A distribuição individual diária em dose unitária (DIDDU) representada na Figura 2.1 caracteriza-se pela distribuição de medicamentos, para um período de 24h, destacando-se dos outros sistemas de distribuição por garantir uma maior segurança e eficiência no circuito do medicamento, racionalizar melhor a terapêutica, permitir o acompanhamento farmacoterapêutico do doente e a diminuição dos erros associados (2,6,11,12).
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Prescrição médica, em suporte eletrónico ou em papel
Validação das prescrições pelo farmacêutico
Validação pelo farmacêutico Envio da medicação para
os SC Avaliação do doente pelo médico Administração dos medicamentos Distribuição individualizada dos medicamentos pelas gavetas
Figura 2.1: Processo de DDIDU.
No CHCB este tipo de distribuição é aplicado aos seguintes serviços: cirurgia 1, cirurgia 2, psiquiatria, UCI, UAVC, medicina 1, medicina 2, pneumologia, especialidades cirúrgicas (cirurgia estética reconstrutiva, oftalmologia, estomatologia, urologia e reumatologia), pediatria, UCAD, gastrenterologia, especialidades médicas (cardiologia e neurologia), ortopedia, ginecologia e obstetrícia. Contudo, não são distribuídos por DIDDU os injetáveis de grande volume, material de penso e os medicamentos sujeitos a controlo especial, como os hemoderivados e os MEP (12).
Este circuito de distribuição é iniciado por uma prescrição médica, na sua maioria em suporte informático, excetuando a UAVC e a UCI, em que as prescrições são transcritas, pois embora sejam feitas no sistema informático não transitam para o sistema de gestão integrada do circuito do medicamento. Desta forma, é necessário transcrever a prescrição, o que aumenta a possibilidade de erros. Para além disto, quando a prescrição se encontra informatizada aparecem alertas de informação, relativamente a: tempos de antibioterapia, interações, doses máximas, preenchimento de formulário e justificação de antibióticos e reações alérgicas, que ajudam o médico durante a prescrição, bem como o acesso direto ao Resumo das Características dos Medicamentos (RCM) e prontuário terapêutico (12).
Assim, após a receção da prescrição, o farmacêutico procede à validação da mesma, verificando se existem duplicações medicamentosas; dose, vias ou frequências incorretas; possíveis interações ou alergias; cumprimento do GFT do CHCB e se as justificações para a prescrição de antibióticos de uso restrito são válidas. Nesta etapa o farmacêutico pode necessitar de consultar o médico, ou mesmo de realizar alguma intervenção farmacêutica, ficando tudo registado numa base de dados para registo de Intervenções Farmacêuticas (12,13).
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De seguida, o farmacêutico envia o mapa de distribuição de cada um dos serviços para os sistemas semiautomáticos KARDEX e FDS (Fast Dispensing System), que visam diminuir os erros associados e, portanto a melhoria da qualidade do trabalho, bem como aumentar a rapidez de preparação (2,6,12). A etapa de preparação está a cargo de um TDT que, com o auxílio dos dois sistemas referidos e juntamente com o stock existente no armazém 12, procede à preparação da cassete de cada serviço. Esta preparação consiste na identificação de cada uma das gavetas com os elementos identificativos de cada doente (número da cama, nome, número do processo, data de nascimento) e distribuição dos medicamentos pelos quatro compartimentos da gaveta (manhã, tarde, noite, SOS). Os medicamentos que, pelo seu tamanho não se adequam a estas gavetas, são colocados numa caixa correspondente ao serviço onde se incluem, devidamente identificados por doente. Quando se trata de um medicamento que está em rutura de stock ou se encontra no frio, coloca-se uma etiqueta no interior da gaveta para fazer essa mesma sinalização. De realçar que, quando existem nomes semelhantes em gavetas próximas, coloca-se uma sinalética de “nomes idênticos”, com o intuito de minimizar a troca de medicação aquando da administração e, em situações de administração parcial de uma ampola, uma etiqueta com “dose parcial”(12).
Posteriormente, segue-se a conferência e validação das cassetes por um farmacêutico. Entre o período da validação e a entrega da cassete no respetivo serviço, podem existir alterações à terapêutica, altas ou casos de internamento de novos doentes, pelo que os farmacêuticos afetos à sala de validação têm a função de atualizar as cassetes mediante o estado das prescrições (12).
A entrega das cassetes nos serviços clínicos (SC) é realizada por um AO, estando o horário previamente definido para cada um dos serviços. Contudo, pode haver necessidade de algum medicamento fora dos períodos estabelecidos, pelo que existem os “pedidos urgentes”, que asseguram a terapêutica até ao próximo envio da medicação. Estes são dispensados pelo farmacêutico, de forma individualizada para cada doente e levados pelo AO ao serviço em questão, existindo uma calendarização prévia das horas de entrega dos mesmos (12).
Os medicamentos que não sejam administrados são devolvidos aos SF para que sejam revertidos. Este processo é feito por um TDT, que regista a revertência a nível informático por doente e por dia (12).
Relativamente aos indicadores de qualidade deste setor, consideram-se os seguintes: monitorização do cumprimento do horário de entrega; monitorização do número de regularizações efetuadas; monitorização dos erros de medicação distribuída em dose unitária e monitorização do número de não conformidades no armazenamento (anexo 2.2).
Durante o período de estágio, no âmbito da distribuição em dose unitária, tive a possibilidade de acompanhar a validação da prescrição, bem como a conferência da medicação preparada
37 nas cassetes pelos TDT, participando nesta última ativamente, com a devida supervisão. Registei as conformidades e as não conformidades aquando da conferência da medicação e efetuei três notificações quando encontrei erros nesta etapa. Depois, mediante a necessidade de alteração da terapêutica, atualizava as cassetes, sendo posteriormente verificadas pelos farmacêuticos. Para além disto, durante o dia ia analisando se existiam pedidos urgentes e satisfazia os mesmos. Também colaborei nos cálculos relativos à quantidade de ampolas a enviar para 24h de perfusão.