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Aktieselskaper anmeldt til firmaregistret 1904-1906. 1 )

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15. Aktieselskaper anmeldt til firmaregistret 1904-1906. 1 )

Felizmente são os rios as nossas principais estradas. Jeronimo Francisco Coelho (1848)73

72 ARAÚJO, Renata Malcher. As cidades da Amazónia no século XVIII. Belém, Macapá e Mazagão. Porto: FAUP, 1998. A autora afirma que “a consecução do projecto (de dessecamento) só se fará no século XIX, com a

secagem total do pantano e o seu arruamento.” P. 253

73 “Falla dirigida por Jeronimo Francisco Coelho, presidente da Provincia do Gram-Pará á Assemblea Legislativa Provincial na abertura da sessão ordinária no dia 1 de outubro de 1848. Disponivel em http://www.crl.edu/pt- br/brazil/provincial/pará. Acesso em 27 set. 2005.

Jerônimo Francisco Coelho (1806-60) era natural de Santa Catarina. Foi presidente da província do Grão-Pará, entre março de 1848 e maio de 1848. Seguiu carreira militar, foi ministro da guerra e da marinha, conselheiro do Império, deputado provincial e geral por Santa Catarina, vice-Presidente dessa província. Foi também membro da maçonaria. Ver SORIANO NETO, Manoel. Jerônimo Coelho – Ministro da Marinha (Uma Abordagem Sumária). Disponivel em http://www.cdocex.eb.mil.br/Arquivos%20em%20PDF/Jeronimo_Coelho.pdf. Acesso em 05 fev. 2010.

Figura 1 "Prospectiva da CIDADE DE St.ª MARIA DE BELEM do Grão Pará"74

Para o dirigente Jeronimo Francisco Coelho, o Grão-Pará era uma província de grande especialidade geológica e fluvial, na qual a natureza realizara prodígios vegetais e animais. Belém, a capital do Grão-Pará, deveria corresponder à riqueza da província e para tanto eram necessárias várias obras públicas, ou seja, a natureza produzira riquezas diversas, mas cabia ao homem a edificação de obras que dessem à Belém a possibilidade de ser “realmente” a “primeira Cidade do Norte”.

Em sua “falla” de dirigente, ele menciona as carências observadas, entre as quais, um chafariz ou fonte pública em condições, um cemitério, um teatro, enfim. Afinal, que cidade no ocidente, principalmente uma capital não deveria dispor de tais obras? Ou seja, essa concepção de cidade parecia fortalecer-se no período em questão. Estradas, segundo ele, não havia e sim, ruas, a maioria desprovida de calçamento ou então, “defeituosamente calçadas” o que engrandecia a importância dos rios, estradas de águas fundamentais ante o comércio realizado na Província e centrado em Belém.

Aliás, em discurso de 1838, o presidente provincial Soares D’Andrea também afirmava que A Provincia do Pará tinha “vantagem sobre as outras do Império, de poder

realizar quase todas as suas communicações por água (...)”. Propugnava, contudo, que

74 A imagem acima consta da obra de REIS FILHO, Nestor Goulart. CD-ROM, Imagens das Vilas e Cidades do

Brasil Colonial, 1999. Segundo Reis, o “autor é Ignácio Antonio da Silva. O desenho mostra Belém no final do

fossem construídas estradas que encurtassem distâncias, sobretudo até o Maranhão, pois as viagens através de estradas poupariam os viajantes de enfrentar as “contracorrentes nos

tortuosos rios por que hoje se comunicao”.

Além disso, os cuidados para com esses caminhos, tais como “limpeza e reparos”, seriam realizados pelos “vadios e vagabundos” existentes na província, ou seja, eles seriam os trabalhadores diretos, empregados em atividades que exigiam proximidade maior com a natureza, conforme era esperado em relação aos chamados subalternos, tais como, no caso de Belém, os indígenas, os negros escravizados ou libertos, mestiços de ambos, brancos desafortunados, enfim.75

A respeito disso, lembro que devido à abundância de rios e igarapés, a construção de pontes seria inevitável, o que também demandaria recursos, mão-de-obra e conhecimentos afinados com as obras relacionadas ao controle das águas. Sobre essa questão, o presidente d’Andrea registrou, nos anos trinta dos oitocentos, que faltavam na província “artistas”, “mestres”, assim como homens capazes de dirigir trabalhos de “Construções civil” tão necessários numa província na qual “faltava tudo”.

