7. HYPOTESER
7.1 H YPOTESE 1
FUNÇÃO DA CONDUTIVIDADE ELÉTRICA DA SOLUÇÃO NUTRITIVA
RESUMO – O cultivo consorciado de culturas está sendo estudada como uma nova forma de cultivo em ambiente protegido em sistemas sem solo. Para estimar a eficiência do consórcio nesse sistema de cultivo, foi realizado um experimento em Almería, Espanha, com o objetivo de avaliar o efeito da condutividade elétrica (2,0, 2,5 e 3,0 dS m-1) da solução nutritiva nas produtividades de alface e tomate, e na
viabilidade agronômica e econômica do cultivo consorciado em relação ao monocultivo. Os resultados indicaram que o moderado aumento da CE de 2,0 para 3,0 dS m-1 não exerceu importante efeito sobre a produção e qualidade do tomateiro,
mas causou diminuição na produtividade da alface nos dois cultivos. O cultivo consorciado foi viável para a alface apenas quando o transplantio ocorreu no mesmo dia do tomateiro. As maiores produtividades de tomate e alface foram alcançadas na condutividade elétrica de 2,5 dS m-1. O cultivo consorciado proporcionou maior rentabilidade do que o monocultivo do tomateiro, nas três condutividades elétricas, com maior lucratividade, 0,53 € m-2, na condutividade elétrica de 2,5 dS m-1.
Palavras-chave: Solanum lycopersicum, Lactuca sativa, solução nutritiva,
produtividade.
ABSTRACT – An intercrop is studied here as a new way of farming in soilless systems within a protected environment. To estimate the efficiency of intercropping in this cultivation system, an experiment was conducted to evaluate the effect of the electrical conductivity (EC) of the nutrient solution (2.0, 2.5, and 3.0 dS m-1) on
lettuce and tomato plants and on the agronomic and economic feasibility of the intercrop compared to monoculture. The results indicated that a moderate increase in EC from 2,0 to 3,0 dS m-1 did not exert an important effect on tomato plant production
Intercropping was only feasible for lettuce when the tomato and lettuce plants were transplanted on the same day. The highest tomato (G class) and lettuce yields were achieved at an EC of 2,5 dS m-1. This condition resulted in the highest intercrop profitability (0,53 € m-2 more) when compared to tomato monoculture.
Keywords: Solanum lycopersicum, Lactuca sativa, nutrient solution, yield. 1 INTRODUÇÃO
Cultivo consorciado é um sistema de cultivo em que duas ou mais espécies são cultivadas em uma mesma área, ao mesmo tempo, convivendo por pelo menos parte de seus ciclos (CECÍLIO FILHO; REZENDE; COSTA, 2010; CAVIGLIA; SADRAS; ANDRADE, 2011). Esse sistema de cultivo tem sido amplamente praticado em todo o mundo, entre várias culturas, em condições de campo objetivando aumentar a produtividade (WANG et al., 2014), além de aumentar a eficiência no uso de recursos naturais e insumos agrícolas, entre outras vantagens (CECÍLIO FILHO et al., 2013; FUENTE et al., 2014).
Entretanto, raros são os estudos feitos com hortaliças em ambiente protegido. Cecílio Filho et al. (2011 e 2013), Rezende et al. (2011) e Tringovska et al. (2015) verificaram viabilidade agronômica e econômica de consórcios de tomate e alface e de pepino e alface, em cultivo protegido.
Nos últimos anos, no Brasil, o cultivo sem solo de hortaliças, em ambiente protegido, tem se tornado uma alternativa para potenciais problemas de solo, tais como a salinização e patógenos, além de outras vantagens sobre o cultivo no solo, como a maior eficiência no uso da água e de nutrientes pelas plantas, que ajudam a alcançar maiores produtividades e melhor qualidade dos produtos colhidos (GUTIÉRREZ; ALTAMIRANO; URRESTARAZU, 2012).
