4. Woodismens etikk
5.4. Woodittenes oppfattelse av andre religioners gudsforståelse
1.3.1. O desenvolvimento da empatia: o modelo de Hoffman
Ao longo do desenvolvimento, a criança torna-se capaz de responder com preocupação ao sofrimento do outro, uma vez que a capacidade de autorreconhecimento potencia a emergência da empatia e, por conseguinte, do comportamento pró-social. Com base neste pressuposto, Hoffman (1982) definiu cinco estádios de desenvolvimento do sofrimento empático: 1) choro reativo do recém-nascido; 2) sofrimento empático egocêntrico, em que a criança responde ao sofrimento do outro como se estivesse, ela própria, em sofrimento; 3) sofrimento empático quase egocêntrico, em que a criança diferencia o sofrimento do outro do seu próprio sofrimento, mas confunde os estados internos do outro com os seus próprios estados internos, tentando confortar o outro como gostaria de ser confortado; 4) sofrimento empático verídico, em que a criança se aproxima do sentimento do outro, por ser capaz de diferenciar os seus estados internos dos do outro; 5) empatia face à experiência do outro que transcende o contexto imediato (doença crónica, dificuldades económicas, privação), em que a criança percebe que os outros têm uma vida própria, que pode ser mais ou menos feliz ou triste.
Com base no seu trabalho sobre o sofrimento empático, Hoffman (2000) propõe um modelo teórico que define o papel da autoconsciência e da diferenciação self-outro no desenvolvimento da empatia, bem como a sua relação com o comportamento pró-social. Este modelo enfatiza a mudança desenvolvimental que marca a passagem da preocupação com o self em resposta ao sofrimento do outro à preocupação empática com o outro, que resulta num comportamento pró-social. No âmbito deste modelo, são considerados três estádios de desenvolvimento da empatia: 1) empatia global; 2) empatia egocêntrica; 3) empatia com os sentimentos do outro.
Os recém-nascidos e os bebés apresentam respostas empáticas rudimentares, que traduzem, segundo o autor, uma ‘empatia global’. Este primeiro estádio é definido como um período em que a criança não diferencia os estados emocionais do self dos estados emocionais do outro, experienciando tensão, em resposta à tensão do outro. O choro reativo, ou contagioso, do recém-nascido em resposta ao choro de outro bebé é percebido como uma forma simples, ou um percursor, da empatia global, sendo o primeiro estádio de sofrimento empático, acima referido, enquadrável neste primeiro estádio de empatia global. No decurso do primeiro ano de vida, a criança procura minorar a sua própria tensão, quando exposta à tensão do outro, ou mostra apenas interesse face à tensão do outro.
Já durante o segundo ano, no período da ‘empatia egocêntrica’, a criança é capaz de diferenciar as suas respostas emocionais das respostas expressas pelo outro e tem uma compreensão rudimentar das emoções do outro. Consegue, por isso, experimentar uma preocupação empática com o outro, em vez de procurar apenas conforto para si própria. Todavia, ao confortar o outro, a criança mobiliza estratégias que a confortariam a si própria. Contrariamente ao que acontece no estádio anterior, neste estádio, a criança é capaz de responder com afeto empático adequado. O segundo e terceiro estádios de sofrimento empático acima referidos (i.e., sofrimento empático egocêntrico e sofrimento empático quase egocêntrico) são enquadráveis neste estádio.
O estádio da ‘empatia com os sentimentos do outro’ emerge com o desenvolvimento, embora ainda rudimentar, da capacidade de assumir a perspetiva do outro, entre o segundo e o terceiro ano de vida. Este estádio é marcado pela aquisição de uma consciência crescente dos sentimentos do outro e da diferença entre a sua perspetiva e a do outro. Deste modo, o comportamento pró-social reflete a consciência das necessidades do outro. Além disso, devido ao desenvolvimento das competências verbais, a capacidade de reconhecer e nomear emoções aumenta de forma significativa (Denham, 1998; Denham, 2007; Denham & Couchoud, 1990), o que permite à criança empatizar e simpatizar com um espectro mais amplo de emoções, comparativamente com o que acontecia nos dois estádios anteriores. O quarto estádio de sofrimento empático (i.e., sofrimento empático verídico) é enquadrável neste estádio.
À medida que a criança progride da empatia global para a empatia para com os sentimentos do outro, passa a ter a capacidade de responder empaticamente mesmo na ausência física da outra pessoa (e.g., se ler uma notícia sobre alguém que foi vítima de um atropelamento). Atinge, assim, o estádio de sofrimento empático correspondente à empatia face à experiência do outro que transcende o contexto imediato. Posteriormente, em virtude da sua competência cognitiva crescente, a criança vai conseguir empatizar com a condição, ou estado geral da outra pessoa. A criança torna-se, além disso, capaz de compreender a condição de um grupo ou classe de pessoas e de responder empaticamente a esta condição.
A empatia é, pois, uma resposta multideterminada pelas pistas provenientes da vítima ou do contexto em que esta se encontra envolvida, sendo possível identificar cinco modos de ativação: 1) choro motor mimetizado e feedback aferente; 2) condicionamento clássico; 3) associação direta das pistas provenientes da vítima e do contexto com a experiência dolorosa passada do sujeito; 4) associação mediada; 5) tomada de perspetiva (Hoffman, 2000).