São as águas também o destaque da imagem que apresento. Ela mostra justamente a frontaria da Cidade do Pará observada a partir do rio, denominado pelo possível autor como “das Amazonas”. Além das águas, também foi destacado tudo quanto era considerado mais importante ou mesmo essencial na Belém do final do século XVIII e início do XIX. Ou seja, os prédios construídos e que seriam dignos de admiração por marcarem o desenvolvimento do território efetivado pela metrópole principalmente a partir do século XVIII, através do aprofundamento do conhecimento dos chamados elementos constitutivos da natureza das áreas conquistadas – espécies vegetais e animais, modos de vida dos chamados habitantes

75 “Discurso que o presidente da Provincia do Pará Soares D’Andrea fez na abertura da 1ª Sessão da Assemblea Provincial em 2/03/1838”. Disponivel em http://www.crl.edu/pt-br/brazil/provincial/pará. Acesso em 25 set. 2005.

Francisco José de Souza Soares d’Andrea era marechal, presidente e comandante de armas da Provincia. Foi o comandante das tropas legais que retomaram a cidade de Belém de dirigentes e participantes da luta cabana em 13/05/1836. Ao recorrer às expressões “vadios e vagabundos”, Soares d’Andrea referia-se àqueles que eram considerados para além de ociosos ou sem ocupação “regular” durante o período em questão, ou seja, referia-se aos que eram pensados como perigosos, ameaçadores da ordem, criminosos, entre os quais estariam indubitavelmente, os cabanos e apoiadores desses. Segundo Claudia Maria Fuller, “em todo o territorio

brasileiro as autoridades e “elites” estruturavam seus discursos perseguindo alguns temas comuns aos legisladores paraenses. A civilização, o progresso, o ordenamento e ocupação da mão-de-obra livre pobre, a constituição de uma população brasileira com hábitos renovados e voltados para um conceito de desenvolvimento pautado no trabalho constante e no aumento da produção”. FULLER, Cláudia Maria. Os

Corpos de Trabalhadores: política de controle social no Grão-Pará. Belém: UFPA/Laboratório de História/Dptº de História - CFCH, Fascículos, nº 1, 1999. Pp. 1-5. Sobre “trabalho e vadiagem” no Brasil valeu a leitura de FRAGA FILHO, Walter. Mendigos, moleques e vadios na Bahia do século XIX. São Paulo: Hucitec / Bahia: EDUFBA, 1996. E também SOUZA, Laura de Mello. Desclassificados do ouro: a pobreza mineira no século

nativos, possibilidades de usos das águas e nesse sentido principalmente, as vias de acesso que favoreceriam a ampliação de domínios, como, por exemplo, os rios.76

Ressalto que não apenas para o autor do prospecto os espaços enfocados eram importantes, como também para outros sujeitos, moradores ou visitantes da cidade de Belém tanto nos anos finais do século XVIII, quanto no decorrer do século XIX, haja vista a frase registrada por Jerônimo Coelho, meio século depois da produção de Antonio Ignacio, com relação aos rios.

São vários, aliás, os relatos sobre o impacto em ver a cidade após longas viagens através de águas caudalosas e estreitos canais, o avistar de numerosas ilhas e finalmente o contato visual dos grandes prédios da frontaria que identificavam a cidade de Belém. A referência aos canais é vasta na documentação. De acordo com a documentação poderiam ser naturais ou construídos, os naturais também eram chamados “furos”. Naturais ou não, os canais comunicavam as águas de rios, baías, lagoas. Furos e/ou canais seriam principalmente os caminhos de águas destinados às embarcações de menor porte. O canal de Igarapé Miri, muito citado pelos dirigentes, dava passagem às canoas que saíam de Belém em direção ao Tocantins, evitando a travessia pela baía do Marajó, considerada arriscada.77

Considerando o período inicial do século XIX, é importante mencionar Alexandre Rodrigues Ferreira, que também descreveu a cidade de Belém dos anos oitenta do século XVIII, baseando-se no que considerou mais significativo.

