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Correlação entre divergência citogenética e hibridação interespecífica e seu uso na piscicultura moderna

Leonardo Luiz Calado e Wagner Franco Molina

1Departamento de Biologia Celular e Genética, Centro de Biociências, Universidade

Federal do Rio Grande do Norte, Natal, Brasil

Resumo

Na aquicultura a hibridação interespecífica faz parte de uma ampla gama de processos biotecnológicos que visam auxiliar o melhoramento e cultivo de espécies. A aplicação de técnicas clássicas e modernas de reprodução artificial aliado às análises genéticas tem propiciado proles viáveis interespecíficas com maior resistência, desempenho zootécnico e taxa de sobrevivência pós-reprodução. Similaridades cariotípicas (estrutural e composicional) são importantes pré-requisitos para identificar pares heterólogos de espécies geradoras de híbridos viáveis. Até o momento não existem relações estabelecidas entre os níveis de diferenciação cariotípicas e o sucesso na produção de peixes híbridos. Assim, aqui é apresentada uma revisão preliminar onde são analisados dados citogenéticos de híbridos interespecíficos de quatro importantes Ordens de peixes. Diante da similaridade cariotípica exibida em alguns grupos de Perciformes, é possível que a quebra de barreiras pós zigóticas possa ser mais tolerada do que se imaginava. Dados citogenéticos e de conteúdo de DNA se mostram parâmetros úteis que poderão vir a integrar futuros programas de obtenção de hibridação interespecíficas com interesse comercial.

Palavras Chave: Barreiras pós-zigóticas, Perciformes, biotecnologia, piscicultura,

Introdução

Hibridação na aquicultura

A hibridação é definida como a reprodução entre grupos ou indivíduos geneticamente distintos e pode envolver cruzamento dentro de espécies, como linhagens diferentes, ou entre espécies, e seu bloqueio é tido como principal responsável pelo processo de especiação. Testes de hibridação, além de favorecer a elucidação de relações taxonômicas entre as espécies, contribui para o entendimento experimental de questões evolutivas, ecológicas, fisiológicas e comportamentais.

Um maior grau heterose ou vigor híbrido presente em proles híbridas podem ser transferidos para gerações subsequentes e produzir indivíduos com maior produtividade. Inicialmente os principais objetivos no estudo de híbridos, tanto naturais, como artificiais, vem sendo a identificação dos parentais; características biológicas específicas em relação às espécies parentais; desempenho descrito como heterose ou vigor híbrido e o nível de esterilidade expressa na F1 (Hubbs, 1955; Purdom, 1993), entre outros.

Com intuito de melhorar a produção em cultivos aquícolas, práticas de hibridação visam atingir o máximo aproveitamento do vigor genético por transferência de genes desejáveis por cruzamentos de espécies distintas. Assim, espera-se transferir das espécies doadoras o máximo de caracteres que possam melhorar o desempenho das espécies para maior adaptação ao cultivo. Características tais como, qualidade de carne, taxa de crescimento, ganho de peso, taxa de sobrevivência após reprodução, tolerância às variações do meio, manipulação da razão sexual, produção de animais estéreis, resistência às doenças, em suma, traços que superem o desempenho zootécnico dos parentais são bem vistos e buscados pelos programas de hibridação (Abbott et al., 2013; Bartley et al., 2001; Lexer et al., 2003; Manchado et al., 2005; Santos et al., 2002).

A hibridação ocorre frequentemente de forma natural para algumas famílias de peixes (Hubbs, 1955). Em geral, híbridos naturais têm sido reconhecidos por coloração diferenciada ou padrões corporais intermediários entre os parentais, obtidas tanto por dados morfométricos (e.g. comprimento padrão, zoológico, diâmetro do olho, entre outros), como merísticos (e.g. contagem de raios das nadadeiras e escamas). Atualmente métodos relacionados à genética molecular citogenética e identificação de diferenças proteicas vêm sendo crescentemente utilizados (Artoni et al., 2000; Marques, 2002; Quist et al., 2009; Torres et al., 2004).

