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Apresenta-se, em seguida, um texto sobre o surgimento das principais e primeiras coleções de gesso européias e a disseminação das moldagens nas academias de belas artes na América já a partir de princípios do século XIX. As coleções apresentadas foram selecionadas por terem sido objeto de pesquisa deste autor – visitas técnicas e estudos das peças e do acervo escultórico e documental.

1.2.1- Museus e Coleções de gesso na Europa | Exposições Universais

Na França, a partir do final do século XVIII e, sobretudo, nas primeiras décadas do XIX, o Ateliê de Moldagens do Museu do Louvre (FIGURA 24) já exercia com freqüência sua função de reproduzir peças em gesso a partir dos originais e comercializar para outros museus, ateliês de artistas ou coleções privadas.

Em 1848, os “oficiais do gesso”, empregados de ateliês franceses, exigiram por petição a organização de um “Ateliê Nacional de Moldagens” com a finalidade de formar uma coleção de esculturas nacionais, dispostas para estudos e pesquisas. Viollet-le-Duc assina o documento e propõe a criação de um museu de esculturas comparadas. Desde 1855, ele solicita ao ministro Jules Ferry e convence ao diretor da Escola de Belas-Artes Antonin Proust a incorporação da coleção do moldador Auguste Malzieux ao acervo pré-existente de moldagens do Palácio do Trocadero. Em 1867, o diretor do Museu de South Kensington, em Londres, toma a iniciativa de instalar um pavilhão-modelo na Exposição Universal de Paris com o objetivo de discutir o intercâmbio de moldagens entre as diversas instituições museológicas européias.

FIGURA 24: Reserva de moldagens do Louvre, Paris.

O Palácio do Trocadero, durante a Exposição Universal de 1878, abre as portas do museu com reproduções de gesso organizadas em quatro temas e espaços distintos. Os ambientes, cronologicamente organizados, apresentam moldagens relativas à arte desde o período arcaico – assíria e egípcia – integrada à arte antiga grega e à estatuária francesa medieval até alcançar a cultura renascentista italiana e francesa. Esta última era constituída de reproduções arquitetônicas e ornamentais dos mais remarcáveis exemplares da cultura construtiva francesa. Após esta exibição, o Palácio do Trocadero foi espacialmente dividido em três museus permanentes: Museu Etnográfico, Museu de Escultura Comparada e Coleção “Delaporte” | Musée Indo-

Chinois - composto de moldagens e objetos da cultura khmer e Indochina.

O “Museu de Escultura Comparada” foi oficialmente inaugurado, somente em 1882, pelo seu primeiro diretor, o artista-escultor e moldador Adolphe Victor Geoffroy- Dechaume - que já havia colaborado com Viollet-le-Duc em algumas obras de “restauração”. As moldagens de rosáceas, grupos escultóricos, portadas completas de igrejas e basílicas como as de Vezelay e Amiens, capitéis, entre outros elementos arquitetônicos e decorativos forneceu ao museu um caráter pedagógico. Isto permitiu aos visitantes e estudiosos um maior entendimento e a possibilidade de comparações de estilos, períodos e regiões de origem das obras, que estavam expostas próximas umas das outras. O sucesso de visitação foi tão grande que as doações se multiplicaram. A estas salas destinadas às moldagens se integraram, posteriormente, outros espaços destinados à pintura mural e maquetes de arquitetura (FIGURA 25).

FIGURA 25: Museu de Escultura Comparada no final do século XIX – Palácio do Trocadero, futuramente

denominado Museu dos Monumentos Franceses, Paris, França.

Entretanto, Louis Delaporte participa de diversas expedições pelo Laos, Camboja e Indochina a partir dos anos 1866. Ele se torna um grande conhecedor e divulgador desta arte na França. Em sua última missão no Camboja, Delaporte integra em sua equipe o moldador italiano Ghilardi com o objetivo de realizar moldes de gesso das ornamentações e da arquitetura dos templos de Angkor-Wat. Outro admirador desta cultura, Emile Soldi, popularizaou a arte khmer em sua publicação de 1881 denominada Les arts méconnus – les nouveaux musées du Trocadéro. É importante

mencionar que muitas reproduções em gesso, a partir dos moldes originais, para as missões científicas, eram executadas dentro de espaços do Museu Sarraut, em Phnom Penh, capital do Camboja, inaugurado, em 1920, com uma coleção permanente de objetos antigos da cultura kmer. (FIGURA 26).44

FIGURA 26: Coleção Delaporte | Musée Indo-Chinois no Palácio do Trocadero - local que futuramente iria abrigar o Museu dos Monumentos Franceses, Paris, França.

