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Coordenador: José L.Pais Ribeiro, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação,

Universidade do Porto, Portugal

Discussante/Debatedor: Ricardo Gorayeb, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da

Universidade de São Paulo – Brasil

A Psicologia da Saúde estudou variáveis psicossociais e desenvolveu técnicas de intervenção de apoio a pessoas com diversas condições ou doenças em diversos graus de gravidade. Atualmente, com o desenvolvimento das técnicas de diagnóstico e de novos tratamentos, as pessoas vivem cada vez mais tempo em condições que antes levavam a degradação rápida e à morte. Se juntarmos a isso o fato que a expetativa de vida das pessoas é cada vez mais longa, torna-se importante o apoio psicológico para melhorar o bem estar dos indivíduos nestas condições. Tal aplica-se não somente ao indivíduo portador da doença ou condição mas igualmente aos seus próximos. Estes têm um papel cada vez mais importante no suporte/apoio às pessoas nestas condições.

Neste simpósio apresentaremos vários estudos sobre variáveis de resultado que expressam o bem estar das pessoas, discute-se a sua relação, bem como se discute o papel dos próximos principalmente a família nesse sistema complexo constituído pela pessoa doente e os seus. Palavras chave: condições graves; família; qualidade de vida

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A INTELIGÊNCIA EMOCIONAL E A SATISFAÇÃO COM A VIDA EM DOENTES ONCOLÓGICOS: O PAPEL MEDIADOR DO COPING

Andreia Teques 1, Ginés Llorca-Ramón 1, Gloria Bueno-Carrera 1, José Pais-Ribeiro 2, & Pedro Teques 3

1Faculdade de Medicina - Universidade de Salamanca; 2Faculdade de Psicologia e de Ciências

da Educação - Universidade do Porto; 3Faculdade de Motricidade Humana - Universidade de Lisboa

O papel do Coping na área da psico-oncologia tem-se revelado primordial para a adaptação positiva e eficaz ao longo do processo de doença (O’Brien & Moorey, 2010). Face a necessidade da investigação explorar a sua relação com a Inteligência emocional na doença oncológica (Pereira, 2009), surge o interesse de analisar a relação entre constructos identificados na literatura como preditores de sucesso e realização em múltiplos contextos. Neste âmbito, o presente estudo pretende avaliar os efeitos mediadores do Coping sobre a relação da Inteligência emocional (IE) e a Satisfação com a vida (SCV) em doentes oncológicos. Os participantes são uma amostra de conveniência com 202 doentes oncológicos de dois hospitais da zona Norte do país (M idade=58,65 anos; 80,2% mulheres, 19,8% homens). Foi utilizado um pack de questionários constituído por um questionário sócio-demográfico e clínico, o “Questionário de Inteligência Emocional”, a “Escala de Satisfação com a Vida” e a “Escala Reduzida da Adaptação Mental ao Cancro”. Os resultados indicam a existência de efeitos diretos e indiretos significativos das variáveis do Coping na relação entre a IE e a SCV. Especificamente, as variáveis do Coping, neste caso o Espírito de luta e o Desânimo-fraqueza, apresentaram efeitos diretos e indiretos, sugerindo uma mediação parcial na relação entre a perceção, facilitação, e compreensão emocional com a SCV, e uma mediação total entre a regulação emocional e a SCV. Em suma, as variáveis do Coping parecem ter um papel fundamental na relação entre a IE e a SCV em doentes oncológicos.

Palavras-chave: coping, inteligência emocional, satisfação com a vida, efeitos de mediação, doença oncológica.

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O USO DE PSICOFÁRMACOS EM ONCOLOGIA: O DESEMPENHO EMOCIONAL E COGNITIVO DE PACIENTES USANDO A QLQ C-30 DA EORTC

Cristiano Pereira de Oliveira, Dhiordan Cardoso da Silva, Tânia Rudnicki, & Margareth da Silva Oliveira

Pontificia Universidade Catolica do Rio Grande do Sul.

