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CHAPTER 1. GENERAL INTRODUCTION

1.3. Radionuclides studied

A derrota militar da revolução urabista quebrou o moral do país, criando uma atmosfera de desespero e desilusão, durante o primeiro decênio da ocupação (1882 -1892). Não houve resistência real dentro do próprio país, e as únicas vozes nacionalistas que se ergueram durante esse período foram as de personalidades no exílio. Djamal al -Din al -Afghani e Muhammad Abduh começaram em 1883 a publicar uma revista pan -islâmica, Al -Urwa al -Wuthqa (“O Elo Indissolúvel”), cujo objetivo era libertar o Egito da ocupação inglesa agitando a opinião pública egípcia. A revista foi proibida no número 18, mas exerceu profunda influência no pequeno grupo de egípcios que sabiam ler – estudantes, ulama (sábios muçul- manos) e intelectuais. Al -Urwa encorajou a oposição aos britânicos e manteve vivo o espírito de autodeterminação8. Sua mensagem antibritânica foi retomada

na década de 1890 por um grupo de escritores pan -islamistas, dos quais o mais importante era o xeque Ali Yusuf, que publicou em 1900 um jornal, Al -Mu ‘ayyad, e formou em 1907 a Hizb al -lslah al -Dusturi (Os Reformadores Constitucionais), organização que atacava vigorosamente a presença inglesa no Egito.

O movimento nacionalista egípcio começou a sair dessa fase de torpor em 1893, quando algumas personalidades egípcias começaram a se opor à ocupação britânica. Das primeiras entre elas, merece citação o novo e ambicioso quediva Abbas Hilmi (Abbas II, 1892 -1914), que encorajou o desenvolvimento de um movimento nacionalista exigindo a imediata evacuação do país pelos ingleses. A ajuda financeira à imprensa, que permitiu que o movimento se articulasse, foi de particular importância. Durante os três primeiros anos do seu reinado, o próprio Abbas se pôs à frente do movimento, desafiando abertamente a autoridade de lorde Cromer, agente britânico e cônsul -geral, e obrigou o primeiro-ministro pró -britânico a demitir -se em 15 de janeiro de 1893. Na impossibilidade de continuar agindo de forma tão aberta, devido à pressão dos britânicos, Abbas encontrou, no entanto, adeptos desejosos de conduzir a luta contra a ocupação do país. Tratava -se de um grupo de jovens intelectuais familiarizados com as ideias da Revolução Francesa e as teorias sociais e políticas modernas9. A velha

8 AL -SAYYID, 1968, p. 87 -90 . 9 Ibid., p. 99 -136.

sociedade egípcia, com seu código rígido e suas restrições religiosas, dissolvia -se gradativamente, processo que despertava considerável instabilidade. Os egípcios instruídos estavam particularmente preocupados com o controle britânico sobre a administração pública, único domínio aberto a eles onde podiam esperar algum progresso. Em 1905, 42% dos cargos mais elevados eram ocupados por ingleses, 30% por armênios e sírios e somente 28% por egípcios10.

Mas os adversários mais encarniçados da presença inglesa eram nessa época Mustapha Kamil, chefe carismático e orador eloquente, e seu Partido Naciona- lista. Kamil procurou de início conquistar a Europa para a causa da indepen- dência do Egito. Pensava que outros países europeus, que viam com maus olhos a ocupação de seu país pelos britânicos, apoiariam ativamente toda tentativa para expulsá -los do Egito. Graças aos fundos generosamente fornecidos pelo quediva, Kamil visitou diversas capitais europeias entre 1895 e 1898, mantendo reuniões, dando entrevistas aos jornais, escrevendo artigos e panfletos11. Tais ati-

vidades despertaram bastante interesse na Europa, mas nada mais. O otimismo de Kamil em esperar que a Europa e particularmente a França apoiassem a causa do Egito não se justificava. Possuindo, ela própria, colônias no norte da África, não admira que a França não se deixasse convencer pelos argumentos de Kamil a favor da autodeterminação do Egito. Tampouco estava interessada em travar guerra contra a Inglaterra pelo Egito, como o incidente de Fachoda o demonstrara em 1898.

