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Almmolaccat dutkamis ja dutkanbohtosiin

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4. Vasihuvvon baikki analyseren - saggon govat muitalit

5.1 Almmolaccat dutkamis ja dutkanbohtosiin

A introdução do padrão tecnológico chamado "modemo" no sul do Estado de Minas Gerais remonta às transformações ocorridas na agricultura mineira a partir de meados do século XX. Durante a década de 1980, a agricultura mineira encontrava- se estagnada: a fronteira agrícola com o Estado de São Paulo havia sido totalmente ocupada, forçando muitos agricultores a migrarem para fora do Estado. As culturas agrícolas mais desenvolvidas, como o arroz, o café e o milho, sofriam sérios problemas de competitividade com a oferta externa, e os incrementos de produtividade não eram compensados pelos preços de venda do produto.

A suinocultura, que era o principal produto comercial dos pequenos colonos das regiões, também perdia seu dinamismo em função da substituição da banha por óleos vegetais, pela perda de mercados para os produtores do sul do Brasil, principalmente catarinenses e gaúchos, e também pela exigência de um novo tipo de rebanho suíno, com preferência de produção. (MASSENA, 1994).

Essa situação, somada a outras combinações de ordem produtiva (solos, clima, etc.) e, principalmente, pela existência de estímulos externos (elevação dos preços nos mercados mundiais e ampliação de mercados), favoreceu a rápida difusão da batata em praticamente todas as regiões agrícolas da lavoura mineira. O "fenômeno batata", como ficou conhecido, modificou a estrutura produtiva e social de boa parte da agricultura de parte do sul, noroeste e norte do estado de Minas Gerais.

Enquanto os agricultores da região do norte deste Estado e, posteriormente, do noroeste do Estado formaram o que Abramovay (2000, p. 66) chamou de "agricultores profissionais”, os agricultores e suas famílias da região sul foram levados ao assalariamento nas indústrias de confecção e à agricultura de subsistência. Vale ressaltar que durante boa parte da década de 1970, 1980 e meados dos anos de 1990, o sul de Minas Gerais e a região de Tócos do Moji

também participaram do fenômeno e “frebe” da batata. O grande problema verificado neste tipo de lavoura agrícola foi, sem dúvidas, a condição financeira resultante da venda deste produto, ou seja, a produção ocorria uma única vez no ano, o que de certa forma significava uma lavoura de risco. O custo de produção também era caro, o que resultava em produtividade e ganhos financeiros apenas para os produtores que já possuíam um capital a ser investido. Como se comenta no município, “batata era coisa para gente rica”.

A partir do início dos anos de 1990, um mesmo processo social, vivenciado por dois grupos diferentes em um ambiente social e econômico distinto, conduziu à uma singular diferenciação. As mudanças no ambiente social e econômico do modo de vida dos agricultores das pequenas cidades do sul do Estado geraram novas estratégias de trabalho e novas formas de reprodução dos pequenos produtores familiares, sem alterar a base tecnológica do processo de produção agrícola.

Na região do município de Tócos do Moji, as transformações da estrutura produtiva da agricultura percorreram uma trajetória distinta. A partir do início da década de 1990, outro tipo de trabalho surge na região. As indústrias de confecção estabeleceram uma peculiar interligação com os diferentes aspectos da economia regional das microrregiões desta parte do Estado. A referida articulação da indústria com a agricultura familiar gerou não somente transformações nas atividades agrícolas dos pequenos agricultores, sobretudo mudanças ocasionadas no processo de produção, como também levou uma parcela significativa da força de trabalho das famílias rurais ao assalariamento nas fábricas.

O que parece singular nesse processo é o tipo de relação salarial que se estabeleceu. O emprego das famílias dos agricultores, especialmente dos mais jovens e das mulheres em atividades fabris, não se caracterizou por um processo de proletarização strictu sensu, e, assim, os efeitos da industrialização sobre a agricultura familiar não chegaram a provocar, de fato, movimentos migratórios expressivos das populações rurais da região para as cidades.

As facilidades de transporte, a proximidade da moradia dos trabalhadores com as empresas de confecção e a existência de um amplo mercado de trabalho permitiam uma combinação dos trabalhos agrícolas com o exercício de empregos extra-agricolas por parte de alguns membros das famílias dos pequenos agricultores. O assalariamento constitui-se, nesse caso, alternativa estratégica às dificuldades econômicas e produtivas enfrentadas pelas famílias.

A inadequação do sistema produtivo tradicional, que esgotava o solo e gerava poucos ganhos globais e de produtividade; a incapacidade de produção em larga escala de produtos agrícolas mais comerciais (caso da batata); a desilusão com a falta de perspectiva e dinheiro no dia-a-dia somados, aos problemas de reprodução do modo de vida submisso as intempéries da comercialização, tornaram os empregos fora da propriedade uma opção duplamente vantajosa: de um lado, obter renda para garantir a subsistência familiar e, de outro, manter a possibilidade de permanecer residindo na propriedade agrícola e manter-se plantando os produtos alimentares de consumo básico.

A articulação da pequena agricultura com a indústria é também verificada em outros países. Trata-se da combinação de processos de industrialização que estabelecem vinculações estreitas com a pequena agricultura familiar. Dentre as principais características da industrialização difusa, podem-se destacar:

(a) ela não requer, necessariamente, um processo de acumulação primitiva de capital ou de formação de um mercado de trabalho específico;

(b) em geral, ocorre em regiões onde há pequena e média densidade populacional e uma estrutura fundiária marcada pela presença de pequenas propriedades;

(c) a população dessas áreas cultiva uma tradição artesanal histórica;

(d) a industrialização difusa ocorre, geralmente, em setores econômicos que têm uma relativa capacidade de deslocamento, são intensivos em ocupação de força de trabalho e pouco exigentes em termos de investimento em infra-estrutura;

(e) a industrialização difusa é uma das consequências das transformações pós- fordistas ocorridas nos países centrais a partir de 1970, que permitiram a certos setores industriais, apoiados em formações sociais e econômicas regionais, conseguir se inserir em nichos de mercados.

Até o momento permaneceu claro que o modelo econômico agrícola baseado no cultivo da batata, mesmo que aliado ao emprego nas empresas de confecção, não dava conta das necessidades financeiras desenvolvidas pelos trabalhadores. No caso específico do município de Tócos do Moji, a população encontrava-se em situação de transição. A busca de emprego nas indústrias de confecção e o modelo de agricultura familiar pareciam ser uma boa opção, porém a lavoura e culturas agrícolas desenvolvidas não davam conta das demandas financeiras. Havia a necessidade de introduzir uma cultura agrícola capaz de atender as necessidades locais e de fácil comercialização e plantio constante. O modelo de agricultura intensiva seria uma ótima opção na região. Além de empregar a mão-de-obra familiar disponível, iria gerar renda durante o ano, o que, diferentemente do que acontecia na época da batata, seria uma alternativa de renda constante. Surge a idéia do cultivo e comercialização da cultura agrícola do morango. Em nossa pesquisa detalhamos melhor este momento de transição na própria fala dos pioneiros deste tipo de cultura agrícola. Alguns detalhes deste produto na região do sul de Minas Gerais são exemplificados a seguir.

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