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CHAPTER 3. OBJECTIVES AND WORK METHODOLOGY

3.1. General objective

3.1.2. Work methodology

O surto colonialista do século XIX no Maghreb apresenta a particularidade de ser uma continuação das cruzadas anteriores (ver figura 5.2).

Havia quatro séculos que o governo marroquino se opunha aos espanhóis instalados em Ceuta e Melilla. Sempre proibiu à população o menor contato com eles. Foi para romper esse bloqueio que a Espanha desencadeou a guerra de 1859 -1860, tão desastrosa para o Marrocos. Com efeito, este foi obrigado a pagar forte indenização, a concordar com a ampliação do entorno de Melilla, a ceder na costa atlântica um porto que serviria de abrigo aos pescadores das Canárias6. Com a aquisição da baía de Rio de Ouro, cuja ocupação foi notificada

em 26 de dezembro de 1884 às potências signatárias do Ato de Berlim sobre a partilha da África em zonas de influência, a Espanha possui no final do século três pontos de apoio no litoral do norte da África.

Em 1880 e 1881, quando se reúne em duas sessões a conferência de Madri sobre a proteção individual ao Marrocos, o Makhzen fez uma última tentativa para impor no plano internacional a sua independência e soberania sobre um território claramente delimitado. Apesar do apoio da Inglaterra, a tentativa malogrou, em face da coalizão interessada da França, da Espanha e da Itália. A França, que por um momento acreditou ter perdido tudo no Marrocos, colocou imediatamente após o final daquela conferência o problema de Tuat. Com efeito, falava -se em Paris, por essa época, do projeto de uma estrada de ferro trans saariana, que abriria ao comércio francês o centro da África. Mas o projeto encontrou um grave obstáculo: os oásis do Saara central dependiam politicamente do Marrocos. A França tentou conquistar

6 O acordo foi feito após anos de discussão sobre o porto de Sidi Ifni, que entretanto somente será ocupado em 1934.

Áfr ic a sob do mina çã o colo nial, 1880-1935

a simpatia do sultão. Este, fortalecido com o apoio inglês, rejeitou o pedido dos franceses, enquanto reforçava a sua presença administrativa e política no Tuat.

A leste do Maghreb, os tunisianos vinham combatendo há séculos os ita- lianos como os marroquinos combatiam os espanhóis. A Itália unificada tinha evidentes intenções sobre a regência de Túnis: mandava para lá imigrantes, investia capitais e difundia a sua cultura. Mas o verdadeiro perigo que rondava a Tunísia vinha da França, instalada na Argélia havia já meio século.

O sultão de Constantinopla tinha aproveitado as suas desventuras na Argélia para colocar a Tripolitânia e a Cirenaica sob a sua administração direta e para reconquistar a influência política na Tunísia7. Não há a menor dúvida de que

havia um importante sentimento pró -otomano entre a elite da regência de Túnis. O bei, que via nisso um perigo para suas prerrogativas, julgou do seu interesse apoiar -se alternadamente na Itália e na França. Essa linha de conduta, mais ou menos voluntária, foi -lhe fatal. Logo que o governo francês encontrou uma situação diplomática favorável para atacar o país, o bei se viu isolado tanto no plano interno como no externo e foi coagido a subscrever, a 12 de maio de 1881, um tratado que o punha sob o protetorado da França. Entretanto, as popula- ções do Sahel e da capital religiosa, Kairuan, revoltaram -se imediatamente, na esperança de pronta intervenção otomana. Foi então organizada uma segunda expedição francesa, que encontraria forte oposição nas regiões montanhosas do noroeste, do centro e do sul. Sfax e Gabes foram bombardeadas por unidades da Marinha; Kairuan sustentou demorado cerco no outono de 1881; os territórios do sul, próximos da Tripolitânia, conservaram -se por muito tempo como zona de insegurança.

A Itália mantinha suas pretensões sobre o país, mas os tunisianos não esta- vam em condições de jogar essa cartada. Em compensação, permaneceram fiéis à soberania islâmica, pois os laços com Constantinopla nunca foram totalmente rompidos, o que constituiria um dos fundamentos do precoce nacionalismo tunisiano.

Não cabe falar aqui da intensa atividade diplomática que permitiu aos dife- rentes Estados europeus determinar suas respectivas esferas de influência. Esse período preparatório chegou ao fim com o acordo geral de abril de 1904 entre a França e a Inglaterra. Até essa data, cada potência interessada no Maghreb contentava -se com a apresentação de suas reivindicações e, quando a ocasião se oferecia, tomava cauções territoriais.

