Um método é “uma estratégia integrada de pesquisa que organiza criticamente as práticas de investigação, incidindo nomeadamente sobre a selecção e articulação das técnicas de recolha e análise de informação” (Costa, 1999, p.129).
Sendo a investigação um processo sistemático de construção de conhecimento sobre um dado objecto, a metodologia corresponde ao modo de realizar a investigação. De seguida apresentamos, detalhadamente, o modo como a investigação foi efectuada.
Nesta investigação efectuamos um “estudo de caso” sobre um projecto de Formações Modulares Certificadas e focalizamos o nosso olhar sobre as concepções, os valores e as práticas relatadas acerca das Estratégias Pedagógicas e da Avaliação das Aprendizagens atendendo ao contexto em que se desenvolvem.
O método que inspirou esta investigação foi, efectivamente, o “estudo de caso”44, por
melhor se adequar à investigação exploratória pretendida. O estudo de caso adequa-se
Este mesmo autor justifica o uso da expressão “investigação interpretativa” pela recusa em definir as abordagens marcadamente qualitativas como essencialmente não quantitativas, uma vez que determinadas quantificações são também possíveis no âmbito destes procedimentos. Este argumento vêm situar esta investigação numa posição que privilegia a busca de dados qualitativos, por referência ao seu objecto de estudo, mas que não menospreza a possibilidade de articulação dados quantitativos dos quais se pode retirar “elementos de sentido”.
44 As características do estudo de caso, segundo Lüdke e André (1986, pp.18-20), são as seguintes: (1) visam à descoberta; (2) enfatizam a
sobretudo porque permite explorar, compreender e expor visões e modos de actuação que ocorrem em contextos complexos e nos quais estão envolvidos diversos factores.
Este estudo em profundidade foi realizado através da articulação de diversas técnicas e instrumentos de pesquisa. As informações essenciais à investigação foram recolhidas através de inquéritos por questionário, análise documental45 e entrevistas semi-estruturadas46. Nas entrevistas e na análise documental os registos foram efectuados através do bloco de notas47 e depois estruturados em grelhas de análise.
Quanto ao tratamento dos dados desenvolvemos um processo de descontextualização e de recontextualização dos dados obtidos em segmentos. Os segmentos foram extraídos do seu contexto “natural” a fim de serem transferidos para o novo contexto “conceptual” do documento analítico. Este trabalho compreendeu a criação de categorias de análise que, segundo Hébert, Goyette e Boutin (1990, pp.116-117), permitem ao investigador olhar para os dados sob um novo prisma conceptual e atribuir-lhes um sentido dentro de um processo de modelização e de interpretação a que chamamos habitualmente análise qualitativa.
Partindo do princípio de que os discursos dos actores e os dados recolhidos sobre as situações e as acções que lhes dizem respeito não são um produto acabado, mas matéria-prima com um valor fulcral para a investigação, desenvolvemos uma análise de conteúdo, sem esquecer a análise das categorias emergentes para tratar este enredo de informações em estado bruto.
Segundo Bardin (1995, p.28), “apelar para estes instrumentos de investigação laboriosa (...) é situar-se ao lado daqueles que, de Durkheim a Bourdieu passando por Bachelard, querem dizer não à “ilusão da transparência” dos factos sociais, recusando ou tentando afastar os perigos da compreensão espontânea. Assim, a análise de conteúdo permite em boa medida a desocultação do discurso e da acção subjectiva dos actores sociais por parte do investigador,
conflituosos pontos de vista presentes numa situação social; (7) utilizam uma linguagem e uma forma mais acessível do que os outros relatórios de pesquisa.
