5. Discussion
5.7 Further work and conclusions
O quantitativo de manutenções foi obtido dos relatórios da COMAN. Inicialmente verificou-se a lógica de funcionamento do setor, no intuito de verificar se haviam informações suficientes ao cálculo dos custos e de que forma eram geradas.
Inicialmente verificou-se que as atividades de manutenção eram dividas em duas grandes equipes, a primeira da CBTU e a segunda de uma empresa terceirizada, responsável pelas manutenções preventivas nas locomotivas. Sabendo que havia uma divisão de responsabilidades levantou-se os “produtos” da manutenção, ou seja, quais os serviços efetuados pelo setor.
Em seguida, verificou-se de que forma era feito o controle dos serviços efetuados no setor, principalmente pelos profissionais terceirizados. Para esses últimos, o levantamento de informações mostrou que havia uma discordância entre as intervenções que realmente ocorriam e os serviços relacionados de maneira contratual junto à empresa terceirizada.
Enquanto o contrato de manutenção preventiva em locomotivas se baseia em periodicidade de manutenções, ou seja, têm como produtos revisões semanais, mensais, etc, a manutenção é feita e controlada por quilometragem. Isso significa que, se por acaso, alguma locomotiva não estiver operando em uma determinada semana, ela não passará por manutenção semanal.
As intervenções efetuadas nas locomotivas são informadas no INFOMAN, um sistema de informações próprio baseado em VBA (Visual Basic for Applications),elaborado por um engenheiro mecânico da CBTU, que reúne as informações relacionadas às Locomotivas e indica quais as próximas intervenções que deverão acontecer. No sistema também são relatadas informações básicas sobre as intervenções, como o material consumido.
Sobre o INFOMAN, é importante ressaltar que ele não opera para os VLT’s, apenas para as locomotivas, tornando o controle descentralizado, já que os VLT’s são controlados por um outro engenheiro, recém chegado à empresa.
Embora já tenha sido bastante melhorado, o INFOMAN não apresenta informações compatíveis à realidade. Ao coletar informações do sistema verificou-se que havia erros perceptíveis, como um número muito baixo de manutenções realizadas e materiais que apareciam repetidamente no relatório de consumo extraído do sistema.
Após alguns questionamentos junto aos técnicos e assistentes de manutenção ficou constatado que o sistema era passível de erro por causa de seu processo de alimentação, que
fichas de acompanhamento das manutenções. Nessas fichas deveriam ser indicados os tipos de serviço realizados, o tempo total da intervenção, profissionais envolvidos e materiais consumidos.
Embora as fichas sejam disponibilizadas não existe procedimento para seu recolhimento, nem local fixo para que os técnicos as disponibilizem caso o responsável do setor não esteja na sala de controle para recebê-las. Muitas vezes os técnicos preenchem as fichas na hora em que vão deixá-las com o responsável e não no período de manutenção, o que pode gerar erros de lançamento ou omissão de informações por esquecimento.
Após estas constatações, efetuadas sob acompanhamento do GIOPE, buscaram-se novas fontes de informação que não o INFOMAN. Verificou-se a existência de um relatório de atividades efetuada ao término de cada mês, onde são relatados todos os tipos de trabalho efetuados no setor, e não apenas as manutenções preventivas. Desta forma, procedeu-se uma classificação das atividades relatadas e verificou-se o tempo de execução de cada uma delas através da busca pelas fichas de manutenção e relatos dos próprios técnicos responsáveis. A Tabela 13 apresenta uma amostra do conteúdo obtido após esse levantamento.