Foi assim que o Marrocos sofreu, no final do reinado de Hasan I, a derrota na guerra de 1893, que permitiu à Espanha consolidar suas conquistas de 1860 nas vizinhanças de Melilla. Sete anos depois, no final da regência do vizir Ba Ahmad, a França julgou ser o momento favorável para acertar definitivamente em seu benefício o problema de Tuat. A pretexto de uma exploração científica, forte expedição aproximou -se pouco a pouco dos cobiçados oásis e, em dezem- bro de 1899, ela aparece diante de In Salah, exigindo a rendição imediata. O alcaide do lugar, nomeado pelo sultão do Marrocos, cercado de soldados do Makhzen e ajudado pelos xerifes locais, opôs tenaz resistência. Após sangrentas batalhas, como a de In Ghar, a 27 de dezembro de 1899, em que o desfecho não deixava margem a dúvidas dada a desproporção das forças em conflito, toda a região dos oásis foi conquistada, travando -se o último combate em Talmine, no mês de março de 1901. A Inglaterra e a Alemanha, alertadas pelo jovem sultão Abd al -Aziz, aconselharam -no a aceitar o fato como consumado, o que ele fez assinando, coagido, o protocolo de 20 de abril de 1902. Não obstante, ele pro- curou, em troca dessa grande concessão, determinar a linha de demarcação a sul e a leste, entre o Marrocos, de um lado, e as possessões francesas, do outro; mas sem resultado, pois à França convinha a imprecisão, que lhe abria a perspectiva de outras conquistas.

A perda de Tuat foi uma das principais razões da desagregação da autoridade do sultão, que foi aumentando até 1911. Os membros do Makhzen sabiam que a França visava cercar o Marrocos para isolá -lo e submetê -lo; também sabiam que a Inglaterra não se opunha mais aos desígnios da França. As reformas internas que o Makhzen havia introduzido, para reforçar o exército e a administração, não tinham surtido os resultados desejados. Já não contava senão com a ajuda diplomática da Alemanha, que efetivamente sustentou a independência marro- quina até novembro de 1911, data em que assinou com a França um acordo pelo qual deixava os franceses de mãos livres no Marrocos, em troca de compensações na África equatorial.

De 1905 em diante, a França decidiu precipitar as coisas e ocupar o que se chamava o bilad al -siba8. Tratava -se de regiões desérticas, pobres e subpovoadas,

que o sultão, por esse motivo, fazia administrar pelos chefes locais, sem abandonar, contudo, o direito de soberania. Ele era regularmente informado das tramoias colonialistas e, quando a ameaça francesa se concretizou, enviou um represen-

8 A ideologia colonialista apresentava os bilad al -siba como territórios autônomos, onde a soberania do sultão era puramente nominal, não passando de uma influência religiosa.

tante oficialmente encarregado de dirigir a resistência. Foi o que se passou na região de Kenadza e em Shinkit.

Tendo -se recusado sempre a delimitar a fronteira com o Marrocos além de Figuig, a França perseguia uma política de abocanhar lentamente os territórios. Remontando o vale do Saura, suas forças ocuparam pouco a pouco o território entre os cursos de água Gir e Zusfana, a pretexto de pôr fim à desordem e à insegurança e de permitir a expansão do comércio fronteiriço. O governo francês propôs aliás ao Makhzen dividir com ele a renda da alfândega e obteve satisfação disso em março de 1910.

Mais ao sul, a França tinha imposto o seu protetorado aos emires de Trarza e Brakna. Depois, em 1905, um especialista em assuntos muçulmanos, Xavier Coppolani, veio de Argel para inaugurar a sua política de “penetração pacífica”, que consistia em entrar em contato direto com os chefes de “tribo” e de confraria religiosa a fim de conquistá -los para a influência francesa. Encontrou pela frente um adversário à altura, o xeque Ma al -Aynayn, que por mais de trinta anos figu- rou como representante do sultão do Marrocos. Alertado, Mulay Abd al -Aziz enviou para lá seu tio Mulay Idris, que deu nova vida às forças de resistência. Entretanto, o acampamento de Coppolani, instalado em Tidjikdja, é atacado em abril de 1905, morrendo ali o apóstolo da penetração pacífica. A França, aproveitando a crise interna que sacode o Marrocos, exige a retirada de Mulay Idris e a obtém em janeiro de 1907, mas nem por isso cessa a resistência. Uma forte expedição comandada pelo coronel Gouraud dirige -se para o norte, mas sofre grave revés em al -Muynam, a 16 de junho de 1908; no entanto, consegue apoderar -se de Atar a 9 de janeiro de 1909. O xeque Ma al -Aynayn retira -se com seus adeptos para al -Hamra, de onde as suas forças continuaram a perseguir franceses e espanhóis até 1933.