Com a maximização de novas práticas e mercados, o número de espécies aquaticas cultivadas até 2010 elevou-se para 541, destas 371 são de peixes tendendo a aumentar para cerca de 600 em poucos anos. Contudo, do total supracitado apenas cinco são provenientes de cruzamentos entre espécies diferentes, tem cultivo estabelecido e possuem produção comercial, caso das tilápias africanas, carpas chinesas, salmões do Atlântico, catfishes e os híbridos formados por Characiformes como Pacu e Tambaqui, principalmente em países cuja aquicultura já está bem desenvolvida (FAO, 2012).

Desde o fim do século 19, um grande número de estudos vem sendo desenvolvidos quanto à hibridação natural ou artificial de peixes (Chevassus, 1983; FAO, 2012). No Brasil, a utilização da hibridação interespecífica na aquicultura é comum, desde o início dos anos 1980, quando a prática foi introduzida pelo Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS). O objetivo foi promover uma maior amplitude de indivíduos com características desejáveis para o repovoamento de açúdes, lagos de hidrelétricas e, por conseguinte, incrementar a produção de peixes onde ainda era incipiente a disponibilidade de água e consequentemente de pescado (Toledo-Filho et al., 1998).

Em peixes o processo de hibridação ocorre com maior frequência que em outros grupos de vertebrados. Alguns fatores são propostos para que a alta incidência de híbridos entre grupos taxonômicos relacionados sejam mais abundantes, tais como, fertilização externa, mecanismos frágeis de isolamento comportamental, limitada competição por habitat de desova, baixa complexidade do habitat e susceptibilidade para contatos secundários entre formas envolvidas no acasalamento (Scribner et al., 2001).

A hibridação pode resultar em um aumento da adaptabilidade aos ambientes alterados por algum motivo e é mais comum entre espécies que divergem geneticamente menos que 10%, devido ao favorecimento das chances da formação de híbridos viáveis (Mallet, 2005). Neste sentido, a introgressão gênica natural pode ocorrer quando híbridos férteis produzem proles viáveis com espécies parentais (Montanari et al., 2012). De acordo com a FAO (2012), a partir de 1956 foram registrados 212 híbridos, entre os de ocorrência natural e os obtidos artificialmente. Destes, 30 são marinhos, porém esse número é certamente superior, necessitando de maior investigação.

A hibridação artificial é um processo que pode ser implementado em diversos organismos espécies, principalmente em peixes, devido à características favoráveis como fecundação externa, territorialismo, diferentes níveis de isolamento reprodutivo

(Hubbs, 1955), além de avançado conhecimento do manejo e indução reprodutiva em inúmeras espécies.

Apesar das inúmeras vantagens e de híbridos comerciais importantes, devem ser destacados alguns problemas relacionados à hibridação que podem ser mitigados com protocolos de biossegurança. Entre os riscos assinalados, o escape de híbridos pode, em níveis variáveis, levar à degradação de habitats, competição por alimento e introgressão genética com espécies parentais (Allendorf et al., 2001; Diana, 2009; Rhymer and Simberloff, 1996) .

É desejável inicialmente a um programa de hibridação que seja realizada a caracterização genética de espécies e populações parentais e, principalmente, do produto híbrido obtido após cruzamento artificial. Normalmente, híbridos são estéreis ou de baixa fertilidade, características estas que podem ser vantajosas e desejadas. Em caso de escape acidental de híbridos estéreis, o risco de introgressão de genes em populações nativas, neste caso, é evitado (Toledo-Filho et al., 1994; Schwenk et al., 2008). De fato, a esterilidade em híbridos tende a ser comum, contudo, também tem sido descritos híbridos sub-férteis ou mesmo com capacidade reprodutiva completa (Allendorf et al., 2001; Hulata, 1995; Rosenfield et al., 2004).

Tendo em vista a incipiência e a necessidade de informações citogenéticas a respeito dos híbridos, seus impactos e sua possível utilidade na aquicultura, torna-se imperativo o levantamento de dados, assim como vislumbrar tendências sobre formas de cultivo, melhores ferramentas para detecção e monitoramento. Visando contribuir com uma nova abordagem sobre o processo de hibridação interespecífica, aqui foi realizada uma prospecção inicial sobre o relacionamento entre similaridades cariotípicas dos parentais como indicador do sucesso de hibridação e assim estimar possíveis cruzamentos com maior probabilidade de geração de híbridos.

