11. FUNDAMENTAL VERDSETTELSE
11.7 A NALYSE AV USIKKERHET
No volume dezenove da coleção Explorando o Ensino, produzida pelo MEC em 2010 para direcionar professores sobre objetivos e metodologias de ensino de língua portuguesa, lemos:
[...] Podemos dizer que a escola − e em especial a escola pública − é uma das principais instituições socialmente encarregadas de dar concretude ao cidadão abstrato das constituições, leis, estatutos etc. Em decorrência, cabe à escola, entre muitas outras atribuições, dar a todos uma mesma formação básica, ou seja, aquela formação capaz de propiciar a cada aluno um dos principais requisitos da cidadania: a apropriação pessoal de uma herança cultural comum. E como essa herança só se constitui em meio a diferenças de todo tipo − gênero, cor, etnia, condição social etc.−, deve-se entender por básica aquela formação que permita ao indivíduo, independentemente de suas
sociedade em que vive, em pé de igualdade com qualquer outro indivíduo. E para isso é preciso que sejamos reconhecidos tanto no que temos de diferente e singular quanto no que temos de semelhante e comum aos demais. Portanto, o direito de cada um à diferença e à igualdade só pode ser garantido por uma adequada educação de todos para o convívio democrático e republicano. (MEC 2010:184)
Como acima descrito, a escola deve considerar a construção da cidadania dos seus discentes não apenas como um dos seus objetivos principais, mas também como um dos seus eixos básicos de ensino-aprendizagem. Também, conforme lembrado pelo documento do MEC, a construção da cidadania deve promover uma educação independente de suas condições particulares, isto é, não haverá real cidadania nem inclusão social sem uma adequada formação escolar. Levar essas informações em consideração se faz ainda mais importante nas escolas inclusivas. Assim, pensando em um contexto escolar onde surdos e ouvintes dividem a mesma comunidade e informações, como alcançar a plena cidadania apesar das singularidades e diferenças? Essa é apenas uma das questões levantadas por essa pesquisa.
Outras questões norteiam essa pesquisa: algumas delas já foram tratadas e para as outras buscamos respostas satisfatórias. São elas: tem sido a Libras o instrumento primário e principal para levar os alunos surdos a adquirir conhecimento nas escolas? Busca-se, através da Língua de Sinais, agregar ao sujeito surdo competência na Língua Portuguesa? Que tipo de material didático tem sido usado para o ensino de Português nas salas de aulas com alunos surdos? Os dicionários de Português estão presentes nas salas de aulas de alunos surdos? O professor sabe utilizá-los com maestria e ensina aos alunos como fazê-lo? Sendo escrito em Língua Portuguesa para um público de falantes nativos (L1), como os dicionários de Português podem ser utilizados com eficácia pelo sujeito surdo? Como o dicionário pode atuar como material extra-didático a fim de promover competência em uma língua estrangeira, já que alunos surdos aprendem o Português como L2? Os dicionários de Libras estão presentes em salas de aula de alunos surdos? O professor sabe utilizá-lo com maestria e indica aos alunos como fazê- lo? A estrutura dos dicionários de Libras facilita o aprendizado através de sua consulta? Como relacionar os dois dicionários, a saber, de Língua Portuguesa e de Língua Brasileira de Sinais, de modo a explorar ao máximo das ferramentas proporcionadas por cada um deles? Podem os dicionários contribuir para que os surdos compreendam aspectos da Língua Portuguesa somente percebidos pela audição, como por exemplo, as
diferenciações entre fonemas próximos (v/f, p/b)? Quais as metodologias mais eficazes para um ensino bem sucedido de Português para os surdos?
Cabe à escola a promoção da leitura e escrita de modo que permita aos seus alunos interação plena com a sociedade em todas as suas facetas formais ou informais. É um fator que também nos é lembrado pelo documento do MEC já citado:
[...] vamos tratar do ensino de leitura. Os objetivos principais são dois: o primeiro é mostrar que é importante continuar ensinando a ler em todas as séries e níveis de ensino; o segundo é sugerir um conjunto de possibilidades que permitam ampliar o universo de leitura dos alunos, propiciando a formação do leitor. (MEC 2010:84)
Produzir um texto é uma atividade bastante complexa e pressupõe um sujeito não apenas atento às exigências, às necessidades e aos propósitos requeridos por seu contexto sócio-histórico e cultural, mas também capaz de realizar diversas ações e projeções de natureza textual, discursiva e cognitiva, antes e no decorrer da elaboração textual. (MEC 2010:64)
Conforme mencionado na página 58 desta pesquisa a busca pela habilidade em alcançar tais pressupostos com o aluno „padrão‟ tem sido objeto de discussão nas Faculdades de Educação em todo o Brasil. Mas retomamos com os questionamentos: como conseguir a mesma habilidade com um grupo minoritário que também faz parte dos assentos das escolas? Como conseguir essa habilidade com alunos surdos que tem uma visão de mundo absolutamente diferente da nossa, como ouvintes? E caso trabalhe com uma turma de escola inclusiva, isto é, com alunos surdos e ouvintes, como caminhar de modo a promover a mesma competência para ambos os grupos? Como ser eficaz em ensinar a Língua Portuguesa como L2? E como fazer isso de um modo que privilegie a visão_ já que é por esse sentido que os surdos captam as informações e o mundo externo? Faria, pensando nisso aponta:
É preciso que os profissionais envolvidos com o ensino de língua portuguesa para surdos, conscientes dessa realidade, predisponham-se a discutir constantemente esse ensino, buscando alternativas que permitam ao surdo usufruir do seu direito de aprender com igualdade, entendendo-se, no caso do surdo, que para ser 'igual' é preciso, antes, ser diferente. (Faria, 2001:3)
A discussão sobre o ensino de Português para alunos surdos deve buscar alternativas. Uma delas se baseia no bom uso dos dicionários como meio de instrução
da Língua Portuguesa. Por que podemos afirmar isso? O capítulo três abordará esse assunto.
2.2. Como tem sido o real uso dos dicionários em sala de aula de língua portuguesa