Fonte: FALSER (2011, p.28); IDEM (2011, p.20)

A Exposição Universal de 1889, ocorrida também em Paris, para celebrar o centenário da Revolução Francesa, contribuiu para uma nova etapa evolutiva do Museu de Escultura Comparada pois aumentou o acervo da coleção de moldagens. Esta mesma Exposição Universal se destacou pela inauguração da Torre Eiffel, integralmente construída em ferro, minério já bastante difundido nas Fundições francesas do Haute-Marne.

As Exposições Universais e Internacionais se multiplicaram por diversas cidades do mundo e ocuparam, portanto, um papel muito importante na difusão da técnica da moldagem e reprodução, pois foi por meio desta tecnologia que se tornou possível, finaceiramente e em tempo reduzido, a montagem e desmontagem dos “pavilhões” que representavam as culturas construtivas e ornamentais de cada país participante. Estes “pavilhões” eram “montados” utilizando peças que eram encaixadas e fixadas facilmente; depois recebiam acabamento e seu interior apresentava decoração conforme cada projeto. Além disto, a difusão da cultura artística, sobretudo no caso da escultura, era apresentada por cópias de gesso ou de cimento do original que não era passível de ser transportado ou removido de seu local de origem.

Outro exemplo interessante aconteceu, já em 1931, na Exposição Colonial Internacional de Paris (Exposition Coloniale Internationale de Paris) quando se reproduziu em uma vasta área na região de Vincennes, monumentos arquitetônicos representativos das diversas colônias francesas distribuídas pelos continentes asiático, africano e americano. Além da arquitetura, esta exposição tinha o objetivo de divulgar a cultura típica destes “países” - costumes, vestuário, folclore, dança, música, artes plásticas e decorativas. A “edificação” mais impressionante foi o complexo arquitetônico representando a cultura khmer, montado por meio das moldagens ornamentais geradas dos moldes de gesso realizados in loco sobre os templos de Angkor Wat, no Camboja (FIGURA 27).

Após o término da Exposição Colonial Internacional de Paris, a estrutura arquitetônica e ornamental do templo khmer foi desmontada e guardada entre as reservas técnicas do Museu Guimet e do Palácio de Versalhes.

O edifício que abriga o Museu dos Monumentos Franceses – antigo Museu de Escultura Comparada - foi completamente restaurado e reabilitado em meados dos anos 2000. Sua reabertura ocorreu em 2009 e ocupa parte do pavimento térreo do

Palais de Chaillot - Cité de l´architecture et du patrimoine, em Paris onde se manteve a

didática contextual e historicista idealizada por Le-Duc com o objetivo de difundir o panorama cultural arquitetônico e patrimonial francês ao grande público.

FIGURA 27: Exposição Colonial Internacional de Paris, 1931.

a) Poster de divulgação da Exposição Colonial Internacional de Paris

b) Cartão-postal do Pavilhão representativo da cultura kmer – reprodução parcial de Angkor Wat. c) Fotografia frontal da visitação do público ao Pavilhão.

d) Fotografia aérea do complexo monumental do Pavilhão. Fonte: FALSER, 2011, p.28; IDEM, p.20; IDEM, p.28; IDEM, p.20

Esta coleção apresenta valor estético, documental e arqueológico de extrema importância. Seu valor estético e formal está na facilidade de acesso de variadas obras, em tamanho natural, que percorrem épocas e estilos distintos da arte e da arquitetura francesa instaladas uma ao lado da outra permitindo pesquisas comparativas. Seu valor documental está diretamente associado à técnica de construção das moldagens onde o visitante pode visualizar e compreender a tecnologia construtiva daquela moldagem seja observada de frente, seja por detrás. Além disto, existem programas multimídias instalados nos diversos pontos de apoio informatizados

e espalhados pelo espaço de exposição que também abordam o processo tecnológico desta técnica. O valor arqueológico, por sua vez, se dá pelo conjunto de elementos arquitetônicos que contem um número de informação construtiva e decorativa (apresentam detalhes ornamentais, formais e estilísticos) maior que os próprios originais, já desgastados e degradados com o tempo por meio de ações de vandalismo, das guerras, das intempéries, do abandono ou do uso e das práticas de conservação inadequadas. (FIGURA 28).

FIGURA 28: Museu dos Monumentos Franceses, Paris, França.

a) Revitalização do Museu de Monumentos Franceses em 2008.

b) Detalhe da moldagem do conjunto arquitetônico da fachada principal da basílica de Vézelay. c) Museu de Monumentos Franceses em 2012.