Citogenética e hibridação

Historicamente a análise de dados merísticos e morfométricos constituem as principais formas de identificação utilizadas para distinção de híbridos (Campton, 1990). Com o passar dos anos outras técnicas de identificação vêm sendo utilizadas para este fim, partindo das aloenzimas que datam de 1967 (Koehn and Rasmussen, 1967), a métodos mais recentemente difundidos como o DNA mitocondrial, DNA nuclear e a quantificação de material genético por citometria de fluxo (Scribner et al., 2001).

Com a reprodução artificial a quebra de barreiras comportamentais, biológicas, geográficas dentre outros mecanismos reprodutivos de isolamento podem ser transpostos, permitindo assim que a hibridação interespecífica possa ser utilizada como método comercial viável (Bartley et al., 2001), tendo como limitante em alguns casos, apenas a instabilidade genética dos híbridos.

Dados cromossômicos das espécies podem constituir características potencialmente favoráveis à quebra de barreiras pós-zigoticas. O número haploide/diploide e a fórmula cromossômica (Tabela 1), podem ser utilizados preliminarmente como possíveis indicadores desta possibilidade (Gomes et al., 2012). Entre os parâmetros citogenéticos a serem avaliados estão a compatibilidade cromossômica entre os parentais, tanto numérica, quanto estrutural, quantidade de DNA genômico e de DNA repetitivo. Além disso, características cariotípicas específicas, podem ser utilizadas como marcadores citotaxonômicos, se mostram particularmente úteis na identificação de produtos híbridos. Entre estes marcadores, destacadamente vem sendo utilizada a frequência e localização de genes ribossomais, além de outras sequências repetitivas. Entre as regiões informativas, os sítios ribossomais pela facilidade de identificação e robustez se mostra de grande importância na identificação de híbridos (Pendás et al., 1995; Scribner et al., 2001; Nirchio et al., 2003; Porto- Foresti et al., 2008).

A compatibilidade cromossômica pode ser um bom indicador de possibilidade de rompimento de barreiras pré e pós-zigóticas e consequente cruzamento e produção de F1 viável. Menores similaridades genéticas mais reduzidas entre os parentais, em geral promovem híbridos estéreis (Bartley et al., 2001; Raesly et al., 1990; Scribner et al., 2001).

A quantidade de DNA genômico pode ser mais um indicador de marcante

divergência interespecífica. Peixes pertencentes à mesma Ordem tendem a apresentar conteúdos de DNA quantitativamente mais semelhantes. O nível de interferência da variação do conteúdo de DNA na hibridação entre espécies, ainda não foi convenientemente estudado, contudo, a análise deste parâmetro entre cruzamentos interespecíficos já obtidos sugere que similaridade quantitativa possa ser uma premissa para a ocorrência de hibridação (Figura 1).

Figura 1. Quantidade de DNA médio em três Ordens de peixes evidenciando a variação

no tamanho genômico em Osteichthyes.

Além das análises citogenéticas convencionais, outras metodologias de análise estrutural dos cromossomos, como bandas de replicação derivadas da incorporação do análogo de base 5-bromodioxiuridina (5-Brdu), coloração por fluorocromos base específicos para regiões ricas em AT (DAPI) e GC (Cromomicina A3) e mapeamento de genes e sequências através de hibridização fluorescente in situ podem externar com maior precisão o grau de divergência entre espécies parentais (Porto-Foresti et al., 2010).

Tabela 1. Híbridos naturais e artificiais em peixes e padrões cromossômicos das espécies parentais.

Ordem/Família Espécie 2n Fórmula cariotípica NF Cruzamento Híbrido Tipo de hibridação Tamnaho do genoma pg/cell Localidade Fonte

Acipenseriformes

Acipenseridae Acipenser ruthenus 118 82M/SM + 36A/MC 200 3,7 FCM;8,3 FCM

Acipenser baeri 248

Anguiliformes

Anguillidae Anguilla anguilla 38 12M + 10SM + 16A 60

Anguilla japonica 38 12M + 10SM + 16A 60

Anguilla australis 38 20M/SM + 18A 58

Anguilla japonica 38 20M/SM + 18A 58

Anguilla anguilla 38 12M + 10SM + 16A 60

Anguilla rostrata 38 12M + 10SM + 16A 60

Atheriniformes

Atherinidae Menidia beryllina 48 10M + 24SM + 14ST/A 82

Menidia peninsulae

Menidia menidia 48 4M + 14SM + 12ST + 18A 66

Menidia peninsulae Clupeiformes

Clupeidae Brevoortia patronus 46 2M + 2SM + 42A 46 USA (Atlantic)