Na mesma época, a Espanha avança à sombra da França. Quando os fran- ceses ocuparam Shinkit, os espanhóis partiram da sua colônia de Rio de Ouro, organizando em 1906 as tropas de intervenção saarianas que penetraram trinta quilômetros terra adentro. Ao norte, os espanhóis esperam que os franceses entrem em Wadjda, em 1907, para montar uma expedição de 45 mil homens, a qual parte em setembro de 1909 à conquista do Rif. Mas a população local, reanimada pelo chamado do xeque Ameriyan à djihad, oferece tenaz resistência, que só se extinguiu em 1926.

Na outra extremidade do norte da África, a Tripolitânia otomana sofreu um ataque da Itália em 1911 (ver figura 5.3). A revolução dos Jovens Turcos tinha enfraquecido muito o Estado otomano; a Itália, entrementes, recebera sinal livre da Inglaterra e da França e, em 28 de setembro de 1911, apresenta um ultimato

a Constantinopla, levantando a questão da incúria otomana e da anarquia que reina no país; depois, sem prestar atenção à resposta conciliadora do governo turco, desembarca tropas no mês de outubro em Trípoli, Benghazi, Homs e Tobruk. As cidades são facilmente tomadas. Mas, logo que os italianos saem delas, enfrentam encarniçada resistência. Várias batalhas foram travadas nas imediações das cidades, sobretudo no dia 23 de outubro de 1911, em al -Hani, perto de Trípoli. Os italianos sofreram lá uma derrota humilhante, que os levou a cometer atrocidades contra a população de Trípoli9. Diante de Benghazi,

viram -se em dificuldades em Djuliana, al -Kuwayfiya e al -Hawwari, no dia 28 de novembro de 1911. Batidos, tiveram de recuar para a cidade. Em al -Khums, para garantir o controle da posição estratégica de al -Markib, as forças italianas e turco -árabes combateram cruentamente desde 23 de outubro de 1911 até 2 de maio de 1912, data em que os italianos conseguiram expulsar os defensores10.

Em Derna, a pequena guarnição turca retirou -se para as montanhas que dominam a cidade, de onde passou a fustigar os italianos com a ajuda da popula- ção autóctone. A resistência de Derna viria a ser reforçada com a chegada de um grupo de oficiais turcos, comandado por Anwar Paxá (Enver) e Mustafa Kamal (o futuro Kamal Ataturk). Com a ajuda de Ahmad al -Sharif, chefe espiritual dos Sanusiyya (ver figura 5.4), Anwar e suas tropas conseguiram mobilizar os árabes do interior e reunir um exército considerável.

Anwar lançou este exército por duas vezes contra os italianos, em al -Karkaf e em Sidi Abdallah, nos dias 8 de outubro de 1912 e 3 de março de 191211. Em

Tobruk, árabes e italianos se enfrentaram por duas vezes, a 3 de março de 1912, em al -Nadura, e a 17 de julho do mesmo ano, em al -Mudawwar, onde o general Salsa, comandante das tropas italianas, encontrou a morte12. É difícil enumerar

em resumo tão sucinto todas as batalhas disputadas na Líbia contra os italianos; basta indicar que houve confrontos em todas as cidades e aglomerações, nas periferias urbanas e em todos os vales. Essa brava resistência explica o fato de os italianos pouco terem progredido fora das cinco cidades que tomaram nos seis primeiros meses da guerra.

Desde o final de 1911, verificava -se entre numerosos italianos uma certa decepção com o prolongamento da guerra na Líbia. Para obrigar a Turquia a

9 MALTESE, 1968, p. 210 -24.

10 AL -TILLISI, 1973, p. 463 -7. As passagens deste capítulo relativas à atual Jamahiriya Árabe -Líbia Popu- lar e Socialista estão inspiradas nos trabalhos de I. El -Hareir e Jan Vansina (N. do coord. do vol.). 11 Ibid., p. 27.