O trabalho trata de um estudo composto de 197 pacientes, todos em tratamento quimioterápico ambulatorial. Os diagnósticos com maiores ocorrências foram colón e reto 26,39%, mama, 27,4% e pulmão, 10,2%. A utilização de psicofármacos foi observada em 43,7% (n=86) da amostra, sendo os mais freqüentes os antidepressivos, 28,9% (n=57), e os benzodiazepínicos, 23,9% (n=47). Avaliando a relação entre os pacientes que utilizavam ou não os medicamentos em comparação com a classificação dos escores de Desempenho Cognitivo (DC) e Desempenho Emocional (DE), houve associação estatisticamente significativa (p<0,01), sugerindo que, os pacientes que apresentaram escores menores ou iguais a mediana se mostraram associados à utilização dos medicamentos, enquanto, o grupo com escores do DC e DE acima da mediana, a associação significativa ocorreu com a não utilização dos fármacos. Ou seja, os usos destes medicamentos estão associados a prejuízo no Desempenho Cognitivo e no Desempenho Emocional quando comparados ao grupo controle que não utiliza nenhum medicamento. Tomando ainda como base a utilização e não utilização de medicamentos foi realizada a comparação dos subitens do QLQ C30 e, de acordo com os resultados foram evidenciadas diferenças estatisticamente significativas nas médias dos desempenhos, emocional (p<0,01) e cognitivo (p=0,001), de forma que, os escores médios no grupo que não utiliza psicotrópicos se mostraram significativamente maiores. Ou seja, pacientes que não utilizam medicamentos apresentaram, uma melhor qualidade de vida na amostra estudada.

Palavra chave: Doença oncológica; ambulatório; cuidados continuados Tânia Rudnicki

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REVISÃO SISTEMÁTICA: O PAPEL DO FAMILIAR CUIDADOR EM CUIDADOS PALIATIVOS

Carla Reigada 1,2, José L. Pais-Ribeiro 1, Anna Novellas 3,4, Miguel Tavares 2,5, & José Luís Pereira 6,7

1Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto; 2Centro Hospitalar

de São Joao, EPE; 3Universidade de Barcelona; 4Centro Catalã de Oncologia, Barcelona, Espanha; 5Universidade Catolica Portuguesa, Porto; 6Universidade de Ottawa, Canada;

7Bruyere Continuum Care, Ottawa, Canada

A presença de familiares capazes e habilitados para cuidar de doentes em fim de vida é essencial na ponderação do local de cuidados. Os cuidadores são a base das equipas de cuidados paliativos pois assumem papéis/funções que permitem garantir a continuidade de cuidados. O objectivo do presente estudo é analisar a literatura existente sobre o papel/funções do familiar cuidador de doentes em cuidados paliativos (CP).

Com recurso às bases electrónicas Pubmed, Ebsco e Scielo, realizou-se uma Revisão Sistemática da literatura combinando as palavras-chave “palliative care”, “hospice”, “end-of- life”, “family”, “caregivers” e “role” (idiomas: Inglês, Português e Espanhol) de 2006 a 2012. Foi utilizado o método de Hawker et al. (2002) para avaliar o rigor metodológico dos artigos finais. Todos os artigos foram selecionados e analisados por dois revisores independentes. Dos 763 artigos encontrados 11 foram analisados e descrevem 10 funções/papéis principais da família: 1. Cuidador; 2. Potencializador de bem-estar; 3. Cumpridor de tarefas; 4. Suporte de cuidados (físicos e emocionais); 5. Facilitador dos CP e continuidade de cuidados; 6. Aprendiz; 7. Minimizador/gestor do sofrimento; 8. Tomada de decisões; 9. Controlador; 10. Informador e participante da equipa de CP.

Conclui-se que os familiares cuidadores continuam a ser o grande suporte dos pacientes em fim de vida, principalmente quando estes desejam ser cuidados em casa. Pode ser assim considerada uma estrutura central para a continuidade de cuidados destes doentes concluindo- se ainda que são também eles próprios alvo de cuidados continuados. Seria interessante saber como são percepcionados estes papeis dos cuidadores sob o ponto de vista dos próprios, do doente e da equipa.

