O Capítulo II do Título III do PDE apresenta as disposições sobre Uso e Ocupação do Solo, nos artigos 146 a 197.
O território do Município foi dividido em duas macrozonas complementares:
• Macrozona de Proteção Ambiental
• Macrozona de Estruturação e qualificação Urbana (Mapa 05).
Na Macrozona de Proteção Ambiental os núcleos urbanizados, as edificações, usos e a regularização de assentamentos são subordinados à necessidade de manter ou restaurar a qualidade do ambiente natural. A Macrozona de Proteção Ambiental, definida nos artigos de 150 a 153, pode apresentar diferentes condições de preservação do meio ambiente, tendo sido subdividida em três macroáreas:
− Macroárea de Proteção Integral, constituída pelas reservas florestais,
parques estaduais, parques naturais municipais, reservas biológicas e outras unidades de conservação que tenham por objetivo básico a preservação da natureza, são admitidos apenas os usos que não envolvam consumo, coleta, dano ou destruição dos recursos naturais, sendo vedados quaisquer usos que não estejam voltados à pesquisa, ecoturismo e educação ambiental, mediante definição caso a caso do coeficiente de aproveitamento a ser utilizado conforme a finalidade específica.
− Macroárea de Uso Sustentável, abrangendo as Áreas de Proteção
Ambiental – APA’s, as Reservas Particulares do Patrimônio Natural – RPPN’s, e outras, cuja função básica seja compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela dos recursos naturais existentes, onde são permitidos usos econômicos como a agricultura, o turismo e lazer e mesmo parcelamentos destinados a chácaras, desde que compatíveis com a proteção dos ecossistemas locais.
− Macroárea de Conservação e Recuperação, que correspondem às
áreas impróprias à ocupação urbana do ponto de vista geotécnico, áreas com incidência de vegetação remanescente significativa e aquelas que integram os mananciais prioritários para o abastecimento público regional e metropolitano onde a ocupação urbana ocorreu de forma ambientalmente inadequada, o objetivo principal é qualificar os assentamentos existentes, de forma a minimizar os impactos decorrentes da ocupação indevida do território. As Macroáreas de Conservação e Recuperação incluem ainda as atuais zonas de uso predominantemente residencial de baixa densidade e com padrão de ocupação compatível com a proteção ambiental.
Na Macrozona de Estruturação e Qualificação Urbana, as edificações, usos e intensidade de usos são subordinados a exigências relacionadas com os elementos estruturadores e integradores, à função e características físicas das vias e aos planos regionais elaborados pelas Subprefeituras.
A Macrozona de Estruturação e Qualificação Urbana, definida dos artigos 154 a 158 do PDE apresenta diferentes graus de consolidação e qualificação e foi dividida em quatro macroáreas:
− Macroárea de Reestruturação e Requalificação Urbana, que
inclui o centro metropolitano, a orla ferroviária, antigos distritos industriais e áreas no entorno das marginais, tendo sido urbanizada e consolidada há mais de meio século, e passa atualmente por processos de esvaziamento populacional e desocupação dos imóveis, embora bem dotada de infra- estrutura e acessibilidade e apresente alta taxa de emprego. Nesta macroárea o objetivo é de conseguir transformações urbanísticas para melhor aproveitamento da localização e acessibilidade, através do estímulo ao uso habitacional de interesse social e da intensificação da promoção imobiliária, melhoria da qualidade dos espaços públicos e do meio ambiente, estímulo de atividades de comércio e serviços,
preservação e reabilitação do patrimônio arquitetônico e reorganização da infra-estrutura e transporte coletivo.
Esta macroárea é formada pelos distritos de Barra Funda, Bela Vista, Bom Retiro, Brás, Cambucí, Liberdade, Móoca, Pari, República, Santa Cecília, Sé, Vila Leopoldina, pelas áreas das Operações Urbanas existentes e propostas, por zonas de uso industrial, Áreas de Projetos Estratégicos e Áreas de Intervenção Urbana ao longo das linhas de transporte de alta capacidade.
− A Macroárea de Urbanização Consolidada, ocupada
principalmente por população de renda alta e média alta, é formada pelos bairros estritamente residenciais e pelas áreas que tem sofrido verticalização e adensamento; embora apresente excepcionais condições de urbanização e alta taxa de emprego, tem sofrido esvaziamento populacional e apresentado saturação da malha viária. Nesta macroárea objetiva-se alcançar transformações urbanísticas para controlar a expansão de novas edificações e a saturação da infra- estrutura existente, através de controle do adensamento construtivo e de saturação viária, contenção do atual padrão de verticalização, revisão de usos geradores de tráfego, preservação e proteção das áreas estritamente residenciais e áreas verdes significativas e estímulo ao adensamento populacional como forma de melhor aproveitamento da infra- estrutura existente e equilibrar a relação entre oferta de empregos e moradia.