109 e resistência afr ic anas no nor te da Áfr ic a e no Saar a

figura 5.4 Sayyid Ahmad al -Sharif al -Sanusi, chefe espiritual dos Sanusiyya. (Fonte: Biblioteca Central da Universidade de Kar Yunis, Benghazi – Jamahiriya Árabe -Líbia Popular e Socialista.)

sair da Líbia, o governo italiano atacou os Estreitos, as ilhas do Dodecaneso e os Dardanelos. A nova ofensiva italiana dentro do coração do Império Turco acar- retava uma ameaça para a paz mundial e o despertar da “questão do Oriente”, coisa que nenhuma potência desejava em razão das complicações previsíveis. As principais potências europeias fizeram então pressão sobre a Turquia e a Itália para que ambas chegassem a uma solução pacífica, incitando – para não dizer forçando – a Turquia a assinar com a Itália o acordo de Lausanne, de 18 de outubro de 1912. Nos termos desse tratado, a Turquia declarava conceder a independência ao povo líbio, o que lhe permitia salvar a face aos olhos do mundo islâmico, e a Itália se comprometia por sua vez a desocupar as águas territoriais turcas13.

As reações dos líbios à notícia do tratado, sobre o qual não tinham sido con- sultados, foram brandas. Houve quem quisesse negociar com a Itália, enquanto outros queriam combater até o fim. A população da Cirenaica, arrastada por seu chefe espiritual Ahmad al -Sharif, pendia mais para a negociação.

Aproveitando a evacuação da Líbia pelos turcos, os italianos lançaram um ataque contra as forças de Ahmad al -Sharif ao sul de Derna, mas sofreram uma derrota estrondosa em Yawn al -Djuma no dia 16 de maio de 191314. Esta data

é importante, pois foi o primeiro embate de envergadura entre os árabes e os italianos após a remoção das tropas turcas. Apoiado no decreto do sultão turco que deferia a independência aos líbios, Ahmad al -Sharif proclamou a forma- ção de um governo denominado “Al -Hukuma al -Sanusiyya”, ou seja, governo Sanusi15.

Na Tripolitânia, os italianos lançaram uma ofensiva análoga contra as prin- cipais forças das montanhas orientais e bateram os líbios em Djanduba a 23 de março de 1913, abrindo desse modo o acesso a Fezzan. Um corpo expedicioná- rio italiano, comandado pelo coronel Miani, conseguiu bater os líbios em três ocasiões sucessivas e ocupar Sabha em fevereiro de 193616.

Até as vésperas da Primeira Guerra Mundial, a resistência no norte da África17 é obra de um Estado organizado. Fazendo frente às forças invasoras,

levantam -se contingentes de soldados regulares, ainda que em número inferior

13 AL -ZAWI, 1973, p. 140 -56. 14 AL -TILLISI, 1973, p. 321 -2.

15 Documentos de Ahmad al -Sharif, da Universidade de Kar Yunis, Benghazi, Jamahiriya Árabe -Líbia Popular e Socialista.

16 AL -TILLISI, 1973, p. 46 -7.

ao dos combatentes das tribos. Quando o Estado se vê obrigado a curvar -se ante o “fato consumado”, em vista da desigualdade das forças, delega implici- tamente a obrigação da resistência a um chefe de confraria, que jamais rompe relações com o chefe político da comunidade muçulmana18. Nesta primeira fase,

portanto, trata -se de uma guerra política travada explicitamente em nome da soberania islâmica.

Em 1914, a resistência organizada por uma autoridade política autóctone cen- tralizada chegara ao fim, salvo na Líbia; mas a situação originada pela Primeira Guerra Mundial impediu as potências coloniais de passar à fase de ocupação efetiva. Franceses, espanhóis e italianos queriam apenas manter as conquistas. Não obstante, sofreram graves reveses, o que levou o general Lyautey, residente da França no Marrocos, a afirmar: “quem não avançar, recua”. Alemães e turcos apelavam aos habitantes do Maghreb para que sacudissem o jugo colonial; líde- res pan -islamistas, como o tunisiano Bach Hamba e o marroquino al-Attabi, foram recebidos em Berlim e participaram de viagens de propaganda aos países neutros; emissários foram enviados ao Rif e à região do Uadi Nun; pelo porto de Misurata, armas foram encaminhadas aos resistentes tripolitanos. Não há dúvida alguma de que parte da população achava que os colonizadores podiam ser lançados ao mar. A fragilidade da ocupação nos territórios conquistados logo antes da guerra está demonstrada pelo extremo nervosismo dos procônsules da época e pelo “liberalismo” que se viram obrigados a ostentar. Lyautey chegou a se comportar como um simples ministro das Relações Exteriores do sultão do Marrocos.