A tarefa mais urgente dos jovens nacionalistas era refutar a afirmação de Cromer de que os egípcios eram incapazes de se governar de acordo com prin- cípios civilizados, assim como convencer o povo de que formava uma nação capaz e merecedora de autonomia. Kamil se entregou ativamente a essa tarefa desde 1898. Até 1906, difundiu suas opiniões em numerosos discursos e artigos nos jornais da época, especialmente al -Liwa (“A Bandeira”), que ele fundou em 1900. Destacava o passado do Egito para combater o derrotismo e mostrar que os egípcios eram capazes de grandes feitos. Cunhou lemas deste gênero: “Se eu não fosse egípcio, queria sê -lo” e “a vida não faz sentido quando ela se casa com o desespero e o desespero não faz sentido enquanto há vida”12. Seus discursos e

artigos visavam eliminar as rivalidades locais e reunir toda a população em uma frente nacionalista, assim como desenvolver a educação nacional para reforçar os sentimentos patrióticos. Os esforços políticos desenvolvidos por Kamil começa-

10 MILNER, lorde, 1921, p. 30. 11 P. M. HOLT, ed., 1968, p. 308 -19. 12 AL -SAYYID, 1968, p. 161.

ram a dar frutos quando lhe foi possível organizar uma greve de estudantes de Direito, em fevereiro de 1906.

A campanha do líder intensificou -se profundamente depois do incidente de Dinshaway, ocorrido em maio de 1906. Um grupo de oficiais ingleses foi à aldeia de Dinshaway para uma caçada aos pombos, mas os aldeãos se opuseram, já que os pombos eram um de seus meios de subsistência. Houve um choque e um dos oficiais foi ferido de morte. As autoridades britânicas reagiram com violência e os aldeãos foram condenados a severíssimas penas. Quatro foram enforcados e outros sentenciados a longos anos de cadeia. Embora as execuções públicas tivessem sido suprimidas dois anos antes, a sentença foi realizada em público e toda a aldeia de Dinshaway teve de assistir aos enforcamentos13. Na opinião

de Kamil, essa conduta bárbara fez mais para despertar os sentimentos antibri- tânicos do povo do que dez anos de ocupação14. E o incidente de Dinshaway

provocou a irrupção do nacionalismo egípcio: pela primeira vez desde 1882 os ingleses tomaram consciência da insegurança de sua posição no Egito e tiveram de reconsiderar a sua política de dominação. Na verdade, anunciaram a intenção de preparar o país para a autonomia. Cromer deixou o Egito em 1907 e novo cônsul -geral, Eldon Gorst, foi nomeado para implementar a nova política. A nova situação constituía uma grande vitória para Kamil e seu Partido Naciona- lista, que adquiriu existência legal em 1907.

Depois da morte prematura de Kamil, em fevereiro de 1908, Muhammad Farid tornou -se o chefe do Partido Nacionalista. Farid não tinha as qualidades de liderança de Kamil, mas continuou todavia a escrever e a participar de reuniões públicas, reclamando a evacuação das tropas britânicas. Suas atividades nacionalis- tas lhe valeram seis meses de prisão em 1911, após o que partiu para o exílio15.

Em 1907, certas personalidades intelectuais egípcias chegaram à conclusão de que o Reino Unido era poderoso demais para ser expulso do país por via revolucionária. Além disso, julgavam que havia indícios reais de mudança na política britânica após o incidente de Dinshaway. Em consequência, considera- vam possível a cooperação com o ocupante a fim de obter dele o máximo até o momento da independência total. Em outubro de 1907 esse grupo formou um novo partido político, chamado Partido Umma (“do Povo”), que tinha jornal próprio, al -Djarida. Dirigido por um jornalista e educador de renome, Ahmad Lutfi al -Sayyid, a quem os egípcios cultos se referiam como Faylasuf al -Djil (“o

13 AL -MASADA, 1974, p. 84 -91. 14 HAYKAL, s.d., p. 148. 15 SABRI, 1969, p. 81 -109.

filósofo da geração”), o grupo Djarida -Umma instava com os egípcios para que modernizassem a tradição islâmica, adotando as ideias e as instituições euro- peias, que julgava necessárias ao progresso do país16. O programa do Partido

Umma preconizava a criação de uma identidade nacional egípcia, sem a qual – imaginava – o Egito não poderia conseguir a verdadeira independência. Mas o Umma não era muito popular junto aos nacionalistas egípcios, pelo fato de cola- borar com o ocupante. Por outro lado, o seu liberalismo laico o impedia de lançar raízes nas massas populares, instintivamente ligadas à tradição islâmica17.

Antes da Primeira Guerra Mundial, o movimento nacionalista egípcio estava assim desunido e era essencialmente elitista, sem apoio popular. Era, portanto, muito fraco para obter concessões importantes das autoridades britânicas e pouco fez o país avançar no caminho da autonomia. Os nacionalistas tiveram de esperar por 1913 para que estourasse uma revolta aberta contra a ocupação britânica.

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