Nas anotações de Ferreira sobre Belém, a água é um elemento referido várias vezes, pois, para além da viagem até a cidade, pareceu impressioná-lo os alagamentos em vários

76 Para o desenvolvimento da presente discussão considerei útil a recorrência aos conceitos de território e territorialidade. Para tanto foi importante ver RAFFESTIN, Claude. Por uma geografia do poder. São Paulo: Ática, 1993. Para esse autor “É essencial compreender bem que espaço e território não são termos

equivalentes”. (...) o espaço é anterior ao território. O território se forma a partir do espaço, é o resultado de

uma ação conduzida por um ator sintagmático (ator que realiza um programa) em qualquer nível. (...) O território é uma produção a partir do espaço e a produção se inscreve num campo de poder. (...)”. E também SPINDOLA, Haruf Salmen. Territorialidade em Minas Gerais durante a crise do sistema colonial. In: FERREIRA, Leila da Costa e DUARTE, Laura (orgs). Diálogos em Ambiente e Sociedade no Brasil II (Coleção Cidadania e Meio Ambiente). São Paulo: Annablume. 2008. Para Haruf Spindola “O território abarca um

conjunto de relações entre atores, contidas em diversas categorias , tais como Estado, mercado, circulação, trocas materiais e intercâmbios imateriais, hábitos, tradição, entre outras, que expressam um processo de territorialidade que lhe foi particular e, desta forma, transformou aquele espaço em um âmbito territorial de processos sociais. Portanto são os processos sociais, o grau e modalidade do desenvolvimento das forças produtivas, o sistema político, a correlação das forças sociais e as teias de interesses mercantis e as mentalidades que dão sentido e alcance a um determinado território.” P. 85.

77 Ver “Relatorio apresentado á Assemblea Legislativa da Provincia do Pará pelo presidente Francisco Carlos de Araujo Brusque em 1 de setembro de 1862”. Disponivel em http://www.crl.edu/pt-br/brazil/provincial/pará. Acesso em 16 set. 2005.

espaços da mesma durante o inverno, os terrenos encharcadiços, a mistura de águas e matas, bem como a recorrência dos moradores às águas de rios e igarapés para beber.78

Para Rodrigues Ferreira, era necessário vencer as agruras impostas pela natureza por intermédio das águas, ou seja, era preciso impor a construção da cidade - um espaço dos moradores que não deveriam conviver com águas empossadas em meio às matas. Nesse sentido, era preciso enxugar a cidade, escorrendo as águas estagnadas em vários pontos e entulhando outros e, além disso, buscar boas águas de beber.

Em consonância com esse modo eurocêntrico de pensar a relação com as águas no interior da cidade, Rodrigues Ferreira não deixou de salientar, como muitos outros, as águas volumosas à frente da mesma, como é possível observar na imagem a seguir, constante da obra “Viagem Filosófica”.79

Figura 2 “Prospecto da Cidade de S. Maria de Belém do Graõ Pará” 80

Mais de meio século depois, a partir de viagem realizada em 1859, Robert Avé- Lallemant deixou registros acerca das águas locais e da visão da cidade a partir do rio.

78 Fundação Cultural do Pará “Tancredo Neves”/CENTUR. Biblioteca Pública do Estado do Pará “Arthur Vianna”, sessão de obras raras. FERREIRA, Alexandre Rodrigues. Miscelânea Histórica: para servir de

explicação ao prospecto da Cidade do Pará 1783-1784, (texto datilografado). Estudos que referem Alexandre Rodrigues Ferreira sobre usos da águas em Belém são, por exemplo, ARAÚJO, Renata Malcher. As cidades da

Amazónia no século XVIII. Belém, Macapá e Mazagão. Porto: FAUP, 1998. P. 252. A autora adverte para as discussões de Alexandre Rodrigues Ferreira acerca da água em Belém: “abastecimento público e as questões de

ordem sanitária, em função das águas estagnadas”, assim como a importância dos poços públicos para os moradores. GUIMARÃES, Luiz Antonio Valente. As casas & as coisas: um estudo sobre vida material e

domesticidade nas moradias de Belém – 1800-1850. Dissertação (mestrado). Belém: UFPA/CFCH/PPHIST, 2006. E SILVA, Ivo Pereira da. Terra das Águas: uma história social das águas em Belém, século XIX. Dissertação (mestrado). Belém: UFPA/IFCH/PPHIST, 2008.

79 O título do trabalho de Antonio Ignacio guarda semelhança com o de Rodrigues Ferreira. Comentários referentes podem ser vistos em REIS FILHO, N. Goulart. CD-ROOM, Imagens das Vilas e Cidades do Brasil

Colonial, 1999.

80 Segundo Nestor Goulart Reis, essa imagem data de 20/05/1784. O autor seria J.J. Codina (atribuição). “Fonte: Ilustração do livro "Viagem filosófica" de Alexandre Rodrigues Ferreira (FERREIRA - 1784-1792) da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro”. Informações contidas em REIS FILHO, N. Goulart. CD-ROM, Imagens

Cerca de meio-dia, o vapor alcançou uma cadeia de ilhas, que dividia o largo rio em dois, no sentido do comprimento, ou antes cortava-lhes uma estreita faixa a sudeste. Aí saudamos um pequeno forte redondo, no meio do rio, e do qual recebemos sinais para a rota do Pará.

