• No results found

Annex 4: Options for Monitoring, Reporting, and Verification

4.1 Additional issues

O objectivo desta fase de análise é o de examinar a existência de tendências, padrões comuns de construção no conjunto dos participantes. Envolve dois processos analíticos diferentes e a subsequente comparação dos produtos derivados de cada um: a codificação aberta, derivada das metodologias da

grounded theory

(Strauss & Corbin, 1998)

,

e a contagem de frequências dos elementos que constituem pontos explicativos das grelhas. O produto final é a elaboração de diagramas representativos dos padrões de construção.

3.4.2.1.Codificação Aberta

O material sobre o qual incidiu a técnica de codificação aberta consistiu nos textos da interpretação que realizámos sobre as grelhas de repertório de cada participante. Efectuando um rastreio sistemático dos textos, extraíram-se para memorandos (anexo 7, 8 e 9) frases e palavras descritivas das dimensões psicológicas com maior relevância para cada participante. Seguidamente, estes “fragmentos” foram analisados, de forma a renomeá-los e agrupá-los, resultando em categorias conceptuais mais abstractas – meta-categorias de significado. O método de categorização aberta exige a alternância constante de processos de questionamento e comparação (Fernandes, 2001b): a interrogação sobre o tema e conteúdo do material a codificar e a comparação das categorias que vão emergindo do agrupamento de conceitos. É um processo de análise e síntese contínua, onde se vão formando categorias provisórias e onde a comparação e questionamento conduzem à estabilização e especificação das meta-categoria finais. Na decisão sobre a definição das meta-categorias intervêm critérios, como por exemplo: a sua ocorrência frequente nos dados; a faculdade explanatória de cada meta-categoria e a sua relação, de forma significativa e não forçada, com outras meta-categorias.

As meta-categorias são, assim, mais englobantes que os conceitos que lhes deram origem e não mutuamente exclusivas, apresentando a vantagem de permitir trabalhar, na fase seguinte de elaboração teórica, com um menor número de categorias de maior abstracção e que encerram maior potencial analítico (Strauss & Corbin, 1998).

A título de exemplo, na Tabela 9 apresenta-se uma amostra de meta-categorias e de conceitos que lhes deram origem.

Tabela 9: Amostra de agrupamento de conceitos associados a construtos nas grelhas de repertório e elaboração de meta-categorias (procedimento de codificação aberta).

CONCEITOS DERIVADOS DA GRELHA DE REPERTÓRIO META –

CATEGORIA

restrição da participação e da comunicação sentimento de exclusão

limitações da participação

EXCLUSÃO falta de autonomia

dificuldades para a ultrapassar a condição de dependência

dependência associada e gerada por uma atitude de não-proactividade dependência

DEPENDÊNCIA

impulsividade falta de auto-confiança

dificuldade para construir a nova situação dificuldade de aceitação de si próprio

FRAGILIDADE PESSOAL

3.4.2.2.Contagem de Frequências dos Elementos

Para se fazerem emergir os padrões de construção, procedeu-se à contagem das frequências dos elementos da grelha de repertório que constituem pontos explicativos, contidos nos eixos de inércia retidos para interpretar. Dado que os pontos explicativos são pontos que se distinguem significativamente, pretende-se com esta estratégia verificar se também a este nível existem tendências comuns entres os participantes e posteriormente compará-las com as meta-categorias encontradas.

A contagem de frequências consiste em contar o número de vezes que um elemento (ponto explicativo) aparece num eixo associado a um ou mais elementos (também pontos explicativos), ou o número de vezes que determinados elementos aparecem em oposição ao longo do eixo.

O primeiro passo para efectuar esta contagem consiste em identificar o elemento ou elementos que ocorrem com mais frequência dentro do eixo e que servirá de referencial a partir do qual se vão decompor e comparar os eixos de todos os participantes.

Uma vez que cada eixo de inércia, derivado da análise de correspondências das grelhas de repertório, encerra dimensões de significado próprias, esta análise, bem como a anterior (codificação aberta), tem de ser feita eixo a eixo. Assim, aplicaram-se os procedimentos descritos a cada conjunto de participantes em que o eixo 1 foi examinado, depois para o eixo 2 e por fim para o eixo 3.

Na Tabela 10 apresenta-se uma amostra do procedimento de contagem de frequências descrito; o elemento EU COMO NÃO QUERO SER serviu de referencial à decomposição e contagem.

Tabela 10: Amostra de contagem de frequências de associação entre elementos das grelhas de repertório.

Partici pante PONTOS EXPLICATIVOS DO EIXO ASSOCIAÇÃO DE ELEMENTOS (por referência ao elemento

mais frequente)

Freq. FREQUÊNCIA ACUMULADA NÃO QUERO SER + PESSOA

QUE NÃO ME ACEITA 1 1

a NÃO QUERO SER + PESSOA QUE NÃO ME

ACEITA + PERSONA NON GRATA NÃO QUERO SER + PERSONA

NON GRATA 1 3

b NÃO QUERO SER + PESSOA COM

DEFICIÊNCIA

NÃO QUERO SER + PESSOA

COM DEFICIÊNCIA 1 1

NÃO QUERO SER + PERSONA

NON GRATA 1 ---

NÃO QUERO SER + EU

EXCLUÍDO 1 2

c NÃO QUERO SER +PERSONA NON GRATA +

EU EXCLUÍDO + EU QUANDO SOUBE

NÃO QUERO SER + EU

QUANDO SOUBE 1 1

NÃO QUERO SER + PERSONA

NON GRATA 1 ---

d NÃO QUERO SER + PERSONA NON GRATA +

EU EXCLUÍDO NÃO QUERO SER + EU

EXCLUÍDO 1 ---

Para se considerar que uma dada associação entre elementos constitui padrão, utilizámos como critério de frequência a ocorrência de 50% de participantes para essa associação. Identificadas as iterações de elementos, dentro de um mesmo eixo e entre todos os participantes, procedeu-se à sua comparação às meta-categorias de significado definidas, resultando, assim, a identificação dos padrões de construção. O mesmo critério de associação (50% de participantes) foi aplicado à associação entre elementos e meta- categorias.

3.4.2.3.Elaboração de Diagramas

A partir dos dados extraídos dos dois procedimentos anteriormente descritos (codificação aberta e contagem de frequências), foi feita a esquematização dos padrões de construção através de diagramas que representam visualmente as relações envolvidas nos padrões identificados. Estes diagramas representam a associação entre elementos, que apareçam em conjunto ou em oposição, e a articulação das meta-categorias aos elementos associados. Como explicam Strauss & Corbin (1998), a vantagem da elaboração destes diagramas, que constituem representações muito abstractas dos dados, é a de “

permitir ao analista ganhar

distância em relação aos dados, forçando-o a trabalhar com conceitos, e não com os detalhes

dos dados (…) e a pensar cuidadosamente acerca da lógica das relações

” (Strauss & Corbin, 1998, p. 153).