Fotos: Alexandre Mascarenhas, 2008 - 2012.

Interessante salientar que cada moldagem exposta apresenta uma placa informativa, resultado de extensa pesquisa, onde se destaca a origem arquitetônica e geográfica daquele elemento pontuado em um mapa da França, além de apresentar dados pertinentes como o nome do mouler (aquele que executa o molde) ou do copista (aquele que executa a moldagem), a data de entrada da peça no Museu, seu número de inventário e sua data de classement (espécie de tombamento) do edifício original.

Durante este período se proliferam outras coleções pelas cidades francesas, sobretudo de caráter acadêmico, como por exemplo, as que ainda atualmente resistiram ao tempo e se encontram em Estrasburgo, Montpellier ou Dijon. Em Londres foi inaugurado o Museu Victoria & Albert onde duas grandes salas expõem moldagens que englobam quase todos os estilos da história arquitetônica e escultórica. Todas as pecas estão recebendo intervenções de conservação: higienização, recomposição e

consolidação. No dia 15 de junho de 2012 houve um congresso intitulado Technical

considerations on the original casting and the conservation of the V&A’s Portico de La Gloria coordenado por Victor Hugo Lopez e Johanna Puisto, com recursos do Governo

espanhol cujo objetivo foi apresentar a história da construção original do pórtico que faz parte da fachada principal da igreja de Santiago de Compostela, a realização do molde em tacelos e da moldagem em gesso e, o processo de restauração desta réplica que faz parte do acervo do V&A Museum (FIGURA 29).

FIGURA 29: Museu Victoria & Albert – coleção de moldagens, Londres.

Fotos: Alexandre Mascarenhas, 2012

Entretanto, em Basel, na Suíça, o Museu Skulpturhalle Basel des

Antikenmuseums apresenta cópias exclusivamente do período clássico greco-romano.

É a instituição museológica destinada a moldagens de gesso que possui a maior quantidade de ‘fragmentos’ dos dois frisos laterais do Partenon de Antenas. Estas réplicas preservam mais informações dos detalhes escultóricos que os próprios originais, muito deteriorados pelas ações das intempéries, abandono e má conservação (FIGURA 30). Este espaço museal se divide em sala de exposição permanente no nível térreo juntamente com a recepcao, loja e cafeteria; reserva técnica e mini-auditorio no subsolo; escritórios de administração no primeiro pavimento. A reserva técnica, apesar do título, está aberta para visitação, pois se encontra completamente bem equipada com controle de temperatura e umidade; as peças estão organizadas e separadas por temas específicos e instalados em prateleiras e, aquelas de grandes dimensões estão fixadas no piso. O mini-auditório concentra palestras e cursos na área da história clássica greco-romana e sobre a origem e os objetivos de se

manter um museu de moldagens em gesso. O uso acadêmico ainda é muito difundido pelos alunos das escolas de belas artes e de arquitetura para as disciplinas de desenho.

FIGURA 30: Museu Skulpturhalle Basel des Antikenmuseums– coleção de moldagens, Basel, Suiça.

a) Frisos do Partenon.

b) Aluno exercitando o desenho a partir das moldagens de bustos de imperadores romanos em gesso. c) Reseva técnica com pequeno auditório ao fundo.

Fotos: Alexandre Mascarenhas, 2012

A história e o desenvolvimento das coleções de gesso de estátuas da antiguidade clássica com fins pedagógicos inicia na Bélgica a partir de 1801, ano em que a Academia de Belas Artes de Antuérpia (L´Academie des Beaux-Arts d´Anvers) adquire uma cópia do grupo escultórico Laocoonte. Em seguida o Atelier de Moldagens do Museu do Louvre envia uma série de moldagens em gesso para a Academia de Michelen (1802), Academia de Desenho de Gante (1803-1804), Escola de Gravuras de Bruxelas (1839), Academia de Bruges (1864), Universidade Católica de Louvain (1864), Academia de Belas Artes de Tournai (1868) e Academia de Belas Artes de Bruxelas (1879). Esta última recebe aproximadamente uma centena de peças entre elas, moldagens de Apolo de Belvedere, O Gladiador de Borghese, Castor e Polux, Vênus de Arles, o Discóbulo, Mercúrio, bustos de Homero, Eurípides, Hipócrates e Demóstenes, o grupo escultórico Laocoonte e fragmentos de frisos do Partenon – algumas destas peças foram encomendadas diretamente pelo pintor Pierre-Joseph Verhaeghen quando este se encontrava na Itália.45

Entre as numerosas instituições belgas, destacaremos apenas quatro coleções museólogicas e acadêmicas selecionadas por sua diversidade histórica, temporal e cultural: Museu de Louvain-la-Neuve, Museu Real de Arte e História | Atelier de moldagens (Musée Royaux d’Art et d’Histoire – Atelie de Moulages du Cinquantenaire),

Museu de Arte Funerária Ernest Salu (Musée d´Art Funeraire Ernest Salu) e Museu Real da África Central (Musée Royal de L´Afrique Centrale).