Esta macroárea é formada pelos distritos de Alto de Pinheiros, Butantã, Campo Belo, Consolação, Itaim Bibi, Jardim Paulista, Lapa, Moema, Morumbi, Perdizes, Pinheiros, Santo Amaro, Tatuapé, Vila Andrade e Vila Mariana, com exceção das áreas localizadas nas Operações Urbanas e das Zonas Estritamente Residenciais.
− A Macroárea de Urbanização em Consolidação é uma área
qualificação; possui condições de atrair investimentos imobiliários, apresentando taxa de emprego e condições sócio- econômicas intermediárias em relação às Macroáreas de Urbanização Consolidada e de Urbanização e Qualificação. Nesta macroárea objetiva-se estimular a ocupação integral do território, ampliando a urbanização e empregos por meio do estímulo à promoção imobiliária para população de baixa e média renda, ampliação e consolidação da infra-estrutura existente, em especial a de transporte público, promoção de atividades produtivas e terciárias não incômodas aproveitando- se de localizações privilegiadas junto aos eixos estruturadores de transporte coletivo, com objetivo de aproximar locais de trabalho às áreas ocupadas por residências.
É formada pelos distritos de Água Rasa, Aricanduva, Belém, Campo Grande, Carrão, Casa Verde, Freguesia do Ó, Ipiranga, Jabaquara, Jaguará, Jaguaré, Limão, Penha, Pirituba, Rio Pequeno, Santana, São Domingos, São Lucas, Saúde, Vila Formosa, Vila Guilherme, Vila Maria, Vila Matilde, Vila Prudente e Vila Sônia, excluídas as partes destes distritos que integrem a Macrozona de Proteção Ambiental.
− A Macroárea de Urbanização e Qualificação é ocupada pela
população de baixa renda, caracterizando-se por apresentar infra-estrutura básica incompleta, deficiência de equipamentos sociais e culturais, comércio e serviços, forte concentração de favelas e loteamentos irregulares, baixas taxas de emprego e uma reduzida oportunidade de desenvolvimento humano para os moradores. O objetivo nesta macroárea é promover urbanização e regularização fundiária em assentamentos populares dotando-os de infra-estrutura e estimulando a construção de HIS; complementação da estrutura viária, melhoria das condições de acessibilidade por transporte coletivo, garantia da qualificação urbanística com criação de novas centralidades e espaços públicos, implantação de
equipamentos e serviços e estímulo à geração de empregos, por meio da localização de indústrias e de serviços em áreas dotadas de infra-estrutura de transportes e zoneamento de uso compatível.
Esta macroárea é formada pelos distritos de Anhanguera, Artur Alvim, Brasilândia, Cachoeirinha, Cangaíba, Capão Redondo, Cidade Ademar, Cidade Líder, Cidade Tiradentes, Cursino, Ermelino Matarazzo, Guaianazes, Iguatemi, Itaim Paulista, Itaquera, Jaçanã, Jaraguá, Jardim Helena, Jardim São Luís, José Bonifácio, Lajeado, Mandaqui, Parque do Carmo, Pedreira, Perus, Ponte Rasa, Sacomã, São Mateus, São Miguel, São Rafael, Sapopemba, Socorro, Tremembé, Tucuruvi, Vila Curuçá, Vila Jacuí, e Vila Medeiros, excluídas as partes dos distritos que integrem a Macrozona de Proteção Ambiental.
Zoneamento
A Macrozona de Estruturação e Qualificação Urbana compreende as seguintes Zonas de Uso, conforme definido pelo PDE nos artigos 159 a 181:
• Zona Exclusivamente Residencial – ZER
Definida como porções do território destinadas exclusivamente ao uso residencial, com tipologias diferenciadas, níveis de ruído compatíveis com o uso exclusivamente residencial e com vias de tráfego leve e local. Nas ZER o coeficiente de aproveitamento máximo é igual ao coeficiente de aproveitamento básico que é igual a um.
• Zona Industrial em Re-estruturação - ZIR
Inicialmente propostas no PDE, esta zona foi redefinida na Lei do PRE como Zona Predominantemente Industrial (ZPI), consistindo de porções do território em processo de re-estruturação com a implantação de usos diversificados, mas ainda destinados à manutenção e instalação de usos industriais. O coeficiente de aproveitamento básico é igual a 1,0 e máximo igual a 2,5.
