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3 Africa, climate change and cooperation

3.2 Africa and cooperation on climate change

O pensamento e a linguagem são funções psicológicas superiores que acontecem simultaneamente, construídas nas interações sociais. Dessa maneira, uma não existe sem a outra, afinal as pessoas não pensam para posteriormente formar a linguagem. Assim, “o significado é a unidade de análise do pensamento e da linguagem”, onde o significado representa um dado da realidade, constituído por meio dos signos. (Rossi, 2006, p. 3).

Percebe-se que a cultura desempenha um papel de suma importância na construção dos sistemas simbólicos, pois irá mediar, através dos signos e instrumentos, o processo de

internalização. Segundo Araújo (1995, p. 21), o processo de mediação “evidencia a importância histórica e cultural de instrumentos psicológicos no processo de desenvolvimento humano, torna-se fator essencial para a emergência das funções psicológicas superiores”.

A atividade mediada é constituída pelos signos e pelos instrumentos. O homem cria instrumentos com o objetivo de ampliar e transformar suas ações. Pode-se considerar como instrumento, por exemplo, um giz, quadro negro, apagador, criados pelo homem para facilitar sua ação sobre o meio. Já o signo é um instrumento psicológico utilizado para representar algo que não está presente, tal como a palavra, o desenho, a bandeira. Assim, segundo Vigotski (2003, p. 72), “a função do instrumento é servir como um condutor da influência humana sobre o objeto da atividade; ele é externamente. O signo constitui um meio da atividade interna dirigido para o controle do próprio individuo; o signo é orientado internamente”, modificando o funcionamento psicológico da pessoa.

Vigotski (2001, p.137-138), em suas pesquisas experimentais, explorou a importância dos signos nas atividades mediadas e comprovou que o desenvolvimento dos signos circunscreve-se em quatro estágios:

O primeiro caracterizado como o estágio natural ou primitivo representa a linguagem pré-intelectual e ao pensamento pré-verbal, quando essas operações aparecem em sua forma original, tal como evoluíram na fase primitiva do comportamento;

O segundo estágio definido como psicologia ingênua, corresponde a experiência da criança com as propriedades físicas do seu próprio corpo e dos objetos a sua volta, e a aplicação dessa experiência ao uso de instrumentos: o primeiro exercício inteligência prática que está brotando na criança;

O terceiro estágio se caracteriza por signos exteriores, operações externas que são usadas como auxiliares na solução de problemas internos. È o estágio em que a criança conta nos dedos, o estágio dos signos mnemotécnicos externos de memorização;

O último estágio denominado metaforicamente como crescimento para dentro, as operações externas se interiorizam e passam por uma profunda mudança. A criança começa a contar mentalmente, a usar a memória lógica, isto é a operar com relações interiores em forma de signos interiores.

No processo do desenvolvimento cultural, as crianças dominam certas particularidades dos meios culturais criados pela humanidade no curso do desenvolvimento histórico. A pessoa aprenderá e ampliará o funcionamento de alguns signos como meio de uma operação psicológica. Dessa maneira, os estágios do signo marcam a transição das formas elementares e primitivas do pensamento que se converte em atos e processos culturais mediados. As limitações no desenvolvimento cultural das crianças com deficiência intelectual baseiam-se no fato de que essas crianças permanecem em um dos estágios dos signos enumerados durante

um tempo mais prolongado do que as crianças normais (Vigotski, 1997).

De acordo com Peirce (1991, citado por Rossi 2006, p.4), pode-se considerar que “signo tudo aquilo que está no lugar de alguma coisa, para alguém”.

Quando um objeto novo é apresentado a uma pessoa, uma flor rara, por exemplo, conquanto ela tenha existência real, para a pessoa que a vê pela primeira vez, a flor carece de significado. O sujeito não conhece a flor por si mesmo, como se possuísse em seu espírito todas as condições dadas a priori para conhecer esse objeto. Tampouco a flor se dá a conhecer ao sujeito por si mesma, pois ela não encarna todas as propriedades que imprimem determinados reflexos no sujeito e o faz conhecê-la. O sujeito age sobre a flor, que, por sua vez, age sobre o sujeito. Ainda assim, falta um elemento imprescindível entre o sujeito e objeto que permitirá conhecer a flor como uma flor rara. Uma outra pessoa, um outro social, intercepta a relação sujeito-objeto e atribui significados à flor. Esses significados emitidos são a expressão do pensamento e da linguagem do outro; são signos que representam aquilo que é a flor. (ROSSI, 2006, p.4)

A internalização dos instrumentos e dos signos pelo sujeito ocorre na interação com o

outro. Dessa forma, Vigotski (2003) afirmou que o caminho do objeto até a criança e desta até o objeto passa através de uma outra pessoa; logo, as explicações acerca do funcionamento psicológico do homem devem ser analisadas considerando sua participação no mundo das interações sociais. É nesse plano que o sujeito tem acesso aos instrumentos e aos signos que possibilitam o desenvolvimento das funções psicológicas superiores e permitem estruturar o pensamento.

O processo de desenvolvimento do signo marcado pela relação entre sujeito-objeto é denominado por Vigotski (2003) como mediação semiótica. O conhecimento adquirido acontece através da representação que o próprio sujeito faz. Só ocorreu apropriação dos fatos porque foi significativo para o indivíduo. Dessa maneira, o conhecer tem um caráter social e não uma perspectiva individual dada pela história da filogênese. Os objetos são internalizados inicialmente como imagens sensoriais que permanecem coladas à singularidade do objeto. É necessário descolar o objeto do reflexo da realidade representando a imagem sensorial por um signo, promovendo sua abstração e generalização. Entretanto, distintos dos animais, os homens são constituídos de sinais que apresentam seus significados sociais e culturais. Desde muito cedo, a criança já percebe o “objeto semiótico, ou seja, a imagem com sua significação” (Rossi, 2006, p.4) pelo uso da palavra. Ora, a palavra é uma ação de generalização, um significado que tem um conceito que se desenvolve no plano da ontogênese. (Rossi, 2006)

Os instrumentos de mediação semiótica promovem o desenvolvimento e organizam o funcionamento psicológico. A criança, no decorrer dos anos, apropria-se paulatinamente de novos instrumentos psicológicos, ao passo que vai conhecendo e ampliando suas formas de

funcionamento psíquico e refinando o seu desenvolvimento psicológico enquanto ocorre um processo dialético, no qual as funções psicológicas superiores mais refinadas e mais elaboradas organizam o funcionamento psíquico e tornam-se inter-relações funcionais entre os diversos processos psicológicos. O desenvolvimento da formação dos conceitos permitirá que essa integração aconteça (Rossi, 2006).