MENÇÕES RELACIONADAS A INDICADORES DE SUSTENTABILIDADE DE FORMA GERAL
“Sem a aplicação de um método claro, indicadores serão produzidos de modo ‘ad
hoc’, sem plena consideração dos princípios-chaves do desenvolvimento sustentável ou das características dos indicadores.” (MITCHELL, 1996, p.1). “O processo de desenvolvimento dos indicadores é tão importante quanto os indicadores selecionados.” (MEADOWS, 1998, p.ix).
“A principal influência dos indicadores não ocorre após estarem desenvolvidos e publicados, mas sim durante o curso do seu desenvolvimento.” (INNES; BOOHER, 2000, p.177).
“Na prática, processos de governança frequentemente asseguram que os indicadores sejam selecionados em exercícios dinâmicos, interativos.” (RICE; ROCHET, 2005, p.517).
“A literatura ressalta (...) a necessidade de melhor compreender e estruturar o processo de desenvolvimento de indicadores (...).” (PÜLZL et al., 2012, p.36). “Gestores dos setores governamentais e não governamentais, pesquisadores, lideranças sociais e tomadores de decisão, que venham a trabalhar com indicadores de sustentabilidade, têm à sua frente um amplo conjunto de questões referentes ao uso adequado dessa ferramenta tão essencial na gestão para a sustentabilidade. No entanto, pressionados pela necessidade de dar respostas urgentes à crescente demanda das partes interessadas, frequentemente acabam por escolher modelos e processos de construção nem sempre mais adequados aos seus contextos.” (MALHEIROS et al., 2013, p.8).
MENÇÕES RELACIONADAS A INDICADORES DE SUSTENTABILIDADE EM PROCESSOS DE AAE
“Considerando a importância que a AAE tem alcançado em nível global, há uma urgente necessidade por mais pesquisa, particularmente no que diz respeito aos seguintes aspectos de AAE: (...)
Até que ponto a AAE pode ser padronizada e até que ponto ela precisa ser flexível? A pesquisa pode focar uma série de aspectos, incluindo:
– Processos – (...) – Métodos e técnicas; – Indicadores;
– Frameworks.” (FISCHER, 2007, p.150-151).
“Em processos de AAE não basta proceder a uma seleção adequada de indicadores ambientais e de sustentabilidade, para os quais existem muitos conjuntos de critérios de seleção, mas não específicos para AAE. Assim, importa selecionar indicadores que consigam dar resposta aos objetivos particulares deste tipo de
avaliação, sendo para tal necessário adotar diretrizes metodológicas concebidas para este âmbito.” (EZEQUIEL, 2010, p.1-2).
“A análise das vinte e cinco AAE selecionadas, das quais quatro não apresentavam indicadores em nenhuma das suas fases de execução, veio a demonstrar que em nenhum dos casos se adotou um processo explícito de seleção de indicadores. Este resultado reforça a importância e a necessidade da elaboração de mais trabalhos de investigação neste domínio que visem assegurar uma seleção dos indicadores mais eficiente e eficaz.” (EZEQUIEL, 2010, p.104-105).
“Com a quantidade de AAEs realizadas aumentando em todo o mundo, há uma crescente necessidade de estabelecer uma base comum para a formulação de indicadores que estejam em alinhamento com a AAE em questão, levando a uma melhor tomada de decisões sobre os PPPs.” (GAO et al., 2010, p.1).
“Entre os respondentes, 89% gostariam de ter maior orientação no desenvolvimento e uso dos indicadores. Entre estes, (...) 67% queriam melhores procedimentos e métodos para selecionar indicadores.” (GAO et al., 2013b, p.4). “O desenvolvimento e a aplicação de indicadores em AAE são uma tarefa complexa.” (GAO et al., 2014, p.28).
“Demonstra-se aqui que as orientações são um dos instrumentos fundamentais para definir indicadores e sua utilização, tanto em todo o sistema de AAE, bem como no caso de uma AAE em particular.” (GAO et al., 2014, p.29).
Fontes: no corpo do Quadro. Elaboração do autor.
Tratando-se de AAE, a temática envolvendo sistemas de indicadores de sustentabilidade é abordada de forma extremamente limitada pela literatura mundial. Segundo Donnelly e O´Mahony (2011, p.338),
Tendo realizado várias pesquisas na literatura, seja pela internet e em vários periódicos, tornou- se evidente que havia muito pouca informação publicada relativa a indicadores ambientais utilizados em AAE. Consequentemente, a fim de garantir que nenhuma literatura importante fosse omitida na pesquisa, decidiu-se entrar em contato com especialistas em AAE de vários locais, que poderiam ter conhecimento de algum guia que estivesse disponível localmente, mas não necessariamente a nível internacional. Dos países e regiões contatadas – África, Ásia, Austrália, Canadá, União Europeia (UE), América Latina, Novos Estados Independentes (NEI), Nova Zelândia, EUA e Reino Unido – apenas o Reino Unido foi capaz de proporcionar orientações
oficiais sobre a utilização de indicadores ambientais em AAE e fornecer exemplos para cada indicador ambiental.
Se a abordagem científica sobre sistemas de indicadores de sustentabilidade em AAE é limitada, isso é ainda mais verdadeiro no que se refere ao processo de desenvolvimento e definição destes sistemas. Conforme palavras de Ezequiel (2010, p.v), “à escala internacional, as iniciativas de investigação sobre a seleção de indicadores a utilizar em AAE são relativamente escassas e recentes”. Ao analisar 25 AAEs portuguesas, a autora constatou que nenhum dos casos adotou um processo explícito de seleção de IdS, apontando a necessidade de estabelecer uma plataforma que oriente – e provoque – o adequado direcionamento à questão. O Quadro 2 traz a “linha de raciocínio” que sintetiza a questão, com a indicação do tópico onde o assunto é discutido.
Sem dúvida, o direcionamento do trabalho a um foco pouco visado pela literatura corrente e que tem reconhecida importância prática, como foi demonstrado, já poderia ser suficiente para justificar sua realização. Entretanto, verifica-se ainda outra nuance que lhe reveste de singularidade e lhe imprime um diferencial de qualidade. Trata-se do emprego da teoria e de técnicas de Gestão do Conhecimento (GC), em conjunto com IdS e AAE. “A Gestão do Conhecimento é necessária em qualquer discussão envolvendo sustentabilidade”, anunciam Jorna et al. (2009, p.382). Neste sentido, particular atenção é dada ao emprego de boas práticas, conceito seminal na GC.
Prospectando perspectivas e futuras direções para a AAE (isto é, áreas de pesquisa hoje a descoberto), Dalal-Clayton e Sadler (2008) salientam que uma das linhas deve visar à melhora da qualidade e da efetividade da AAE, incluindo “promover boas práticas de AAE através de padrões e medidas benchmarking, para implementação do processo e principais atividades e elementos” (p.367, itálico introduzido). Os autores afirmam ainda que “tem havido uma onda de interesse nos princípios e orientações acerca de boas práticas em AAE, valendo-se principalmente da experiência de países líderes (...). Há muito mais que pode e deve ser feito nessas áreas” (p.362). Tais afirmativas suscitam o debate sobre o potencial da GC como suporte teórico e prático para a AAE.
Quadro 2. Aspectos que sustentam a construção de uma plataforma de desenvolvimento de indicadores de sustentabilidade para Avaliação Ambiental Estratégica.
ASPECTOS QUE SUSTENTAM A CONSTRUÇÃO DE UMA