Subimos por essa faixa lateral do rio, chamada Guajará, aproximando-nos cada vez mais da Cidade do Pará, depois de a termos avistado a boa milha de distância. E não tardou fundeássemos diante dela.

Pará, ou antes S. Maria de Belém do Pará, uma cidade de 25.000 habitantes, causa boa impressão, vista do rio, embora tudo nela pareça velho. Destacam-se vetuscas igrejas; a Alfândega mesmo é um antigo convento de grandes dimensões. O magnífico palácio do presidente é sem dúvida uma dos melhores edifícios do Brasil; desejaria especialmente que o Imperador tivesse um igual no Rio de Janeiro.81

Rodrigues Ferreira, Antonio Ignacio da Silva, Avé-Lallemant, entre outros, registraram cada um ao seu modo, leituras eurocêntricas, embora em períodos distintos, de Belém do Pará. Além desse ponto em comum, suas observações foram construídas a partir das águas, situadas tanto nas proximidades como na entrada da cidade - que Antonio Ignacio registrou como “Rio das Amazonas” - e da aparente “receptividade” destas. No desenho, por exemplo, o autor destacou um estado de “serenidade” das águas para com aqueles que chegavam e/ou partiam, por intermédio dos diversos tipos de embarcações, tais como “hiates, brigues e galeras”. Já no relato de Lallemant, ao final dos anos cinquenta, é mencionado o vapor.

Detalhe A, Figura 1

81 AVÉ-LALLEMANT, Robert. No rio Amazonas (1859). Belo Horizonte: Ed. Itatiaia; São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 1980. Pp. 29.

“Robert Christian Berthold Avé-Lallement nasceu em Lübeck, Alemanha, em 25/07/1812. Faleceu (...), em

13/10/1884. Após estudos em Berlim, Heidelberg e Paris, formou-se em Kiel, em 1837. Veio para o Rio de Janeiro, tornando-se médico chefe de hospital. Atuou no combate à febre amarela. Retornou à Alemanha em 1855. Dois anos depois retornou ao Brasil, sendo nomeado médico do Hospital dos Estrangeiros. A seguir, realizou várias viagens ao sul e ao norte do Brasil. Ocupou-se com questões da imigração. (...)” Disponivel em http://www.akademie-brasil-europa.org/Materiais-abe-78.htm. Acesso em 05 fev. 2010.

Esse, aliás, não é o único documento no qual o rio Amazonas é referido como aquele em cujas margens foi fundada a cidade de Belém do Pará. É importante destacar que mesmo no século XIX, em tempos não enquadrados no período colonial, tal tipo de observação constava de registros como, por exemplo, o de Alfred Russel Wallace, que chegou à “Cidade do Pará” juntamente com Henry Bates no ano de 1848, e registrou que “Pará (...) é a maior

cidade à beira do maior rio do mundo, o Amazonas. E é capital de uma província cuja área iguala a de toda a Europa ocidental”.82

Em seus registros Wallace afirma que transcorreram vinte e nove dias desde sua partida de Liverpool, uma viagem rápida, segundo ele, através das águas oceânicas, cuja grandiosidade não impediu a indistinção com as águas do rio. Ou seja, como de muitos outros que chegaram à Cidade do Pará, sua primeira visão da mesma deu-se a partir do rio. Vista daquela perspectiva, Belém parecia situar-se às margens de um grande rio, além de “rodeada

por densa floresta” e possuidora de grandes prédios.83

O desenho de Antonio Ignacio, como outros registros referentes à Belém do Pará, também evoca a cidade marítima. A respeito dessa questão, concordo com a ideia de que não apenas para os dirigentes e funcionários/representantes da metrópole portuguesa era importante a recorrência à expansão marítima datada de séculos, mas para muitos outros, como viajantes, por exemplo, os quais, após suas viagens de dias e dias através de oceanos, podiam avistar as cidades, não raramente consideradas altaneiras através de seus portos e prédios, fundadas às margens de rios ou mares. Em outras palavras, no processo de representação de várias daquelas cidades através de desenhos em geral, bem como nas narrativas a elas referentes, era possível perceber a conexão com o imaginário luso da grandiosidade dos feitos expansionistas, com a expansão dos domínios no Novo Mundo e,

portanto, com a ampliação dos poderes metropolitanos.84

A respeito disso, considero importante transcrever a seguir, as palavras do sargento- mor José Gonçalves da Fonseca, que chegou à Cidade do Pará em 1753. Segundo Fonseca,

82 WALLACE, Alfred Russel. Viagens pelo Amazonas e Rio Negro. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia; São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 1979. P. 17. Nessa obra, há uma nota do tradutor, esclarecendo que “Por

Pará, simplesmente, costumava-se designar, no século passado, a cidade de Belém, enquanto que se dava à Província, geralmente, o nome de Grão-Pará”. P. 25.

