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5. Funn og drøfting

5.2 Affordances for toddlerkultur og vennskap

5.2.3 Affordances for kollektiv lek med kropp

Entendendo que o processo, ou jogo científico, não é mera reprodução do real, mas algo que proporciona experiencias múltiplas organizadas em narrativas que vão tentar representar uma parcela mínima de um assunto ou objeto em análise:

A ciência como a arte, aliás, não busca copiar a realidade e descrever o mundo tal como é, mas elaborar sistemas simbólicos para aprecia-lo. Ela não é uma atividade de reprodução do real, quer dizer a imitação de algo que seria anterior ou exterior ao próprio ato da descoberta, mas da produção de experiencias que serão organizadas e reunidas, compostas e recompostas em um texto (por exemplo, um artigo em uma revista científica) que ele mesmo organiza a partir de outros textos (LAPLANTINE; TRINDADE, 1997, p. 74).

Nesse sentido, esta pesquisa busca, em seu curso, construir estruturas textuais com a ajuda de similaridades, metáforas e redes simbólicas para aproximar a leitura, como parte do processo informacional das sociedades, sendo ligada a práticas informacionais e de construção do cotidiano, compreendida como fio da rede de significações que a cultura tece e está emaranhada ao mesmo tempo.

Assim, uma pesquisa passa a ser, de certo modo, um processo semiótico e mediador, uma vez que está, a todo momento, gerando sentidos e se ressignificando. “[...] a pesquisa, a experimentação, a análise científica, procedem incontestavelmente da imaginação: fazem existir algo que não existia antes, ou criam relações entre duas realidades até então percebidas como distintas” (LAPLANTINE; TRINDADE, 1997, p. 74).

Esta pesquisa evoca, portanto, o caráter interdisciplinar da Ciência da Informação, pois se envereda pelos percursos históricos de uma cidade juntamente com os aspectos socioculturais de seus sujeitos. Além disso, recorre-se aos aspectos da arte literária a fim de contribuir com uma melhor análise dos componentes reais do cotidiano estudado.

Esta pesquisa é de caráter exploratório, pois tem o “[...] objetivo de proporcionar visão geral, de tipo aproximativo, acerca de determinado fato” (GIL, 2011, p. 27). E também tem caráter descritivo, pois se debruça a esmiuçar as características de um grupo ou população e investiga um fenômeno que a permeia, traçando relações entre múltiplas variáveis (GIL, 2011, p. 28).

A abordagem adotada é qualitativa, pois mesmo ao trabalhar com índices estatísticos sobre alfabetização e números ligados a acervos bibliográficos, estatísticas de empréstimos de livros e a tiragem de periódicos, a pesquisa objetiva determinar populações leitoras existentes no cenário investigativo por um viés interpretativo desses dados. Para além

154 da quantificação, os dados são interpretados para desvendar as nuances das práticas leitoras da época, podendo o aspecto qualitativo ser evidenciado na análise dos documentos e fontes que serão utilizadas, buscando respostas para as nossas questões na consulta a esses textos.

Quanto ao tipo da pesquisa, afirma-se ser bibliográfica e documental, uma vez que foram utilizadas obras de referência sobre leitura, memória, imaginário e informação e fontes documentais disponíveis nos arquivos de Fortaleza, como atas, regimentos, documentos governamentais e periódicos do século XIX.

Foi usado o método histórico que, em linhas gerais, pode ser compreendido por duas ações básicas a análise – dividida em três operações: heurística (levantamento das fontes a serem analisadas), critica (interna ou externa, o momento de determinar a validade discursiva dos documentos) e, por fim, a hermenêutica (interpretação dos conteúdos no intuito de responder a problemática inicial da pesquisa) – e a síntese, construção da narrativa em si.

Assim, o método histórico consiste em investigar acontecimentos, processos e instituições do passado para verificar a sua influência na sociedade de hoje, pois as instituições alcançaram sua forma atual através de alterações de suas partes componentes, ao longo do tempo, influenciadas pelo contexto cultural particular de cada época. Seu estudo, para urna melhor compreensão do papel que atualmente desempenham na sociedade, deve remontar aos períodos de sua formação e de suas modificações. (LAKATOS; MARCONI, 2003, p. 106-107).

Entender o método histórico é se deparar com os complexos processos que possibilitaram a escrita da história em nossa sociedade, uma vez que cada época traça suas formas de compreender o seu cotidiano e escrever as suas histórias.

É preciso que se entenda que mais que uma simples reconstituição do passado, o método histórico busca através de resquícios materiais entender as dinâmicas sociais de um período e suas complexidades. É sempre uma interpretação dos fatos que levam em consideração fontes e vestígios que fundamentam os pensamentos de uma determinada época.

[...] em resumo, o método historiográfico tem, como caracterização de seu procedimento, ao menos três peculiaridades distintivas: a) Seu tratamento de uma realidade praticamente sempre mediata (restos); b) Sua necessidade de sempre captar o processo (diacrônica) e c) Sua necessidade de globalização (inexistência de especificidades do histórico). (ARÓSTEGUI, 2006, p. 459).

