O suspensório mandibular é composto por sete ossos pares: palatino,
ectopterigoide, endopterigoide, quadrado, simplético, metapterigoide e
hiomandibular. Este conjunto de ossos é responsável pela movimentação do aparato mandibular. A ligação do suspensório com o aparato mandibular é feita dorsalmente pela articulação do palatino com a maxila e ventralmente pela ligação do quadrado com o ângulo-articular. A articulação entre o suspensório e o neurocrânio é feita anteriormente pelo palatino com o vômer e posteriormente pelo hiomandibular com o esfenótico e pterótico.
Caráter 92 – Palatino, articulação com a maxila: levemente conectado (0), conectado por um denso ligamento (1) ou conectado com auxílio de cartilagem e ligamento (2). [IC = 0,25; IR = 0,76].
[Modificado – Parenti, 2008 car. 5]
O palatino é um osso alongado e pode ou não apresentar uma cartilagem na extremidade anterior. O palatino e maxila podem estar conectados por um pequeno ligamento (estado 0). Em alguns Beloniformes esse ligamento fica mais denso e a conexão mais forte (estado 1) e em algumas espécies de Exocoetidae, além do forte ligamento, existe a formação de cartilagem nas extremidades dos dois ossos (estado 2).
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O caráter original contemplava a forma do palatino e o tipo de conexão com a maxila, aqui dividimos o caráter em dois, um para a forma e outro para o tipo de conexão.
Caráter 93 – Região etmoideana, capsula de encaixe do palatino: ausente (0), presente (1). [IC = 0,50; IR = 0,97, Figura 24].
A extremidade dorsal do palatino se articula com a maxila anteriormente, o nasal dorsalmente e o vômer medialmente. A articulação entre esses ossos é feita por ligamentos (estado 0). Em Belonidae, com a expansão ventral do nasal, estes ossos formam uma capsula para encaixe do palatino (estado 1). Em Scomberesox e Cololabis, o vômer é recuado e não participa diretamente desta articulação e por isso a capsula não esta completa. Não foi possível observar este caráter nos fósseis.
Caráter 94 – Palatino, forma da cabeça: bífida (0), côncava (1), laminar (2) ou plana (3). [IC = 0,75; IR = 0,96, Figura 23].
[Modificado – Parenti, 2008 car. 5]
A região de contato do palatino com a maxila e o vômer forma uma cabeça bífida, sendo cada ramo se articulando com um dos ossos (estado 0). Nas condições derivadas, a cabeça medial que se articula com o vômer é perdida e a cabeça de articulação com a maxila pode ser côncava (estado 1), laminar (estado 2) ou plana (estado 3). Não foi possível observar este caráter nos fósseis.
Caráter 95 – Palatino, dentes: ausente (0) ou presente (1). [IC = 0,33; IR = 0,33].
Caráter 96 – Ectopterigoide: presente (0) ou ausente (1). [IC = 1; IR =1, Figura 23]. O ectopterigoide é um osso de origem dérmica, que forma a borda antero- ventral do suspensório. Não está presente em Adrianichthyidae (estado 1), e segundo a literatura também não estaria presente nos outros Beloniformes (Parenti, 2008). Porém a sua presença foi constata em Exocoetoidei e Cyprinodontiformes (estado 0). Os relatos de ausência deste osso pode estar a associada a fusão ontogenética que este sofre com o quadrado, como pode ser vista em Strongylura notata que em
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estágios iniciais de desenvolvimento apresenta uma cartilagem separando os dois ossos. Não foi possível observar este caráter em “Scomberesox” licatae.
Caráter 97 – Ectopterigoide, fusão com o quadrado: ausente (0) ou presente (1). [IC = 0,20; IR = 0,42].
Na condição primitiva é possível fazer distinção entre o ectopterigoide e o quadrado, pois a fusão não esta completa (estado 0), enquanto que na condição derivada a fusão é total e nenhuma sutura é visível (estado 1). Não foi possível observar este caráter em “Belone” crior e “Scomberesox” licatae.
Caráter 98 – Endopterigoide: delgado (0), triangular ou subtriangular (1), expandido medialmente, quase em contato com o paraesfenoide (2) ou reduzido (3). [IC = 1; IR =1, Figura 23].