Um fator importante no cultivo sem solo é a condutividade elétrica (CE) da solução nutritiva. Alta CE compromete o crescimento e desenvolvimento das plantas, resultando em baixa produtividade e qualidade das hortaliças (CARUSO et al., 2011; NOSHADI; FAHANDEJ; SEPASKHAH, 2013). Além disso, dificulta a
absorção de nutrientes, provocando desordens nutricionais nas plantas, devido à interação entre os íons salinos e os nutrientes pelos sítios de absorção das raízes das plantas (HAFSI et al., 2007; GONDIM et al., 2010). Por ser característica do cultivo consorciado ter espécies que apresentam exigências diferenciadas por recursos do meio, entre eles a demanda de nutrientes, encontrar uma adequada CE da solução nutritiva que minimize estresses às espécies é um desafio.
Outro fator de produção a ser considerado, não só em cultivo sem solo, mas decisivo para se obter sucesso em cultivo consorciado é a disponibilidade de luz para as espécies, especialmente daquelas que se desenvolvem sob o dossel da outra (SU et al., 2014; GONG et al., 2015). Baixa luminosidade causa efeitos negativos na taxa fotossintética da espécie sombreada, causando prejuízos sobre a sobrevivência, o crescimento (SINOQUET; CALDWELL, 1995; JOSE; WILLIAMS; ZAMORA, 2006), a produtividade e qualidade da hortaliça produzida (CECÍLIO FILHO; TAVEIRA, GRANGEIRO, 2003 e 2011; REZENDE et al., 2011). Cecílio Filho et al. (2011) e Rezende et al. (2011), que avaliaram consórcios de alface com tomate e pepino, respectivamente, verificaram que quanto mais tardio foi o transplantio da alface em relação às outras culturas menor foi a produtividade da alface, inclusive com plantas de alface estioladas, sem valor comercial.
O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito da condutividade elétrica da solução nutritiva nas produtividades de alface e tomate, e na viabilidade agronômica e econômica do cultivo consorciado em relação ao monocultivo.
2 MATERIAL E MÉTODOS 2.1. Condições de cultivo
O experimento foi conduzido, em casa de vegetação, na Universidade de Almería (Espanha), situada a 36º50‟25”N e 2º28‟05”O, e 23 m de altitude. O clima da região é do tipo semiárido Subtropical Mediterrâneo, de acordo com a classificação agroclimática de Papadakis (1980), com temperatura média anual de 18,5ºC e precipitação pluvial anual de 250 mm.
Durante o período experimental, foi medida a radiação fotossinteticamente ativa (PAR, E m-2 dia-1) e luminosidade total (L, lux), ao meio dia, externa à casa de vegetação e no seu interior. Externamente à casa de vegetação, foram observadas médias de 21,4 E m-2 dia-1 e 20.219 lux para PAR e L, respectivamente. No interior da casa de vegetação, foram obtidas médias de 7,00 E m-2 dia-1 e 9351 E m-2 dia-1 lux logo acima do tomate (monocultivo e consorciado) e para a alface solteira, no primeiro cultivo. Para a alface em consórcio, no primeiro cultivo, os valores observados foram 5,11 E m-2 dia-1 e 5648 lux. No segundo cultivo, os valores de PAR e L acima do tomate (monocultivo e consorciado) e para a alface solteira, foram de 6,70 E m-2 dia-1 e 8188 lux. Para a alface em consórcio, os valores foram muito
menores, sendo 3,80 E m-2 dia-1 e 3.531 lux.
2.2 Tratamentos e delineamento experimental
Foram avaliados dois fatores: sistema de cultivo (tomate e alface em monocultivo e em cultivo associado) e condutividade elétrica (CE) da solução nutritiva (2,0, 2,5 e 3,0 dS m-1). O delineamento experimental foi o de blocos ao acaso, com parcelas subdivididas, e três repetições. O sistema de cultivo e a CE corresponderam à parcela e subparcela, respectivamente. Cada unidade experimental foi representada por um saco de fibra de casca de coco Pelemix GB1002410® com dimensões de 100 × 25 × 10 cm e com volume de 25 L. Plantas de tomate, em monocultivo ou consorciado, foram localizadas ao centro do saco e espaçadas em 0,33 m, portanto, três plantas por saco. Entre linhas de tomate, o espaçamento era de 1,5 m. A alface foi plantada em duas linhas com três plantas, por saco, sendo 0,30 m entre as linhas e 0,30 m entre as plantas na linha, perfazendo seis plantas. Na unidade experimental de cultivo consorciado, havia três plantas de tomate, no centro, e seis de alface lateralmente (Figura 1).
