CHAPTER 2: SPACE/TIME
2.1 A Rhythm of One’s Own
No sentido de garantir a segurança e o bem estar de todos os envolvidos nos projetos educativos que incluam um cão de ajuda social em sala de aula, recomenda-se a promoção antecipada de sessões (in)formativas, no sentido de esclarecer a comunidade educativa e dar a conhecer as medidas que poderão ser levadas a cabo de forma a ultrapassar limitações, minimizar riscos e garantir a segurança dos alunos e dos profissionais envolvidos. Estes procedimentos constam nos parâmetros internacionais que regulamentam as boas práticas no âmbito das intervenções assistidas por animais.
Descrevendo as objeções mais comuns à introdução de cães de ajuda social nas escolas, Jalongo, Astorino e Bomboy (2004) apresentam algumas recomendações a ter em conta no sentido de acautelar e prevenir eventuais problemas. O medo ou a fobia de cães constitui uma das principais preocupações. Caso esta situação se aplique a algum dos alunos envolvidos, o mesmo poderá participar nas atividades do projeto de forma indireta e à distância. A oportunidade de assistir à interação do cão de ajuda social com um dos seus pares permitirá a recolha de experiências positivas com cães e a perceção, num contexto seguro, de que há animais calmos, delicados e afáveis. Desta forma possibilita-se a um aluno com fobia a redução da ansiedade causada por possíveis experiências vividas com outros cães, para que gradualmente, a criança ou o jovem possa entender que nem todos os animais são iguais e com o mesmo comportamento.
29 No que respeita à redução da principal causa de reação alérgica, o pelo do cão, recomenda-se optar por uma sala de trabalho que será imediatamente limpa após término das sessões ou por espaços amplos e arejados, onde se podem incluir também o pátio ou o jardim. Não obstante, reforça-se que as boas práticas em intervenções assistidas por animais já contemplam como procedimento a escovagem cuidada do cão previamente a todas as sessões de trabalho (AAII, 2018).
Considera-se que a escolha do cão de ajuda social também pode ser determinante para evitar reações alérgicas. A higienização e escovagem regular de um cão de pelo curto ajuda a reduzir a quantidade de pelo que possa eventualmente perder no espaço escolar ou em contacto com os alunos, minimizando-se desta forma o alérgeno mais frequente (Friesen, 2009).
Acresce solicitar, junto ao consentimento informado dos pais e encarregados de educação dos alunos que irão participar do projeto, informações acerca de possíveis reações alérgicas ou fobias ao cão. Ainda que não sejam indicadas quaisquer limitações neste âmbito, considera-se importante uma verificação dos processos individuais dos alunos (PIA) no sentido de averiguar se existem ou não registos de alergias. Os profissionais devem ser vigilantes e reforçar a atenção ao aluno no decorrer da intervenção e nas horas seguintes, no sentido de identificar possíveis reações cutâneas ou respiratórias, até à data desconhecidas pelos pais e encarregados de educação. No que respeita às fobias, é fundamental agendar uma sessão prévia de apresentação do animal à criança, na presença da equipa multidisciplinar e do encarregado de educação, para que se possa verificar in loco o seu comportamento e linguagem corporal junto do cão e garantir que não existe qualquer celeuma.
Outra preocupação recorrente prende-se com a possibilidade do cão poder ser vetor na transmissão de doenças aos alunos. As zoonoses são doenças ou infeções transmitidas pelos animais ao ser humano através de diversos microrganismos, tais como vírus, bactérias, fungos e protozoários. Os estudos desenvolvidos em contexto hospital segundo Brodic, Biley e Shewring, em 2002, demonstraram que apesar da possibilidade de transmissão da doença existir, o perigo de infeção é mínimo, sempre que se garantam as condições de higiene, segurança e assepsia por parte dos profissionais envolvidos. Essas medidas devem contemplar o controlo veterinário frequente, de forma a certificar uma excelente condição de saúde do animal, a lavagem correta das mãos de alunos e profissionais envolvidos antes e depois de cada sessão, a limpeza e escovagem minuciosa
30 do cão antes da sessão e a higienização e arejamento da sala imediatamente após o término das atividades (Jalongo, Astorino & Bomboy, 2004).
Para o cão permanecer deitado ou sentado junto dos alunos, recomenda-se a utilização de colchões plastificados ou tapetes de esponja, por exemplo, os em formato puzzle, facilmente removíveis e exclusivos para o efeito, que também podem incluir resguardos descartáveis.
De forma a assegurar o comportamento do cão e acautelar as condições de segurança de todos os envolvidos, deve conhecer-se pessoalmente o animal, a sua estabilidade e experiência em trabalhos similares anteriores. O acesso a esta informação é relativamente simples e implica apenas a consulta da documentação comprovativa da formação do binómio, o seu curriculum vitae e o seguro de responsabilidade civil que identifique o cão de ajuda social, por exemplo, sob a designação de cão de terapia. O comportamento equilibrado do cão durante as sessões e o tempo em que permanecer no espaço escolar será garantido pelo seu treino de obediência avançada, complementado pela capacidade do técnico que o acompanha entender a sua linguagem corporal, promovendo distrações sempre que sejam identificados sinais ou situações de ansiedade, para que volte a sentir-se tranquilo e seguro (Jalongo, Astorino & Bomboy, 2004).
O cão de ajuda social, apesar de ser ampla e rigorosamente treinado, constitui um recurso vivo que em situações acidentais poderá, eventualmente, ser magoado e reagir. Considera-se fulcral acautelar a segurança e o bem estar do cão, por forma a garantir o seu bom comportamento. De referir que todos os profissionais envolvidos devem ser vigilantes dos comportamentos dos alunos e do cão, devendo estar preparados para identificar possíveis sinais de alerta (Friesen, 2009).
É recomendável preparar previamente os alunos para interagir com o cão de ajuda social, pelo que é perentório regular comportamentos das crianças ou jovens que possam eventualmente causar instabilidade no animal. Independentemente do nível de escolaridade dos alunos, os profissionais envolvidos devem responsabilizar-se por informá-los antecipadamente que não deverão falar alto ou fazer movimentos bruscos, solicitando, por exemplo, que mantenham a palma da mão imóvel e bem estendida para oferecer a recompensa ou que batam palmas sem ruído, rodando as mãos sempre que o cão desempenhar uma ação corretamente (Kurschner, 2014).
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