1.2 Troms fylke
1.2.1 Administrativ inndeling
de difusão das mudanças e suas possíveis causas. Necessariamente, uma postura teórica foi adotada nesse estágio da pesquisa, pois não se trata apenas da descoberta de padrões, mas sim, de suas interpretações. A teoria fundamental adotada foi de Modelos Baseados em Linguagem de Uso (Usage-Based Models of Language) (BARLOW e KEMMER, 2000) e a Gramática Cognitiva (LANGACKER 1987, 1991, 2000) baseado exclusivamente em dados de corpora.
5.1 Caracterização dos processos envolvidos nas mudanças sintáticas
identificadas
As metas de uma análise da sintaxe diacrônica são bem expressas pelo diacronista Winfred Lehmann (1973, p. 185) da seguinte forma: “quando lidarmos com mudanças sintáticas precisaremos descobrir as mudanças, os processos envolvidos nelas e na sua difusão, e quando for possível, suas causas”.149 Embora Lehmann não descreva o mecanismo de propagação da mudança, ele sugere uma fonte da analogia que resultou na construção central do presente trabalho: ‘verbo + gerúndio’. O que Lehmann (1973) propunha serve para apoiar a interpretação da distribuição amplificada do complemento gerundivo:
149
“...when we deal with syntactic change, we must determine the changes, the processes involved in those changes and their spread, and where possible their causes.” (LEHMANN, 1973, p. 185).
Vários verbos em inglês que antes aceitavam um objeto no caso genitivo eram, até bem recentemente [1850, segundo os dados do bdHB], seguidos por uma construção com ‘of’, ex. miss, desire, remember, forget, hope, thirst, wait. Sir Walter Scott escreveu: I remember of detesting the man [aprox. ano 1800]. Em contraste, o padrão transitivo comum do inglês consiste em um verbo seguido imediatamente por um objeto; esse padrão foi então generalizado e estendido aos verbos citados.150 (LEHMANN, 1973, p. 197)
Em seguida, dentro da linguística cognitiva, usando conceitos de estudos de corpora,
Usage-Based Conceptions of Language (BARLOW & KEMMER, 2000) explico os processos
citados por Lehmann de “generalizar e estender o padrão” a outros verbos.
Eu proponho uma interação de realimentação em ciclo como resposta à pergunta: quais foram os processos de propagação e extensão da mudança identificada nos complementos verbais? As duas classes identificadas nos resultados do presente estudo combinam-se da seguinte forma: a baixa frequência de uso do gerúndio como complemento verbal indica que tais construções são menos entrincheiradas no uso dos falantes, i.e. menos salientes no seu inventário de opções para complementação. A classe identificada como a dos últimos verbos a entrar na língua inglesa comprova esta hipótese. Os verbos de entrada tardia são também os com a maior proporção de uso do gerúndio como complemento. Além disso, foi demonstrado no capítulo dos resultados que a complementação verbal com o gerúndio está crescente, sendo que, a cada década, há mais verbos que aceitam o gerúndio como complemento. Ainda mais, o número de verbos que uma vez foram complementados com o infinitivo e hoje aceitam também o gerúndio está gradativamente aumentando. A interpretação de todos estes fatos integrados é que mais construções de ‘verbo + gerúndio’ estão sendo criadas baseadas no padrão de verbos já familiares dentro desta construção.
O que significa ‘ter um pensamento’ para o neurolinguista é o movimento de elétrons de uma célula do cérebro, chamado sinapse, para uma outra célula, processo repetido muitos vezes em microsegundos. Para dizer apenas ‘start working’ um número ainda não identificado de células no cerebro são ativadas por passagem de eletricidade entre eles, visível em tomografia computadorizada como uma trilha de brilha para microsegundos contectando vários pontos. Uma metáfora é frequentemente usada entre linguistas cognitivos por este processo, porque é uma atividade cotidiana que mais assemelha o que se pode observar no
150
“Several English verbs that formerly took an object in the genitive case were until quite recently [1850, according to bdHB] followed by an of construction, e.g., miss, desire, remember, forget, hope, thirst, wait. Sir Walter Scott wrote: I remember of detesting the man [approx. 1800]. By contrast, the common transitive pattern in English consists of a verb followed immediately by an object; this pattern accordingly was generalized and extended to the verbs cited.” (LEHMANN, 1973, p. 197).
nível anatômico. A metáfora é de trilhar um caminho. Em um primeiro momento, a floresta densa carece de passagem, que serve para nossos propósitos como o cérebro sem linguagem. Uma trilha será aberta com muito esforço, como aprendizagem da língua materna. Na metáfora, uma vez existente, o caminho pode ser usado por outros viajantes, que assemelha novos pensamentos formados e expressados usando uma nova combinação de palavras e estruturas bem conhecidas. Um caminho entre as árvores já muito bem usado teria a tendência de atrair novos viajantes, por ser bem demarcado. Isto é o que significa entrincheiramento. Idéias novas serão expressadas usando estruturas conhecidas ligadas a palavras conhecidas por serem entrincheiradas. Somos humanos, portanto, gostamos de criar e seguir costumes das coisas mais simples (andar na floresta) até as mais complexas, como as cerimônias mais significantes das nossas vidas (casamentos, funerais).
Uma outra característica humana é que gostamos de categorizar tudo na nossa volta (como caminhos) e custamos a mudar tais categorizações, uma vez estabelecidas para bastante tempo. A analogia da trilha para um pensamento é bem conhecida, portanto, enfatize-se a idéia de que o conceito de entrincheiramento não pertence apenas ao domínio de neurolinguística, mas sim, ao cotidiano de humanos, que são animais como qualquer outro. Gostamos de ritmos, ritos, categorizações e acima de tudo repetições, para atingir uma certa ordem e buscar sentido na natureza caótica de nosso meio. Proponho que a introdução no inglês do novo tipo do complemento (gerúndio) analogicamente possa ser vista como uma trilha nova, aberta a muito custo, desbravando a floresta. Uma vez aberta gradativamente ganha aceitação por mais pessoas. Como podemos dizer que ainda estamos na fase de crescimento do gerúndio na função do complemento verbal, é normal ver um número crescente de verbos associados com ele, bem como uma trilha nova que gradativamente alarga-se. Em contraste, o infinitivo vem sendo usado como complemento há mais tempo, como uma trilha velha e larga, sem muita vegetação entrando pelos lados. O complemento velho resiste a mudanças e demonstra menos novidade em termos do verbo principal que com que ele é associado. Espero que essa metáfora tenha iluminado o processo proposto, que a seguir será exemplificado novamente com dados linguísticos.
Como visto no capítulo anterior, o uso crescente da construção ‘intend + doing’ é uma novidade do século XX, provavelmente criada por analogia à construção mais antiga de
‘continue + doing’ ou semelhante. Ressalta-se o fato de que tal extensão de construção
baseada em analogia não tenha sido com sinônimos, antônimos ou verbos semanticamente relacionadas. O gráfico abaixo relaciona-se a uma realimentação em ciclo, similar ao que foi proposto por Kemmer (2005): uma interação proposta para tais construções.
Figura 10: Ciclo de Realimentação, demonstrando os catalisadores mútuos envolvidos no
crescimento de construções com o complemento gerúndio na língua inglesa ao longo dos últimos séculos