Os primeiros três modos são pré-verbais, automáticos e, preponderantemente, involuntários, sendo a empatia uma resposta passiva e involuntária, baseada em estímulos superficiais, que requerem uma reduzida elaboração cognitiva. É importante, porque mostra
que o ser humano pode experienciar involuntariamente as emoções do outro e que a sua tensão é, com frequência, contingente, não com o seu próprio sofrimento, mas com a experiência de sofrimento do outro. Estes modos são fundamentais na elicitação desta emoção nas crianças, sobretudo em situações em que esta está face-a-face com o outro. Contudo, estes modos involuntários da resposta empática são extensíveis à idade adulta. Permitem ao sujeito responder a situações em que as pistas associadas à vítima e ao contexto não estão presentes, impelindo-o a responder de forma automática, sem que haja consciência desta resposta (Hoffman, 2000).
A associação mediada e a tomada de perspetiva são modos de ativação da empatia que implicam uma maior elaboração cognitiva. A associação mediada consiste na associação das pistas expressas pela vítima, ou decorrentes do contexto, às experiências dolorosas passadas do sujeito, sendo esta associação mediada pelo processamento semântico da informação da ou sobre a vítima. A tomada de perspetiva consiste, por seu turno, no facto de o sujeito imaginar como se sente ou sentiria, se estivesse na situação da vítima (Hoffman, 2000).
1.3.2. Empatia, simpatia e personal distress1
Importa, agora, distinguir a empatia de outros conceitos que, apesar de serem, frequentemente, utilizados como sinónimos, dizem respeito a diferentes experiências emocionais. Entre estes conceitos, destacam-se a simpatia e o personal distress, uma vez que, à semelhança da empatia, resultam da reação emocional ao outro (Eisenberg et al., 2005).
Entre ‘empatia’ e ‘simpatia’, tecem-se inevitáveis continuidades, resultando nalguma confusão na utilização destes dois conceitos. Contudo, a empatia e a simpatia correspondem a experiências fenomenológicas distintas. A simpatia envolve sentimentos de preocupação com o outro, mas não necessariamente uma experiência vicariante dos sentimentos e/ou emoções do outro, isto é, uma correspondência emocional (Eisenberg, 1986). É uma resposta emocional decorrente da apreensão do estado emocional ou condição do outro, e não da experiência deste estado emocional ou condição, refletindo-se em sentimentos de arrependimento ou preocupação com o outro. Contudo, é provável que a simpatia possa também ser despoletada pela tomada de perspetiva cognitiva do outro, ou pelo acesso à informação relevante acerca da experiência do outro. Nestas situações, a simpatia pode ou não ser acompanhada de empatia (Eisenberg et al., 2005).
Importa, também, diferenciar a empatia do personal distress. O personal distress consiste numa reação afetiva aversiva face à apreensão da emoção do outro (e.g. desconforto,
1 A expressão personal distress não foi traduzida, para evitar alterar o seu significado, uma vez que esta expressão não é comum na literatura científica nacional.
ansiedade), sendo uma reação centrada no self. Esta reação pode ser gerada por uma hiperativação empática, isto é, por elevados níveis de emoção aversiva induzida de forma vicariante. Todavia, o personal distress pode estar associado a outros processos emocionais, como a vergonha, que resultam do acesso ao conhecimento sobre a experiência emocional do outro, ou da tentativa de assumir a perspetiva do outro, que pode despoletar uma reação emocional aversiva. Neste sentido, a empatia, a simpatia e o personal distress envolvem experiências emocionais distintas.
De acordo com as definições apresentadas, a empatia é concebida como uma emoção neutra, a simpatia como um aspeto emocional da moralidade, por ser uma importante fonte de motivação moral (i.e., motivação para agir em conformidade com as regras e padrões sociomorais), e o personal distress como uma reação que leva, frequentemente, a uma orientação centrada no self, em lugar de uma orientação moral centrada no outro (Eisenberg et al., 2005).
A empatia pode resultar na expressão de simpatia, podendo esta emoção ser percursora do comportamento moral. Por exemplo, se o sujeito empatizar com uma pessoa que foi vítima de uma agressão, pode tentar confortá-la, refletindo a expressão de simpatia. Assumindo que um comportamento é moral em função da motivação que lhe subjaz, comportamentos baseados na simpatia são, geralmente, morais, enquanto aqueles que se baseiam no personal distress, ou noutras motivações centradas no self, não o são. Por exemplo, se o sujeito ficar preocupado com uma pessoa que viu a ser assaltada e se oferecer para a acompanhar à esquadra para apresentar queixa, este comportamento de ajuda reflete simpatia e reveste-se de um cariz moral. Por contraposição, se, ao ver uma pessoa a ser assaltada, o sujeito sentir ansiedade, espelhando a experiência emocional da vítima (i.e. personal distress), mas não empreender qualquer esforço para a ajudar, isto mostra que o sujeito está autocentrado, porque não se mobiliza para atenuar o sofrimento da vítima. Este exemplo ilustra a ausência de associação entre o personal distress e o comportamento moral. Na esteira destes exemplos, a investigação mostra que há uma associação positiva entre a empatia, a simpatia e o comportamento pró-social (Holmgren, Eisenberg, & Fabes, 1998) e uma associação negativa, ou ausência de associação, entre o personal distress e o comportamento pró-social (Carlo et al, 2003; Eisenberg et al., 1999).