Inicialmente apresentaremos a coleção da Universidade Estadual de Liége – criada em 1817 acompanhada de uma coleção de moedas, medalhas e um grupo de moldagens de esculturas antigas doadas por Guilherme I (Guillaume I) - cujo espólio será posteriormente, já em meados do século XX, desmembrado entre a Universidade de Leuven e o Museu da Cidade de Louvain. No entanto, já em 1864, o Museu de Moldagens da Universidade Católica de Louvain é inaugurado juntamente com a abertura de seu primeiro curso de arqueologia. Este acervo apresenta unicamente fins didáticos. Em 1866 cria-se uma Sociedade dedicada às moldagens de objetos de arte religiosos (Société pour Le moulage et La reproduction d´objets d´art religieux) com o objetivo de difundir a técnica de reprodução e comercialização destes objetos, sobretudo a arte religiosa medieval.

Nas primeiras décadas do século XX, a Primeira Grande Guerra Mundial destruiu e degradou centenas de edificações entre elas o prédio que abrigava a Universidade de Louvain e, consequentemente se perdeu um grande número de moldagens do seu acervo. Observa-se, então, um movimento de cooperação entre instituições gregas, alemãs e italianas com o intuito de fornecer peças em mármore e em gesso para a reinstalação da coleção de arte e de arqueologia nos espaços universitários a partir de 1927, cuja inauguração oficial do “Museu de arqueologia clássica” aconteceria apenas em 22 de maio de 1930 em uma homenagem de ”Reconhecimento da Universidade à Grécia”. Esta coleção composta por peças da antiguidade – Mesopotâmia, Assíria, Egito, Grécia e Roma – alcança aproximadamente 1.000 peças.

Entre os modelos medievais e renascentistas, compostos por 350 moldagens, observamos um baixo-relevo de Donatello (Pádua), estátuas da igreja Notre Dame de Treves (Alemanha) e a tumba monumental de Sansovino (Roma). Já na década de 1950, por iniciativa do professor Jacques Lavalleye, a coleção é ampliada, e se organiza uma sessão dedicada a Arte Cristã. Neste período, um apoio financeiro do

mecenas Barão Van Zeeland permite a aquisição de dezenas de moldagens oriundas do Ateliê de Moldagem dos Museus da França, hoje designado Reunión de Musèes

Nationaux (RMN). 46

Novos esforços foram necessários, após a Segunda Grande Guerra Mundial, para reorganizar o acervo para ser utilizado ao ensino acadêmico. Em entrevista com o Professor e pesquisador Bernard Van Den Driessche, responsável pelo espólio e reserva técnica dos gessos da atual Universidade Católica de Louvain-la-Neuve, percebe-se sua decepção em relação ao acervo - que apresentava uma importância enquanto conjunto - quando este é separado e dividido, a partir dos anos 1960, entre a

Katholieke Universiteit Leuven e a Universidade Católica de Louvain. Esta última

constrói novo conjunto universitário e passa a ser denominada Universidade Católica de Louvain-la-Neuve onde, a partir de 1974, parte das moldagens de seu acervo serão expostas no novo Museu de Louvain-la-Neuve, guardadas na reserva técnica ou distribuídas em espaços administrativos e corredores da instituição (FIGURA 31).47

FIGURA 31: Museu de gessos de Louvain-la-Neuve, Bélgica.

a) Coleção de moldagens do Museu de Arqueologia Clássica instalada na Universidade católica de Louvain, 1930.

b) Museu de Louvain-la-Neuve – sala com moldagens de figuras medievais, 2012.

c) Reserva técnica de moldagens da Universidade Católica de Louvain-la-Neuve, 2012. Fonte: DRIESSCHE (2005, p.350); Foto: Alexandre Mascarenhas, 2012; IDEM, 2012.

