Diante desta pesquisa, constatou-se que a sustentabilidade da produção orgânica do Município de Guaraciaba do Norte no Estado do Ceará pode ser afetada pelos determinantes e seus respectivos subfatores analisados pelo Diamante de Porter, nos quais alguns subfatores comprometem o crescimento do setor orgânico. Primeiramente, o subfator Pontos de Distribuição da ADAO, em Fortaleza, justificou os participantes da oficina a qualificarem-no como “desfavorável”. Com efeito, existem apenas dois pontos de distribuição e os associados da ADAO mostraram a necessidade de aumentar o número de pontos de distribuição para facilitar o acesso a tais pontos permitindo a coleta das cestas no início da manhã, ou seja, antes do trabalho em um ponto próximo de sua residência.
Em segundo lugar, verificou-se que a falta de assistência técnica dos distribuidores de insumos ainda permanece limitada – com altos preços nos insumos; e, com relação ao esterco, apontado como um elemento escasso na região próxima a suas propriedades, sugere- se a necessidade de desenvolver a pecuária orgânica como forma de aquisição desse esterco e diminuição no custo de transporte – elemento mais citado pelos produtores. Quanto ao determinante, Indústrias Correlatas e de Apoio, foi o único determinante que obteve o maior peso quantitativo do Diamante analisado e confirmou o maior problema apontado pelos produtores e pela gestão: a assistência técnica privada.
O único subfator do determinante Estruturas, Estratégias e Rivalidade Interna que obteve uma avaliação “desfavorável”, foi a Gestão Participativa demonstrando que o consumidor precisa participar mais das assembléias. Como este subfator está relacionado com a Ação do tipo II, a decisão por parte da gestão pode tornar–se um problema para alguns associados, principalmente, na procura dos votos nas assembléias para a tomada de decisões. Sugere–se que a gestão realize pesquisas durante a entrega das cestas com os associados, para obter o melhor dia, horário e locais de realização das assembléias, pois, através das pesquisas, a diretoria e gerência terão um melhor planejamento para a elaboração das resoluções nas assembléias.
Quanto ao Papel do Governo, o subfator assistência técnica pública, avaliada como “muito desfavorável”, recebeu críticas, no tocante à capacitação dos técnicos responsáveis por este setor. Percebeu-se que o nível de conhecimento dos agentes másteres e rurais necessita de uma melhor assistência, pois a falta de recursos financeiros na EMATERCE, inviabilizou a eficiência dos trabalhos desses técnicos.
Da mesma forma que os assistentes técnicos foram avaliados, o subfator Pesquisa enfrentou o seguinte problema: a falta de apoio financeiro para desenvolver trabalhos que tenham qualidade e possam colaborar com novas tecnologias, oferecendo melhores condições para a cadeia produtiva. Como foi ressaltado, as sementes e outros insumos (inseticidas biológicos, fungicidas etc.) necessitam de pesquisas para alavancar as vendas das indústrias e garantir ao produtor e consumidor, produtos originalmente orgânicos.
Com relação ao subfator Certificação, obteve maior peso quantitativo, porém, sua avaliação qualitativa foi considerada “muito desfavorável” devido aos elevados custos para certificação das propriedades pertencentes aos pequenos produtores da ADAO, tornando–se, então, um grande entrave. Por este mesmo motivo, a associação passou um longo tempo com certificado próprio e criou o sistema AMC com o objetivo de promover uma relação de confiança a seus produtos e tornar claro o valor de seu certificado. Esse trabalho foi uma parceria do Instituto Agropólos, Sebrae e a EMATERCE que se constituiu em uma boa solução para essas certificações. Para essa implantação, existe a necessidade de que a ADAO abra espaço a esses convênios.