• Zona Mista - ZM
Excluídas as ZER e ZPI, o restante do território da Macrozona de Estruturação e Qualificação Urbana destina-se à implantação de usos residenciais e não residenciais, de comércio, de serviços e indústrias conjuntamente aos usos residenciais, segundo critérios gerais de compatibilidade de incômodo e qualidade ambiental. Nesta zona, a lei de parcelamento, uso e ocupação do solo e os planos regionais:
− poderão criar áreas para compatibilizar a inserção das redes
estruturais ao ambiente e necessidades locais, modular a transição de usos, adequar à circulação de veículos e demais funções urbanas, preservar a qualidade ambiental ou estimular o desenvolvimento urbano;
− poderão criar áreas de baixa, média e alta densidade construtiva para
combinar usos residenciais, usos não residenciais e usos mistos na mesma edificação ou lote;
− definir dispositivos de interface entre as áreas definidas nos incisos
anteriores;
− deverão regulamentar a coexistência de atividades residenciais e não-
residenciais, inclusive na mesma edificação ou lote, observando diferentes graus de restrição quanto ao nível de incômodo e impacto na vizinhança;
− deverão regulamentar as interfaces com as Zonas Exclusivamente
Residenciais através de dispositivos que garantam a transição de intensidade de usos, volumetrias, gabaritos e outros parâmetros, que deverão ser gradativos.
Na Zona Mista foram estabelecidos os coeficientes de aproveitamento básico igual a 1,0 (um) nas zonas de uso Z2, Z8-060 01 e 03, Z9, Z11, Z13, Z17, Z18 e Z19, igual a 2,0 (dois) nas zonas Z3, Z4, Z5, Z8-007, 02, 04, 05, 08, 10, 11, 12 e 13, Z10, Z12 e corredor de uso especial Z8-CR3 e máximo igual a 1,0 (um) nas zonas Z9, igual a 2,0 (dois) nas zonas Z11, Z13, Z17 e Z18, igual a 2,5 (dois e meio) nas zonas Z2 e Z8-060 01 e 03, e igual a 4,0
(quatro) nas zonas Z3, Z4, Z5, Z8-007 04, 05, 08, 10, 11, 12 e 13, Z10, Z12, Z19 e corredor Z8-CR3.
Através de Leis de Operações Urbanas Consorciadas ou de Áreas de Intervenção Urbana poderá haver incidência de coeficientes de aproveitamento mínimos e máximos superiores ao estabelecido na Lei de Uso e Ocupação do Solo.
Também foram definidas no PDE as Zonas Especiais, que são porções do território com diferentes características ou destinação específica e normas próprias de uso e ocupação do solo e edilícias, situadas em qualquer Macrozona do Município, compreendendo:
− As Zonas Especiais de Preservação Ambiental (ZEPAM) são porções
do território destinadas a proteger ocorrências ambientais isoladas, como remanescentes de vegetação e paisagens naturais notáveis, áreas de reflorestamento e áreas de risco.
− As Zonas de Preservação Cultural (ZEPEC) são porções do território
destinadas à preservação, recuperação e manutenção do patrimônio histórico, artístico e arqueológico, podendo se configurar como sítios, edifícios ou conjuntos urbanos. Os imóveis ou áreas tombadas ou preservadas por legislação Municipal, Estadual ou Federal, bem como os imóveis classificados como Z8-200 por Lei Municipal, enquadram- se como ZEPEC.
− As Zonas Especiais de Produção Agrícola e de Extração Mineral
(ZEPAG) são porções do território municipal em que existe interesse público, expresso por lei, em manter e promover atividades agrícolas e de extração mineral. Para estimular a permanência de atividades agrícolas, reflorestamento, extração mineral e preservação de áreas com presença de vegetação e paisagens naturais, poderá ser permitida a transferência de parte do potencial construtivo virtual. Os imóveis localizados nas Zonas Especiais de Produção Agrícola e de Extração Mineral – ZEPAG, não serão enquadrados como urbanos enquanto utilizados para fins de produção agrícola e de extração mineral.