Brevoortia pectinata 46 2M + 2SM + 42A 46 Brazil

Brevoortia smithi 46 2M + 2SM + 42A 46 USA (Atlantic)

Brevoortia pectinata 46 2M + 2SM + 42A 46 USA (Atlantic)

Brevoortia pectinata 46 2M + 2SM + 42A 46 Brazil

Brevoortia aurea 46 2M + 2SM + 42A 46 Brazil

Dorosoma cepedianum 46 2SM + 4ST + 42A 50 2.0 FCM USA (LA)

Dorosoma petenense 46 2SM + 2ST + 44A 50 USA (LA)

Engraulidae Engraulis japonicus 48 48A 48 2.8*FCM Japan

Engraulis mordax 48 48A 48 3.0FD, 3,8 BFA East pacific

Characiformes

Anostomidae Leporinus elongatus 54 54M/STM 108 Artificial

Leporinus macrocephalus 54 32M + 21SM + 1ST 108

Characidae Colossoma macropomum 54 20M + 34SM 108 Artificial

Piaractus mesopotamicus 54 20M + 34SM 108

Colossoma macropomum 54 20M + 34SM 108 Artificial

Piaractus brachypomus 54 28M + 26SM 108

Cypriniformes

Cyprinidae Barbus barbus 100 12M + 48SM/ST + 40A 160

Barbus meridionalis 100 22M + 20SM + 12ST + 46A 142

Barbus canis 150 76M + 24SM + 50A 226 Israel (Jordan R.)

Capoeta damascina 148 78M/SM + 32ST + 38A 258 Jordan

Carassius carassius 100 20M + 44SM/ST + 36A 164 3,8 FD

Cyprinus carpio 100 20M + 32SM/ST + 48A 152 3,6FD

Cirrhinus molitorella 50 16M + 24SM + 10ST 90

Sinilabeo decorus 50 10M + 18SM+ 10ST + 12A 78

Ctenopharyngodon idella 48 18M + 22SM + 8ST/A 88

Megalobrama terminalis 48 18M + 22SM + 8ST 88

Ctenopharyngodon idella 48 18M + 22SM + 8ST/A 88

Megalobrama amblycephala 48 20M + 24SM + 4ST 92

Cyprinella lutrensis 50 50M/SM 100

Cyprinella venusta 50 48M/SM + 2ST/A 98

Labeo rohita 50 10M + 14SM + 6ST+20A 74

Catla catla 50 10M + 16SM + 8ST+16A 76

Russia Vasiliev, 1985; Birstein and Vasiliev, 1987; Birstein et al., 1993; Vasiliev et al.,

1980; Vasiliev and Sokolov, 1980; Fontana, 1994

Hulata, 2001; Zan and Song, 1979 China (Hubei)

Nishikawa et al., 1971; Kobaiashi and Kimura, 1976 Müller et al., 2012

USA (TX) Gold et al., 1979; Gold, 1984; Gold and Price, 1985

Nishikawa et al., 1971; Kobaiashi and Kimura, 1975

Labeo rohita x Catla catla Artificial India John et al., 1993, Nagpure et al., 2001

Artificial China (Guangdong) Gui et al., 1985; Yu et al., 1989; Ren and

Yu, 1993; Ren et al., 1992

Ctenopharyngodon idella x Megalobrama terminalis Artificial China (Hunan) Hulata, 2001; Liu, 1987

Dorosoma cepedianum x Dorosoma petenense Artificial Fitzsimons et al., 1981; Gregory, 2008

Artificial

Ctenopharyngodon idella x Megalobrama amblycephala

Cyprinella lutrensis x Cyprinella venusta Natural

USA(LA) Korth, 1987

USA(LA) Korth, 1987

Ojima and Yamamoto, 1990; Ohno et al., 1969; Hinegardner and Rosen, 1972

Brevoortia smithi x Brevoortia pectinata

+ Brevoortia pectinata x Brevoortia aurea

Natural +

Engraulis japonicus x Engraulis mordax Possível + Brevoortia patronus x Brevoortia pectinata