Palavras chave: cuidados Paliativos, familiares cuidadores, papel/funções [email protected]

REPERCUSSÕES PSICOSSOCIAIS DO CANCER DE LARINGE EM PACIENTES E FAMILIARES

Leopoldo Barbosa

Faculdade Pernambucana de Saúde – FPS e Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira – IMIP.

O câncer é uma doença que causa um grande impacto na vida das pessoas, sendo reconhecida como uma doença que traz inúmeras repercussões psicossociais que se extrapolam uma experiência individual atingindo também as pessoas próximas ao longo de todo tratamento, como os familiares e cuidadores. Além das intervenções e alterações decorrentes do tratamento, tais como a cirurgia, radioterapia, traqueostomia e dificuldade com a fala, as variáveis sóciodemográficas, hábitos e estilo de vida influenciam na incidência de reações psicopatológicas, destacando-se o despreparo da sociedade em favorecer o retorno as atividades ocupacionais e laborais.

Alterações da fala, na aparência, a presença de dor e a dificuldade de retomar atividades ocupacionais, de lazer e laborais estão entre os fatores que mais impactam negativamente a qualidade de vida e trazem agravos a saúde mental desses pacientes e dos seus familiares, principalmente os que realizam a laringectomia total. Por isso, identificar esses alterações torna-se uma condição valiosa para prevenir o risco de desenvolvimento de problemas psicossociais e sintomas psicopatológicos que podem ser fonte de preocupação ao longo do tratamento, como é o caso da ansiedade e da depressão. O risco de suicídio é algo que pode estar presente tanto no momento pré, quanto pós realização da laringectomia total. Esses aspectos merecem atenção pois podem interferir no processo de reabilitação, na adesão ao tratamento, nos custos financeiros com a saúde, além de desestabilizar o relacionamento familiar.

Palavra chave: Câncer; impacto psicossocial; familia [email protected]

QUALIDADE DE VIDA E PERCEÇÃO DA DOENÇA ENTRE PESSOAS COM SÍNDROME DE DEPENDÊNCIA DO ÁLCOOL

Olga Valentim 1, Célia Santos 2, & José Pais Ribeiro 3

1ACES Lisboa Norte, Centro de Saúde Benfica; 2Escola Superior de Enfermagem do Porto; 3Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto

O alcoolismo é uma doença crónica, como tal, as condições clínicas têm efeitos previsíveis de degradação do bem-estar e da qualidade de vida. O modo como cada pessoa, em particular, perceciona cognitivamente a sua doença, influencia a procura de ajuda e a sua qualidade de vida. É um estudo descritivo e correlacional, onde participaram 444 pessoas com o diagnóstico de Síndrome de Dependência Alcoólica (SDA) há pelo menos 1 ano, com uma média de idades de 45 anos, maioritariamente do sexo masculino, casadas e desempregadas. Os instrumentos utilizados foram, o questionário de caracterização sociodemográfica, informação clínica, Questionário de Estado de Saúde (SF-36v2) e Illness Perception Questionnaire-Revised-versão portuguesa (IPQ-R). Este estudo teve como objetivo contribuir para a compreensão da qualidade de vida e da perceção da doença entre pessoas com SDA e associar essas variáveis. Os resultados sugerem que nos diferentes domínios da escala de qualidade de vida, o maior comprometimento ocorreu na Saúde Mental (M=50,45; DP=23,40) e na Vitalidade (M=50,06;

DP=22,53). Os participantes tiveram uma identidade moderada da doença com consequências

muito negativas para a sua qualidade de vida. Os que conhecem mais a sintomatologia da doença (Identidade), que a compreendem melhor e têm uma Representação Emocional mais negativa apresentam uma perceção pior da sua qualidade de vida. Verifica-se que em média, as pessoas que frequentam grupos de autoajuda, apresentam valores mais elevados de qualidade de vida e têm uma Representação Emocional menos negativa, consideram-na uma doença mais crónica e acreditam mais no controlo pessoal.

Palavras chave: alcoolismo; perceção de doença; qualidade de vida [email protected]

SIMPÓSIO: “PROCESSOS DE AJUSTAMENTO Á DOENÇA E/OU