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2 Hazard identification and characterisation

2.2 General information

2.4.1.2 Allergic sensitisation (including adjuvant effects)

Segundo MASI (1999), a estética – acompanhada pela ética – será o grande valor do século XXI. Isso porque a tecnologia já esgotou a maior parte da ajuda que poderia oferecer. A sociedade industrial, nascida do Iluminismo, através de Bacon, Cartesio e Gian Batista Vico, teve seus valores baseados, sobretudo, na racionalidade e na produtividade. Uma característica dessa sociedade, apontada pelo autor, é a desvalorização da dimensão estética dos objetos, em privilégio de sua funcionalidade. A obsessão funcionalista dos desenhistas da época possibilitou que a forma fosse tratada apenas como decorrência natural da função. No entanto, na fase pós-industrial em que a sociedade contemporânea se encontra, tem-se observado o resgate de valores como a estética, a ética, a subjetividade, a individualização e a criatividade.

Sendo assim, "por que mantemos feias nossas cidades?"16 – pergunta o arquiteto norte-americano Philip Johnson. "Porque desejamos" – completa ele.

16

JOHNSON, Philip (1968). Por que mantemos feias as nossas cidades. In: A Humanização do Meio Ambiente. São Paulo, Cultrix. pp. 140-156.

É evidente que todos preferem uma cidade bela, agradável; no entanto, as atitudes tomadas em relação ao espaço urbano são pouco compatíveis com a beleza. O padrão estético consolidado na cidade é resultado do padrão de valores da sociedade que a habita. Dessa forma, o planejamento da cidade bela requer uma mudança no padrão de valores pessoais prevalecente, formado por crenças, místicas, pressupostos que orientam cada vida. As crenças populares, no entanto, mudam muito lentamente.

Para JOHNSON (1968), existem valores que ajudam a construir belos lugares e outros que não o fazem. Os puritanos do século XVII e os utilitários do século XVIII, por exemplo, eram contrários aos gastos excessivos com beleza. Sistemas políticos – como o militarismo, o imperialismo, o monarquismo – e religiões são favoráveis à construção de obras grandiosas, como forma de materialização do poder. Já o avanço da ciência e da tecnologia privilegiou qualidades como racionalidade e objetividade, em detrimento dos aspectos subjetivos que permeiam as questões estéticas. Predominam, hoje em dia, em um sistema capitalista, valores associados essencialmente à função do objeto e ao seu custo. A quantidade prevalece sobre a qualidade. Da mesma forma, a idéia de progresso está associada a ganhos materiais: mais carros, mais estradas, mais obras.

Assim, é sintomático que nenhuma cultura histórica tenha construído um número tão pequeno de obras-primas arquitetônicas. Na cidade medieval de Siena, por exemplo, os habitantes dispunham do Officio del Ornato para assegurar a qualidade estética do espaço urbano. A beleza exige cuidados diários (JOHNSON, 1968).

A estética entendida por MASI (1999), no entanto, ultrapassa a noção de equilíbrio e harmonia entre as partes com relação ao todo, e também não se restringe à beleza formal dos objetos, ou às boas maneiras entre pessoas. Ela se refere especificamente à disciplina que dá sentido à vida. A estética é a disciplina que permite mais intensamente a recuperação do senso das coisas; a redescoberta do sentido da arte, a percepção de algo belíssimo que já não se

notava mais. Esse conceito de dimensão estética ainda pode ser ampliado, adquirindo um papel fundamental quando associado à escala da cidade: para o autor, cabe à estética reunir os fragmentos da realidade dispersos no espaço, tornando-os um conjunto único, íntegro, indissociável; passível de ser reconhecido e decifrável.

Atualmente, estão sendo construídas cidades que segregam e brutalizam, em lugar de cidades que emancipam e civilizam (ROGERS, 1997). Os sentimentos de estresse físico e mental presentes na vida atual são diretamente proporcionais à qualidade do espaço urbano, possibilitada em grande medida pelo desenho da cidade (ROLNIK, 1999).