45 A análise documental é uma das técnicas decisivas para a pesquisa em ciências sociais e humanas. Adequando esta perspectiva às questões
da educação, Bogdan e Biklen (2006) apontam fontes documentais como documentos internos e como comunicações externas, considerando todos estes dados como muito importantes para a investigação qualitativa. Com autorização da(s) entidade(s) formadora(s) deverá ser efectuada a análise de documentos dos seguintes tipos: programas de formação, referenciais de formação, planos de formação, dossiers técnico- pedagógicos, instrumentos de avaliação da satisfação e instrumentos de avaliação das aprendizagens.
46 A entrevista semi-estruturada permite “um controlo mínimo do processo de memorização e deixa ao narrador uma liberdade de expressão
máxima” (Jean-Poirier et.al., 1999, p.26). Esta é guiada ou centrada, porque tem como finalidade explorar apenas algumas partes mais relevantes para a investigação. Este tipo de entrevista faz-se tendo por base um guião cuja função é, precisamente, enquadrar e solicitar a informação, que o narrador não fornece espontaneamente (Jean-Poirier et.al., 1999,p. 51), bem como, evitar a sua dispersão.
que empreende um esforço de objectivação daquilo que é lhe é dito e do que ele próprio observa.
Em prol destas opções os procedimentos a adoptar foram os seguintes: (1) leitura de toda a informação recolhida; (2) categorização desta informação por temas e por fontes; (3) selecção da informação de maior interesse para as questões orientadoras; (4) resposta às questões orientadoras apontando as fontes (sem desrespeitar a confidencialidade); (5) análise do conteúdo latente e manifesto das informações relativas a cada questão e confrontação das diversas fontes (triangulação dos dados obtidos); (6) incorporação da informação no corpo de texto do relatório de investigação; (7) comentários objectivos e (8) apresentação dos resultados da investigação.
Estes cuidados afiguram-se necessários para uma interpretação objectiva de uma panóplia de informações de cariz subjectivo transmitida pelos actores sociais. Importa referir que os dados recolhidos apelam à memória e às perspectivas dos actores sobre as suas experiências no contexto de ensino-aprendizagem, algo que os leva a partilhar estas experiências sob o filtro das significações conscientes ou inconscientes que eles próprios lhe atribuem enquanto sujeitos e enquanto actores.
Em síntese, a metodologia de investigação foi implementada tendo por base o esquema conceptual que se segue.
FIGURA 2 – ESQUEMA CONCEPTUAL DA METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO
Na tabela seguinte são apresentadas as técnicas e os instrumentos utilizados e o modo como foram aplicados na presente investigação.
TABELA 4 – TÉCNICAS E INSTRUMENTOS DE RECOLHA E TRATAMENTO DE DADOS
Técnicas e Instrumentos de Recolha de Dados
Inquéritos por questionário Foram aplicados inquéritos por questionário junto dos formadores das
acções de formação desenvolvidas entre Setembro de 2008 e Junho de 2010 e junto dos formandos das acções desenvolvidas em Junho e Julho de 2010.
Análise documental Foram analisados os dossiers técnico-pedagógicos e, dentro destes, alguns
documentos: programas de formação, regulamentos e procedimentos de avaliação, planos de avaliação, instrumentos de avaliação da satisfação e instrumentos de avaliação das aprendizagens. Através de grelhas de análise foram definidos os documentos de referência e as categorias para a pesquisa.
Inquérito por entrevista Foram aplicadas entrevistas semi-estruturadas junto de 10 formadores e
do técnico gestor do projecto de “Formações Modulares Certificadas” seleccionado.
Técnicas e Instrumentos de Tratamento dos Dados
Análise estatística A análise estatística dos dados obtidos através de inquéritos por
questionários foi efectuada recorrendo ao programa SPSS onde foi privilegiada a análise descritiva de frequências.
Análise de conteúdo Foi efectuada a análise de conteúdo de enunciados escritos e orais.
Os discursos dos actores sociais foram recolhidos através da análise de documentos por eles produzidos e também através do seu testemunho oral. Na análise de conteúdo a categorização da informação foi essencial para evitar a dispersão perante a elevada quantidade de informação disponível.