3. Metode
3.4 Undersøkelsesinstrumentet
3.4.3 Kategoriene i HDS
Pode-se perceber uma intertextualidade entre esta capa e a capa da revista de 31 de julho que dizia que a crise ataca a classe média. Na capa de 9 de outubro o enunciador dá ênfase à ideia de que existe uma guerra na qual o consumidor está envolvido, de modo que a crise econômica está atacando o dinheiro do consumidor e este, por sua vez, precisa defendê-
lo. Nesta capa, porém, o enunciador não cita uma classe específica que está sendo atingida, mas dirige-se aos consumidores em geral, colocando-se como um ajudador que possui conselhos para deixar os nervos estáveis e as economias resguardadas (consigli per tenere i nervi saldi e i risparmi al riparo) e dicas sobre como o consumidor pode defender seu dinheiro (Come difendere i nostri soldi). Ao usar a primeira pessoa do plural - “i nostri soldi” (o nosso dinheiro), o enunciador inclui-se entre os que são atacados pela crise e precisam se informar sobre como defender seu dinheiro, demonstrando sinceridade. Demonstra também solidariedade por desejar compartilhar com o leitor sua descoberta de como defender seu dinheiro.
Inicialmente o enunciador estabelece sua relação com o leitor por meio de um comportamento elocutivo, usando a primeira pessoa do plural, como se fosse ele também um cidadão em busca de resposta à pergunta: “Diante da crise econômica, como podemos manter nossas economias protegidas, em que podemos confiar?”. Tal comportamento pode também ser encarado como um comportamento alocutivo, como se ele estivesse se colocando em posição de inferioridade em relação ao interlocutor, perguntando-o o que pode ser considerado ainda confiável em termos de economia. Porém, o enunciador passa para uma posição de superioridade na medida em que se coloca como descobridor da resposta e estimula o consumidor a uma ação de compra da revista para ter acesso a sua descoberta. Os vocábulos “Consigli” e “Come difendere”, apesar de não ordenarem, indicam e sugerem que o enunciador possui a resposta que o consumidor, assim como ele, está procurando. Nesse caso, não baseia seu enunciado em um “saber de conhecimento”, ou seja, uma verdade sem subjetividade, mas um “saber de crença” a partir de uma opinião que ele acredita ser coletiva, compartilhada por toda a sociedade, e procura provocar um efeito de verdade a partir dessa opinião compartilhada.
Interessante observar nesta capa os vocábulos e recursos utilizados para manter a seriedade do tema, instigar a preocupação e colocar-se como herói. A começar pelo título, o enunciador utiliza-se de uma palavra forte que desperta sentimentos negativos - “guerra” – associando-a à economia. Os vocábulos “Banche, fondi, bot, borsa” indicam os meios que o consumidor normalmente utilizaria para guardar seu dinheiro, entre outros que são indicados pelas reticências. Ao perguntar “Ma che cosa resta affidabile nella crise più grave degli ultimi 70 anni?” (Mas o que permanece confiável na crise mais grave dos últimos 70 anos?), o enunciador coloca-se no lugar de seu destinatário, imaginando que esta é a pergunta que ele se faz constantemente e para a qual ele está buscando resposta. Vale ressaltar que ao acrescentar o comentário descritivo a respeito da crise como sendo a mais grave dos últimos 70 anos, o
enunciador ressalta a gravidade do assunto, despertando sentimento de preocupação no consumidor que provavelmente não presenciou a época em que se verificou uma crise dessa magnitude. Ao perguntar, o enunciador coloca-se então no mesmo nível de preocupação de seu provável destinatário, como se ele próprio estivesse procurando uma resposta e garante seu “direito à fala” por aparecer não exatamente como se ele fosse o responsável pela resposta, mas como se ele tivesse descoberto um ajudador, alguém que pudesse responder a essa pergunta e explicar como tanto ele quanto o leitor poderiam proteger suas economias. Curioso observar a analogia feita entre “difendere i nostri soldi” e “tenere i risparmi al riparo”. Tanto o verbo “difendere” quanto o vocábulo “guerra” e a expressão “al riparo” são usados conotativamente, fazendo analogia às guerras armamentistas, indicando ao leitor que ele precisa tomar uma ação de proteger ou defender seu dinheiro que está sendo atacado. Vale ressaltar ainda sobre o léxico, que apesar de no título e nos enunciados iniciais o enunciador utilizar-se de vocábulos que provocam sentimento de preocupação, ele busca amenizar tal sentimento com expressões do tipo “nervi saldi”, “risparmi al riparo”, “difendere”, as quais são associadas à atitude de compra e leitura da revista, passando a impressão de que ao comprar a revista o consumidor terá alívio de suas preocupações.
A atitude que o enunciador procura estimular por meio dos enunciados é reforçada pela imagem de um cofrinho em forma de porco revestido de aço e com capacete. A imagem de um porquinho-cofre remete o leitor aos tradicionais e antigos meios de economia e é compreendida por qualquer consumidor que se depare com ela.
Implicitamente, percebe-se o seguinte dispositivo argumentativo: Proposta (tese): Estamos diante de uma guerra econômica.
Proposição (posição do emissor em relação à tese): Diante da guerra econômica em que consumidor se encontra, ele precisa resguardar suas economias e existem meios para isso.
Persuasão (prova): O uso da conjunção adversativa “mas” diante da pergunta retórica, “che cosa resta affidabile nella crisi[...]?” (o que permanece confiável na crise[...]?), sugere uma oposição do enunciador em relação à crença que faz parte do senso comum de que não haveria nada confiável diante de uma “economia de guerra” que ataca o dinheiro do consumidor. Enunciador oferece conselhos sobre como resguardar suas economias e defender seu dinheiro. Enunciador faz uso de vocábulos e expressões que despertam no leitor um senso de urgência, tais como “difendere”, “resta affidabile”, “crisi più grave”, “consigli”, “tenere i nervi saldi” e “tenere i risparmi al riparo”.
Conforme verificado, as descrições servem como procedimentos argumentativos, a exemplo do procedimento semântico utilizado, ligado ao domínio do hedônico, o
procedimento discursivo de questionamentos, que produz efeito de verificação do saber, e o procedimento discursivo de citação por fazer referência à uma notícia corrente (crise econômica) e de reiteração por meio da enumeração de diversas formas de economia existentes no mercado a fim de produzir efeito de verdade quanto a falta de confiança que gira em torno delas, e aumentar a curiosidade do leitor em obter resposta ao questionamento seguinte.
Como de costume, na margem superior direita encontra-se a chamada para um artigo alternativo da revista sobre alimento, através do qual o enunciador oferece um guia para que se reconheça o que é considerado veneno em termos de alimentação.
Esse número de PANORAMA traz uma particularidade em relação às capas já analisadas. No canto esquerdo ela traz manchetes, inclusive com fotografias, referentes a outros artigos que podem ser encontrados na revista, como o editorial de Bruno Vespa sobre o caso Alitalia, e um artigo da sessão “Sociedade” sobre filhos, sugerindo uma reportagem sobre os erros cometidos pelos pais na criação de filhos. A foto de uma criança coroada e vestida com um manto de rei complementa e reforça a ideia do título, sugerindo que em muitos casos quem manda na casa são os filhos.