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2. Teoretisk referanseramme

2.1 Yrkesdeltakelse blant personer med funksjonshemminger

Charaudeau (2008, p.201) considera que tratar do modo de organização argumentativo é mais difícil do que do narrativo, visto que não se pode anular uma narrativa, pode-se no máximo considerá-la inexata ou inventada, enquanto a argumentação pode ser anulada em seu fundamento ou em sua validade. Sendo assim, ele procura apresentar algumas noções que podem ajudar a compreender como funciona a mecânica (componentes e procedimentos) do discurso argumentivo.

Os procedimentos do modo argumentativo se inscrevem numa “finalidade racionalizante e fazem o jogo do raciocínio que é marcado por uma lógica e um princípio de não contradição.” O texto considerado argumentativo pode se apresentar sob forma “dialógica (argumentação interlocutiva), escrita ou oratória (argumentação monolocutiva)”. (CHARAUDEAU, 2008, p.207)

A função do modo argumentativo é permitir a construção de explicações sobre asserções feitas acerca do mundo numa dupla perspectiva de “razão demonstrativa” (busca estabelecer relações de causalidade diversas, as quais fazem parte da “lógica argumentativa”) e “razão persuasiva” (busca estabelecer a prova com a ajuda de argumentos que justifiquem as propostas a respeito do mundo e as relações de causalidade, o que faz parte da “encenação argumentativa”). (CHARAUDEAU, 2008, p.207)

Charaudeau (2008, p.210) divide os componentes da lógica argumentativa em:

elementos de base, modos de encadeamento, vínculo modal, e escopo do valor de verdade. Os

elementos de base da relação argumentativa são: “a asserção de partida(A1)” (uma premissa

ou um dado de partida que consiste em fazer existir e descrever os seres, com suas propriedades e ações e faz admitir uma outra asserção); “asserção de chegada(A2)” (uma conclusão que pode representar a causa ou a consequência da premissa e assim representa a legitimidade da proposta); “asserção de passagem” (uma prova, argumento ou inferência que justifique a relação de causalidade entre A1 e A2). Por exemplo, na frase “O céu está azul (A1), você pode fechar o guarda-chuva (A2)”, infere-se que quando o céu está azul, não chove, e portanto, se não chove, não há necessidade de abrir o guarda-chuva. As articulações lógicas que podem se inscrever num modo de encadeamento geral de causalidade são: conjunção, disjunção, restrição, oposição, causa, consequência, finalidade. Além do aspecto formal, a relação de causalidade dependerá do conteúdo semântico e dos tipos de vínculo que caracterizam a relação A1 → A2. O vínculo modal entre as asserções pode se situar: no “eixo do possível”, o qual se caracteriza pelo fato de A2 não ser a única conclusão de A1, mas a

conclusão possível, provável, plausível ou previsível; no “eixo do obrigatório”, o qual se caracteriza pelo fato de A2 representar obrigatoriamente a conclusão de A1, uma conclusão necessária, indiscutível ou exclusiva. O componente que abrange a proposta em sua totalidade, ou seja, que está sob o escopo do valor de verdade pode se caracterizar pela

generalização (a proposta A1→A2 vale para um grande número de casos que se repetem com frequência), particularização (a proposta A1→A2 vale para um caso específico que depende de circunstâncias particulares), ou hipótese (a proposta A1→A2 depende do grau de existência atribuído a A1).

Os modos de raciocínio são procedimentos que permitem organizar a lógica argumentativa e se dividem em: dedução por silogismo (se... então, logo, portanto), dedução pragmática (logo, portanto, e), dedução por cálculo (se...então) e dedução condicional (se...então, e); explicação por silogismo (X, porque...), explicação pragmática, explicação por cálculo, explicação hipotética (talvez porque); associação dos contrários, associação do idêntico; escolha alternativa (coloca em oposição duas relações argumentativas, possibilitando a escolha entre as duas - negativas, positivas, negativa e positiva -, ou mostrando a incompatibilidade entre elas); a concessão restritiva. (CHARAUDEAU, 2008, p.213)

A razão persuasiva, por sua vez, depende do sujeito que argumenta e da situação em que se encontra diante do destinatário a que está ligado por um contrato de comunicação. São componentes da “encenação argumentativa”: o dispositivo argumentativo, tipos de configuração, e as posições do sujeito.

Charaudeau (2008, p.221) não considera que toda asserção é argumentativa, mas que “toda asserção pode ser argumentativa desde que se inscreva num dispositivo argumentativo”, o qual é composto de três quadros: proposta, proposição, e persuasão. A proposta corresponde ao que alguns teóricos chamam de tese e é constituída pelo encadeamento lógico de asserções (“X morreu, ele se suicidou). A proposição, por sua vez, está relacionada com a posição do sujeito argumentante em relação à veracidade de uma proposta, podendo ele tomar uma posição de acordo ou em desacordo com a proposta (“Tem gente que acredita que um produto é melhor simplesmente porque é mais caro”), ou não tomar uma posição (Desastre de Carter ou triunfo de Reagan? Rejeição de Carter ou ratificação de Reagan?). Nesse último caso, o sujeito admite sua ignorância, mesmo que temporária, e se dispõe a ponderar os prós e os contras. A persuasão refere-se aos procedimentos semânticos, discursivos e de composição a que o sujeito argumentante recorre, a fim de estabelecer a prova da posição adotada na proposição. O quadro abaixo resume o dispositivo argumentativo (CHARAUDEAU, 2008, p. 225):

