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Na figura 2.3-27 (página 87) está mostrada a ampliação da região de δ 60,0 a 100,0 dos espectros de RMN de 13C dos méis Euc1, Lar1 e Silv1. Comparando-os com os espectros dos vinte primeiros méis analisados pode-se dizer que os sinais majoritários visualizados são iguais para todos e correspondem aos carboidratos, ou seja, α- e β-glucopiranose, α- e β-frutofuranose e β-frutopiranose, como está mostrado no item 2.3.3.1. Por isto, fez-se necessária a utilização dos métodos quimiométricos para a diferenciação entre eles.

Euc1

Lar1

Silv1

FIGURA 2.3-27. Ampliação de δ 60,0 a 110,0 dos espectros de RMN de 13C dos méis de eucalipto, laranjeira e silvestre (D2O)

Em seguida, estão mostrados dois estudos que foram realizados objetivando-se discriminar os méis aplicando-se os métodos de análise exploratória aos espectros de RMN de 13C.

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2.3.2.5.1 – Espectros de RMN de 13C processados com 32768 pontos Inicialmente, os espectros de RMN de 13C dos méis foram processados utilizando-se 32768 pontos (32k) e, em seguida, foram analisados visualmente buscando diferenças que poderiam discriminar os diferentes tipos. No entanto, como pode ser visto na figura 2.3-27 (página 87) as pequenas diferenças observadas estão relacionadas com os compostos minoritários. Desta forma, a análise visual não pôde contribuir para a discriminação proposta, fazendo-se necessário a aplicação dos métodos quimiométricos PCA e HCA aos espectros de RMN de 13C.

No estudo por PCA os parâmetros foram ajustados, iniciando-se pela seleção das variáveis. Na primeira análise foi usado todo o espectro, excluindo-se somente as regiões de ruídos e do TMSP-d4, aplicando a normalização para a norma um, a primeira derivada e o autoescalamento aos dados. No entanto, não foi obtida uma boa discriminação entre os tipos de méis. Por isso, o gráfico de loadings foi analisado com o intuito de encontrar as variáveis que forneceriam a melhor discriminação e foi verificado que os sinais menos intensos não apresentaram influência para a discriminação. Desta forma, estes sinais foram excluídos, permanecendo somente os dos carboidratos, como pode ser visto no gráfico de linhas mostrado na figura 2.3-28.

FIGURA 2.3-28. Gráfico de linhas correspondente aos dados de RMN de 13C dos méis, espectros processados com SI=32k; mostrando em cinza as regiões de exclusão

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O gráfico de scores de PC1 x PC2 obtido na análise por PCA está mostrado na figura 2.3-29 e representa 57,4% da informação do sistema, sendo que PC1 descreve 36,2% de variância total e PC2 descreve 21,2%. Neste gráfico pode ser observada a formação de três grupos distintos. O grupo chamado de Eucalipto, em valores negativos de PC1 e PC2, foi formado por dois méis de eucalipto. No grupo chamado de Silvestre, em valores negativos de PC1 e positivos de PC2, observa-se uma predominância dos méis silvestres, mas verifica-se a presença de um mel de laranjeira e um de eucalipto. O grupo Laranjeira, foi assim denominado, por conter um maior número de méis de laranjeira, os méis silvestres presentes neste grupo podem ter o néctar das flores de laranjeira como fontes predominantes nas suas composições e o mel de eucalipto Euc3 foi agrupado de forma errada.

Silvestre Eucalipto Laranjeira PC1 (36,2%) P C 2 (2 1, 2% )

FIGURA 2.3-29. Gráfico de scores de PC1 x PC2 dos dados de RMN de 13C dos méis; espectros processados com SI=32k (57,4%)

O dendrograma obtido da análise por HCA está mostrado na figura 2.3- 30 (página 90). A linha pontilhada em um índice de similaridade de 0,485 distinguiu as amostras em três grupos. No grupo Laranjeira houve o agrupamento de um mel de eucalipto, além dos silvestres. No grupo Silvestre observa-se a presença de um de laranjeira e um de eucalipto. No grupo Eucalipto dois méis de eucalipto agruparam-se.

