5.1 Stigmatiserte karrierer
5.1.4 Å bli sett som avviker
Quando falamos em familiaridade do leitor com um texto, pensamos no letramento que esse leitor possui para lidar com esse texto. No caso da leitura em ambiente digital, temos ouvido falar no termo letramento digital. Mas, o que significa dizer que um sujeito é um letrado digital?
Para responder a essa questão, precisamos pensar primeiro no conceito de letramento. Street (2010), a partir de suas experiências etnográficas no Irã, aponta para a ideia de letramentos, no plural. O autor observa as diferenças entre letramento comercial,
letramento do Alcorão, letramento escolar e afirma que “letramento varia”(STREET, 2010, p.
37). Vejamos o que mais o pesquisador nos conta sobre esse ponto:
As pessoas podem estar envolvidas em uma forma [de letramento] e não na outra, suas identidades podem ser diferentes, suas habilidades podem ser diferentes, seus envolvimentos em relações sociais podem ser diferentes. Por isso, selecionar só uma variedade de letramento pode não ter o efeito que se espera. (Street, 2010, p. 37)
Há nessa colocação, um modelo ideológico de letramento. Street (2010) critica o fato de as pessoas serem rotuladas de não letradas por não possuirem o que entendemos como erudição. Quando defende a ideia de letramentos – no plural – referindo-se aos diversos eventos de letramento, por exemplo, letramento para participar de uma banca acadêmina, letramento para comercializar produtos na feira, letramento para ler um extrato bancário, o pesquisador parece entender letramento como conhecimentos específicos para lidar com determinados eventos sociais. Ele considera problemático tentar descrever todos os letramentos, mas acredita que é possível identificar padrões e agrupá-los em práticas de letramento (práticas comerciais de letramento, práticas religiosas de letramento, práticas acadêmicas de letramento, etc.).
Ideologicamente, a proposta de Street (2010) é interessante por nos ajudar a reconhecer o valor dos múltiplos saberes, surgidos a partir das experiências e práticas culturais de diversos grupos sociais. Entretanto, a amplitude dessa noção de letramento não oferece meios práticos para pensarmos nas habilidades que os sujeitos precisam ter para escrever, ler, compreender os textos e fazer uso disso em práticas sociais. Por isso, nesse trabalho, preferimos utilizar o conceito mais objetivo de Soares (2002), quando a autora nos
diz que letramento é “o estado ou condição de indivíduos ou de grupos sociais de sociedades
letradas que exercem efetivamente as práticas sociais de leitura e de escrita, paticipam
competentemente de eventos de letramento”. (SOARES, 2002, p. 145). Nesse sentido,
realçamos que ser letrado é mais do que saber ler e escrever, é ser capaz de fazer uso dessas práticas em meio a diferentes situações sociais que envolvam escrita e leitura.
Mesmo a partir do conceito de Soares (2002) não encontramos suporte suficiente para falarmos, rigidamente, em sujeito letrado ou não letrado, preferimos falar em níveis de
letramento. Acreditamos que existem pessoas que conseguem lidar melhor com um número maior de suportes textuais e práticas sociais de leitura e escrita porque têm mais experiência nessas práticas. Portanto, quanto mais competências o sujeito demonstrar no processamento da forma e do significado enquanto lê um texto, mais letrado ele será nesta prática de leitura e escrita, sob o ponto de vista de nossa pesquisa.
Isso também funciona para o que entendemos por letramento digital. Apesar de
Ribeiro e Coscarelli (2010) terem alertado para a realidade de ainda “não se ter tanta clareza do que é, de fato, ser um letrado digital” (RIBEIRO e COSCARELLI, 2010, p.320), em nosso
trabalho entendemos que, o letrado digital é aquele sujeito que demonstra habilidades com as práticas sociais de leitura e escrita em ambiente digital.
Soares (2002) procura nortear essa questão ao concluir que o letramento digital é
“um certo estado ou condição que adquirem os que se apropriam da nova tecnologia digital e
exercem práticas de leitura e de escrita na tela, diferente do estado ou condição dos que
exercem práticas de leitura e escrita no papel” (SOARES, 2002, p. 151). Essa última parte do
conceito de Soares (2002) provocou-nos certo desconforto. Na realidade, não vemos as práticas de leitura e escrita na tela como sendo totalmente diferentes em relação às práticas de leitura e escrita no papel. Sobre isso, Ribeiro e Coscarelli (2010) nos dizem que “as práticas do leitor sofrem alguma mudança, indo do folhear ao clique, da “olhadinha” ao scroll, da
procura manual ao link.” Acrescentamos aqui, a necessidade de o leitor detectar uma nuvem
de palavras9, de uma hashtag10 ou das cores dos links visitados e a visitar. Esses são apenas alguns exemplos de códigos de linguagem que surgem com a tecnologia digital de leitura e escrita e que, além de conhecer, o leitor/usuário precisa manter-se atualizado para ampliar, a cada dia, o seu nível de letramento, ou seja, sua capacidade de lidar com as práticas sociais de leitura e escrita no meio digital.
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Normalmente, as nuvens de palavras são usadas para demonstrar, de maneira visual, a frequência de ocorrência das palavras dentro de um texto: quanto maior for o número de vezes que a palavra aparece no texto, maior será a fonte usada para exibir essa palavra. Todavia, as nuvens de palavras também são boas opções para ilustrar notícias, artigos e outros tipos de publicações, já que elas têm um forte apelo visual e pelo fato de que boas imagens costumam atrair a nossa atenção. (Disponível em: <http://onbiz.com.br/blog/2012/05/30/crie- a-sua-propria-nuvem-de-palavras/> Acesso em: 6 mar. 2013)
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Hashtags são palavras-chave antecedidas pelo símbolo "#", que designam o assunto o qual está se discutindo em tempo real no Twitter. As hashtags viram hiperlinks dentro da rede e indexáveis pelos mecanismos de busca. Sendo assim, usuários podem clicar nas hashtags ou buscá-las em mecanismos como o Google para ter acesso a todos que participaram da discussão. As hashtags mais usadas no Twitter ficam agrupadas no menu Trending Topics, encontrado na barra lateral do microblog. (Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Hashtag>. Acesso em: 6. Mar. 2013).
Procuramos, nesse capítulo, apresentar as concepções que norteiam nosso trabalho quanto à leitura, dentro ou fora do ambiente digital. Relatamos alguns dos fatores envolvidos no processamento da leitura e falamos também da interação que ocorre no momento em que o leitor reconhece as pistas distribuídas durante o texto e com elas, a partir do seu letramento, é capaz de construir sentido. Colocadas estas questões, nosso próximo passo, no capítulo a seguir, será definir o que para nós significa ler e navegar, além de destacar aspectos da multimodalidade, da composição de elementos visuais, do desing e da usabilidade, importantes para nossa investigação acerca da interação com um conteúdo digital.