Quanto ao subfator Regulamentação, observou-se que o consumidor carece de esclarecimentos dessas leis e a sua interpretação é um problema a ser enfrentado, pois a ausência de um colegiado estadual no Ceará dificulta o processo da cadeia produtiva. Diante disso, o Governo do Estado do Ceará, observando os problemas sobre a regulamentação do setor orgânico, deve determinar a promoção de eventos, seminários e encontros locais para convergir as informações acerca das particularidades relacionadas à agricultura orgânica. Ademais deve convocar os agentes da cadeia produtiva, assim como, os agentes financeiros que a apóiam o referido setor, na intenção de se obter melhores informações sobre as referidas leis.
Com relação à participação da ADAO percebeu-se sua importância na cadeia produtiva, haja vista, o índice de sustentabilidade igual a 0,694, significando que se encontra “neutra” na escala ordinal de sustentabilidade. Verificou-se que essa importância ocorre desde a compra de insumos a longa distância até à busca por incentivos à linhas de crédito, fornecidas pelos bancos financiadores que detenham de programas específicos ao setor orgânico.
Os determinantes, condições de fatores e de demanda, foram pontos fortes que a ADAO possui em seu ritmo de trabalho no dia–a–dia, e estes, são responsáveis por sua manutenção no mercado. O subfator que obteve melhor avaliação qualitativa foi o solo, devido às suas condições físicas, químicas e biológicas, bem como os tratamentos realizados
através de compostagem permitindo a manutenção de microorganismos. Em contrapartida a esse subfator, o que se refere à energia elétrica, infra–estrutura de produção e mão de obra permaneceram na “neutralidade”, sendo o último, bastante criticado quanto à sua qualificação. Assim, é preciso que haja uma capacitação dos trabalhadores do campo tanto do município quanto de todo o Estado do Ceará. Sob essa ótica, O Programa Agente Rural do Estado do Ceará mostra–se ineficaz porque não houve um acompanhamento junto à mão de obra do município. Com relação ao determinante condições de demanda, mostra que o associado da ADAO é quem fortalece o movimento dos produtos dentro da organização. O subfator confiabilidade foi considerado um ponto positivo para a ADAO, pois, os agentes da oficina o elencaram qualitativamente como “muito favorável”.
O consumo por alimentos saudáveis pressiona a sua produção e, por conseqüência, há uma pressão por insumos na loja fornecedora. Essa atividade – consumo, produção e insumo – requer uma coordenação muito estrita dentro da cadeia produtiva sendo a ADAO responsável para fazer esse elo entre essas três partes, com visão voltada para a sustentabilidade da produção no Município.
O determinante, Estruturas, Estratégias e Rivalidade interna, influenciou em 16% sobre a sustentabilidade da produção e observou–se que o único subfator, qualidade orgânica, avaliado como ,“muito favorável”, deve-se a uma forte estratégia da associação que contribuiu para a confiabilidade do associado. Isto também comprova que os determinantes estão interrelacionados, relato baseado na teoria do Diamante de Porter. Outro subfator que também fortalece a confiabilidade é o Sistema AMC, onde o consumidor da ADAO está motivado não só a consumir os produtos por ele comprado, mas também assumir o compromisso em defesa da conservação ambiental, não aceitando alimentos produzidos através do trabalho infantil e buscando a saúde nesse tipo de alimento. Ainda nessa ótica, a ação oportunista é diminuída e até extinta do ramo produtivo devido à reputação da Associação envolvendo ambas as partes.
Após esse estudo sobre a sustentabilidade da produção orgânica nas propriedades agrícolas de Guaraciaba do Norte, sugere–se que a ADAO, diante de seu quadro de profissionais e até os produtores mais experientes no setor orgânico, possam iniciar um planejamento de implantação de uma Incubadora de Associações voltadas para a Agropecuária Orgânica no Estado do Ceará, pois, durante esses dez anos de existência, cultivando a sustentabilidade no Município de Guaraciaba do Norte, a gestão pode oferecer os primeiros passos para difundir melhor os conhecimentos sobre agricultura orgânica tanto a outros produtores que se interessam no associativismo quanto à pequenas empresas.