O impacto da aceleração das mudanças globais na cidade é radical: a forma e o funcionamento do espaço urbano têm sido constantemente revisados e adaptados. As instituições passam a ter uma vida cada vez menor – estações ferroviárias são convertidas em museus, edifícios de poder em galerias de arte, igrejas em clubes noturnos, armazéns em residências – e já é comum antecipar se um edifício sobreviverá ou não ao propósito para o qual é construído, em um período de alguns anos. A vida moderna não pode mais ser definida em longo prazo e, por conseguinte, não pode ser contida dentro de uma ordem estática de edifícios e espaços simbólicos. A ordem clássica do simbolismo arquitetônico não é permanente; o espectador não é mais capaz de ler as funções dos edifícios: a igreja, a prefeitura, o mercado, a fábrica. Edifícios já não simbolizam uma ordem hierárquica estática; ao contrário, eles se tornaram recipientes flexíveis para uso por uma sociedade dinâmica. O arranjo de edifícios no espaço – a cadeia da cidade como um todo – passou a ser a reflexão dominante da moderna sociedade urbana.

Para ROGERS (1997), é preciso construir cidades visando à flexibilidade e à abertura, sendo necessário trabalhar a favor, e não contra o inevitável processo que sujeita as cidades a constantes mudanças. A rodovia expressa de informação, o poder acessível da computação e a sofisticada robótica industrial revolucionaram as práticas de trabalho.

Os limites físicos das atividades do passado – a fábrica, o escritório, a universidade – estão sendo substituídos pela rede de trabalho: conexões flexíveis para fontes de informação. Como casas, escolas, locais de trabalho e entretenimento se tornam menos definidos por sua única função, uma estrutura básica, unida a uma cadeia de comunicação comum, pode acomodar estudo, trabalho e lazer. A forma passa a ser, agora, menos compromissada com a função que o edifício possui. O próprio sistema do edifício – sua habilidade, função e beleza – está se tornando rapidamente o critério dominante. As estéticas de resposta, mudança e modulação substituíram a ordem fixa da arquitetura.

A arquitetura está mudando em resposta a demandas ambientais e em função do desenvolvimento de novos materiais ambientalmente favoráveis e de alto desempenho. Se Le Corbusier, nos anos 40, definia arquitetura como o jogo correto e magistral de volumes sob a luz, na arquitetura do futuro os edifícios tendem a se desmaterializar. Para ROGERS (1997), "não será uma época de volumes, mas de transparências e véus: de

estruturas indeterminadas, adaptáveis, flutuantes, que respondam a mudanças diárias no ambiente e a padrões de uso. Os edifícios do futuro – já pressagiados pelos trabalhos de Will Alsop, Future Systems, Zaha Hadid, Rem Koolhaas, Daniel Libeskind, Coop Himmerblau e Toyo Ito – serão menos como os imutáveis templos clássicos do passado e mais como espaços pensantes preparados para mudanças, verdadeiros robôs orgânicos."17

Essa nova arquitetura mudará o caráter do domínio público. Como as estruturas serão mais claras, os edifícios ficarão mais permeáveis e os pedestres se moverão entre eles, em lugar de se moverem ao redor deles. A rua e o parque passarão a ser parte do edifício, ou o edifício poderá pairar sobre eles (ROGERS, 1997).

17

RUEDA (1998) também aposta nessa espécie de desmaterialização dos objetos da cidade. As soluções urbanas deverão ser acompanhadas de mudanças radicais nos objetos do futuro, muitos ainda desconhecidos. Assim como o esforço no planejamento da cidade sustentável está centrado menos no uso de recursos e mais no aumento do conteúdo da informação organizada, também os objetos urbanos devem seguir esta tendência: enfocar a ausência de matéria, sob o predomínio dos serviços.

Além disso, o projeto de qualquer edifício, independentemente de sua função, deve ser elaborado tendo em mente a característica dos materiais a serem utilizados: se o local de origem é próximo, se serão reutilizados ou reciclados ao final de sua vida útil, se o isolamento energético e acústico, os componentes bioclimáticos e a captação de energia procedente do sol proporcionam o conforto e a energia necessários ao funcionamento da estrutura e ao bem estar dos habitantes. Por último, é importante considerar se o desenho do edifício permite um contato maior em quantidade e qualidade entre os portadores de informação, incluindo as novas tecnologias de comunicação, como a fibra ótica e os pontos de conexão suficientes.