

Consultas  

Medicina  Interna  

As  consultas  de  medicina  interna  decorreram  sob  orientação  da  Dra.  Ana  Ribeiro  da  Cunha,  de  acordo  com  a   calendarização   atrás   referida.   Nestas   consultas   foi   possível   observar   doentes   com   doença   crónica   e   com   comorbilidades   associadas,   com   vista   a   reavaliação,   nomeadamente   após   alta   de   internamento,   e   reajuste   terapêutico.  

Nestas   consultas   foi   possível   contactar   com   os   processos   completos   de   vários   doentes,   realizar   o   exame   objectivo,  escrever  diários  de  consulta,  realizar  pedidos  de  MCD  com  vista  ao  estudo  adicional  do  doente  e   proceder   à   revisão   terapêutica   destes.   Foram   adquiridas   competências   comunicacionais   e   em   particular   reconhecida  a  importância  da  adequada  aliança  terapêutica  a  estabelecer  no  processo  terapêutico  a  longo   prazo  destes  doentes.    

Dos  casos  observados  nestas  consultas,  verificou-­‐se  uma  maior  prevalência  do  género  feminino  (89%),  com   idade   média   de   71   anos.   O   motivo   mais   frequente   de   consulta   correspondia   a   astenia   (31%),   seguido   de   consulta   para   reavaliação   após   internamento   por   agudização   de   doença   crónica   por   infecção   respiratória   (13%)   ou   por   PAC   (13%).   As   comorbilidades   mais   frequentemente   observadas   corresponderam   a   HTA,   anemia  ferropénica  e  a  tabagismo  activo.  A  análise  gráfica  da  casuística  observada  está  disponível  em  anexo   (vide  Anexo  3).  

 

Diabetes  mellitus  

Foi  possível  assistir  a  diversas  consultas  de  doentes  com  diabetes  mellitus  (DM),  sob  orientação  da  Dra.  Ana   Ribeiro  da  Cunha.  Apenas  se  assistiu  às  consultas  realizadas  no  HSFX  por  aquelas  realizadas  no  hospital  de   Santa  Cruz  (HSC)  se  sobreporem  às  aulas  de  presença  obrigatória  realizadas  no  mesmo  horário  na  FCMUNL.   Durante   estas   consultas   foi   possível   assistir   à   abordagem   ao   doente   com   DM,   segundo   as   normas   orientadoras   actuais,   com   sensibilização   sobre   a   monitorização   multissistémica   destes   doentes   e   a   sua   periocidade,  a  avaliação  da  adequação  terapêutica  e  seu  ajuste,  a  interpretação  de  MCD  e  a  realização  do   exame  objectivo.  

Estes  foram  também  momentos  de  aquisição  de  conhecimentos  adicionais  e  de  carácter  prático  sobre  o  uso   de   antidiabéticos   orais,   insulinoterapia,   bem   como   de   informação   para   educação   do   doente   com   DM,   nomeadamente   sobre   a   implementação   de   hábitos   de   alimentação   e   de   prática   de   exercício,   sobre   as   possíveis  complicações  da  doença  e  a  manifestação  de  sinais  de  alerta.  

Estes  doentes  apresentavam  habitualmente  comorbilidades  associadas  sendo,  também,  uma  oportunidade   de   avaliar   outros   factores   de   risco,   nomeadamente   cardiovasculares,   assistir   ao   reajuste   e   renovação   de   receituário   e,   nalguns   doentes,   oportunidade   de   avaliação   global.   Foi   concedida   a   oportunidade   de   avaliar   estes   doentes   através   da   realização   do   exame   objectivo,   destacando-­‐se   a   importância   da   avaliação   dos   parâmetros   vitais,   do   controlo   de   peso,   da   sensibilidade   periférica   e   de   avaliação   do   pé   do   diabético,   por   exemplo.  

Verificou-­‐se  uma  maior  prevalência  do  género  masculino  (71%)  e  uma  idade  média  de  66  anos.  Dos  doentes   observados   43%   encontrava-­‐se   sob   antidiabéticos   orais   e   57%   sob   insulinoterapia.   Alguns   destes   doentes   apresentavam   complicações   macro   e   microvasculares   características   da   DM   e   do   perfil   de   comorbilidades   observado  verifica-­‐se  uma  maior  prevalência  da  HTA  (16%),  da  dislipidemia  (14%)  e  da  doença  renal  crónica  

Doenças  autoimunes  

No  dia  5  e  19  de  Março  foi  possível  assistir  a  consultas  de  doenças  autoimunes  sob  orientação  do  Dr.  Luís   Campos.  Nestas  foi  possível  observar  doentes  de  idade  mais  jovem,  comparativamente  ao  perfil  de  doentes   observado   nas   consultas   de   medicina   interna   e   de   DM,   e   com   patologia   pouco   abordada   ao   longo   da   formação   académica,   sendo   oportunidade   de   aquisição   de   competências   adicionais   na   abordagem   ao   doente   com   queixas   músculo-­‐esqueléticas   e   alguns   síndromes   reumatológicos   e   sistémicos   menos   frequentes.  

Contactou-­‐se   com   algumas   ferramentas   de   avaliação   da   dor   na   espondilite   anquilosante   (BASDAI   -­‐   Bath  

Ankylosing  Spondylitis  Disease  Activity  Index  e  EVA),  contactou-­‐se  com  a  medicação  habitualmente  utilizada  

em  doenças  autoimunes,  nomeadamente  agentes  biológicos,  corticóides  e  alguns  citostáticos,  e  adquiriu-­‐se   uma  percepção  do  impacto  que  estas  doenças  traduzem  na  vida  dos  doentes  e  no  seu  desempenho  sócio-­‐ psicossocial,  sendo  alvo  de  uma  abordagem  integrada  e  que  deve  incluir  um  seguimento  atento  e  de  elevado   grau  de  personalização.  Durante  estas  consultas  foi,  ainda,  dada  oportunidade  de  observar  os  doentes  e  de   realizar  o  exame  objectivo.  

A  seguinte  tabela  ilustra  os  casos  observados  na  referida  consulta.    

Tabela  2  –  Registo  de  doentes  observados  na  consulta  de  doenças  autoimunes.   Caracterização  do  doente   Diagnóstico  

M,  37  anos   Lúpus  eritematoso  sistémico  (LES).  Fibromialgia.  

M,  50  anos   Fibromialgia.  

H,  55  anos   Poliatrite  reactiva  crónica,  com  manifestação  de  síndrome  de  Reiter.  

M,  47  anos     Síndrome  antifosfolipídico.    

M,  49  anos   Doença  de  Beçhet.  

H,  79  anos   Artrite  reumatóide.  

H,  65  anos   LES.