+

Colossoma macropomum x Piaractus mesopotamicus

Artificial Framce Hafez et al., 1978a; Hafez et al., 1978b

Doucette Jr. and Fitzsimons, 1988; Brum, 1996

Possível Doucette Jr. and Fitzsimons, 1988

Possível Brum et al., 1992; Brum, 1996

Possível

Natural Gorshkova et al., 2002

Colossoma macropomum x Piaractus brachypomus

Berrebi & Berrebi, 1993

Barbus Barbus x Barbus meridionalis

Porto-Foresti et al., 2008

Leporinus macrocephalus x Leporinus elongatus

Cirrhinus molitorella x Sinilabeo decorus

Artificial

Menidia menidia x Menidia peninsulae Natural

Menidia beryllina x Menidia peninsulae Natural

Anguilla anguila x Anguilla japonica Natural +

+

+ Anguilla anguilla x Anguilla japonica Artificial

Anguilla australis x Anguilla japonica Possível

+ +

+

Acipenser ruthenus x Acipenser baeri

+

+ + +

+

+ Carassius carassius x Cyprinus carpio

Tabela 1. Continuação

Ordem/Família Espécie 2n Fórmula cariotípica NF Cruzamento Híbrido Tipo de hibridação Tamnaho do genoma pg/cell Localidade Fonte

Luxilus cornutus 50 6M + 40SM + 4A 96

Luxilus chrysocephalus 50 6M + 40SM + 4ST/A 96

Luxilus cornutus 50 6M + 40SM + 4A 96

Luxilus cerasinus 50 8M + 28SM + 14ST/A 86

Scardinius erythrophtalmus 50 16M + 26SM + 8ST/A 92

Rutilus rutilus 50 16M + 28SM + 6ST/A 94 2,6FCM

Hypophthalmichthys molitrix 48 18M + 22SM + 8ST 88

Aristichthys nobilis 48 18M + 22SM + 8ST 88

Ctenopharyngodon idella 48 18M + 22SM + 8ST/A 88

Aristichthys nobilis 48 18M + 22SM + 8ST 88

Anabarllius alburnops 48 12M + 24SM + 12ST 84

Anabarilius andersoni 48 12M + 24SM + 12ST 84

Anabarllius grahami 48 14M + 20SM + 14ST 82 China (Yunnan)

Anabarllius alburnops 48 14M + 20SM + 14ST 82 China (Kunming Lake)

Anabarilius alburnops 48 12M + 24SM + 12ST 84 China (Yunnan)

Anabarilius macrolepis 48 12M + 24SM + 12ST 84 China (Kunming Lake)

Danio albolineatus 50 10M + 39SM + 1A 99

Danio rerio 50 10M + 39SM + 1A 99

Alburnus alburnus 50 16M + 10SM + 16ST + 8A 76

Rutilus rutilus 50 16M + 28SM + 6ST/A 94

Alburnus alburnus 50 16M + 10SM + 16ST + 8A 76

Blicca bjoerkna 50 14M + 26SM /ST + 10A 90

Alburnus alburnus 50 16M + 10SM + 16ST + 8A 76

Rutilus rubilio 50 18M + 10SM + 16ST + 6A 78

Alburnus albidus 50 16M + 26SM + 8ST/A 92

Abramis brama 50 12M + 18SM/ST + 20A 92

Cyprinodontiformes

Cyprinodontidae Aphanius dispar 48 92

Aphanius fasciatus 48 48ST/A 48

Cyprinodon bovinus 48 2M + 14SM+ 32ST 64

Cyprinodon variegatus 48 2M + 14SM+ 32ST 64

Cyprinodon pecosensis 48 2M + 14SM+ 32ST 64

Cyprinodon variegatus 48 2M + 14SM+ 32ST 64

Fundulidae Fundulus heteroclitus 48 48ST/A 48 2,7 FCM, 2,6 FIA

Fundulus diaphanus 48 4SM + 44A 48 3,0 FCM

Poecilidae Gambusia affinis 48 48A 48 1,8 FCM Japan (Kochi)

Gambusia nobilis 48 48A 48 USA (TX)

Gambusia affinis 48 48A 48 1,8 FCM Japan (Kochi)

Gambusia halbrooki 48 48A 48 1,5 FCM, 1,7 BFA USA (NC)