(A) (B) (C)
Figura 1. Distribuição das plantas por unidade experimental: A - alface em monocultivo; B - tomateiro em monocultivo; C - cultivo consorciado.
2.3 Instalação e condução experimental
Mudas de tomate 'Mayoral' enxertadas em 'Emperador', e mudas de alface 'Romana' foram transplantadas para os sacos de fibra de casca de coco com seis e quatro folhas, respectivamente. O tomate foi transplantado no dia 18-10-2014, quando também foi realizado o transplantio da alface (primeiro cultivo). Após a colheita dessa alface, nas mesmas posições em que a alface foi retirada do saco de fibra de coco, foram transplantadas novas mudas de alface, em 12-12-2014 (segundo cultivo da alface). O tomate foi conduzido com duas hastes.
Para cada tratamento foi estabelecido dois pontos de controle de fertirrigação, composto de um controle de gotejamento e uma bandeja de drenagem que serviam de pontos de medida e monitoramento da fertirrigação e de reposta da absorção dos mesmos para cada tratamento. Diariamente, foram medidos o volume da solução nutritiva, pH, condutividade elétrica (CE), concentrações de nitrato (NO3-)
e de potássio (K+), da fertirrigação de entrada e de drenagem. As medidas de
volume, pH e CE foram utilizadas para ajustar e modificar a programação da fertirrigação em função dos tratamentos (URRESTARAZU, 2004; RODRÍGUEZ et al., 2014).
Cada nova irrigação era realizada sempre mantendo o volume necessário para provocar drenagem de 15 a 25% (URRESTARAZU et al., 2008a). A duração de cada irrigação foi ajustada de acordo com o volume de entrada de cada unidade de cultivo, sendo quantidades de irrigações diferentes de acordo com a necessidade de cada cultivo (alface e tomate em monocultivo e em cultivo consorciado). Cada saco de cultivo foi fertirrigado com três gotejadores de 3 L h-1 de cauda nominal. As soluções nutritivas correspondentes às três CE estão citadas na Tabela 1.
Tabela 1. Soluções nutritivas utilizadas no cultivo do tomateiro e alface, em monocultivo e em cultivo consorciado.
CE pH Macronutrientes (mM) Micronutrientes (µM) dS m-1 NO3- H2PO42- SO42- K+ Ca2+ Mg2+ Fe Mn Cu Zn B Mo 2,00(a) 5,80 10,25 1,50 1,75 4,75 5,00 1,51 15 10 0,75 5 30 0,5 2,50 5,80 12,81 1,88 2,19 5,95 6,25 1,89 15 10 0,75 5 30 0,5 3,00 5,80 15,37 2,26 2,63 7,14 7,50 2,27 15 10 0,75 5 30 0,5 (a) Baseado em Sonneveld e Straver (1994).
No período de 17-2 a 5-5-2015, semanalmente, foram realizadas colheitas de tomate com coloração vermelho uniforme. A primeira e segunda colheita das alfaces foram realizadas em 5-12-2014 e 6-2-2015.
2.4 Características avaliadas
O tomate foi classificado comercialmente em função do diâmetro equatorial (REGULAMENTO CE 717/2001, 2001), sendo G (67-82 mm), M (57-67 mm), MM (47-57 mm) e MMM (40-47 mm). Foram obtidas as produtividades (kg m-2) de cada classe e a total. Em cada colheita foi retirada uma subamostra de três frutos de tomate, formando uma mistura homogênea para medição de pH e sólidos solúveis (ºBrix). Na alface foram avaliados o diâmetro (mm), comprimento do caule (cm), número de folhas por planta e a massa fresca (g planta-1).
Com a produtividade comercial total e por classe do tomate e a produção da alface foram calculados os índices de eficiência de produção (EP) do consórcio em relação ao monocultivo, utilizando-se a fórmula: EP = ((AB – A) / A)*100, onde A = tomate ou alface em monocultivo e AB = cultivo consorciado. Quando o índice EP é positivo, significa que o tomate em consorciação é mais produtivo do que quando está em monocultivo e quando é negativa, significa o inverso.
