2.2 Electrical double layer
2.2.4 Zeta potential
Quando propus a realização de estágio no CRPCCG tinha pouca noção da realidade que me esperava. Durante a minha prática clínica fui-me cruzando com crianças com PC mas sempre em contexto de internamento em cuidados intensivos pediátricos, ou numa ótica mais afastada da realidade que é a UCIN, onde os diagnósticos ainda não foram feitos mas prevê-se que a situação da criança evolua nesse sentido. De maneira que foi com grandes expetativas que abracei esta experiência.
O estágio decorreu de 18 a 22 de Novembro de 2013, na Unidade de Habilitação e Desenvolvimento (UHD) e tinha como principal objetivo identificar estratégias de intervenção realizadas com crianças com necessidade de cuidados especiais.
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O CRPCCG tem como missão “prevenir, desenvolver, habilitar, reabilitar e incluir na comunidade a pessoa com PC e outras situações neuromotoras através da equipa pluridisciplinar, promovendo a sua qualidade de vida com desempenhos de excelência” (CPCCG, s/d), defendendo os valores de ética, integridade, respeito, compromisso, diferenciação positiva, equidade social, eficiência/eficácia, profissionalismo e competência. É composto por dois edifícios, a Unidade de Reabilitação e Integração Socio-ocupacional (URISO) e a UHD.
A URISO tem uma valência de Centro de Atividades Ocupacionais (CAO) e uma valência de Reabilitação. Esta destina-se a crianças com idade superior a 16 anos, cujo objetivo é a integração social através da participação em ateliers (artes do fogo, artes e projetos/gráficas, cerâmica, comunicação, informática, madeiras e têxteis), em atividades sociais, culturais e desportivas (clubes temáticos, turismo integrado, atividades de verão, exposições e palestras, Vela, Boccia, Tricicleta, Atletismo e Futebol).
A UHD disponibiliza terapia ocupacional, terapia da fala, uma unidade de técnicas aumentativas e alternativas da comunicação (UTAAC), um núcleo de intervenção precoce integrada (NIPI), psicologia, apoio social, fisioterapia, consultas de desenvolvimento/diagnóstico e avaliação, um Gabinete de Informação e Aconselhamento de Produtos de Apoio (GIAPA), apoio socioeducativo e enfermagem. Esta unidade recebe crianças até aos 6 anos de idade, sendo que até aos 2 anos têm entrada direta e após os 2 anos é feita uma avaliação multidisciplinar tendo em conta a criança, as expetativas dos pais e o meio social.
De acordo com o Programa de Vigilância Nacional de Paralisia Cerebral até aos 5 anos de idade (Grupo PVNPC, s/d), a incidência anual de PC é de 2‰ nados- vivos. Das 496 crianças nascidas em Portugal entre o ano de 2001 e 2003, com PC, 23,9% nasceram com IG inferior a 32 semanas, 15,5% com IG 32-36 semanas e 47,4% nasceram de termo, com a mais diversa das etiologias, embora a predominante tenha sido devido a perturbações de desenvolvimento do cérebro associadas à grande prematuridade). Isto para perceber que muitas destas crianças passam pelas UCIN e, no entanto, na minha opinião, os profissionais estão pouco despertos para o futuro destas crianças e pais. O PVNPC5A propõe que estas
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crianças sejam notificadas apenas com diagnóstico confirmado, o que faz com que, na grande maioria das vezes, só a partir dos três anos comecem a ser encaminhadas para UHD.
O papel que as Enfermeiras desempenham no CRPCCG diz respeito à marcação de consultas, vigilância dos PNV de todas as crianças (e vacinação se necessário) e integração nos NIPI. Estas intervêm como elo de ligação entre todas as disciplinas e o exterior. São os alicerces do trabalho em equipa, fundamental para o apoio e desenvolvimento destas crianças. Além disso, dentro dos NIPI, são chamadas a intervir principalmente quando há crianças com suporte ventilatório, com gastrostomias, etc., para dar apoio durante a realização de atividades como terapia da fala, fisioterapia, entre outras. Relativamente ao apoio que é dado aos pais, mais uma vez, a enfermeira faz a ligação direta com o psicólogo, assistente social, ou outro técnico que os pais considerem pertinente envolver no seu núcleo de prestação de cuidados.
Enquanto futura EEESCJ considero a comunicação como ferramenta fundamental à relação com a outra pessoa, principalmente numa perspetiva de cuidado holístico e transpessoal defendido por Jean Watson. Sabendo que a hospitalização pode dificultar a adaptação destas crianças/famílias à diferença e aceitação da doença, devemos desenvolver estratégias de comunicação eficazes e individualizadas, partindo do pressuposto que os pais são quem melhor conhece a sua criança. Neste contexto, como na pediatria em geral, os CCF é, por isso, a filosofia de cuidados de eleição.
