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4 Food and feed safety assessment

4.5 Allergenicity assessment

entendimento dos problemas ambientais numa perspectiva social, dada a importância da evolução dos paradigmas relativos à visão da natureza e ambiente apud SARAIVA: 1999, pág. 29.

O desenvolvimento sustentável vem sendo um termo muito utilizado na orientação de diversas intervenções econômicas, sociais e culturais dos tempos contemporâneos, sendo assim é interessante destacar os diversos momentos em que este conceito foi sendo construído através de encontros mundiais e o desenvolvimento de conceitos complementares por pesquisadores do tema.

Os processos de produção e de consumo das sociedades têm sido reavaliados e analisados sob a ótica da preservação de condições para que as próximas gerações possam continuar se desenvolvendo. Esta questão iníciou-se com a expansão humana sobre a terra, pois enquanto o mundo parecia não ter fronteiras os recursos naturais também pareciam ser infinitos.

A concepção do conceito de “desenvolvimento sustentável” é apresentada oficialmente em 1980 pela “União Internacional para a Conservação da Natureza e Recursos Naturais”, mais tarde - tornando-se o “relatório Bruntland” – revisto e divulgado em 1987 pela “Comissão Mundial para o Ambiente e Desenvolvimento” – CDMA. Um dos conceitos mais aceitos para a definição do desenvolvimento sustentável e considerado um clássico para a literatura ambiental, sendo uma das expressões mais conhecidas a frase citada abaixo:

“ econômico, social e político de forma a assegurar a satisfação das necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as gerações futuras darem resposta às suas próprias necessidades”

(CDMA,1987 apud SARAIVA, 1999, pág. 32)

A definição de desenvolvimento sustentável foi um marco para o estudo das questões ambientais, mas a idéia não era inovadora pois vários autores ao longo de décadas anteriores trabalharam de diversas formas o tema, sendo indispensável citar o trabalho de Ian L. MacHarg, que em 1969 já discute a organização do espaço físico com base no ecocentrismo e na valorização da paisagem, inovando com a definição de uma metodologia de trabalho desenvolvida por uma abordagem de planejamento e gestão ambiental, que é atualmente muito utilizada como base para a maioria dos estudos que envolvem o diagnóstico e análise de territórios destinados à urbanização com base nos princípios ambientais. O “relatório de Bruntland” tornou-se um “lema” ou um “balizador amplo” do conceito de “desenvolvimento sustentável”, em que o planejamento e a gestão ambiental apresentam-se como ferramentas eficazes para sua implantação e desenvolvimento.

Para o refinamento do conceito de sustentabilidade apresentado no relatório Bruntland, no que tange ao “capital a ser transferido”58, surge sua divisão em três partes:

capital artificial :edifícios, fábricas, escolas… capital humano: ciência, conhecimento, técnicas …

capital natural: água pura, ar puro, diversidade biológica …

A divisão do tema em três capitais diferentes a serem transmitidos equacionou melhor a responsabilidade do desenvolvimento sustentável entre os diferentes setores socioeconômicos, sendo a avaliação dos processos sustentáveis agora responsabilidade da iniciativa privada, da coletividade e do puder público.

É relevante ressaltar que, para muitos, a compreensão do termo “desenvolvimento sustentável” é complexa, pois na história da evolução humana alguns dizem que as pequenas vilas européias eram sustentáveis e outros acreditam que os assentamentos pré-históricos eram sustentáveis. No entanto, os assentamentos citados eram pequenos, portanto aparentemente sustentáveis. Sabe-se, hoje, que os assentamentos humanos de pequenas proporções apenas apropriam-se do meio ambiente pujante presente no entorno, o que demonstra ainda uma grande dificuldade social e cultural em compreender o que são os processos sustentáveis naturais, econômicos ou culturais.

O modelo de assentamentos humanos não sustentáveis cresceu e formou a civilização urbana atual. As concentrações de população urbana no início do século eram de 10%, atualmente são de 50% e estima-se que a população urbana possa chegar a 75% em 2025. No cenário mundial, estudos demonstram que em 1990 de 35 cidades com população superior a 5 milhões de habitantes, 22 estavam localizadas em países em desenvolvimento, donde concluí- se que estas cidades despreparadas - do ponto de vista do planejamento ambiental - deveriam estar crescendo desproporcionalmente nos anos seguintes, gerando problemas ambientais assim como uma qualidade de vida desfavorável e até prejudicial à saúde de seus habitantes. 59

58

RUANO:1999, pág. 10.

59

No entanto, em 2006, 16 anos após esta estatística, constata-se que os paises em desenvolvimento têm assumido mais compromissos em relação à preservação ambiental que os países “desenvolvidos” através do comparecimento aos encontros mundiais como o de Quioto60 e, assumindo compromissos na busca de novas tecnologias e formas de conduzir as

metas que regem o desenvolvimento econômico destas nações.

A partir da consciência de que a finitude dos recursos naturais é um fato real, o próximo passo em um raciocínio lógico é trabalhar com o problema a ser gerado pela escassez destes recursos naturais.

Como hipótese para solução dos problemas, surge a constatação da necessidade de poupar os recursos naturais e rever as formas de utilizá-los; estudar meios de incentivar políticas para sua regeneração, estimulando os processos biológicos de auto-regeneração da natureza; pesquisar tecnologia para recuperação dos recursos naturais e termos de compensação ambiental como, por exemplo, o desenvolvimento de bactérias que “digerem” o petróleo nos casos de desastres ambientais nos quais há vazamento de óleo dos navios petroleiros ou das estações de extração.

A “energia limpa” 61 assim como os meios de obtê-la tem sido a grande meta a ser atingida e

ainda há grande dificuldade em conciliar os processos produtivos fixados em fronteiras políticas e não em fronteiras estabelecidas com base em um inventário de recursos naturais, para que se possa proporcionar condições adequadas a sua regeneração, embasadas no princípio de emissão zero de resíduos, permitindo um desenvolvimento ambiental, cultural, social e econômico em áreas altamente adensadas.