A absorção de água, NO3- e K+ foram medidos de acordo com o procedimento
descrito por Morales e Urrestarazu (2013), para ambas culturas. Como o tomateiro é a principal cultura do consórcio e a alface é a cultura secundária, adicionada ao cultivo do tomateiro, foram avaliados os índices de eficiência de uso e de absorção
de água, nitrato e potássio, para o tomateiro, conforme proposto por Hashem et al. (2011):
Para avaliação da viabilidade econômica do consórcio, foram calculados os balanços econômicos dos cultivos de tomate e de alface, em monocultivo e em cultivo consorciado, em função da solução nutritiva. Para tanto, primeiramente foi calculada a receita bruta (RB), que correspondeu à estimativa do valor monetário da produção de tomate ou de alface ou do consórcio, considerando-se os preços do tomate nas classes comerciais, sendo G = 0,63 € kg-1; M = 0,48 € kg-1; MM = 0,28 €
kg-1 e MMM = 0,20 € kg-1. Para a alface, foi utilizado o preço médio de 0,30 € kg-1
(FRUTAS E HORTALIÇAS DE ALMERÍA, 2015). Para cálculo do custo operacional, considerou-se como única diferença entre os sistemas de cultivo a solução nutritiva usada. O custo da solução nutritiva foi calculado em função da quantidade de solução utilizada pelas plantas e o preço da solução nutritiva. O lucro da atividade (€ m-2) foi calculado pela diferença entre a receita bruta e o custo da solução nutritiva.
2.5 Análise estatística
Os dados foram submetidos à análise de variância pelo teste F a 5 % de probabilidade e as médias dos tratamentos comparadas pelo teste de Tukey a 5 % de probabilidade.
3 RESULTADOS
Os valores de pH e condutividade elétrica (CE) (Tabela 2), permaneceram dentro dos limites desejados (URRESTARAZU et al., 2008b). Para manter as condições desejadas de pH e CE da alface em monocultivo, foi necessário fornecer maior quantidade de água e, portanto, foi obtido maior porcentagem de drenagem.
Tabela 2. pH, condutividade elétrica (CE) e quantidade de solução nutritiva drenada em relação ao aplicado (SND), em função do sistema de cultivo (consorciado e monocultivo) e das condutividades elétricas (2,0, 2,5 e 3,0 dS m-1). pH CE (dS m-1) SND (%) 2,0 2,5 3,0 2,0 2,5 3,0 2,0 2,5 3,0 Alface 6,97 6,33 6,08 2,60 3,08 3,39 51,81 51,77 57,61 A + T 7,02 6,85 6,47 2,41 3,41 4,01 30,46 31,86 32,01 Tomate 7,06 6,98 6,58 2,65 3,21 3,97 29,93 35,99 34,64
As produtividades das classes de frutos de tomate responderam diferentemente aos fatores avaliados. A classe G foi afetada tanto pelo sistema de cultivo quanto pela CE, sendo que maiores produtividades foram obtidas em cultivo associado e com menor CE (2,0 dS m-1). As produtividades de frutos nas classes M e MMM não foram influenciadas pelos fatores, enquanto a produtividade na classe MM somente foi afetada pelo sistema de cultivo, sendo maiores produtividades obtidas com tomateiro em monocultivo. A produtividade comercial total não foi influenciada pelos fatores avaliados e a média de produtividade foi de 11,36 kg m-2
(Tabela 3). A eficiência de produção (EP) do tomateiro em consórcio foi positiva em relação ao monocultivo nas duas maiores classes de frutos, independentemente da CE da solução nutritiva, na classe MMM com maior CE, e na produtividade total com 2,5 dS m-1. Nas demais condições, os valores de EP foram negativos, o que significa que o tomateiro produziu menos em consórcio. Nas duas classes superiores e na produtividade total, maior EP foi observada com CE de 2,5 dS m-1 (Tabela 3).
Tabela 3. Produtividades comerciais total e por classe de tomate (kg m-2) e eficiência de produção (EP) em função do sistema de cultivo (consorciado e monocultivo) e da condutividade elétrica (2,0, 2,5 e 3,0 dS m-1).