Poeciliopsis monacha 48 48A 48 1,3 FCM, 1,4 FD

Poeciliopsis lucida 48 48A 48 1,3 FCM, 1,4 FD

Esociformes

Esocidae Esox masquinongy 50 50A 50 2,3 FCM, 2,2 FIA

Esox lucius 50 50A 50 2,6 FD

Esox lucius 50 50A 50 2,6 FD

Esox niger 50 50ST/A 50 1,8 FIA

Esox niger 50 50ST/A 50 1,8 FIA

Esox americanus 50 50A 50 2,4 FD

+

+ + + +

Anabarilius alburnops x Anabarilius andersoni Possível China (Kunming Lake) +

+ Ctenopharyngodon idella x Aristichthys nobilis Hypophthalmichthys molitrix x Aristichthys nobilis

Danio albolineatus x Danio rerio Possível

Aphanius dispar x Aphanius fasciatus

+ + +

Anabarilius alburnops x Anabarilius grahami Possível

Anabarilius alburnops x Anabarilius grahami Possível

Zan and Song, 1980

Asia Fontana et al., 1970; Suzuki et al., 1995; Vinogradov, 1998; Gregory, 2008 2,8FD; (3,4-3,6) 4,6 FCM

Alburnus alburnus x Blicca bjoerkna Natural Europe Rab and Roth,1989; Vasiliev,

1985; Gregory, 2008 (2,5FCM)

Alburnus alburnus x Rutilus rubilio Natural

Luxilus cornutus x Luxilus cerasinus Artificial USA

Powers and Gold, 1992

Luxilus cornutus x Luxilus chrysocephalus Natural USA

(2,5FCM)

Alburnus alburnus x Abramis brama Natural (2,5FD) Italy ;Framce Cataudella et al., 1977; Gregory, 2009; Hafez et al., 1978a; Hafez et al., 1978b

Scardinis erythrophtalmus x Rutilus rutilus Natural Danube R, Elbe R. Rab and Roth, 1989; Vinogradov, 1998; Mayr et al., 1986

Alburnus alburnus x Rutilus rutilus Natural (2,6FCM); (2,6FCM) Italy; Danube R, Elbe R. Cataudella et al., 1977; Gregory, 2008; Rab and Roth,1989; Vinogradov, 1998 Artificial

Artificial

Hulata, 2001

Cyprionodon peconensis x Cyprionodon variegatus Artificial (3,2 BFA) USA(TX) Stevenson,1981

Artificial Italy Karbe,1961; Vitturi et al.,1995

Cyprionodon bovinus x Cyprionodon variegatus Artificial (3,2 BFA) USA(TX) Sharpnack and Fitzsimons, 1980; Hinegardner and Rosen, 1972

USA(CT) Chen and Ruddle, 1970; Chen, 1971; Gregory, 2008; Hardie and Hebert, 2004 Italy Cataudella et al., 1977; Bianco et al.,

2004; Gregory, 2008 Natural Natural Natural North USA;Canadá North USA;Canadá

Alvarez et al., 1991; Vinogradov, 1998 Hardie and Hebert; 2003

Fundulus heteroclitus x Fundulus diaphanus

Itahashi and Kawase, 1975; Ojima and Yamamoto, 1990; Campos and Hubbs, 1971; Schultz, 1967; Cimino, 1974

Gambusia affinis x Gambusia halbrooki Poeciliopsis monacha x Poeciliopsis lucida

Artificial

Artificial Mexico

Artificial

Gambusia affinis x Gambusia nobilis

Canadá

Esox masquinongy x Esox lucius Esox lucius x Esox niger Esox niger x Esox americanus

Tabela 1. Continuação

Ordem/Família Espécie 2n Fórmula cariotípica NF Cruzamento Híbrido Tipo de hibridação Tamnaho do genoma pg/cell Localidade Fonte

Siluriformes

Clariidae Clarias batrachus 50 16M + 8SM + 14ST + 12A 74

Clarias garepinus 56 20M + 16SM + 10ST + 10A 92

Clarias macrocephalus 54 24M + 20SM + 6ST + 4A 98

Clarias garepinus 56 20M + 16SM + 10ST + 10A 92

Heterobranchus longifilis 52 6M + 25SM + 21A 83

Clarias garepinus 56 20M + 16SM + 10ST + 10A 92

Ictaluridae Ictalurus punctatus 58 18M + 14SM+ 26ST 90 USA (AL)

