Este capítulo identifica a Metodologia de Autoavaliação Institucional desenvolvida para gestão pedagógica de cursos de graduação a distância. Trata-se do objeto de estudo dessa pesquisa.
O capítulo investiga, na literatura e em fontes empíricas (memórias, registros e documentos que foram elaborados para e pela MAAI), respostas para as seguintes questões: Quais os fundamentos que definem a MAAI? Quais foram os processos de sua construção? Como se deu a sua evolução? Quais são os atores que contribuem com ela? Quais são as etapas? Como são trabalhados, disseminados e destinados os resultados da MAAI?
3.1 A MAAI: DEFINIÇÕES E PROCESSOS DE CONSTRUÇÃO
A experiência de uso da Metodologia da Autoavaliação Institucional – MAAI como instrumento da Gestão Pedagógica de Cursos a Distância vivida entre os anos de 2003 a 2011, no Campus da UnisulVirtual, permitiu constatar, com suas sucessivas aplicações, contribuições que justificam seu uso como instrumento para aperfeiçoamento contínuo e inovação. Em paralelo, também foi constatado que, ao contribuir, a MAAI também recebe contribuições, o que determina, da mesma maneira, sua evolução e aperfeiçoamento.
Contudo deve ficar presente que essa experiência de uso da MAAI na Gestão Pedagógica de Cursos a Distância é particular. Abrange um contexto em específico (Campus UnisulVirtual) e uma metodologia de gestão pedagógica particular. Entretanto ao descrever trechos da história, ao compartilhar estratégias e ações, ao refletir sobre o caminho percorrido e os resultados obtidos, as reflexões e descrições apresentadas na presente pesquisa visam contribuir para o avanço nos estudos sobre Autoavaliação institucional para a gestão pedagógica de cursos de graduação a distância (educação on-line).
3.1.1 Definições da MAAI
Em essência a Metodologia de Autoavaliação Institucional – MAAI é um instrumento
de gestão pedagógica. Sua ação junto aos agentes (coordenadores, docentes, discentes, técnicos) do projeto em EAD deve ser voltada a promover a melhoria contínua do serviço educacional.
O primeiro objetivo da MAAI é, assim, estimular a gestão pedagógica para o aperfeiçoamento contínuo e inovação em prol da busca da excelência no serviço educacional oferecido. O segundo é o de responder a processos de prestação de contas sobre resultados atingidos, para legitimar e credenciar o projeto em EAD perante parceiros corporativos e/ou instituições reguladoras.
Como conceito de autoavaliação institucional, com foco no limite do projeto em EAD, a MAAI assume e adapta o conceito emitido em 2004 pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – SINAES do MEC / INEP (BRASIL, 2004, p. 11). Desse modo, define a MAAI como um processo contínuo, por meio do qual a instituição constrói conhecimento sobre sua própria realidade, buscando compreender os significados do conjunto de suas atividades para melhorar a qualidade educativa e alcançar maior relevância social. Para tanto, sistematiza informações, analisa coletivamente os significados de suas realizações, descobre formas de organização, administração e ação, identifica pontos fracos, bem como, pontos fortes e potencialidades, e estabelece estratégias de superação de problemas.
A natureza do posicionamento teórico-metodológico admitido pela MAAI é concebida com um caráter eclético. Quer dizer: assume um entremeio20 entre o posicionamento racionalista, ao fazer uso do método quantitativo, quando considera informações estatísticas –
movimentação, média de notas dos estudantes; e, um posicionamento empirista, quando realiza métodos qualitativos, os quais são baseados na experiência e apreendidos pelos sentidos – pesquisas de autoavaliação institucional junto aos estudantes, inferências com
cruzamentos de achados e intervenção dialógica junto aos gestores e líderes dos processos. A MAAI pode ser definida como um processo cíclico, criativo e renovador de análise, interpretação, síntese e intervenção nas dimensões que definem a gestão e o projeto em educação on-line.