Desta curta experiência de estágio retiro como principal contributo para o meu desenvolvimento o contacto próximo com crianças com PC. Penso que ao compreender de que forma a condição de saúde da criança influencia a sua atividade e participação ativa na sociedade, e que fatores pessoais, familiares e sociais contribuem para a forma como os pais encaram a situação clínica do filho, concorreu para me sentir mais competente na função de os preparar emocionalmente, ainda durante o internamento na UCIN, no que se perspetiva que seja o futuro de algumas crianças.
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3.5. Internamento de Pediatria Médica – 1ª Infância
O ensino clínico numa enfermaria pediátrica decorreu entre 25 de Novembro e 13 de Dezembro de 2013, num serviço de pediatria médica de primeira infância com capacidade para dezasseis crianças entre os 0 e 2 anos de idade (duas crianças por quarto). Ainda que possa haver crianças internadas por agudizações de patologias crónicas, a grande maioria está hospitalizada pela primeira vez por doenças como bronquiolites, gastroenterites, doenças metabólicas, entre outras, o que aumenta os níveis de ansiedade e stress inerentes à hospitalização, não apenas na criança, como nos pais.
A doença e hospitalização da criança surgem como uma crise na dinâmica familiar que pode gerar tanto mais ansiedade e preocupação, quanto maior a gravidade da doença da criança e a necessidade de realização de procedimentos médicos invasivos envolvidos no diagnóstico e tratamento. A evidência científica refere que, independentemente dos fatores que possam influenciar a reação dos pais à hospitalização do filho, estes inicialmente poderão reagir com “(…) descrença (…) culpa ou raiva (…)” (Tavares, 2011), levando-os a questionarem as suas próprias capacidades parentais.
Este ensino clínico contribuiu para tomar conhecimento de uma realidade diferente da que eu estava habituada: a de crianças previamente saudáveis que, por qualquer circunstância da vida, adoecem subitamente e necessitam de internamento hospitalar pelo agravamento progressivo da mesma. Nestas situações observa-se um nível de sofrimento bastante elevado por parte dos pais, principalmente no momento da admissão, o qual pode ser causado “(…) não só pela gravidade da doença do filho, mas também pela ansiedade em relação ao envolvimento na prestação de cuidados e na capacidade de lidar com as emoções” (Jorge, 2004, p. 20).
Foi precisamente nesta capacidade para lidar com emoções que centrei as minhas intervenções em estágio. Optei por não estar diretamente envolvida na prestação de cuidados para que estivesse com maior disponibilidade para interagir
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com as crianças e pais. Investi na observação dos cuidados prestados pelos enfermeiros, na tentativa de recolher o maior número de atitudes desenvolvidas com o intuito de um cuidado emocional, não só à criança como aos próprios pais, registando os resultados terapêuticos. Verifiquei que, tal como está descrito na literatura, se os pais tiverem uma experiência anterior de hospitalização positiva, bem como uma boa capacidade de adaptação à mudança ou um sistema familiar de apoio, gerem mais facilmente as experiências emocionais decorrentes deste processo, contribuindo para a gestão emocional junto dos filhos (Jorge, 2004). Por outro lado, é também visível que, quando cuidamos da criança no sentido de diminuir os efeitos negativos da hospitalização, reduzindo a ansiedade e promovendo a satisfação das suas necessidades básicas, incluindo o brincar, utilizando estratégias de comunicação e de distração e alívio da dor adequadas a cada faixa etária, obtemos crianças menos ansiosas, as quais podem influenciar os pais a estarem mais tranquilos.
Também o trabalho em parceria parece ser uma estratégia neste serviço para reduzir sentimentos de frustração decorrentes da falta de informação sobre a situação clínica da criança, sobre as rotinas do serviço ou sobre a possibilidade de participarem nos cuidados ao filho internado, já que utilizam preferencialmente o método individual de trabalho. A parceria nos cuidados permite ainda preparar os pais de forma progressiva para a (re)autonomia dos cuidados à criança, não apenas no sentido de uma continuidade dos cuidados no domicílio, caso haja essa necessidade, mas também no sentido do reforço da parentalidade e vigilância para promover a saúde e prevenir a doença.
Assim, no geral, o principal contributo deste estágio foi a possibilidade de tomar consciência do cuidado emocional em enfermagem, através do treino de observação e valorização das atitudes terapêuticas que concorrem para o trabalho emocional na interação de cuidados com os pais e crianças num serviço de pediatria.
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