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Winterson

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CHAPTER 3: BODY/MIND

3.2 Winterson

Numa metodologia de paradigma qualitativo, os dados são recolhidos em forma de palavras e podem incluir transcrições de entrevistas, notas de campo, documentos pessoais, memorandos e outros registos oficiais (Bogdan & Biklen, 1994).

55 A recolha de dados descritivos permite ao investigador uma abordagem meticulosa de uma realidade, pelo que é fundamental a utilização de técnicas de recolha de dados que possibilitem o máximo rigor e fiabilidade.

As técnicas correspondem a procedimentos rigorosos, bem definidos, transferíveis, adaptados à problemática ou fenómenos em estudo e suscetíveis de serem novamente aplicados nas mesmas circunstâncias (Carmo & Ferreira, 1998).

A decisão por uma ou outra técnica de recolha de dados está diretamente relacionada com a metodologia e o objetivo da investigação. Segundo as recomendações de Pardal e Lopes (2011) a mesma deve ser tomada em função das hipóteses e dos indicadores definidos para o estudo.

Quando os conhecimentos sobre um determinado fenómeno são parcos ou inexistentes, como num estudo exploratório descritivo, a escolha da técnica de investigação é feita com o intuito de possibilitar ao investigador a recolha da maior quantidade de informação possível e de abranger os diferentes aspetos do fenómeno. Nesta perspetiva, a entrevista é frequentemente utilizada no tipo de estudos supramencionados com a finalidade de recolher dados relativos às questões de investigação (Fortin, 2003).

Por definição, entrevista é um conversa intencional entre duas pessoas, iniciada pelo investigador que deseja obter informação relevante sobre um assunto específico (Delgado, Marín & Sánchez, 2011). Esta técnica de recolha de dados, possibilita riqueza na recolha de informação, no entanto está limitada pela reduzida possibilidade de aplicação a um grande universo (Pardal & Lopes, 2011).

Dentro dos três tipos de entrevistas, a entrevista semiestruturada concerta a flexibilidade e informalidade de uma entrevista não estruturada com a direcionalidade de um instrumento cujo objetivo é a obtenção de dados qualitativos sobre um fenómeno concreto. As questões que guiam uma entrevista semiestruturada devem ser previamente formuladas e preferencialmente de resposta aberta para que possam oferecer o máximo de informação possível (Delgado, Marín & Sánchez, 2011).

O investigador deve encaminhar a comunicação para os objetivos da entrevista, e colocar, caso considere oportuno, questões adicionais, de forma a esclarecer questões ou assuntos. A ordem estabelecida no guião para as questões não necessita ser cumprida de forma rigorosa, pelo que as mesmas deverão ser formuladas, oportunamente, no decorrer da conversa (Pardal & Lopes, 2011).

56 Nesta linha de pensamento, considerando todos os aspetos que envolvem o presente estudo e acautelando a possibilidade de uma recolha de dados fidedigna e rigorosa, optou-se pela realização de nove entrevistas semiestruturadas presenciais a intervenientes no fenómeno em estudo.

Pretendeu-se recolher uma representação empírica das opiniões dos intervenientes, em sessões de Intervenções Assistidas por Animais junto de crianças/jovens com perturbações do desenvolvimento, sobre o recurso a cães de ajuda social, como adjuvantes, em contexto escolar, a saber, três docentes de educação especial, um psicólogo educacional, um terapeuta da fala, duas técnicas especialistas em Intervenções Assistidas por Animais e dois pais/encarregados de educação de crianças/jovens que beneficiaram do recurso a cães de ajuda social na escola.

Na persecução dos objetivos estipulados utilizaram-se como instrumentos quatro guiões de entrevista semiestruturada, construídos para o efeito (cf. apêndice 1, apêndice 2, apêndice 3 e apêndice 4). Os guiões direcionaram-se especificamente aos quatro grupos de participantes no estudo, a saber, técnicos especialistas em Intervenções Assistidas por Animais (TIA), professores de educação especial (P), técnicos especializados (TE) e pais/encarregados de educação (EE) de crianças/jovens que beneficiaram do recurso a cães de ajuda social em contexto escolar. Após aplicação das entrevistas, recorreu-se à triangulação dos dados obtidos no sentido de verificar se o recurso ao cão de ajuda social, em contexto escolar, é considerado um facilitador do trabalho do professor e do técnico com os alunos. Salienta-se que a triangulação de dados refere-se à utilização de diversas fontes no mesmo estudo (Carmo & Ferreira, 1998).