Sistema de cultivo
Condutividade elétrica (dS m-1) 2,0 2,5 3,0 G (67-82 mm) monocultivo 0,82Ab 0,47Bb 0,59Bb
consorciado 1,15Aa 0,92Ba 0,85Ba
EP (%) 40,2B 95,7A 44,1B
M (57-67 mm) monocultivo 6,40Aa 6,72Aa 6,70Aa consorciado 6,59Aa 7,71Aa 7,10Aa
EP (%) 3,0C 14,7A 6,0B
MM (47-57 mm) monocultivo 3,22Aa 3,49Aa 3,39Aa consorciado 2,69Ab 2,69Ab 2,35Ab EP (%) -16,5A -22,9B -30,7C MMM (40-47 mm) monocultivo 0,76Aa 0,92Aa 0,55Aa consorciado 0,54Aa 0,65Aa 0,87Aa EP (%) -28,9B -29,4B 58,2A Total monocultivo 11,20Aa 11,60Aa 11,23Aa
consorciado 10,97Aa 11,97Aa 11,17Aa
EP (%) -2,1C 3,2A -0,5B
Para cada característica, letras diferentes maiúsculas e minúsculas na linha e na coluna, respectivamente, indicam diferenças significativas segundo Tukey a P ≤ 0,05.
Com relação à qualidade dos frutos de tomate, o pH e o teor de sólidos solúveis dos frutos não foram influenciados pelos fatores CE e sistema de cultivo
isolados ou em interação. As médias observadas de pH e sólidos solúveis foram 3,9 (3,85 a 3,92) a e 4,3º Brix (4,2 a 4,4º Brix), respectivamente.
Com relação à alface, no primeiro cultivo, o diâmetro e o comprimento de caule foram influenciados somente pelo sistema de cultivo, sendo obtidos valores menores e maiores, respectivamente, em cultivo consorciado (Tabela 4). O número de folhas por planta também foi influenciado somente pelo sistema de cultivo, sendo menor em cultivo consorciado, com 2 a 4 folhas a menos por planta, do que em monocultivo (Tabela 4). Já a massa fresca da alface foi influenciada pela interação dos fatores.
Em monocultivo, as massa obtidas com 2,0 e 2,5 dS m-1 não diferiram entre si e foram maiores do que com a solução nutritiva de maior força iônica. Já no cultivo consorciado, a massa fresca de plantas não diferiu em função da CE, e apresentou média de 215 g planta-1. Com relação ao sistema de cultivo, a presença do tomateiro
prejudicou o crescimento da alface, e independentemente da CE da solução nutritiva, a massa fresca em monocultivo foi maior, o que levou a obtenção de índices de eficiência de produção negativos, devido ao pior desempenho do cultivo consorciado (Tabela 4).
No segundo cultivo da alface, houve efeito significativo somente do sistema de cultivo sobre todas as características avaliadas da alface, tendo sido constatada grande prejuízo à alface pela presença do tomate (Tabela 4). A alface do segundo cultivo em consórcio com o tomateiro não apresentaram tamanho e qualidade comercial (Tabela 4), rejeitando-se a hipótese de um segundo cultivo em consórcio com o tomateiro. Assim, todos os demais resultados apresentados a seguir são referentes à primeira época de cultivo, quando a alface foi transplantada no mesmo dia do tomateiro.
Tabela 4. Características da planta de alface, do primeiro e segundo cultivo, em função do sistema de cultivo (consorciado e monocultivo) e da condutividade elétrica (2,0, 2,5 e 3,0 dS m-1).
Condutividade elétrica (dS m-1)
2,0 2,5 3,0
Primeiro cultivo de alface
Massa fresca (g planta-1) monocultivo 384Aa 396Aa 348Ba consorciado 217Ab 227Ab 200Bb EP (%) -43,5A -42,7A -42,5A Número de folhas monocultivo 33Aa 31Aa 34Aa
consorciado 29Ab 29Ab 30Ab Comprimento do caule
(cm)
monocultivo 16,9Aa 17,1Aa 16,4Aa consorciado 22,9Ab 25,2Ab 24,7Ab Diâmetro do caule (mm) monocultivo 27,3Aa 27,5Aa 24,1Aa consorciado 16,5Ab 19,4Ab 19,5Ab
Segundo cultivo de alface
Massa fresca (g m-2) monocultivo 172Aa 152Aa 169Aa consorciado 22Ab 18Ab 18Ab EP (%) -87,2A -88,2A -89,3A Número de folhas por
planta
monocultivo 25Aa 21Aa 22Aa consorciado 14Ab 13Ab 12Ab Comprimento do caule
(cm)
monocultivo 3,8Aa 3,2Aa 4,1Aa consorciado 4,1Aa 4,4Aa 4,7Aa Diâmetro do caule (mm) monocultivo 19,2Aa 16,8Aa 20,8Aa
consorciado 3,8Ab 3,7Ab 3,1Ab
Para cada característica, letras diferentes maiúsculas e minúsculas na linha e na coluna, respectivamente, indicam diferenças significativas segundo Tukey a P ≤ 0,05.