Após definido o dispositivo argumentativo, pode-se constatar dois fatores situacionais que contribuem para configurar uma argumentação: “a situação de troca”, a qual pode ser monologal (caso em que o sujeito argumentante coloca em evidência a proposta, a proposição e o ato de persusão) ou dialogal (caso em que proposta, proposição e persuasão se desenvolvem ao longo de um diálogo), e o “contrato de comunicação”, o qual pode ser explícito (normalmente em situação de troca monologal, cujo texto apresenta proposta, proposição e persuasão) ou implícito (a exemplo do texto publicitário: “Ninguém é bela por acaso. X.”, que pode ser interpretado como: “Se você utiliza o produto X, você será necessariamente bela, pois somente X faz com que a beleza tenha uma lógica”). (CHARAUDEAU, 2008, p.226)

Quanto à posição do sujeito, espera-se que ele se posicione em relação à proposta, em relação ao sujeito que emitiu a proposta e em relação a sua própria argumentação. A posição do sujeito em relação à proposta dependerá tanto de seu saber sobre a proposta quanto de sua tomada de posição ou não em relação a veracidade dessa proposta. A posição do sujeito em relação ao emissor da proposta pode ser de rejeição do status do emissor, por não lhe dar crédito ou por não considerá-lo legítimo ou com autoridade para falar; de aceitação do estatus do emissor, por se engajar numa argumentação ou contra-argumentação, considerando que os outros participantes tem legitimidade ou autoridade para participar de um quadro de questionamento; de autojustificativa do estatuto, por justificar seu próprio estatuto ou o de outro sujeito argumentante colocado em discussão. Tal procedimento é chamado por alguns

teóricos de argumento de autoridade. A posição do sujeito em relação à própria argumentação pode ser de engajamento, por defender o questionamento, caso em que a argumentação será considerada polêmica, visto que os outros sujeitos e argumentos são colocados em causa e até em acusação, por meio de julgamentos passionais, denúncias e posicionamentos irônicos; ou não-engajamento, por não se implicar pessoalmente na argumentação, caso em que ela será considerada demonstrativa, a exemplo de textos científicos ou didáticos com qualificações objetivas, o emprego de frases impessoais, o uso de citações e referências. (CHARAUDEAU, 2008, p.228)

O enunciador servir-se-á de procedimentos que levem em conta a situação e o interlocutor a fim de validar a argumentação, os quais podem ser semânticos (baseados no valor dos argumentos, em determinados domínios de avaliação dentro de um consenso social),

discursivos (que buscam produzir certos efeitos de discurso a partir de certas categorias linguísticas), de composição (que organizam o conjunto da argumentação).

Os domínios de avaliação ligados aos procedimentos semânticos são: o domínio da verdade (verdadeiro/falso), o domínio do estético (belo/feio), o domínio do ético (bem/mal), o domínio do hedônico (agradável/desagradável) e o domínio do pragmático (útil/inútil). Os valores correspondem às normas de um determinado grupo social construídas em cada domínio de avaliação. Por exemplo, é comum a publicidade fazer parte do domínio da verdade (“Com X você encontrará seu verdadeiro rosto; A juventude é eterna. Beba X.) e do hedônico (“X faz a sopa que você ama”; “Sabonete X. Suavidade de corpo inteiro”). (CHARAUDEAU, 2008, p.232)

Entre os procedimentos discursivos destacam-se: (1) definição (pertencente à categoria da qualificação e ao modo de organização descritivo; produz “um efeito de evidência e de saber” para o sujeito argumentante. Ex.: “Escolher o supermercado X, é economizar”); (2) comparação (pertencente à categoria da qualificação e da quantificação; produz um efeito pedagógico quando a comparação é objetiva, ou um efeito de ofuscamento quando subjetiva; e é marcada por vocábulos gramaticais - “tal como, assim como” - ou lexicais - “semelhança entre, oposição entre”. Ex.: “Ele se parece comigo porque tem cabelos ondulados como eu tinha na sua idade”; “Ele é sutil como um trator”.); (3) descrição narrativa (produz um efeito de exemplificação); (4) citação (pertencente ao discurso relatado, produz efeito de autenticidade e verdade a partir de um dizer, de uma experiência, ou de um saber de outro locutor. Ex: “Ele disse que visitou o apartamento.”); (5) reiteração ou acumulação (produz efeito de verdade por impor uma evidência ou autenticidade, como que recusando-se a argumentar. Ex: “Ele não só quebrou a promessa, como também impediu...”); (6)

questionamento (produz efeito de incitação a fazer, de proposta de uma escolha, de verificação do saber, de provocação, de denegação. Ex: “Por que eu deveria me cansar para ir procurar clientes, se os clientes chegam sozinhos?”). (CHARAUDEAU, 2008, p. 236)

Os procedimentos de composição podem ser usados em textos orais ou escritos, a fim de hierarquizar os elementos ao longo do texto, através de uma “composição linear” que buscará facilitar a localização das diferentes articulações de raciocínio (com começo, meio, fim, e retomadas, estabelecendo uma hierarquia e despertando a atenção do leitor, por meio de advérbios e adjetivos - “É preciso ressaltar”, “essencial”, “particularmente”, etc.) ou de uma “composição classificatória” que buscará facilitar a compreensão das conclusões da argumentação, por meio de resumos ou representações figuradas (quadros, diagramas). (CHARAUDEAU, 2008, p.243)