90 Eucalipto Laranjeira Silvestre Eucalipto Silvestre Eucalipto Laranjeira Silvestre

FIGURA 2.3-30. Dendrograma dos dados de RMN de 13C dos méis; espectros processados com SI=32k (similaridade: 0,485)

O resultado obtido aplicando-se os métodos quimiométricos aos espectros de RMN de 13C não foi muito bom, principalmente quando comparado ao obtido com a análise dos espectros de 1H. Por isso, objetivando-se melhorar esta discriminação mudou-se o número de pontos usados no processamento dos espectros, como será mostrado a seguir.

2.3.2.5.2 – Espectros de RMN de 13C processados com 65356 pontos O processamento dos espectros de RMN de 13C utilizando-se 65356 pontos (64k) gerou uma matriz de dados com o dobro do número de pontos daquela mostrada na figura 2.3-28 (página 89). A análise foi feita excluindo-se as mesmas regiões espectrais e mantendo-se as mesmas transformações e pré- processamentos que anteriormente, com o objetivo de verificar somente a influência do número de pontos usado no processamento dos espectros sobre a discriminação dos tipos de méis. O gráfico de linhas obtido está mostrado na figura 2.3-31.

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FIGURA 2.3-31. Gráfico de linhas correspondente aos dados de RMN de 13C dos méis; espectros processados com SI=64k, mostrando em cinza as regiões de exclusão

O gráfico de scores de PC1 x PC2 obtido na análise por PCA está mostrado na figura 2.3-32 (página 92). PC1 descreve 46,8% de variância do conjunto de dados, enquanto que PC2 descreve 16,5%, e as duas PCs juntas descrevem 63,3% da variância total. Neste gráfico pode ser observado que os méis Lar13 e Euc14 formaram um grupo distinto dos outros, em valores positivos de PC1 e PC2, e este grupo foi chamado de adulterados, sendo um resultado semelhante ao obtido na análise quimiométrica dos espectros de RMN de 1H. O mel de eucalipto Euc3 distanciou-se dos outros, ficando em valores negativos de PC2. O grupo Silvestre, em valores negativos de PC1 e PC2, foi formado somente por méis silvestres. Já o grupo Laranjeira contém a maioria dos méis de laranjeira e dois méis de eucalipto, que foram agrupados de forma errada, além dos silvestres.

O dendrograma, obtido na análise por HCA, está mostrado na figura 2.3-33 (página 92). Um índice de similaridade de 0,545 distinguiu as amostras em quatro grupos, sendo que somente no primeiro grupo, que é o dos méis de laranjeira, foram observadas amostras agrupadas de forma errada.

92 Eucalipto Laranjeira Adulterados PC1 (46,8%) P C 2 (1 6, 5% ) Silvestre

FIGURA 2.3-32. Gráfico de scores de PC1 x PC2 dos dados de RMN de 13C dos méis; espectros processados com SI=64k (63,3%)

Silvestre Eucalipto Silvestre Eucalipto Laranjeira Silvestre Adulterados Eucalipto

FIGURA 2.3-33. Dendrograma dos dados de RMN de 13C dos méis; espectros processados com SI=64k (similaridade: 0,545)

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A discriminação dos tipos de méis obtida quando os espectros foram processados com 64k (figuras 2.3-32 e 2.3-33, página 92) ficou melhor do que a obtida com os espectros processados com 32k pontos (figuras 2.3-29 e 2.3-30, páginas 89 e 90), provavelmente por que a utilização de um número maior de pontos no processamento forneceu uma maior resolução aos espectros, o que possibilitou uma melhor discriminação.

Comparando-se os resultados obtidos aplicando-se os métodos quimiométricos aos espectros de RMN de 1H e de 13C, pode-se dizer que a análise dos dados de 1H forneceu melhores resultados devido a sua maior sensibilidade quando comparada à de 13C, sendo possível visualizar nos espectros de 1H os sinais dos compostos minoritários e que foram os responsáveis pela discriminação. Para observar estes sinais com uma relação sinal/ruído satisfatória no espectro de 13C o seu tempo de aquisição seria muito maior, o que tornaria a medida inviável.

2.3.3 – Elucidação estrutural dos metabólitos presentes