Ictalurus furcatus 58 18M + 14SM+ 26ST 90 2,0 FCM, 2,1 FD USA (LA)

Pimelodidae Pseudoplatystoma fasciatum 56 18M + 16SM + 10ST + 12A 88

Pseudoplatystoma corruscans 56 18M + 14SM + 10ST + 14A 90

Salmoniformes

Salmonidae Salmo salar 58 16M/SM + 42A 74 Russia

Salmo trutta 78 20M/SM + 58A 98 Armenia

Oncorhynchus clarki 68 36M/SM + 32ST 104 5,2 FCM USA(CA)

Oncorhynchus mykiss 60 44M/SM + 2ST + 14A 104 USA (E. Pacific)

Oncorhynchus tshawytsha 68 32M + 4SM+ 32A 104 5,2 FCM, 6,1 FD Japan

Oncorhynchus kisutch 60 48M/SM + 12ST 108 5,2 FCM, 4,9 FIA USA

Oncorhynchus apache 56 50M/SM + 6 ST/A 106 USA (AZ)

Oncorhynchus mykiss 60 44M/SM + 2ST + 14A 104

Salvelinus alpinus 80 20M/SM + 60ST/A 100

Salvelinus namaycush 84 16M/SM + 68ST/A 100 5,7-6,3 FIA N. America

Salmo marmoratus 80 22M/SM + 58ST/A 102 Croatia

Salmo trutta fario 80 24M/SM + 56A 104 6,3 FCM, 5,8 FD Rumania

Salvelinus fontinalis 84 18M/SM + 66ST/A 102 6,5 FD Japan

Salvelinus confluentus 78 24M/SM + 58ST/A 102 USA(MT)

Salvelinus confluentus 79 24M/SM + 58ST/A 103 USA(MT)

Salvelinus malma 82 14M + 4SM+ 64ST/A 100 Russia (Prymorye)

Scorpaeniformes

Cottidae Cottus poecilopus 48 8M/SM + 40A 56

Cottus gobius 48 10M/SM + 38ST/A 58

Perciformes

Centrarchidae Enneacanthus glorious 48 48A 48

Enneacanthus obesus 48 48A 48

Lepomis macrochirus 48 48A 48

Lepomis microlophus 48 48A 48

Lepomis macrochirus 48 48A 48

Lepomis humilis 48 48A 48

Lepomis macrochirus 48 48A 48

Lepomis megalotis 48 48A 48

Lepomis macrochirus 48 48A 48

Lepomis auritus 48 48A 48

Lepomis gulosus 48 48A 48

Lepomis gibbosus 48 48A 48

Lepomis gulosus 48 48A 48

Lepomis auritus 48 48A 48

Lepomis gulosus 48 48A 48

Lepomis cyanellus 48 48A 48

Lepomis gulosus 48 48A 48

Lepomis macrochirus 48 48A 48

+ + + + + +

Pseudoplatystoma fasciatum x Pseudoplatystoma corruscans

Salmo salar x Salmo trutta

Artificial + + + + + + +

Lepomis macrochirus x Lepomis microlophus Natural

Natural

Lepomis gulosus x Lepomis cyanelus Natural

Lepomis gulosus x Lepomis macrochirus Natural

Lepomis macrochirus x Lepomis humilis Lepomis macrochirus x Lepomis megalotis

Lepomis macrochirus x Lepomis auritus

Natural Natural Natural

Lepomis gulosus x Lepomis gibosus Natural

Lepomis gulosus x Lepomis auritus Clarias batrachus x Clarias garepinus Clarias macrocephalus x Clarias garepinus

Enneacanthus glorious x Enneacanthus obesus Natural

Rishi,1978; Nagpure et al.,2000; Wu et al., 1986; Teugels et al., 1992

LeGrande, 1981; LeGrande, 1984

Heterobranchus longifilis x Clarias garepinus

Artificial Artificial Artificial

India, Thailand

Oncorhynchus apache x Oncorhynchus mykiss

Artificial Artificial

Salvelinus alpinus x Salvelinus namaycush Salmo marmoratus x Salmo trutta fario Oncorhynchus tshawytsha x Oncorhynchus kisutch