[Modificado – Meisner, 2001 car. 16]
O endopterigoide é um osso longo e membranoso que reveste a parte medial e ventral da órbita. Na condição primitiva o osso é delgado e laminar (estado 0). Em Fundulus heteroclitus e Cyprinodon macularius o endopterigoide é um osso grosso e triangular (estado 1). De modo geral, em Exocoetoidei, é um osso laminar e expandido medialmente (estado 2), em alguns casos a expansão interna é tão avançada que osso entra em contato com o paresfenoide. No clado formado por Hemirhamphodon, Dermogenys e Nomorhamphus o endopterigoide é extremamente reduzido, sendo visível apenas uma pequena lâmina ou pequenas ossos circulares (estado 3).
No caráter original houve um erro de interpretação, devido à redução do endopterigoide nos Zenarchopteridae, e ao conceito que o ectopterigoide está ausente em Beloniformes, Meisner (2001) interpretou o ectopterigoide como se fosse o endopterigoide.
Não foi possível observar este caráter em “Belone” crior, “Belone” harmati e “Scomberesox” licatae.
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Caráter 100 – Metapterigoide: presente (0) ou ausente (1). [IC = 0,50; IR = 0,66, Figura 23].
[Parenti, 2008 car. 9]
O metapterigoide é um osso laminar, ligeiramente retangular que se expande medialmente. Contata anteriormente com o simplético, posteriormente com o pré- opérculo e o hiomandibular e ventralmente com o ramo ventral do pré-opérculo. Este osso é encontrado em todos Beloniformes (estado 0), exceção de Adrianichthyidae (estado 1).
Caráter 101 – Metapterigoide, crista óssea lateral: ausente (0) ou presente (1). [IC = 0,33; IR =0,91].
Metapterigoide é um dos ossos que servem de origem para o músculo A2/3. Na condição primitiva é um osso plano expandido medialmente (estado 0), enquanto que na condição derivada o osso apresenta duas expansões uma medial e outra lateral (estado 1).
Caráter 102 – Metapterigoide, crista óssea lateral, forma: em crista (0) ou em aba (1). [IC = 0,20; IR =0,76, Figura 23].
O metapterigoide apresenta uma expansão lateral que aumenta a área de inserção muscular. Na condição primitiva a expansão é uma crista (estado 0). Nas espécies que apresentam as maxilas mais pesadas ou compridas, a expansão lateral do metapterigoide é transformada numa aba, tão grande quando a expansão interna (estado 1).
Caráter 103 – Cartilagem pterigoquadrado, posição: segue entre os ossos palatino e quadrado (0) ou inserida na calha dorsal formada pelo palatino, endopterigoide e ectopterigoide(1). [IC = 0,16; IR = 0,54].
[Modificado – Parenti, 2008 car. 10]
Nos Beloniformes a cartilagem pterigoquadrado se contata dorsalmente com a porção medial e cartilaginosa do pré-frontal e com a cartilagem etmoide. Na condição primitiva a cartilagem pterigoquadrado fica inserida entre os ossos palatino e quadrado, como um sanduiche (estado 0). Na condição derivada a cartilagem repousa
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sobre uma calha formada pelos ossos palatino, ectopterigoide e endopterigoide (estado 1). A família Adrianichthyidae, aqui representada pelo gênero Oryzias, apresenta a condição primitiva, mas existe uma expansão dorsal da cartilagem que mantêm o contato dorsal com as cartilagens do pré-frontal e do mesetmoide.
Caráter 104 – Arco mandibular, hiomandibular, faceta de articulação: duas, espaçadas (0), uma (1) ou duas continuas (2).
[Modificado – Parenti, 2008 car. 47]
A face dorsal do hiomandibular se articula com a fossa hiomandibular, que é formada pelos ossos esfenótico, pterótico e proótico. A faceta de articulação é revestida por uma grossa cartilagem. Na condição primitiva o hiomandibular possui duas facetas de articulação com o neurocrânio que se encaixam em ossos diferentes e não apresentam continuidade na articulação (estado 0). Na condição derivada a face dorsal do hiomandibular é uma única faceta que se articula como um todo na fossa hiomandibular (estado 1). Em Exocoetoidei, o hiomandibular apresenta duas facetas e o encaixe é continuo (estado 2) e neste caso a separação entre a faceta anterior e posterior se dá por um entalhe.