− As Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS) foram definidas como
porções do território destinadas prioritariamente à recuperação urbanística, à regularização fundiária e produção de Habitações de Interesse Social – HIS ou do Mercado Popular - HMP, incluindo a recuperação de imóveis degradados, provisão de equipamentos sociais e culturais, espaços públicos, serviço e comércio de caráter local, compreendendo:
ZEIS 1 - áreas ocupadas por população de baixa renda, abrangendo favelas, loteamentos precários e empreendimentos habitacionais de interesse social ou do mercado popular, em que haja interesse público em promover a recuperação urbanística, regularização fundiária, produção e manutenção de Habitações de Interesse Social – HIS, incluindo equipamentos sociais e culturais, espaços públicos, serviços e comércio de caráter local;
ZEIS 2 – áreas com predominância de glebas ou terrenos não edificados ou subutilizados, adequados à urbanização, onde haja interesse público na promoção de Habitação de Interesse Social - HIS ou do Mercado Popular – HMP, incluindo equipamentos sociais e culturais, espaços públicos, serviços e comércio de caráter local;
ZEIS 3 – áreas com predominância de terrenos ou edificações subutilizados situados em áreas dotadas de infra-estrutura, serviços urbanos e oferta de empregos, ou que estejam recebendo investimentos desta natureza, onde haja interesse público em promover ou ampliar o uso por Habitação de Interesse Social – HIS ou do Mercado Popular - HMP, e melhorar as condições habitacionais da população moradora;
ZEIS 4 – glebas ou terrenos não edificados e adequados à urbanização, localizados em áreas de proteção aos mananciais, ou de proteção ambiental, localizados na Macroárea de Conservação e Recuperação, destinados a projetos de Habitação de Interesse Social promovidos pelo Poder Público, com controle ambiental, para o atendimento habitacional de famílias removidas de áreas de risco e de preservação permanente, ou ao desadensamento de assentamentos populares definidos como ZEIS 1 e
situados na mesma sub-bacia hidrográfica objeto de Lei de Proteção e Recuperação dos Mananciais.
O Plano de Urbanização de cada ZEIS será estabelecido por decreto do Poder Executivo Municipal, e deverá prever:
− diretrizes, índices e parâmetros urbanísticos para o parcelamento, uso
e ocupação do solo e instalação de infra-estrutura urbana, respeitadas as normas básicas estabelecidas na legislação e nas normas técnicas pertinentes;
− diagnóstico da ZEIS que contenha no mínimo: análise físico-
ambiental, análise urbanística e fundiária e caracterização sócio- econômica da população residente;
− os projetos e as intervenções urbanísticas necessárias à recuperação
física da área;
− instrumentos aplicáveis para a regularização fundiária;
− condições para o remembramento de lotes;
− forma de participação da população na implementação e gestão das
intervenções previstas;
− forma de integração das ações dos diversos setores públicos que
interferem na ZEIS objeto do Plano;
− fontes de recursos para a implementação das intervenções;
− adequação às disposições definidas neste Plano e nos Planos
Regionais;
− atividades de geração de emprego e renda;
− plano de ação social.
Segundo o PDE, deverão ser constituídos em todas as ZEIS conselhos de gestores compostos por representantes dos moradores e do Executivo, que deverão participar de todas as etapas da elaboração do plano de urbanização e de sua implementação.
Foram apresentadas dos artigos 182 a 191 as diretrizes para revisão da legislação de uso e ocupação do solo.
Esta legislação deverá apresentar estratégias para controle do parcelamento do solo e densidades construtivas, demográficas, volumetria, gabarito das edificações, relação entre espaços públicos e privados, movimento de terra e uso do subsolo, circulação viária, pólos geradores de tráfego e estacionamentos, parâmetros de insolação, aeração, permeabilidade do solo e cobertura vegetal significativa, controle de usos e atividades, funcionamento das atividades incômodas e áreas “non aedificandi”.
A legislação de parcelamento, uso e ocupação do solo deverá classificar o uso do solo em residencial e não residencial, que envolve o desenvolvimento de atividades comerciais, de serviços, industriais e/ou institucionais. Estas atividades, por sua vez, deverão ser classificadas como:
a) não incômodas, que não causam impacto nocivo ao meio ambiente urbano;
b) incômodas compatíveis com o uso residencial; c) incômodas incompatíveis com o uso residencial.
As atividades serão classificadas nas categorias de uso a partir de seu enquadramento nos parâmetros de incomodidade considerando:
− impacto urbanístico: sobrecarga na capacidade de suporte da infra-
estrutura instalada ou alteração negativa da paisagem urbana;
− poluição sonora, atmosférica, hídrica e por resíduos sólidos;
− vibração;
− periculosidade;
− geração de tráfego.