Oncorhynchus clarki x Oncorhynchus mykiss Artificial Artificial

Gold and Gall, 1975; Gold et al.,1977;Johnson et al., 1987; Ueda, 1985; Ohno et al., 1969; Phillips et al.,

1985; Hardie and Hebert, 2003; Benirschke and Hsu, 1971; Phillips and

Rab, 2001; Phillips and Ihssen, 1985; Hardie and Hebert, 2004; Al-Sabti, 1985;

Raicu and Taisescu, 1977; Gregory, 2008; Cavender and Kimura, 1989; Ueda

and Ojima, 1983; Ojima, 1963; Frolov and Miller, 1991Hulata, 2001

Ictalurus punctatus x Ictalurus furcatus Artificial

Roberts, 1964; Hardie and Hebert, 2004; Busack and Thorgaard, 1980; Ohno et al., 1968; Becak et al., 1966; Benirschke and Hsu, 1971; Fontana et al., 1970; Ojima and Yamamoto, 1990; Thompson et al.,

1991; Tiersch et al., 1989

USA(NC, TX, WV)

Salvelinus fontinalis x Salvelinus confluentus Salvelinus confluentus x Salvelinus malma

Artificial Artificial Artificial Artificial

Cottus poecilopus x Cottus gobius Natural Europa Terashima and Ida, 1991;Vitturi and

Tabela 1. Continuação

Ordem/Família Espécie 2n Fórmula cariotípica NF Cruzamento Híbrido Tipo de hibridação Tamnaho do genoma pg/cell Localidade Fonte

Lepomis gulosus 48 48A 48

Lepomis microlophus 48 48A 48

Lepomis cyanellus 48 48A 48

Lepomis auritus 48 48A 48

Lepomis cyanellus 48 48A 48

Lepomis microlophus 48 48A 48

Lepomis cyanellus 48 48A 48

Lepomis humilis 48 48A 48

Lepomis gibbosus 48 48A 48

Lepomis humilis 48 48A 48

Lepomis gibbosus 48 48A 48

Lepomis auritus 48 48A 48

Lepomis gibbosus 48 48A 48

Lepomis megalotis 48 48A 48

Lepomis megalotis 48 48A 48

Lepomis humilis 48 48A 48

Lepomis gibbosus 48 48A 48

Lepomis cyanellus 48 48A 48

Lepomis gibbosus 48 48A 48

Lepomis macrochirus 48 48A 48

Micropterus dolomieu 46 2SM + 44A 48

Micropterus punctulatus 46 2M/SM + 44ST/A 48

Micropterus dolomieu 46 2SM + 44A 48

Micropterus salmoides 46 2M/SM + 44A 48

Micropterus dolomieu 46 2SM + 44A 48

Micropterus treculli 46 2M/SM + 44ST/A 48

Micropterus salmoides 46 2M/SM + 44A 48

Micropterus treculli 46 2M/SM + 44ST/A 48

Pomoxis nigromaculatus 48 48A 48

Pomoxis annularis 48 48A 48

Cichlidae Oreochromis mossambicus 44 6SM + 38ST/A 50

Oreochromis niloticus 44 2M + 18SM + 24ST 64

Oreochromis mossambicus 44 6SM + 38ST 50

Oreochromis aureus 44 8SM + 2ST + 34A 50

Oreochromis niloticus 44 2M + 18SM + 24ST 64

Oreochromis aureus 44 8SM + 2ST + 34A 50

Oreochromis mortimeri 44 18M/SM + 26A 62

Oreocromis macrochir 44 6SM + 38ST/A 50

Sparidae Pagrus pagrus 48 2SM + 46A 50

Pagrus auriga 48 48A 48

Gerreidae Diapterus auratus 48 48A 48

Diaptrus rhombeus 48 48A 48

Eucinostomus argenteus 48 48A 48

Eucinostomus melanopterus 48 48A 48

Eucinostomus argenteus 48 48A 48

Eucinostomus gula 48 48A 48

Eucinostomus melanopterus 48 48A 48

Eucinostomus gula 48 48A 48

Eugerres brasilianus 48 48A 48

Diapterus rhombeus 48 48A 48

+ + Artificial Possível Possível Possível Possível Possível + + +

Eugerres brasilianus x Diapterus rhombeus Eucinostomus melanopteruss x Eucinostomus gula

Pagrus pagrus x Pagrus auriga