O caráter foi modificado para contemplar a diferença entre a cabeça bífida dos Cyprinodontiformes e dos Exocoetoidei. A faceta de articulação encontrada nos Exocoetoidei, apesar de bífida, é mais similar a faceta dos Adrianichthyidae. A fossa do hiomandibular dos Cyprinodontiformes é incompleta, não formando uma parede circunda toda a face dorsal do hiomandibular, e nos Beloniformes é possível ver que em Adrianichthyidae as paredes do esfenótico e pterótico estão mais próximas, quase formando uma fossa completa, condição que é observada nos Exocoetoidei.
Este caráter não foi codificado em “Scomberesox” licatae, pois a face dorsal do hiomandibular nos espécimes analisados estava danificada e por isso não foi possível distinguir se havia ou não separação entre a faceta de articulação anterior e posterior.
Caráter 105 – Arco mandibular, hiomandibular, processo posterodorsal: ausente (0) ou presente (1). [IC = 0,11; IR = 0,80].
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Na condição primitiva a margem posterodorsal se encaixa totalmente na fossa hiomandibular (estado 0). Na condição derivada a face posterodorsal do hiomandibular apresenta um processo uncinado que fica externo a fossa hiomandibular (estado 1).
Caráter 106 – Musculatura, adductor mandibulae, ramo A
ω
Q, origem: quadrado (0),simplético (1) ou simplético e endopterigoide (2). [IC = 1; IR =1]. [Adaptado – Hertwig, 2008 car. 49]
O ramo A
ω
Q do músculo adductor mandibulae segue ventralmente ligando osossos mediais do suspensório com o ângulo-articular. Na condição primitiva o ramo se origina no quadrado (estado 0). Nos Exocoetoidei existem duas condições derivadas, uma mais geral onde a origem é no simplético (estado 1) e outra mais especifica na família Belonidae que o músculo se origina do simplético e endopterigoide (estado 2).
Caráter 107 – Maxila e dentário, ligamento premaxillo-mandibulare, conexão: ligado principalmente na pré-maxilar (0) ou ligado principalmente na maxila (1). [IC = 1; IR =1].
[Hertwig, 2008 car. 76]
O ligamento maxillo-dentario é um pequeno feixe que conecta a face lateral do dentário com a face medial do maxilar superior. Na condição primitiva o ligamento esta conectado principalmente no pré-maxilar (estado 0), enquanto que na condição derivada a ligação é com a maxila (estado 1).
Caráter 108 – Dentário, processo coronoide, ligamento premaxillo-mandibulare, cartilagem: ausente (0) ou presente (1). [IC = 0,33; IR = 0,88, Figura 23].
Caráter 109 – Maxila, ligamento premaxillo-maxillare: presente (0) ou ausente (1). [IC = 1; IR =1].
[Hertwig, 2008 car. 75]
A ligação entre o pré-maxilar e a maxila nos Cyprinodontiformes se dá por um ligamento cruzado (estado 0). Nos Beloniformes a conexão entre a pré-maxilar e a
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maxila é intermediada por um denso tecido conjuntivo (1), homólogo ao ligamento premaxillo-maxillare (Hertwig, 2008; Werneburg & Hertwig, 2009).
Caráter 110 – Dentário, ligamento lacrimal-mandibular: presente (0) ou ausente (1). [IC = 1; IR =1].
[Modificado – Dyer e Chernoff, 1996 car. 31; Parenti, 2008 car. 11]
O ligamento lacrimal-mandibulare conecta o ângulo-articular com a margem ventro-medial do lacrimal. Dyer e Chernoff (1996) sugeriram que este ligamento e o tendão A1 lacrimal dos Atheriniformes e alguns Cyprinodontiformes seriam homólogos. O ligamento está presente em todos Beloniformes examinados (estado 0), a exceção de Oryzias (estado 1). A ausência deste ligamento foi sugerida como sinapomorfia para os Adrianichtyidae por Parenti (2008).