O Encontro Internacional de Montpellier, realizado em 1997, discutiu a técnica de moldes e moldagens, seu uso e a história das coleções de gesso. Tomas Lochman,

46 MUSÉE DE LOUVAIN-LA-NEUVE (2001, p. 25) | DRIESSCHE (2005, p.348-350).

47 Visita ao Museu e à reserva técnica de moldagens de gesso da Universidade Católica de Louvain-la-

diretor da Skulpturhalle de Bâle, propôs a realização de inventários das coleções baseado em um modelo que ele próprio havia produzido e utilizado na Universidade de Estrasburgo, na França. Logo após um projeto museográfico executado em 1998, parte das obras foi integrada à coleção permanente. A execução destes inventários pelas instituições permitiu localizar moldagens provenientes de um mesmo ateliê, revelar exemplos de moldagens únicas (quando em seguida ao processo de fundição da moldagem, se destrói o molde) ou, ainda, a existência de uma peça exclusiva, já que a obra original a partir do qual se executou o molde e consequentemente o modelo, já se perdeu ou foi destruída em algum momento da história. 48 No artigo L´Antiquité et les

moulages en plâtre en Belgique: 1830-1930 (Antiguidade e as moldagens em gesso na

Bélgica: 1830-1930) publicado e apresentado no Colóquio Internacional organizado em Bruxelas em abril de 2005, Van Den Driessche (2005, p.353) ressalta que as moldagens ainda existentes constituem uma referência importante em relação aos originais em precário estado de conservação, destruídos ou desaparecidos em função das guerras, de ataques terroristas, de catástrofes naturais, da constante poluição ambiental ou ainda da inexistência de políticas de preservação e de meios inadequados de gestão patrimonial.

O acervo do Musée Royaux d’Art et d’Histoire – Atelie de Moulages du Cinquantenaire, começou a ser montado a partir de 1849 quando foi encomendado um

conjunto de peças para o Museu de Belas Artes de Bruxelas. Entre 1845 e 1849 dezenas de cópias de gesso realizadas diretamente sobre os monumentos de Atenas, como o Partenon, se integraram a outros grupos de moldagens provenientes da Itália (1850), dos Museus Nacionais de Paris (1852 – Musées Nationaux de Paris) e do Museu de South Kensington.49

Estas obras em gesso, assim como parte do acervo de pinturas foi transferido ao Palácio Ducal – futuro Palácio das Academias - sendo aberto à visitação pública em 1862. Entre 1870 e 1884 o Rei Leopoldo estimulou a criação do Museu de Intercâmbios Internacionais com ênfase na coleção de moldagens e reproduções de monumentos e objetos de arte (Musée des Echanges Internationaux - Collection de

moulages et reproductions de monuments et objets d´arts ) proveniente do Palácio das

48 Disponível em: www.plastercastcollection.org, [19--].

Academias, sendo inaugurado em 1886. Esta coleção foi instalada em uma das áreas do conjunto monumental edificado para receber a Exposição Nacional destinada à comemoração, em 1880, do cinqüetenário da independência belga, e, que receberia em 1897 a Exposição Universal.

Atualmente este complexo arquitetônico, situado em um grande parque dentro da cidade de Bruxelas, é conhecido como Musée du Cinquantenaire e, abriga o Museu Militar, o Museu Real de Arte e de História, café-restaurante e livraria, Biblioteca, Museu de automóveis antigos, Serviços Administrativos e o Ateliê de Moldagens (Atelie

de Moulage) que é composto pela reserva técnica de moldes, reserva técnica de

modelos, oficina prática de execução de reproduções sob encomenda e conservação de peças e sala da administração (FIGURA 32).

FIGURA 32:Musée du Cinquantenaire, Bruxelas, Bélgica.

a) Vista parcial do complexo arquitetônico do Musée du Du Cinquantenaire.

b) Sala das Moldagens em exposição permanente – final do século XIX.

c) Moldagem em gesso da grande colunata de Apamée, Síria, em exposição permanente no Museu de Arte e de História – junho 2012.

Foto: Alexandre Mascarenhas, 2012; Fonte: MONTENS (2008, P.31); Foto: Alexandre Mascarenhas, 2012.

A seção destinada às moldagens foi acompanhada de catálogo, com descrição das peças e do percurso da exposição, editado em 1897 por Henry Roussseau, profissional efetivo da Administração das Belas Artes e da Seção Artística da Comissão Real de Intercâmbios Internacionais – criada em 1871. Este intercâmbio de moldagens torna-se comum e o trânsito de peças entre instituições de cidades como Berlim, Dresdem, Munique, Bruxelas, Paris, Madri ou Londres intensificou-se.

A coleção do Museu Real de Arte e História de Bruxelas (Musée Royaux d’Art et d’Histoire) é constituída de quatro mil reproduções realizadas a partir de obras originais

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