• No results found

5. Bakgrunn

5.2 Allergisk rhinitt

Embora o estudo de Godinho et al. (2004) refira a existência de 150 mil trabalhadores na IMC, os dados mais recentes da CDMA apontam para cerca de meio milhão de pessoas a trabalhar na IMC (não nos esqueçamos da quantidade de empresas cuja principal actividade não é a produção de moldes). Ora, meio milhão de pessoas reflecte-se numa dimensão média de 25 pessoas. A título comparativo, em Portugal existem cerca de 7500 pessoas no sector em cerca de 300 empresas, o que resulta numa dimensão média exactamente igual à da China. Note-se no entanto que, na China pontificam muitas empresas com mais de mil empregados, o que não acontece em

Portugal, o que pode significar a existência de muitas micro-empresas com 2/3 trabalhadores.

A força de trabalho da IMC pode ser caracterizada pela sua baixa média de idade e pela sua elevada taxa de feminilização. A nível de idade dos trabalhadores, como refere o estudo de Godinho et al. (2004), a média rondará os 30 anos, e mesmo a dos dirigentes ficará abaixo dos 40 anos. A feminilização pode ser observada na forte presença de trabalhadoras em actividades de acabamento, nos departamentos de CAD e mesmo na bancada.

Quanto à formação da mão-de-obra, dada a idade média dos trabalhadores e tendo em conta a aposta das autoridades na educação (os jovens permanecem no sistema de ensino obrigatório até por volta dos 15 anos), poder-se-á deduzir que os estes dispõem de habilitações básicas (mesmo que não possuam formação técnica prévia). Podemos igualmente referir que, existe hoje um elevado número de escolas técnicas e profissionais (algumas dedicadas exclusivamente às áreas da IMC) e mesmo de universidades estatais com cursos direccionados para esta área (entre as quais se destaca a universidade de Jiang Tong em Xangai). No entanto, continua a existir um considerável défice de técnicos especializados.

Com um salário acima da média e uma boa reputação social, a profissão de técnico de moldes e de ferramentas atrai muitos trabalhadores na RPC. Note-se no entanto quando referimos altos salários (serão dos mais elevados em todo o sector industrial), porque, estamos a falar do padrão chinês na realidade eles são dos mais baixos em todo o mundo (Godinho et. al., 2004).

Os salários mensais variam entre os 100 euros, para trabalhadores em regime de aprendizagem, e os 500 euros para trabalhadores muito qualificados (quer na área de concepção, quer na área de produção). No entanto, o salário médio andará por volta dos 200 euros, a que acresce muitas vezes a oferta de alojamentos e refeitórios.

Apesar deste número médio, há que referir que existe uma significativa variância regional dos salários na IMC. As regiões urbanas de Xangai e Beijing são as que apresentam salários mais elevados, enquanto a região do delta do rio das Pérolas (Guangdong) tem salários mais baixos que aquelas, na ordem dos 10 a 15%. Note-se que apesar da proximidade de Hong-Kong (que poderia indiciar salários mais elevados), os salários são mais baixos do que nas zonas urbanas de Xangai, o que leva a crer que a elevada migração para Guangdon, e consequente oferta de trabalho, levam à diminuição dos preços nesta região.

Na província de Zhejiang, outra zona de concentração da IMC, os salários são inferiores aos de Guangdong. Nas empresas de capital estrangeiro os salários tendem a ser substancialmente mais altos (em média cerca de 30%).

Um factor que condiciona esta análise salarial é o horário médio de trabalho. Segundo o estudo de Godinho et al. (2004), uma parte significativa do tecido empresarial funciona em laboração contínua, normalmente operando em dois turnos (turnos de 12/10 horas, consoante os ritmos de procura). A conjugação de salários mensais baixos e longos horários de trabalho resulta num salário-hora bruto de 0,8 USD (cerca de 65 cêntimos europeus), proporcionando uma forte vantagem concorrencial face às principais regiões de concorrência, tal como se pode verificar pelo conteúdo do quadro 5.6.

