No que diz respeito à análise dos dados dos inquéritos, por questionário, estes foram analisados através do método estatístico SPSS e também Excell. No entanto, e, como já referimos anteriormente, as questões nº 7 e 11 foram sujeitas a análise de conteúdo, uma vez que eram questões abertas, (anexo 12).
Ao analisarmos os dados, o primeiro aspecto que gostaríamos de focar é o de se ter verificado que a grande maioria dos inquiridos é do sexo feminino, (75%). Parece-nos que as crianças e a sua educação continuam a estar a cargo de mulheres/mães. Através deste estudo, podemos verificar que persiste ainda em pleno séc. XXI a tendência para
as mães irem levar os filhos à escola e serem responsáveis pela sua educação. Talvez tenha sido esse facto que determinou terem sido as mulheres a responder ao inquérito, pois provavelmente elas estariam mais informadas sobre o projecto e sentiram-se mais aptas para responder às questões.
Um outro aspecto que se destaca, é que existe um grande número de pessoas que declarou não ter actividade económica, (22%), na maior parte mulheres que declararam ser domésticas, o que significa que existe nestas pequenas localidades uma taxa alta de desemprego, sobretudo no sector feminino. Ainda há muitas famílias que vivem da actividade primária (a agricultura, pescas), tendo assim uma ocupação sazonal. Isto, provavelmente, está interligado com os resultados da questão seguinte, que nos revela um outro aspecto que nos pareceu interessante, diz respeito às habilitações literárias, dos inquiridos (gráfico nº 4), que se verificou na grande maioria ser baixa, situa-se sobretudo abaixo do 9º ano, o que não nos surpreendeu pois trata-se de localidades rurais.
Mas um dos grandes aspectos a salientar é que todos os inquiridos declararam conhecer o Projecto das Escolas Rurais do I.C.E., (gráfico nº 5), pois esta questão obteve 100% de respostas positivas, este é o grande aspecto a salientar neste inquérito. É bom constatar que os esforços dos professores e educadores para divulgarem o projecto transformou-se num objectivo cumprido e de facto conseguiram levar as famílias e restante comunidade a interessarem-se por este projecto. Isto reflecte que o educador/professor não se deve limitar só ao espaço físico da escola, pois no fundo são tal como as crianças, elementos da comunidade. Em consequência do que se acabou de referir, 90% dos inquiridos declararam ter participado em alguma actividade relacionada com o projecto e apenas 10% admitiram não o ter feito. Também a questão seguinte obteve 100% de respostas positivas pois todos os inquiridos declararam concordar que,
devido à forma como se desenvolve este projecto, promove a troca de saberes entre gerações. Como tal, na questão seguinte, partíamos do princípio que o projecto promovia a troca de saberes entre as várias gerações envolvidas, e que esse facto, eventualmente, se tinha traduzido em aprendizagens significativas para os adultos/idosos. Queríamos saber dos três aspectos referidos qual era, segundo a opinião dos inquiridos, aquele que mais tinha contribuído para essas aprendizagens. A que obteve um maior número de respostas (46%), foi aquela em que referíamos o facto de as pessoas terem-se sentido implicadas no processo de educação, porque puderam desempenhar papéis construtores e transmissores de conhecimento, ou seja tinham desempenhado um papel directo e activo no projecto. Na penúltima questão, pretendíamos apurar qual a actividade que durante o desenvolvimento do projecto, os adultos tinham ensinado com mais frequência às crianças. O que foi referido mais vezes foram os jogos tradicionais e o artesanato (24%), mas também se destacam as histórias tradicionais com 23%.
Em suma, destacamos o facto de todos os inquiridos declararem conhecer o projecto e quase todos terem participado nele, pelo que interpretamos que todos concordam com a troca de saberes entre as crianças do Jardim-de-infância e do primeiro ciclo e os elementos mais velhos da comunidade. O que pensamos demonstrar que de facto este projecto se adequa ao meio rural e às suas gentes, uma vez que é um projecto apoiado na escola e que vai a pouco e pouco tentando fazer dela um instrumento de animação local, procurando fazer com que aldeia e crianças se reencontrem com o orgulho de si mesmas, mas numa relação, e através de momentos de troca e aprendizagens mútuas. Nunca esquecendo que um projecto educativo deve ser um documento de referência aceite e assumido por toda a comunidade educativa e local e no qual conste um plano de acção coerente com as características próprias e específicas do meio onde se insere.
Como já referimos anteriormente é imprescindível que procuremos não cair em práticas pedagógicas descontextualizadas, as quais marginalizam as famílias e a comunidade. Parece-nos que este projecto procura precisamente e, talvez possamos acrescentar com alguma eficácia, evitar isso. Resumindo, pensamos que as acções deste projecto conseguem reforçar, com alguma profundidade, o agrado e interesse de todos os que nele se envolveram. De um modo geral, para as crianças é benéfico, porque as sensibiliza para a preservação de usos, costumes e tradições culturais da região. Isto vem ao encontro de um dos principais objectivos da escola: preparar as crianças para participarem na sociedade, ou seja, que venham a ser “bons cidadãos”. Como tal educadores/professores não podem trabalhar isolados do meio onde a escola se insere, é fundamental que existam momentos de encontro entre os vários elementos da comunidade, organizando actividades, para que todos possam participar na vida escolar, em colaboração com os educadores/professores. Estas actividades, sem dúvida que irão consciencializar, os adultos/idosos da comunidade do valor do seu próprio saber e da sua importância como educadores informais.