A legislação de parcelamento, uso e ocupação do solo deverá estabelecer as condições físicas e ambientais, considerando:
− a topografia conforme a declividade e a situação do terreno, ou seja,
− a drenagem das águas pluviais conforme a localização do terreno, ou
seja, em área inundável, “non aedificandi” ou necessária à recuperação ambiental do entorno da Rede Hídrica Estrutural;
− as condições do solo quanto à sua permeabilidade, erodibilidade,
nível do lençol freático e outros aspectos geotécnicos;
− as condições atmosféricas, as correntes aéreas e a formação de ilhas
de calor;
− a existência de vegetação arbórea significativa;
− áreas de ocorrências físicas, paisagísticas, seja de elementos
isolados ou de paisagens naturais, seja de espaços construídos isolados ou de padrões e porções de tecidos urbanos que merecem preservação por suas características, excepcionalidade ou qualidades ambientais.
Para garantir a fluidez do tráfego nas vias da Rede Viária Estrutural, serão previstas restrições e condicionantes às construções, bem como aos usos dos imóveis lindeiros e sua vizinhança, conforme o uso da via, seu nível funcional, sua largura e características.
A Legislação de Uso e Ocupação do Solo poderá estabelecer coeficientes de aproveitamento mínimos superiores e máximos inferiores aos estabelecidos nesta lei, não podendo alterar os coeficientes básicos. Além das disposições desta lei, a legislação que disciplinará o uso e ocupação do solo, em conformidade com os Planos Regionais, poderá:
− delimitar áreas para fins especiais com parâmetros diferenciados de
uso e ocupação do solo, em todo o território do Município;
− delimitar áreas para habitação de interesse social;
− delimitar áreas de proteção ambiental em função da exigência de
manejo sustentável dos recursos hídricos e outros recursos naturais;
− delimitar perímetros onde poderão ser aplicados quaisquer dos
− definir categorias de uso e fixar parâmetros de desempenho para
controle da localização de atividades urbanas, definindo critérios de compatibilidades entre si e com o meio físico, e ainda com as características das vias de acesso e da vizinhança próxima;
− fixar incentivos para implantação de usos diferenciados, residenciais e
não-residenciais, na mesma área e no mesmo imóvel, quando permitido;
− fixar parâmetros para controle das condições ambientais, por meio da
taxa de ocupação, gabaritos, índices de áreas verdes, de permeabilidade e outros previstos em lei;
− fixar parâmetros para controle de empreendimentos que provoquem
significativo impacto no ambiente ou na infra-estrutura urbana;
− fixar novos parâmetros de utilização das áreas públicas e particulares
que constituem o Sistema de Áreas Verdes do Município.
Foram apresentadas nos artigos 192 a 197 diretrizes para regularização de assentamentos precários, conjuntos habitacionais, loteamentos e edificações. Estas diretrizes prevêem o desenvolvimento de uma legislação específica para regularização das edificações, parcelamento, uso e ocupação do solo que seja condicionada à realização de obras e ações necessárias para garantia jurídica, condições físicas de salubridade e segurança de uso para incorporação dos assentamentos e imóveis ao tecido urbano regular.
A legislação deverá definir normas técnicas e procedimentos para regularizar parcelamentos do solo implantados irregularmente, empreendimentos habitacionais promovidos pela administração pública direta e indireta, favelas e edificações executadas e utilizadas em desacordo com a legislação vigente.
Os parcelamentos do solo para fins urbanos implantados irregularmente poderão ser regularizados com base em lei que contenha:
− requisitos urbanísticos e jurídicos necessários à regularização, com
base na Lei Federal nº 6.766/79, alterada pela Lei Federal nº 9.785/99 e os procedimentos administrativos;
− estabelecimento de procedimentos que garantam meios para exigir do
loteador irregular o cumprimento de suas obrigações;
− possibilidade da execução das obras e serviços necessários à
regularização pela Prefeitura ou associação de moradores, sem isentar o loteador das responsabilidades legalmente estabelecidas;
− estabelecimento de normas que garantam condições mínimas de
acessibilidade, habitabilidade, saúde, segurança;
− percentual de áreas públicas a ser exigido e alternativas quando for
comprovada a impossibilidade da destinação;
− ações de fiscalização necessárias para coibir a implantação de novos
parcelamentos irregulares;
− previsão do parcelamento das dívidas acumuladas junto ao erário
público.
A regularização dos empreendimentos habitacionais promovidos pela Administração Pública Direta e Indireta poderá ser promovida a critério do Executivo que exigirá, alternativamente:
− formalização de compromisso do agente promotor para a
desocupação das áreas públicas do projeto que estejam irregularmente ocupadas por moradia, com garantia de re- assentamento das famílias;
− execução pelo agente promotor das medidas de urbanização
necessárias para a adequação e permanência da população nas áreas públicas do projeto que estejam irregularmente ocupadas por moradias, de acordo com diretrizes aprovadas pelo Executivo.