A absorção de potássio (K+) não foi influenciada pela CE para as alfaces em
monocultivo, entretanto, houve aumento na absorção de K+ pelo tomateiro em
monocultivo e em cultivo consorciado, com o aumento da CE. Por outro lado, a CE influenciou a absorção de nitrato (NO3-) das culturas em monocultivo, sendo maior
absorção de nitrato afetada pela CE, mas tiveram tendência de maior absorção também na CE de 2,5 dS m-1. Já a absorção de água foi menor na maior CE apenas pela alface, em monocultivo (Tabela 5). Com relação às emissões de NO3- e K+ ao
ambiente, maiores quantidades foram observadas com o aumento da CE, tanto em monocultivo quanto em consórcio para o tomateiro. Para a alface em monocultivo, a CE influenciou apenas na emissão do NO3-, com maior quantidade na CE de 3,0 dS
m-1 (Tabela 6).
Tabela 5. Absorção de NO3-, K+ e de água pelas plantas em função do sistema de
cultivo (consorciado e monocultivo) e da condutividade elétrica (2,0, 2,5 e 3,0 dS m-1), durante o primeiro ciclo de cultivo.
Água (L m-2) NO
3- (mol m-2) K+(mol m-2)
2,0 2,5 3,0 2,0 2,5 3,0 2,0 2,5 3,0
Alface 19A 20A 15B 0,11B 0,18A 0,11B 0,62A 0,69A 0,62A
A + T 895A 930A 815B 8,08B 10,62A 9,46A 12,39B 12,79A 13,61A
Tomate 898A 799B 762C 7,79C 9,71A 8,93B 12,17B 12,73A 13,17A
Para cada característica avaliada, letras diferentes indicam diferença significativa entre as CE em cada sistema de cultivo, segundo Tukey a P ≤ 0,05.
Tabela 6. Emissão de NO3- e K+ ao ambiente em função do sistema de cultivo
(consorciado e monocultivo) e da condutividade elétrica (2,0, 2,5 e 3,0 dS m-1), durante o primeiro ciclo de cultivo.
NO3- (g m-2) K+ (g m-2)
2,0 2,5 3,0 2,0 2,5 3,0 Alface 37AB 35B 41A 23A 22A 21A A + T 252C 327B 440A 164C 263B 326A Tomate 250C 382B 464A 168C 263B 335A
Para cada característica avaliada, letras diferentes indicam diferença significativa entre as CE em cada sistema de cultivo, segundo Tukey a P ≤ 0,05.
Verificou-se que a eficiência de absorção de K+ não foi afetada pela CE tanto pelo tomateiro em monocultivo quanto consorciado com a alface. Entretanto, para ambos sistemas de cultivo, a eficiência de absorção de nitrato foi maior na solução nutritiva com 2,5 dS m-1, não diferindo da eficiência obtida na mais alta CE. A
eficiência de absorção de água diferiu das eficiências nutricionais, sendo maior na menor CE (Tabela 7).
Tabela 7. Eficiência da água absorvida, NO3- e K+ pelo tomateiro em função do
sistema de cultivo (consorciado e monocultivo) e das condutividades elétricas (2,0, 2,5 e 3,0 dS m-1) durante o ciclo de cultivo.
Água absorvida (L kg-1 tomate) NO3- absorvido (mol NO3- kg-1 tomate) K+ absorvido (mol K+ kg-1 tomate) 2,0 2,5 3,0 2,0 2,5 3,0 2,0 2,5 3,0
A + T 13Aa1 13Aa 11Ba 109Ba 138Aa 129Aa 153Aa 159Aa 185Aa
Tomate 14Aa 12Ba 10Ca 112Ba 128Aa 119Ba 154Aa 157Aa 165Aa
1Letras diferentes maiúsculas e minúsculas indicam diferenças significativas (a P
≤ 0.05) na linha e na coluna, respectivamente.
