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2. Teori, forskning og metode

2.1 Teori

2.1.1 Økokritikk

É evidente que os serviços públicos do Brasil de hoje são bem mais numerosos, mais confiáveis e melhores do que eram há uma década atrás. O atendimento ao cliente, influenciado de um lado pelo desenvolvimento tecnológico sem precedentes na história da humanidade e, de outro, pelas conquistas sociais que enfatizam a qualidade dos serviços e, portanto, buscam a satisfação do usuário, passou a ser visto como um dever do Estado e um direito do cidadão.

A nova perspectiva, sobre a qual o Estado brasileiro vem reestruturando suas funções e papéis, coloca o serviço público na óptica da gestão da “coisa pública” (res publica). Governar não é simplesmente administrar a máquina encarregada da manutenção de uma organização política e territorial, mas sobretudo preparar o caminho para um estágio de modernidade não comprometida com um tempo e com um espaço. Para sobreviver às armadilhas da globalização, não basta formar profissionais com níveis de excelência adequados aos novos tempos, como também não basta esperar que as questões sejam levantadas para respondê-las. É preciso que o Estado se antecipe, preparando seus cidadãos para um futuro imediato e preparando-se para as respostas antes das perguntas serem formuladas.

Embora seja possível dizer que, em muitos setores, o Brasil ocupa posição de vanguarda, compartilhando do mesmo estágio de desenvolvimento dos países mais avançados, estamos muito longe da universalização dessas benesses. Os contrastes, tão facilmente reconhecíveis no acesso às tecnologias de ponta, para só falar do consumo, mostram que estamos muito longe de alcançar o equilíbrio sócio- econômico dos países do Primeiro Mundo. Por isso mesmo, qualquer iniciativa de democratização de acesso a dados é importante, ainda que incipiente. Nesse caso está o do IBGE.

É nessa perspectiva que se pretendeu inserir o presente estudo. Se, de um lado, a produção de dados estatísticos é essencial para o desenvolvimento de políticas públicas, de outro, todo o esforço governamental resultaria inútil, sem a divulgação e a conseqüente utilização dos produtos. Num mundo globalizado, onde a circulação ilimitada da informação tornou-se uma realidade, a construção do conhecimento pressupõe uma interação constante entre produção, disseminação e utilização de dados. Para tanto, a credibilidade da fonte constitui requisito inconteste.

Embora os resultados da pesquisa sejam muito restritivos, oferecem algumas pistas que merecem ser ressaltadas. Conforme ficou demonstrado, a informática figura como ferramenta de uso quotidiano entre o grupo de alunos interrogados, embora ocupe a terceira posição como fonte de consulta com finalidade acadêmica. No que se refere à especificidade do site IBGE, a pouca expressividade das respostas, longe de representar uma inadequação, parece estar mais ligada a deficiências nos mecanismos de divulgação.

O bloco “Governo Eletrônico” revelou uma representação bastante significativa daqueles que reconhecem o esforço governamental de se apresentar ao cidadão como fonte de informação confiável, considerando a acesso voluntário de metade dos entrevistados.

O bloco “Informação” mostra que o IBGE é visto prioritariamente como um provedor de dados, o que indica a necessidade de maior divulgação de seus demais serviços. A ausência de conotação negativa no que se refere à acessibilidade do

site é outro ponto que revela a qualidade do serviço.

A percepção do usuário quanto à importância do projeto de personalização dos serviços demonstrou ser essa uma característica importante. Outro ponto abordado – a expectativa do usuário em relação às informações – fez sobressair a confiança na Instituição, o que talvez seja o ponto mais importante a ser considerado pelo IBGE.

Os resultados da pesquisa de opinião apontaram para a satisfação do usuário em relação ao serviço eletrônico oferecido. O IBGE foi reconhecido como o órgão nacional responsável pela produção de informações sócio-econômicas que retratam o país e que, por serem consideradas relevantes e, sobretudo, confiáveis, estão servindo para subsidiar os trabalhos acadêmicos.

De fato, num momento em que instituições como o Poder Judiciário, tradicionalmente acima de qualquer suspeita, é submetido à execração pública, a confiabilidade do IBGE é um trunfo que deve ser explorado à exaustão.

As limitações da amostra não permitem a generalização dos resultados para outros segmentos de usuários, mesmo que se trate de grupos que possuam características acadêmicas semelhantes. Por essa razão, os resultados devem ser entendidos no âmbito da pesquisa, levando-se em conta a sua natureza e as suas particularidades como instrumental para comportamentos observados na constatação de um fenômeno, a ser utilizado em um estudo de caso.