83 WALLACE, Alfred Russel. Viagens pelo Amazonas e Rio Negro. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia; São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 1979. P. 17.

84 Apud ARAÚJO, Renata Malcher. As cidades da Amazónia no século XVIII. Belém, Macapá e Mazagão. Porto: FAUP, 1998. Pp. 207-11. E também BUENO, Beatriz Piccolloto Siqueira. Decifrando mapas: sobre o

conceito de “território” e suas vinculações com a cartografia. Anais do Museu Paulista. São Paulo. N. Sér. V. 12. P. 193-234, jan./dez. 2004.

He hoje o Gram Pará, capital de todo o Estado, situada a um grau e 28 minutos de elevação Antartida (...) na margem Oriental da Embocadura do canal inferior do grande Rio das Amazonas, que com mais de mil léguas de caminho vem este gigante fluido alabastro a oferecer a imensidade das suas águas a outros confluentes pera nelas, como em plano de cristal estampar-se a bela construção de sua perspectiva, que na verdade he de tão distinto e agradável aparato aos que de fora buscam o seu porto, que pode competir com Messina e Goa, conhecidas pelas de melhor representação entre as cidades marítimas do mundo.85

Em sua “nota das côsas”, constante no desenho, o autor também destacou os lugares considerados relevantes naquele período, tais como conventos, igrejas, palácios, quitandas, a alfândega, o forte, algumas ruas e praças, enfim, o que avaliava como imprescindível a uma cidade constituída no mundo colonial, desbravado através do percurso das águas, e, sobretudo, por representarem o poder político e econômico que se consolidava naquele espaço, em princípio através do governo português e posteriormente, da consolidação do império brasileiro.

Ao fundo, após os prédios, constam alguns vegetais, poucas árvores restantes da intervenção dos moradores, no sentido de expandir a cidade, impedindo a absorção da mesma pela floresta. Algumas árvores, inclusive, não conseguem ultrapassar a altura de certos prédios, o que poderia também indicar a necessidade do avanço do processo de construção da cidade, considerado essencial a partir de uma perspectiva expansionista, sobre a floresta e apesar da abundância de águas. Importante ressaltar, contudo, que são vários os registros acerca do encantamento ante as numerosas espécies vegetais e animais encontradas em áreas próximas à cidade do Pará e, muito facilmente, adornando os caminhos de águas.86

85 Citado por ARAÚJO, Renata Malcher. As cidades da Amazónia no século XVIII. Belém, Macapá e Mazagão. Porto: FAUP, 1998. P. 211. José Gonçalves da Fonseca é referido a partir da pesquisa realizada por esta autora, no acervo da Coleção Pombalina e secção de iconografia da Biblioteca Nacional de Lisboa (POMB) 139, Conquista Recuperada..., fl 5V.

A autora em questão destaca ainda a importância da construção das fortalezas e/ou fortes, no longo processo de expansão ultramarina portuguesa. Segundo Renata Araújo, o acto de “fazer fortaleza” consta como motivo de orgulho no processo de conquista das Indias. ARAÚJO, Renata Malcher. As cidades da Amazónia no século

XVIII. Belém, Macapá e Mazagão. Porto: FAUP, 1998. P. 26. José Gonçalves da Fonseca integrou a Comissão Demarcadora de Fronteiras, que chegou à Belém em 1753. Ver REIS, A.C.F. Limites e Demarcações na

Amazônia Brasileira. 2a. ed., Belém: SECULT, 1993, vol. 2., pp. 71-94. Citado por GUZMAN, Decio de Alencar Guzmán. Ciência e Censura: a Inquisição e os engenheiros-matemáticos no Grão-Pará (séc. XVIII). Disponivel em http://www.forumlandi.com.br/bibliotecaArq/cienciaecensura.pdf. Acesso em 05 mar. 2009. 86 Ver ARRUDA, Gilmar. Monumentos, Semióforos e Natureza nas Fronteiras. Nesse trabalho, o autor “busca

perceber como são construídas as narrativas sobre o processo histórico referente à devastação da mata

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