Este período de expectativa terminou em 1921. Na Tripolitânia, o novo cônsul, Volpi, arrastado pela vaga nacionalista que levaria Mussolini à marcha sobre Roma, pôs fim a uma política pretensamente liberal, denunciando todos os acordos anteriores, concluídos durante e depois da Primeira Guerra Mundial. A esta iniciativa seguiram -se várias incursões com vistas a uma “reconquista”. Um exército importante, comandado pelo general Graziani, marchou sobre Gharyan, capital da Tripolitânia, que caiu a 7 de novembro de 1922. Outro exército ata- cou Misurata, que foi tomada em 20 de fevereiro de 192319. O Comitê Central

da República Unida, criado em janeiro de 192220, dilacerado pelas dissensões

18 Note -se que a situação dos dois sultões, marroquino e otomano, só é comparável até 1919, data em que o sultão de Constantinopla renuncia à soberania sobre vários territórios árabes. Aliás, o califado otomano foi abolido em 1925.

19 AL -TILLISI, 1973, p. 63 -76; ver igualmente GRAZIANI, p. 98 -104, 161 -71 e 339 -67. 20 Ver o capítulo 12.

internas e pela guerra civil entre Misurata e Warfallah, de um lado, e os árabes e berberes das montanhas ocidentais, de outro, não chegou a mobilizar forças suficientes para deter os italianos. Acabou por se dissolver e seus membros fugiram do país para o Egito, o Sudão e a Tunísia.

Para agravar mais a situação, em 21 de dezembro de 1922 Amir Idris al -Sanusi, chefe espiritual e comandante supremo da União, partiu para um exílio voluntário no Egito. Esta brusca e inexplicável decisão, que ainda hoje divide os historiadores, desmoralizou completamente a população e levou mui- tos combatentes a abandonar o país ou a se entregar aos italianos. Antes da partida, contudo, al -Sanusi havia designado seu irmão al -Rida para representá -lo e confiado a Umar al -Mukhtar o comando das forças nacionais das Montanhas Verdes. Foi sob a direção deste e graças à eficácia da sua guerrilha que a resis- tência pôde prosseguir até 1931. Umar al -Mukhtar, tendo dividido suas forças em três colunas móveis (adwar), instalou -se na região montanhosa ao sul de al -Mardj, em Jardas. Todos os ataques lançados contra ele no verão de 1923 foram repelidos, e o exército enviado contra o seu acampamento, no mês de março, acabou destroçado.

A Tripolitânia foi a primeira a cair. Desde junho de 1924, todas as terras de cultura estavam ocupadas. Mas os italianos, cônscios de que a posição deles continuaria precária enquanto não dominassem o deserto, lançaram -se a uma longa campanha, decididos a obter o controle do deserto e, afinal, de Fezzan. A campanha não teve sucesso, apesar do emprego de aviões bombardeiros e de gases venenosos. Vários ataques italianos foram detidos. Em 1928, os líbios ainda bloqueavam o grosso das forças italianas em Faqhrift, ao sul de Surt. Mas, entre o fim de 1929 e começos de 1930, Fezzan foi finalmente ocupada e a resistência líbia entrou em colapso a oeste e no sul.

Entrementes, a resistência continuava ativa na Cirenaica, infligindo sérios reveses aos italianos. Quando os fascistas se mostraram incapazes de pôr termo à ação revolucionária de Umar al -Mukhtar (ver figura 5.5) na Cirenaica, com ofensivas militares diretas, recorreram a certas medidas sem precedentes na história das guerras coloniais africanas. Começaram por construir uma cerca de arame com 300 quilômetros de comprimento ao longo da fronteira entre Trípoli e o Egito, para impedir qualquer ajuda proveniente do território egíp- cio. Em seguida, recebendo cada vez mais reforços, ocuparam os oásis de Djalo, Djaghabub e Kufra, a fim de cercar e isolar os combatentes da Cirenaica. Por fim, evacuaram todas as populações rurais da Cirenaica e as deportaram para o deserto de Sirt, onde foram encerradas em campos de concentração. Esta última medida visava privar as forças de al -Mukhtar de toda ajuda da população local.