Quadro 5.6 – Salários horários brutos em 2002 (USD)

Alemanha ocidental Suíça EUA Japão Reino Unido França Itália Alemanha oriental Espanha Eslovénia Portugal Hungria República Checa China 26,4 26,2 22,4 20,2 19,9 19,5 16,6 16,4 15,4 7,3 6,6 5,4 4,6 0,8

Fonte: Godinho et al. (2004)

Na verdade não existem interrupções para fins-de-semana ou férias (conceito até há pouco virtualmente desconhecido na RPC). Tradicionalmente há um feriado nacional a 1 de Outubro, dia de comemoração da revolução chinesa, mas para além deste dia, com excepção das comemorações do dia de ano novo do calendário chinês, parecem não existir outras paralisações.

Refira-se, no entanto, que em 2004 pela primeira vez se verificou uma interrupção de cerca de uma semana na maior parte das empresas chinesas, em finais de Janeiro e uma outra interrupção análoga, de três dias, junto do feriado de 1 de Outubro. Mas como refere o estudo de Godinho et al., estas paralisações não decorrem de exigências laborais ou de uma qualquer actividade sindical, mas decorrem sim do desejo das autoridades em estimular o consumo interno. Esse estímulo só é possível

caso os trabalhadores disponham de tempo para consumirem, gastando o dinheiro que ganham, designadamente para os que emigraram se deslocarem às regiões de origem onde permanecem as suas famílias.

Como vimos, muita da mão-de-obra resulta de migrações de zonas rurais, residindo os trabalhadores nas próprias instalações das empresas. Desta forma, é natural que estes considerem quaisquer tempos não ocupados com o trabalho como tempos mortos. Este factor contribui para uma grande dedicação ao trabalho.

Esta origem rural dos trabalhadores acaba por condicionar os salários, mantendo-os num nível extremamente baixo. Estes trabalhadores migrantes têm nas regiões de origem níveis de vida nos limiares da pobreza, logo aceitam com facilidade o tipo e níveis de salários que lhes é oferecido, até porque a acomodação e alimentação são fornecidos por muitas empresas, transformando a remuneração salarial em “dinheiro extra”, totalmente inalcançável nas zonas rurais da China. Esta situação é comum a todo o sector industrial que não apenas a IMC e contribui poderosamente para uma extraordinária taxa de poupança nacional, da ordem dos 45%.

Outro factor que contribui para a permanência dos salários a níveis baixos, é o próprio facto de nas regiões rurais da RPC continuarem a residir algumas centenas de milhões de indivíduos, que constituem uma reserva industrial, ansiosa por participar no boom económico dos últimos vinte anos. Dada esta grande disponibilidade de mão-de- obra, os salários tenderão a não subir de forma muito significativa, pelo menos acima do crescimento médio da produtividade. De acordo com observadores e vários estudos, ela deverá permanecer, o que significará crescimentos reais da ordem dos 3-4% ao ano (Godinho et al., 2004).

Finalmente, as fracas condições de segurança e higiene no trabalho em muitas empresas chinesas acabam também por contribuir para os baixos custos laborais médios. Os fracos requisitos em relação a esta matéria permitem a aquisição e uso de equipamentos que na União Europeia não seriam passíveis de utilização, devido ao elevado risco de acidente que protagonizam. Segundo Godinho et al. (2004), em bastantes empresas existe muito baixo investimento em bancadas e outros equipamentos mais que comuns em empresas ocidentais, observando-se trabalhadores sentados em pequenos bancos, a trabalharem no acabamento de moldes colocados directamente no chão da fábrica. Também muitas unidades apresentam instalações pouco cuidadas a diferentes títulos, sendo comum encontrar 20 ou 30 operadores de CAD a permanecerem em espaços que não deveriam conter mais de meia dúzia, com

iluminação artificial e sem ventilação adequada. Todavia, há que ter em conta a grande heterogeneidade na também grande IMC, e se encontramos empresas que se assemelham aos sweatshops típicos do sudeste asiático, existem também empresas muito bem organizadas, com lay-outs adequados, espaçosas e bem limpas, não se distinguindo nestes aspectos das melhores empresas ocidentais (Godinho et al., 2004).