A avenida Campos Salles está orçada aproximadamente (talvez com otimismo) em 4.000 contos, já feita a dedução da taxa de melhoria. É base, e base pouco tranqüilizadora, pois faz prever um custo total excessivo, que exigirá cortes no plano, oq eu alas era esperado. A Diretoria de Obras vai orçar outras obras. Tais orçamentos exigem atenção especial nisto:
a) Alijar todos os acessórios não essenciais, que pelo
número pesariam muitíssimo. Por isso não considerei os prolongamentos da rua Barão de Jaguara e da Campos Salles, que aliás, no meu parecer, são pouco úteis e até, sob certo ponto de vista, contra-indicados. Em todas as cidades repete-se o combate entre os urbanistas e a opinião comum, sobre prolongamentos, sobra a necessidade e beleza de ruas compridas, sobre certa regularidade que o povo julga essenciais e, sobre o preconceito urbanístico curiosos. Quando os urbanistas encontram ou podem dispor uma praça ou monumento importante no topo duma rua importante, como conclusão, escopo e remate desta, geralmente exultam por haverem encontrado uma solução lógica e agradável. O leigo, pelo contrário, que forçar atravessar e prolongar, monótona e indefinidamente as ruas ou, pelo menos, até um remate menos lógico ou menos importante. Mais interessante e pitoresco seria, nessa diretriz (Campos Salles), uma simples galeria para pedestres, que conduzisse até o centro da
Comunidade, edifício que, como vimos, poderia elevar-se no quarteirão triangular entre a rua Cesar Bierrembach e a Praça Carlos Gomes, com terraços sobre estas, em belíssima posição.
b) Não confundir orçamentos de obras re remodelação
(mais urgentes) com os de obras novas ordinárias relativas ao desenvolvimento normal da cidade. A soma de tudo seria cifra assustadora, mas sem significação. É como se somássemos todas as obras públicas desde João Ramalho até hoje. Por exemplo, as perimetrais externas serão futuramente obra normal da cidade: “fazer duma certa maneira o que teria de ser feito de qualquer maneira”. Também excluir do custo da remodelação propriamente dita melhoramentos que deviam ser normais (melhorar jardins existentes, calçamentos, etc.). Naturalmente para ação administrativa o orçamento total incluiria tudo. A cifra importante é a das obras imediatas novas, as de substituição ou remodelação, todas referidas aos prazos respectivos.
c) No nosso caso admitimos em primeira hipótese, para
plano de execução das obras onerosas: Obras imediatas (6 anos):
- Av. Campos Salles: 4.000 contos
- Av. Glicério (trecho principal): 4.000 contos - Parque da Vila Industrial (início): 400 contos - Entrada da Cidade: 400 contos
- Canalização do Proença: 1.000 contos
Alargamento de trechos mais velhos e necessários de Benjamim Constant, Bernardino de Campos.
- Casa da comunidade (1ª parte) ou outro edifício: 1.500 contos - Escolas rurais, edifícios: 200 contos
- Melhoramentos diversos e eventuais: 1.100 contos Total: 13.000 contos
Melhoramentos a executar á medida que se impuserem (demolição e construções novas).
- Alargamento da José Paulino, terreno e composição: 2.000 x 6 = 12 m2 x 50$ = +/- 600 contos
- Alargamento de Glicério (restante): 1.000 x 20 = 20.000 x 50$ = 1.000 contos
- Alargamento da r. Conceição (até Carlos Gomes) e Ge. Osório (entre José Paulino e Carlos Gomes): (400 + 400)5 = 4.000 x 100$ = 400 contos
- Mesquita, ligação com a rua Santa Cruz:
(300 x 20) + (300 x 10) =9.000 x 55$ +/- 500 contos - Alargam., no Chapadão (+/- r. Germania ou paralela) e outras perimetrais: 3.000 x 10 = 30.000ms2 x 20$ = 600 contos
- Conclusão do edifício da Comunidade, ou outro: 1.000 contos - Paço: 2.500 contos
- Terrenos para o Fórum e Correio (já concluídos atrás) - Melhoramentos no Jequitibás: 300 contos
- Melhoramentos na Vila Industrial: 500 contos
- Serviços ferroviários (a fazer p/ estradas): 1.600 contos - Aterros de perimetrais, passagens de nível, etc.: 1.000 contos - Av. Paulista 1.500 x 20 = 30.000 x 33$ +ou-: 1.000 contos - Campo de aviação: 600 contos
- Monumentos, portões, etc.:1.000 contos - Parkway: 1.200 contos
- Av. do Saneamento, prolongamento: 400 contos
- Diversos (terreno matadouro, mercado, trechos a adquirir das perimetrais, auxilio ao hotel, etc.): 2.800
A prever e regulamentar:
- Av. cônego Cipião (recuo) - Av. Irmã Serafina (recuo)
- Perimetrais e radiais (faixa a preservar) - Ruas de Thalwegg
- Conclusão de Parques
- Verba a reservar para frações inadiáveis destes serviços: 1.000 contos
A desistir:
- Mudanças de estradas no Taquaral - Parque do Taquaral
- Parque do Saneamento - Aeroporto bom
- Etc., etc.
Total: imediato (6 ½ anos): 13.000 contos gradual: 17.000 contos eventuais 1.000 contos 31.000 contos Prazo: 35 anos.
Por ano = cerca de 1.000 contos
É verdade que a receita argumentará todo ano, mas também argumentarão os custos de terrenos e obras, e aparecerão necessidades novas. Para considerar estas variações não temos estatísticas perfeitas. Como os orçamentos públicos crescem per capita com o tempo, em valor absoluto, (embora este crescimento seja muito menos do que o cambio e outros fatores aparentam) conclui-se que relativamente a situação não tenderá a piorar, pelo contrário. O orçamento próximo apresentará uma arrecadação de quase 7.00 contos,
mas esta inclui os distritos extra-urbanos, que naturalmente desejam melhoramentos próprios e nãos e conformarão com o pagamento das “obras sumptuárias da metrópole” na mesma base dos urbanistas. Logo a renda exterior é a de reduzir pelo menos a 1/2, seja uma redução de p. ex. 2/3 1.000 = 600 contos. Por outro lado as rendas industriais, se bem que no único meio de fazer participar toda população no custeio do urbanismo, não poderão sofrer argumentação de tributação na mesma proporção. Segue-se outra dedução de p. ex. ½ 2.000 = 1.000 contos. Receita restante destinada a sofrer argumento: 7.000 – (600 +1.000) = 5.400.
Em relação a ela os 1.000 contos anuais para o urbanismo são cerca 20%. Sobre quem recairá? Sobre todos, um pouco mais aos diretamente beneficiados, (em especial, taxa de melhoria), um pouco menos aos já sobrecarregados ultimamente pela mudança de regime fiscal nacional, um pouco mais aos aliviados pela mesma reforma, alguma coisa a novas fontes a criar. Não se deve esperar muito das taxas de melhoria, cuja fama é maior que o poder. Na realidade serão os contribuintes gerais os mais atingidos. Ao critério exposto acrescentar o de ordem geral: procurar o mais habilitado e o mais fácil. A renda é o melhor critério de habilitação, mas só pode ser justa e plenamente aplicado, pela entidade máxima (governo nacional), podendo, todavia servir de fonte subsidiária da informação. A facilidade indica mais os imóveis e menos o comércio, que pode mudar, se for muito sobrecarregado. A política econômica do município, a cujo futuro convém o desenvolvimento industrial, aconselha também não sobrecarregar as indústrias, antes atrair as novas.