É preciso que se ressalte que a pesquisa histórica surge de achados ou insatisfações sobre a explicação de fatos históricos sobre determinados pontos de vista. Além disso, não se pode deixar de enfatizar que o método histórico não oferece uma ordem única e estruturada para o desenvolvimento da pesquisa, segundo Aróstegui (2006, p. 459):

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[...] ao menos em seu estado atual, o método historiográfico deve conjugar três problemas importantes: a) seu escasso nível de formalização metodológica, escassa articulação das regras do método histórico e a carência de uma linguagem distintiva; b) os escassos instrumentos teóricos e técnicos de que de que dispõe para a apreensão de uma realidade com muitas variáveis implicadas; e c) o problema sempre presente da necessária articulação entre a análise das estruturas e o acontecimento, e entre o sistemático e o referencial. (ARÓSTEGUI, 2006, p. 459). Mesmo apresentando esses problemas, o método historiográfico não pode fugir a regra geral das demais pesquisas sociais, pois precisa seguir o plano estabelecido por uma problemática, hipóteses e objetivos, e a partir deste ponto pode ser construída a narrativa científica, ancorada nos vestígios históricos e nos postulados teóricos da área em questão.

Para tanto nos valemos da bibliografia sobre a história do Ceará e de Fortaleza no século XIX para entender hábitos, costumes, estruturação urbana, economia, educação, sociabilidades, políticas e manifestações culturais nesse período e para o entendimento das práticas leitoras das três instituições nos valemos de fontes documentais provenientes da produção intelectual desses espaços.

No que se refere as fontes documentais sobre a Biblioteca Pública: foram utilizados os relatórios provinciais do governo Cearense de 1850 até 1901, que foram microfilmados e estão disponíveis para consulta na Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel e no site: http://ddsnext.crl.edu/. Quanto ao Instituto do Ceará: foi usado o Dicionario Bio-bibliografico Cearense do Barão de Studart e o Acervo da Revista do Instituto de 1887 até 1900, disponível no site: https://www.institutodoceara.org.br/. E a Academia Cearense de Letras: serviram de base as revistas da Academia de 1896 até 1901 disponíveis na sede desse sodalício e no site: http://www.academiacearensedeletras.org.br/.

Para a analise das informações dos relatórios da Biblioteca Provincial, foi realizado o mapeamento e síntese de todas as informações relativas a instalação e funcionamento da Biblioteca, onde procuramos evidenciar o desenvolvimento do seu acervo, mapear o seu crescimento bibliográfico, identificar os sujeitos responsáveis pela sua idealização e funcionamento e mostrar suas relações com os leitores, assim como dos leitores e essa instituição. Por fim, a pesquisa buscou entender qual a posição da biblioteca na estrutura informacional da cidade, no sentido da disseminação e produção de conhecimento na cidade.

No que se refere à analise das informações das revistas do instituto, foi realizado o mapeamento das principais temáticas identificadas em suas publicações e de forma orgânica comparamos com as principais ideias em voga na época procurando identificar autores mais

156 lidos e seus posicionamentos. Além disso, foi elaborada a biografia de cada membro desse sodalício para entendermos quais as suas funções e influências na sociedade local e averiguar o impacto de suas leituras e produções no cotidiano da cidade.

Por fim, as análises da revista da Academia Cearense de Letras focaram na identificação das principais temáticas presentes na revista, a fim de entender as pautas informacionais e leituras dessa instituição, assim como foi feito o mapeamento das principais obras e seus respectivos autores que eram recebidas e discutidas pela Academia e que foram registradas nas atas de suas sessões publicadas em sua Revista. Também foi realizado processo semelhante com o Instituto do Ceará, onde foi traçado o perfil biográfico dos membros da Academia para avaliar sua função e grau de influência na estrutura social local.

As inferências das análises foram feitas de forma orgânica, no sentido de preservar a fuidez do texto e tornar a narrativa clara e objetiva. Desse modo os dados foram agrupados de forma linear a fim de se criar uma linha cronológica sempre intercalada de considerações que levam em conta o estabelecimento das teorias da informa apresentadas nas seções anteriores e a historicidade das práticas leitora do fim dos oitocentos na cidade de Fortaleza.

Vale ainda salientar que o processo metodológico de uma pesquisa histórica requer tempo e paciências para a busca dos vestígios históricos de uma época e suas respectivas análises. Nesse sentido, a pesquisa em questão adotou como estratégia metodológica: incursões a arquivos no interior do Estado, como Baurité, Redenção e Guaramiranga, além do contato com arquivos do Cariri, mas que não tiveram êxito na coleta de fontes históricas. Assim como também foram realizadas visitas nos arquivos de Fortaleza: Arquivo Público do Ceará, Sala de História Eclesiástica da Arquidiocese de Fortaleza, Biblioteca Publica Governador Menezes Pimental, Academia Cearense de Letras e Instituto do Ceará, nos quais tivemos êxito em encontrar algumas publicações e documentos referentes à história de Fortaleza e de suas praticas leitoras.

Por fim, foram pesquisados documentos na Biblioteca Nacional e Arquivo Nacional no Rio de Janeiro, onde conseguimos relatórios administravos sobre a Província do Ceará e a Biblioteca Pública, assim como alguns periódicos, que por conta do pouco tempo não foram ultilizados. Todo esse processo de busca foi realizado desde o inicio do mestrado, em meados de agosto de 2016 e se intensificou do segundo semestre de 2017 até junho do presente ano (2018).

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