As eficiências de uso de NO3- e de K+ aumentaram com o incremento da CE,
tanto no tomateiro em monocultivo quanto consorciado com a alface, enquanto a eficiência de uso da água diminuiu, assemelhando-se aos resultados observados para absorção de água, NO3- e de K+. Por outro lado, diferença entre sistemas de
cultivo somente foram observadas nas CEs de 2,5 e 3,0 dS m-1, sendo sempre maior
em cultivo consorciado (Tabela 8), os quais corroboram a maior rentabilidade dos cultivos consorciados (Tabela 9).
Tabela 8. Eficiência no uso de água, NO3- e K+ pelo tomateiro em função do sistema
de cultivo (consorciado e monocultivo) e da condutividade elétrica (2,0, 2,5 e 3,0 dS m-1), durante o ciclo de cultivo.
Eficiência no uso da água (L kg-1 tomate) Eficiência no uso de NO3- (g NO3- kg-1 tomate) Eficiência no uso de K+ (g K+ kg-1 tomate) 2,0 2,5 3,0 2,0 2,5 3,0 2,0 2,5 3,0 A + T 20Aa 19Aa 18Ba 10Ca 13Ba 15Aa 8Ca 10Ba 12Aa Tomate 20Aa 18Bb 16Cb 9Ca 12Bb 14Ab 8Ca 9Bb 11Ab
Para cada característica, letras diferentes maiúsculas e minúsculas na linha e na coluna, respectivamente, indicam diferenças significativas segundo Tukey a P ≤ 0.05.
Tabela 9. Receita bruta, custo da solução nutritiva e lucro obtido em monocultivo de tomateiro (T) e consorciado com alface (A) em função da condutividade elétrica da solução nutritiva (2,0, 2,5 e 3,0 dS m-1).
Receita bruta(€ m-2) Custo SN (€∙m-2) Lucro (€∙m-2)
2,0 2,5 3,0 2,0 2,5 3,0 2,0 2,5 3,0 T monocultivo 4,64 4,68 4,65 0,70 0,94 1,27 3,94 3,74 3,38 A monocultivo 0,11 0,12 0,10 0,06 0,09 0,12 0,05 0,03 -0,02 T em consórcio 4,74 5,17 4,77 0,70 0,95 1,28 4,04 4,22 3,49 A em consórcio 0,07 0,07 0,06 0,018 0,021 0,025 0,05 0,05 0,03 Cons (T +A) 4,81 5,24 4,83 0,718 0,971 1,305 4,09 4,27 3,52
(1) Preço médio baseado no que recebe o produtor nas cooperativas agrícolas no mesmo período de cultivo em função de cada calibre. Fonte: Frutas e hortaliças de Almería (2015).
4 DISCUSSÃO
A alface teve seu crescimento prejudicado, nas duas épocas de cultivo, quando em consórcio com o tomateiro (Tabela 4), devido à menor quantidade de luz disponível, pois grande parte da radiação foi perdida em função do sombreamento causado pelo tomate.
No primeiro cultivo, a alface teve tamanho e qualidade comercial, pois o transplantio de alface e tomate aconteceram no mesmo dia. Devido à baixa competição entre as espécies, houve alta complementaridade de espaço e tempo entre as espécies consorciadas (CECÍLIO FILHO et al., 2008). Diferentemente, no segundo cultivo, as alfaces não se desenvolveram e não atingiram padrão comercial (Tabela 4), constatando-se, assim, que a realização do segundo transplantio de alface junto ao tomate não foi agronomicamente viável. De acordo com os resultados obtidos para a alface (Tabela 4), na segunda época de cultivo, a alface produzida em consórcio com o tomateiro apresentou massa equivalente a cerca de 10% da obtida em monocultivo, no segundo ciclo, e também 10% da produzida em consórcio no primeiro ciclo. A baixa luminosidade prejudicou demasiadamente a fotossíntese, com efeito direto no crescimento. Plantas pequenas, estioladas, com