O estudo oferece subsídios para que a Instituição adote procedimento sistemático de consulta periódica a seus usuários, com o objetivo não só de satisfazer suas demandas, mas também de ampliar o universo dos serviços oferecidos.

A aplicação de questionários – semelhantes ao utilizado na pesquisa, ou mais abrangentes – em segmentos expressivos da população que integra seu público- alvo, constituiria, sem dúvida, uma valiosa ferramenta para o sucesso de projetos que porventura venham a ser desenvolvidos.

Tais iniciativas, por certo, viriam a dar mais transparência às políticas públicas/ações governamentais de produção e disseminação de dados, ampliando sensivelmente o espaço de atuação do IBGE e promovendo o seu reconhecimento como órgão prestador de um serviço público de qualidade, não somente porque oriundo de necessidades e demandas reais dos usuários, mas também porque comprometido com a modernidade.

Essas considerações são pertinentes, já que o foco do resultado do estudo foi o reconhecimento da importância e da qualidade da prestação do serviço de acesso a dados do IBGE. O que se valoriza, hoje, segundo SILVA (2002), num mundo cada vez mais sem fronteira, no qual a cidadania é um valor a ser cultivado com muito zelo pelos regimes democráticos, tornaram-se muito restritos os espaços para as organizações herméticas e incapazes de interagir com os diferentes segmentos. Nesse contexto, valoriza-se a figura da empresa cidadã, que se pauta não só pela qualidade, pela eficiência e pelo sucesso nos negócios, mas também pelos valores da ética e do comprometimento com o bem-estar e o progresso da comunidade e da nação.

Não basta que o parque empresarial brasileiro gere recursos, é preciso que ele adote uma postura politicamente correta diante dos desafios abertos com a era da comunicação, caminho não só mais curto, mas também mais seguro para conduzir o País ao desenvolvimento.

As lacunas apresentadas pelo estudo devem servir de estímulo a novas pesquisas. Não se pretendeu apontar soluções, mas tão-somente mostrar a forma como o fenômeno estudado vem-se manifestando. No âmbito do serviço de divulgação de informações do IBGE, seria oportuno, para novas abordagens, estabelecer uma amostra mais bem definida e um questionário concentrado em

torno de eixos mais objetivamente traçados, para que as respostas dadas possam oferecer melhores condições de classificação.

Também mereceria maior aprofundamento a questão das relações institucionais, que deveriam existir entre a produção e a utilização de dados. Nesse caso, seria de se esperar que o IBGE estabelecesse mecanismos de interface com a área acadêmica, não somente para a divulgação das informações produzidas, mas também para futuras ofertas. Num País como o Brasil, no qual ainda é escassa a oferta de serviços de produção e de divulgação de informações desejáveis e confiáveis, qualquer iniciativa nesse sentido seria muito bem-vinda. É preciso lembrar que a maioria das instituições que produzem e divulgam dados no Brasil são de natureza privada – os institutos de pesquisa de opinião – o que implica interesses comerciais e objetivos pontuais. Daí a enorme responsabilidade do IBGE na organização de seus serviços. Não basta somente entrar na era informacional e oferecer serviços de qualidade, atendendo às expectativas do cliente. Também é preciso antecipar-se a essas expectativas, buscando – no caso de sites para subsidiar estudos na área de graduação – captar as necessidades acadêmicas junto às instituições de ensino.

Ainda sobre as limitações, é preciso levar em conta a necessidade de estudos comparativos com serviços similares, para que possam ser estabelecidos parâmetros de qualidade. Nesse caso, seria oportuno que outros estudos fossem agregados para que os resultados obtidos possam ser mais bem compreendidos no contexto da administração pública nacional.

As limitações que cercam o estudo ora apresentado não permitem encerrá-lo com uma conclusão. Tampouco se pode dizer que ele aponta caminhos para a melhoria da qualidade dos serviços públicos. No entanto, a longa trajetória percorrida desde o seu primeiro esboço até esse momento de sua finalização serviu para mostrar que o nosso país não pode continuar a ser incluído em bloco na categoria de Terceiro Mundo. Estamos ainda muito longe de vencer as barreiras da miséria e da injustiça social, mas não estamos na retaguarda do desenvolvimento tecnológico.