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APENDICE I
PLANILHA PARA AVALIAÇÃO DA SUSTENTABILIDADE DA ADAO Graus de Controlabilidade Pesos (pi) Notas Qualitatitvas Determinantes e Subfatores CF CG QC I Determ Subfat MD D N F MF
D1 – C. de Fatores 0,125 X1 Água X 0,158 X X2 Energia Elétrica X 0,158 X X3 Solo X 0,158 X X4 Sistema de Produção X 0,105 X X5 Mão de Obra X 0,158 X
X6 Infra – Estrutura de Produção X 0,105 X
X7 Transporte e Distribuição X 0,053 X
X8 Insumos X 0,105 X
D2 – C. de Demanda 0,142
X9 Qualidade X 0,173 X
X10 Preço X 0,12 X
X11 Regularidade da Oferta de cestas X 0,12 X X12 Qualidade e Local de Distribuição X 0,12 X
X13 Confiabilidade X 0,173 X
X14 Diversidade e Disponibilidade das Hortaliças
X 0,173 X
X15 Garantia de Origem X 0,12 X
D3 – Indústrias Correlatas e de Apoio 0,20
X16 Disponibilidade de Insumos X 0,27 X
X17 Assistência Técnica Privada X 0,10 X
X18 Cond. E Preço dos Insumos X 0,27 X
X19 Logística X 0,18 X
X20 Qualidade dos Insumos X 0,18 X
D4 – Estruturas, Estratégias e Rivalidade Interna 0,16 X21 Sistema AMC X 0,13 X X22 Gestão Participativa X 0,20 X X23 Qualidade Orgânica X 0,20 X X24 Estrutura Própria X 0,07 X X25 Marketing X 0,20 X X26 Agregação de valor X 0,20 X D5 – Papel do governo 0,142 X27 Linhas de Financiamento X 0,16 X X28 Divulgação e promoção X 0,12 X
X29 Assistência Técnica Pública X 0,12 X
X30 Incentivos X 0,12 X
X31 Regularização X 0,16 X
X32 Pesquisa X 0,16 X
X33 Certificação X 0,16 X
CF – controlado pela firma MD – muito desfavorável CG – controlado pelo governo D - desfavorável
QC – quase controlado N - neutro
ANEXO I
PLANILHA PARA AVALIAÇÃO DA SUSTENTABILIDADE DA ADAO
Graus de Controlabilidade Pesos (pi) Notas Qualitatitvas
Determinantes e Subfatores D1 – C. de Fatores X1 Água X2 Energia Elétrica X3 Solo X4 Sistema de Produção X5 Mão de Obra
X6 Infra – Estrutura de Produção
X7 Transporte e Distribuição
X8 Insumos
D2 – C. de Demanda
X9 Qualidade
X10 Preço
X11 Regularidade da Oferta de cestas X12 Qualidade e Local de Distribuição
X13 Confiabilidade
X14 Diversidade e Disponibilidade das Hortaliças
X15 Garantia de Origem
D3 – Indústrias Correlatas e de Apoio
X16 Disponibilidade de Insumos
X17 Assistência Técnica Privada
X18 Cond. E Preço dos Insumos
X19 Logística
X20 Qualidade dos Insumos
D4 – Estruturas, Estratégias e Rivalidade Interna X21 Sistema AMC X22 Gestão Participativa X23 Qualidade Orgânica X24 Estrutura Própria X25 Marketing X26 Agregação de valor D5 – Papel do governo X27 Linhas de Financiamento X28 Divulgação e promoção
X29 Assistência Técnica Pública
X30 Incentivos
X31 Regularização
X32 Pesquisa
X33 Certificação
CF – controlado pela firma MD – muito desfavorável CG – controlado pelo governo D - desfavorável QC – quase controlado N - neutro