3.3 Utenlandsk utdanning
3.3.2 Aktivitetsrapport for godkjenning av utenlandsk utdanning
Grande parte dos documentos e autores até agora considerados nesta pesquisa refere-se basicamente à LE em geral, embora nosso enfoque esteja concentrado na LI por três fatores: é a língua estrangeira trabalhada na maior parte das escolas públicas de ensino médio do município de Natal, em todas as séries; há uma clara ênfase atribuída a esse idioma por parte dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN); e por fim, quer apreciemos ou não, a LI tem ocupado um status de língua global como constatado em estudos como de Rajagopalan:
Estima-se que perto de 1,5 bilhão de pessoas no mundo – isto é ¼ da população mundial – já possui algum conhecimento da língua inglesa e/ou se encontra em situação de lidar com ela no seu dia-a-dia. Acrescente-se a isso o fato ainda mais impressionante de que algo em torno de 80 a 90% da divulgação do conhecimento científico ocorre em inglês. Ou seja, quem se recusa a adquirir um conhecimento mínimo da língua inglesa corre o perigo de perder o bonde da história. (2005. p. 149).
Assim como para Rajagopalan, os estudos de Jorge (2009) apontam que um dos pilares para a elaboração de qualquer proposta de ensino de uma LE nas escolas, como a LI, está na compreensão dos objetivos de seu ensino. E no Brasil, tende-se a perceber essa língua como estando em um espaço privilegiado em relação aos contextos culturais, políticos e sociais na contemporaneidade. Ainda segundo a autora, para muitos a LI tem sido considerada como uma língua internacional que pode facilitar a comunicação em tempos de mundo globalizado e mesmo para os pesquisadores que discordam o status dessa língua como língua internacional, esses defendem que:
[...] o ensino de inglês, como de toda e qualquer língua estrangeira, deve ser feito levando em conta as necessidades do local onde essa língua é ensinada, ressaltando que o objetivo maior do ensino de inglês no mundo
globalizado é criar oportunidades para o aprendiz participar da globalização de maneira emancipada. (JORGE, op. cit., p. 163).
Faz-se necessário registrarmos que o enfoque dado ao estudo do ensino da LI nas EP, nesta pesquisa, conforme afirmativas coerentes e verdadeiras sobre esse idioma e constatadas nas referências anteriores no que diz respeito à sua importância no contexto mundial atual, não pode sobrepor às necessidades de indivíduos outrora denominados aqui como alunos críticos, autônomos e que fazem parte de um universo de identidades plurais, como já mencionado, e que porventura podem estar motivados ao aprendizado de outra LE que não o inglês. Além de essa escolha encontrar-se oficialmente contemplada inclusive nos documentos oficiais de orientação à educação básica para as EP, como veremos mais adiante, anulando essa possibilidade estaríamos, portanto, entrando em contradição com toda a busca de uma função social para o ensino da própria LI para os alunos brasileiros, quando nos pautamos até o momento no uso da linguagem como fenômeno social.
A respeito da compreensão geral dos objetivos do ensino de uma língua (seja LE ou não), muitos professores pensam que a parte mais importante desse processo significa apenas ensinar sua gramática e seu vocabulário. No Brasil, quanto ao ensino de LI, a aprendizagem é frequentemente voltada para a tradução e memorização. Isso não quer dizer que conhecer a gramática e o vocabulário não sejam aspectos muito importantes para aprender a se comunicar em uma LE. Ainda segundo Jorge, precisamos pensar que quando ensinamos a LI, por exemplo, atravessamos outros aspectos como à cultura de um país, ou maneiras de representar um povo.
O caráter educativo de ensino de uma LE está nas possibilidades que o aluno pode ter de se tornar mais consciente da diversidade que constitui o mundo. As múltiplas possibilidades de ser diferente, seja pela cultura, seja pelas identidades individuais, podem fazer com que o indivíduo se torne mais consciente de si próprio, em relação a seu contexto local e ao contexto global. (2009, p. 163).
O que podemos enfatizar, num primeiro momento, sobre o ensino de LE no ensino médio no Brasil, como o mesmo foi realmente inserido historicamente e quais as suas motivações, é tratado por Guimarães (2005), quando do estudo nos currículos escolares brasileiros desde o século XIX. A reforma curricular de 1868 consolidou a presença do método gramática-tradução. Logo em seguida, em 1915,
excluiu-se o estudo da literatura do currículo, estabelecendo o desenvolvimento da oralidade e da escrita como foco. Contudo, verificou-se que, mesmo nessa época, as provas de vestibular continuaram a ter um caráter literário, o que apontava para uma continuidade do uso do método gramática-tradução, inadequado para o que foi proposto na reforma curricular daquele ano. Em 1935, mais uma intervenção do governo a fim de resolver esse dilema:
[...] o ensino de inglês deveria ser feito em língua inglesa, embora se mantivesse obrigatória a leitura das obras clássicas da língua [...] o governo tentou criar um perfil [...] de acordo com um objetivo que girava em torno ou do desenvolvimento da leitura ou do desenvolvimento da oralidade e da escrita. A função do ensino [...] era determinada ou por necessidades práticas decorrentes das relações políticas e comerciais entre o Brasil e outros países, ou por objetivos de ordem cultural [...]. (GUIMARÃES, op. cit., p. 26).
Nas décadas de 1960 e 1970 ocorreu a chamada universalização do ensino fundamental e médio. Na prática, todos os brasileiros em idade escolar tinham o direito à escola, e principalmente a oportunidade de frequentá-la pela sua gratuidade. Não queremos aqui entrar em detalhes no debate, como em Leffa (2007), sobre o surgimento, a partir desse momento, da escola de rico, onde supostamente se aprenderia mais, e a escola de pobre, as antigas EP, que eram de qualidade e transformaram-se, segundo o autor, em escola de segunda categoria. Trata-se apenas de uma possibilidade de situar os acontecimentos de forma mais clara, visto que foi nesse contexto que a língua estrangeira tornou-se obrigatória no currículo do segundo grau (Lei 5.692/71).
Desde o final da década de 1990 até os dias de hoje, parâmetros curriculares oficiais servem como base para o entendimento do ensino de LE nas EP do Brasil, desde o ensino fundamental até o ensino médio.