Antes de comentar-se as tarefas do cuidador, propriamente ditas, comentar –se - á o resultado de cuidados a idosos com grande parcela de dependência. A literatura reconhece alguns elementos críticos à avaliação das dificuldades inerentes às tarefas de cuidar de idosos de alta dependência.Eles aparecem freqüentemente na literatura sobre estresse do cuidador e foram resumidas por Pavarini e Néri (2002):
As tarefas têm como resultado ônus físico e financeiro, que se agravam com a evolução da doença.
Os cuidadores não possuem orientações suficientes para exercer o cuidado. São poucos os recursos sociais e humanos, assim como o apoio emocional, com poucas pessoas capacitadas para orientar o cuidador.
A tarefa de cuidar, muitas vezes, é incompatível com o trabalho profissional e o papel familiar desenvolvido antes pelo cuidador.A duplicidade de cuidar-se cuidando
pode manifestar sentimentos negativos que estavam adormecidos e a situação pode ficar de difícil resolução.
O cuidado é exercido geralmente por só um membro da família, sem auxílio ou reconhecimento dos outros familiares.
A situação do cuidado tem conseqüências no âmbito de vida pessoal do cuidador, que atinge o idoso, a família e as outras instituições sociais.Na falta de apoio informais e formais, o cuidador sofre as conseqüências, ficando exposto à depressão, a desestrutura emocional e pessoal. A família sofre devido a conseqüências negativas na parte material e social que gera conflitos.O idoso é o mais atingido e sofre a conseqüência de cuidados inadequados e insuficientes que podem levar ao abandono e maus tratos. Muitas vezes o desgaste individual e familiar do cuidador é dividido com a rede de amigos e colegas de trabalho.
O cuidado raramente é prestado pela rede formal de assistência, por intermédio de ambulatórios médicos, hospitais e asilos, estes para o caso do cuidado familiar se tornar impossível, por algum motivo.
Quanto a tarefas do cuidador, Gonçalves;Santos e Alvarez (1998) colocam que são funções exercidas pelo cuidador para o atendimento do idoso doente ou fragilizado, para auxiliá-lo nas atividades da vida diária (AVD) e nas atividades instrumentais da vida diária (AIVD).
As atividades da vida diária são tarefas mais simples como: sair da cama; higienização, acompanhamento em consultas etc.
Já as tarefas instrumentais da vida diária exigem mais preparo e confiança mútua. São as relações existentes com o meio social que pela fragilidade ou doença do idoso, não podem ser interrompidas. Por exemplo, acompanhamento em viagem longa para visita, negócio, tratamento, pagar contas, fazer compras etc.
Segundo Néri (2002), há tarefas do cuidar que fazem com que o cuidador despenda mais esforço físico e mental, e há outras que necessitam auxílio de terceiros. As tarefas podem ser distribuídas de acordo com a periodicidade com que são realizadas. Para cada tipo de tarefa há uma exigência e um resultado, um efeito que pode ser reforçado pelo exercício simultâneo de papéis familiares e profissionais.
A faculdade do cuidador perceber as conseqüências das tarefas na sua vida e os hábitos têm efeitos diretos sobre o cuidado, pois as estimativas objetivas são importantes indicadores da qualidade do cuidar oferecido ao idoso. Cuidadores que sentem aumentar excessivamente as tarefas sentem-se injustiçados e se sobrepõem papéis familiares nos profissionais, ficarão mais propensos a sentir-se menos bem e a desempenhar suas práticas muito aquém de suas forças.
CAPÍTULO III
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo exploratório com abordagem qualitativa de caráter descritivo. Minayo (1994) destaca a importância da abordagem qualitativa:
...Por ser esta capaz de incorporar a questão do Significado e da Intencionalidade como inerentes aos atos, às relações, às estruturas sociais, sendo suas últimas tomadas tanto no seu advento quanto na sua transformação, como construções humanas significativas. Minayo (1994)
A pesquisa é Descritiva, segundo Gil (2002), quando tem como objetivo primeiro a descrição das características de uma determinada população ou fenômeno, ou o estabelecimento de relações entre variáveis. As pesquisas descritivas são, juntamente com as exploratórias, as que são realizadas pelos pesquisadores sociais preocupados com a atuação prática.
Conforme Minayo (1994) a fase exploratória da pesquisa é muito importante e compreende as etapas: a escolha do tema de investigação; a delimitação do problema; a definição do objeto e objetivos; a construção do marco teórico conceitual, os instrumentos de coleta de dados e de exploração do campo. A fase exploratória acaba formalmente com o início do trabalho em campo.
Para Gil (2002), a Pesquisa Exploratória objetiva proporcionar uma familiaridade mais próxima com o problema, para torná-lo mais explícito. O planejamento da pesquisa é bem flexível, possibilitando -se a consideração dos mais variados aspectos relativos ao fato estudado.
3.1 TÉCNICA DE COLETA DE DADOS
A técnica de coleta mais adequada para este estudo é a entrevista semi estruturada.
Segundo Minayo (1994):
O que torna a entrevista instrumento privilegiado da coleta de informações para as ciências sociais é a possibilidade de a fala ser reveladora de condições estruturais, de sistemas de valores normas e símbolos.
Minayo (1994) diz que a entrevista ao lado da observação participante é a técnica mais usada no processo do trabalho de campo. Segundo a autora, as diferentes formas de entrevistas podem ser resumidas em “estruturadas” e “não estruturadas” das quais há várias modalidades que se diferenciam em menor ou maior grau pelo motivo de serem mais ou menos dirigidas.
Para Moreira (2002), a entrevista pode ser definida como uma conversa entre duas ou mais pessoas com um propósito específico em mente. O pesquisador entende que obterá informações que o respondente supostamente terá.
Nesta pesquisa utilizamos a entrevista semi-estruturada que conforme Minayo (1994) é a que combina perguntas fechadas (ou estruturadas) e abertas, para que o entrevistado tenha a possibilidade de discorrer o tema proposto, sem respostas ou condições prefixadas pelo pesquisador.
A entrevista desenvolve-se pela pesquisadora com aplicação de roteiro pré - estabelecido (anexo A) com anuência do entrevistado.
As perguntas abertas foram transcritas ordenadamente numeradas de 1 a 20, correspondendo ao número de ordem do entrevistado, de modo a garantir o sigilo do mesmo. As respostas ao roteiro da entrevista foram escritas.