3.1.2 Processos de construção da MAAI
O primeiro esboço da MAAI é oriundo do ano de 1996. Surgiu em resposta a denuncia apresentada no artigo de Nunes (1994) que revelava problemas e falta de critérios para a avaliação dos programas e projetos em EAD no Brasil. Parecia lógico para a pesquisadora na época, cuja experiência anterior vinha das organizações classe mundial (SEARS, SIEMENS) e das fundações de tecnologias inovadoras (CERTI, FUNCITEC), conceber também para a educação um sistema de avaliação processual. As ideias iniciais foram sistematizadas em 1997 em um artigo denominado Avaliação do Ensino a Distância – Utilizando a Visão de Processo e do TQC (Controle da Qualidade Total) escrito em parceria com o prof. Dr. Álvaro
Guillermo Rojas Lezana21. Cabe ressaltar que essa iniciativa por anteceder qualquer outra
realizada pelo MEC, pode ser dita como pioneira.
Esse artigo apresenta muitos dos conceitos e princípios que influenciaram a estruturação da MAAI. Em destaque apresenta a importância da etapa de avaliação para o desenvolvimento de projetos em EAD. Afirma que ela é a principal propulsora de interação para a construção da rede entre os atores de um sistema em EAD, onde os atores são: os estudantes, professores, tutores, coordenador de curso e especialistas terceiros envolvidos no sistema. Refere que a qualidade é produzida, quando os processos em funcionamento estão aptos a satisfazer, continuamente, as necessidades de seus usuários, traduzidas em termos de especificações das características de qualidade que esses requerem sobre o serviço educacional. O artigo, ao assumir a visão sistêmica e de gestão de processos, afirma a etapa de avaliação como sendo fundamental para a qualidade dos projetos em EAD:
Se o produto da educação a distância é a modificação de comportamento, torna-se fundamental avaliar a recepção/ensino-aprendizagem para verificar se os objetivos foram atingidos, isto é, validar o produto (conhecendo o seu valor) e evoluir, dando continuidade a novos projetos ou elaborando outros. (BITTENCOURT; LEZANA, 1997. p.2).
O pressuposto é que a avaliação informa sobre o pleno atendimento e satisfação das necessidades dos usuários; é a avaliação que nutre e forma, com o “elo do tempo”, as diretrizes para a construção do conhecimento, da memória. Como consequência, é ela que pode “efetivar” a continuidade dos projetos em EAD. Desse modo, outro argumento chave apresentado nesse artigo foi que a etapa da avaliação tem grande valor por servir como um
21 O tema do artigo considerado inovador para a época, após ser encaminhado pelo Professor Dr. Álvaro Guillermo Rojas Lezana foi apresentado e publicado nos Anais da IV Conferência de Ciências da Educação, em Camagüey, Cuba. 1997.
instrumento de “legitimação e oxigenação” da metodologia e da gestão pedagógica de projetos em EAD.
As ideias escritas no artigo foram colocadas em prática pela primeira vez no ano seguinte. Em 1998 durante uma experiência pioneira no Brasil, o Curso “Lato Sensu” via Internet pelo LED UFSC - Curso de Especialização para Gestores de Instituições de Ensino Técnico UFSC/SENAI22, foi dado um importante passo para a construção da MAAI. Sua experiência fica registrada de modo secundário na dissertação da pesquisadora, uma vez que o foco era propor um modelo para construção de cursos on-line (figura no capítulo 2).
A prática realizada no 1º curso de pós-graduação “lato sensu” a distância, posteriormente ao artigo descrito, o qual propõe um modelo de construção de projetos em EAD (Figura 5), surgiu como uma continuidade e ampliação das propostas iniciais. Dentro da visão de processo, esse modelo foi proposto com base em quatro etapas de desenvolvimento: planejamento, design, produção e serviços educacionais, indicando-se como fechamento da última etapa a realização de uma avaliação para obter determinadas informações e retroalimentar e aperfeiçoar o processo a cada novo ciclo de oferta do projeto em EAD.
A figura 5, a seguir, apresenta o lugar da metodologia da avaliação institucional – MAAI no modelo de construção de projetos em EAD. O processo de avaliação proposto, ao retroalimentar todas as etapas anteriores, revela a sua importância formativa para todo o sistema.
22A experiência de desenvolvimento do curso pela equipe do LED UFSC foi relatada na dissertação de
mestrado desta pesquisadora, defendida em junho de 1999. Denominada de “A construção de um modelo de Curso “Lato Sensu” via Internet - a experiência com o Curso de Especialização para
Gestores de Instituições de Ensino Técnico UFSC/SENAI. Disponível em:
PLANEJAMENTO