A formulação das questões que integram os guiões foram sujeitas a um processo de planeamento e reflexão que incluiu consultas informais a sujeitos não participantes no estudo de cada um dos grupos auscultados. As consultas realizaram-se sob a forma de conversas informais ou correio eletrónico. Procurou-se redigir as questões de forma rigorosa e pormenorizada, sem perder de vista a adequação da linguagem ao entrevistado, de forma a possibilitar obter a informação necessária através de respostas úteis e concisas a uma boa análise de conteúdo.

Dos guiões constaram vinte e duas questões guia, todas passíveis de adequação, quanto à formulação e à ordem, consoante o desenvolvimento das entrevistas. Acrescentaram-se ainda questões de ajuda, que foram utilizadas sempre que foi necessário esmiuçar os conteúdos desenvolvidos pelos entrevistados de forma mais genérica.

57 Assim, no que concerne aos guiões de entrevista a professores, técnicos especializados e técnicos especialistas em intervenções assistidas por animais, optou-se por incluir as mesmas questões, de forma a possibilitar a triangulação. No que respeita ao guião de entrevista a pais/encarregados de educação, existem ligeiras diferenças, que em nada alteram o objetivo das entrevistas.

As temáticas sobre as quais incidiram as questões de ambos os guiões foram as representações acerca dos contributos da inclusão de cães de ajuda social, em contexto escolar, relativa ao bloco C e as representações acerca das objeções à inclusão de cães de ajuda social em contexto escolar, relativa ao bloco D.

Previamente à aplicação das entrevista encetaram-se contactos com as direções dos agrupamentos de escolas que desenvolveram projetos com recurso a cães de ajuda social, na zona pedagógica do Algarve, nos últimos quatro anos letivos, no sentido de auscultar a disponibilidade em colaborar na indicação de participantes e mediação de contactos, ao que se seguiu o pedido de protocolo. Todos os participantes neste estudo foram contactados pessoalmente tendo demonstrado disponibilidade e interesse em contribuir para o estudo. Aquando do agendamento da entrevista foi dada total liberdade a cada um dos participantes, para que escolhesse a data, local e horário de realização da mesma.

Uma vez cumpridos estes procedimentos, procedeu-se à aplicação das entrevistas, nos dias, horas e locais previamente agendados. Os participantes TIA1, TIA2, EE1, P3 escolheram responder às questões nas suas residências. As entrevistas aos participantes TE1, P1, TE2 e P2 foram aplicadas nos agrupamentos de escolas onde os mesmos exercem atualmente atividade profissional.

As entrevistas aos técnicos especialistas em intervenções assistidas por animais, TIA1 e TIA2, tiveram uma duração de, aproximadamente, trinta e cinco minutos. A entrevista aos docentes de educação especial P1 e P2 e aos técnicos especializados TE1 e TE2 tiveram uma duração aproximada de vinte e cinco minutos. As entrevistas aos pais/encarregados de educação EE1 e EE2 tiveram uma duração aproximada de vinte e seis e trinta e quatro minutos, respetivamente. A entrevista ao docente de educação especial P3 teve a duração aproximada de dezanove minutos.

As entrevistas foram aplicadas a partir do início do terceiro período letivo, com o propósito de fazer coincidir a recolha dos dados com o reinício de projetos interrompidos no final do ano letivo transato. Procurou-se, desta forma, que tanto os pais/encarregados de educação como os técnicos e os docentes de educação especial pudessem ter uma

58 capacidade de avaliação e reflexão acerca dos contributos e limitações do recurso ao cão de ajuda social, com base nas sessões de dois anos letivos distintos e respetivo período de interrupção.

Para o registo dos dados, de forma a garantir a qualidade dos mesmos, evitando perdas de informação relevantes e distorção das mesmas, procedeu-se, com o consentimento informado dos inquiridos, à gravação, em suporte áudio, das entrevistas. Tendo em consideração que a presença de um gravador pode constranger ou inibir o entrevistado, optou-se pela gravação com recurso às aplicações “dictafone” e “gravador de voz” do telemóvel e tablet. Houve ainda a preocupação de escolher locais sossegados, para que o ruído de fundo não interferisse na recolha dos dados em suporte áudio.

Durante a aplicação dos instrumentos, foram tidos em consideração aspetos verbais e não-verbais de comunicação. Foram, igualmente, esclarecidas todas as questões e dúvidas, aos entrevistados.

Antes do término da entrevista, informaram-se todos os participantes que o texto resultante das transcrição integral do registo áudio, ser-lhes-ia enviado, via correio eletrónico, para leitura prévia e aprovação.

Realizadas as entrevista supramencionadas, procedeu-se à transcrição integral das mesmas, contemplando aspetos de comunicação verbal e não verbal, tais como risos e hesitações (c.f. apêndice 6, apêndice 7, apêndice 8, apêndice 9, apêndice 10, apêndice 11, apêndice 12, apêndice 13 e apêndice 14 ).

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