2. Teori
2.2 Yield to maturity (YTM)
O trabalho docente vem sofrendo seguidas alterações ao longo do tempo. A maneira de trabalhar do professor dos anos 1950 era diferente do professor dos anos 1970, que, por sua vez, é diferente do professor dos dias atuais. A mudança da organização do trabalho docente faz com que o processo de formação incorpore as alterações vivenciadas pela sociedade da época. Para Freire (1996), o professor é um ser criativo que se envolve em processos de construção de conhecimento nos quais ele deseja aprender algo novo sempre.
As escolas, as universidades e as instituições de pesquisas promovem cursos e projetos para a capacitação de professores para o uso de novas técnicas e metodologias. O docente é o
elemento central desse processo, uma vez que as mudanças só acontecem quando o professor se sente capaz de operar e sustentar a nova prática pedagógica.
O professor representa a base de todo o trabalho. Sem o seu envolvimento, pouco se pode realizar. É preciso estudar, ter iniciativa , e aprender-executar- refletir sobre o aprendido. Modificar o que for necessário. Exige-se, nesse processo, abertura, ousadia, colaboração e dedicação[...]. É ele quem orienta as investigações dos alunos, incentiva o modo como cada aluno constrói seu próprio conhecimento [...]. O professor envolve-se em um processo que mobiliza-o internamente: aprender uma coisa nova leva-o a instaurar um diálogo consigo mesmo. Aprender, atuar com os alunos, analisar sua ação pedagógica e modificá-la permite-lhe, com o passar do tempo, desenvolver uma metodologia de trabalho própria constantemente aberta a novas reformulações (FREIRE, 1998, p. 60).
Para a melhoria do trabalho escolar, devem ser reservados espaço e tempo para a formação continuada dos professores, mediante a participação em seminários e congressos, a aquisição de novo material pedagógico e a realização de encontros regulares. Esse processo de formação continuada já está acontecendo em algumas escolas brasileiras, nas quais o papel do professor vai muito além de ministrar aulas, como na Rede Municipal de Belo Horizonte.
Os professores têm uma jornada de trabalho que, às vezes, o impossibilita de continuar seus estudos. Por isso, no processo de formação, deve ser assegurado a todos os professores o direito à formação em serviço, referindo-se à participação em palestras, seminários, cursos de graduação, especialização, mestrado e doutorado.
No caso da formação em novas tecnologias, os professores procuram conhecer melhor as ferramentas baseadas em Tecnologias Digitais que possam ser úteis na sua prática profissional, com base na proposição de novas atividades pedagógicas que têm como suporte essas novas tecnologias. Por exemplo, ele aprende a trabalhar com um editor de texto ou de apresentação, porque isso é útil nas suas aulas. Para Valente (2003, p. 18),
o professor, usando os recursos da informática para a sua capacitação, está, ao mesmo tempo, adquirindo conhecimentos sobre o uso da informática como recurso para a realização de tarefas. A inclusão digital do professor acontece em um contexto prático e significativo – não se trata de aprender a informática pela informática, mas de aprender a utilizá-la como meio auxiliar na melhoria da sua performance.
Imaginemos uma escola pública com 50 docentes, entre homens e mulheres, cada qual com formação, habilidade e história de vida distintas. A formação desse grupo profissional requer muito cuidado e capacidade intelectual para respeitar os valores de cada um e apresentar-lhes nova ferramenta pedagógica. Nessa escola, encontraremos alguns que sabem usar as TDs e gostam, outros que não sabem e gostariam de aprender e, ainda, aqueles que as utilizam e não aprovam ou que não usam e não gostam. O “gostar” está presente nessa atividade, porque o professor é autoridade quando escolhe a forma de construir o conhecimento com seus alunos.
A formação do professor para usar o computador não tem como objetivo fazer dele um especialista em informática, mas, sim, de criar condições para que se aproprie, dentro do processo de construção de sua competência, gradativamente, das formas de utilização das Tecnologias Digitais, pois somente dessa forma poderá gerar novas possibilidades de sua utilização educacional.
Num cenário de cibercultura, em que a cooperação aponta para a superação do modelo tradicional de educação caracterizado pela transmissão de conhecimento, as novas tecnologias favorecem o surgimento de uma inteligência coletiva – uma inteligência distribuída por toda a parte, incessantemente valorizada, coordenada em tempo real e que resulta em uma mobilização efetiva das competências individuais (LÉVY, 1993).
A mobilização dos professores em torno da sua formação profissional para lidar com as Tecnologias Digitais pode resultar em redes integradas de conhecimento, que se multiplicam baseando-se na formação dos próprios professores. A inteligência coletiva dos docentes pode ser organizada dentro de uma escola por meio da publicação em sites educacionais dos projetos pedagógicos desenvolvidos ou sob outras formas de armazenamento e distribuição da informação produzida pelos docentes. No caso de um
município ou Estado, as entidades ligadas aos professores podem desenvolver formas para mobilizar os docentes para que produzam o conhecimento em redes.
Nesse processo, pode ocorrer a resistência para o uso de novas tecnologias que impliquem uma mudança no processo de trabalho. Segundo Ramal (2002), baseada na hipótese de Wild (1996), a resistência pode estar associada à insegurança; ao medo de danificar equipamentos de custo elevado; à dualidade entre as condições da escola e dos alunos e as condições socioeconômicas do professor; ao preconceito contra o uso do computador por associá-lo à sociedade de consumo e ao caráter excludente da globalização; ao potencial das tecnologias como geradoras de subversão das estruturas escolares rígidas e estáveis; ao receio da multidisciplinaridade, que, literalmente, invade a sala de aula e a acomodação pessoal e profissional.
A estratégia viável para vencer a resistência é apresentar ao professor formas de utilização do computador e da internet que potencializam o processo de ensino-aprendizagem. Somente o discurso que valoriza o computador como recurso didático-pedagógico, como algo que representa o moderno, não é suficiente para que o professor se aproprie dessa nova tecnologia.
Por fim, a metodologia que deve estruturar a formação e a atuação do professor é a de desenvolvimento de projetos. Professores devem optar pela forma que se dará a formação, procurando criar situações-problema para o processo de aprendizagem. Segundo Hernandes e Ventura (1998, p. 123),
A função do projeto é favorecer a criação de estratégias de organização dos conhecimentos escolares em relação ao tratamento da informação e à relação entre os diferentes conteúdos em torno de problemas ou hipóteses que facilitem aos alunos a construção de seus conhecimentos, a transformação da informação procedente dos diferentes saberes disciplinares em conhecimento próprio.
Segundo Ramal (2002), o ensino por projetos parte da idéia de que os conhecimentos podem ser organizados para a compreensão de uma forma rígida, em função de referências
disciplinares predefinidas. A idéia é permitir que o conhecimento seja buscado e construído pelos alunos, valendo-se de pesquisas pessoais e coletivas. Nesse momento, os próprios alunos dos professores que estão em formação poderão assumir o lugar de orientador da aprendizagem dos docentes. Essa inversão de papéis é um exemplo do que as Tecnologias Digitais podem proporcionar no ambiente escolar. Ramal (2002) afirma que, quando o professor não tem domínio perfeito do computador e não tem medo de ver sua autoridade desestabilizada, ele consegue, junto com os alunos, aprender coisas novas. Segundo ela, o professor tem a possibilidade de fazer coisas que não sabe e vai aprendendo com os alunos, sendo, na realidade, um parceiro deles.