Tabela 13 – Exemplo de relatório de manutenção mensal
Data Intervenção Tipo de Detalhamento Veículo Tempo
01/05/2015 Feriado
02/05/2015 Inspeção Inspeção nos carros de passageiros e locomotivas em operação no trecho 6014 0,1 02/05/2015 Inspeção Inspeção nos carros de passageiros e locomotivas em operação no trecho 6013 0,1 02/05/2015 Inspeção Inspeção nos carros de passageiros e locomotivas em operação no trecho 6009 0,1
02/05/2015 Atividades diversas Usinagem de porcas 8
02/05/2015 Preventiva Semanal 8675 2,0
02/05/2015 Preventiva Semanal 8711 2,0
03/05/2015 DOMINGO
04/05/2015 Inspeção Inspeção nos carros de passageiros e locomotivas em operação no trecho 6014 0,1 04/05/2015 Inspeção Inspeção nos carros de passageiros e locomotivas em operação no trecho 6013 0,1 04/05/2015 Inspeção Inspeção nos carros de passageiros e locomotivas em operação no trecho VLT 01 0,1 04/05/2015 Inspeção Inspeção nos carros de passageiros e locomotivas em operação no trecho 6009 0,1
04/05/2015 Atividades diversas Usinagem de porcas 8
04/05/2015 Preventiva Semanal 8711 2,0
04/05/2015 Corretiva Retirada de vazamento de água 6012 4,0
05/05/2015 Inspeção operação no trecho
05/05/2015 Atividades diversas Usinagem de porcas 8
05/05/2015 Preventiva Semanal 8711 2,0
05/05/2015 Corretiva Corretiva 6012 0,5
05/05/2015 Corretiva Corretiva 6009 4,0
05/05/2015 Corretiva Corretiva 8673 4,0
05/05/2015 Corretiva Corretiva VLT 02 5,0
Fonte: Adaptado de CBTU (2015)
De acordo com a Tabela 13 é possível perceber que foram elaboradas classes para classificar os tipos de intervenção. São elas:
Manutenção corretiva; Manutenção preventiva; Inspeções;
Atividades diversas.
Os dois primeiros tipos de intervenções são executados pelo pessoal do quadro fixo e terceirizado/de garantia, respectivamente, já os dois últimos são efetuados exclusivamente pelo pessoal quadro fixo.
Além do tipo de intervenção, a Tabela 13 também mostra informações sobre o veículo que “utilizou” a manutenção e o tempo utilizado para efetuá-la. Os tempos das manutenções preventivas para locomotivas foram obtidos no termo de referência utilizado para elaborar os contratos junto às empresas terceirizadas.
Já os tempos das manutenções preventivas para os VLT’s foram fornecidos pela empresa Bom Sinal, fabricante do veículo, que efetua essas intervenções devido à garantia dos produtos ainda estar vigente.
A Tabela 14 apresenta um resumo das atividades efetuadas pelo COMAN. Nesta as atividades são detalhadas conforme o numero de serviços, tempo unitário e total das intervenções e a responsabilidade de cada uma delas.
Tipo de produto intervenções Número de (Relatório) Tempo unitário da intervenção (hora) Tempo total utilizado nas intervenções (hora) Responsabilidade
VLT - Preventiva diária 12 2,3 27,2 CBTU/BOM SINAL
VLT - Preventiva semanal 5 2,8 14,2 CBTU/BOM SINAL
VLT - Preventiva mensal 0 0,0 0,0 CBTU/BOM SINAL
VLT - Corretiva 2 - 7,0 CBTU
CARRO - Preventiva Semanal 16 2,0 32,0 TERCEIRIZADA
LOCO - Preventiva Semanal 5 4,0 20,0 TERCEIRIZADA
LOCO - Preventiva Mensal 4 8,0 32,0 TERCEIRIZADA
LOCO - Preventiva Trimestral 1 12,0 12,0 TERCEIRIZADA
LOCO - Preventiva Semestral 0 0,0 0,0 TERCEIRIZADA
LOCO - Corretiva 25 - 58,2 CBTU
CARRO - Corretiva 5 - 6,7 CBTU
LOCO – Inspeção 63 0,1 5,3 CBTU
CARRO – Inspeção 63 0,1 5,3 CBTU
VLT – Inspeção 23 0,1 1,9 CBTU
Fonte: Adaptado de CBTU (2015)
Observando a Tabela 14 percebe-se que não são relatados tempos unitários para as manutenções corretivas. Isso ocorre porque não há como calcular ou prever um tempo médio para este tipo de intervenção, já que existe uma grande diversidade de atividades que podem requerer esse tipo de manutenção.