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PAULO FREIRE

Iluminai a minha mente Ou senhora dos prazeres Qui vou descrever em cordel Cumprindo com meus deveres

Na poesia nata e forte Nascimento vida e morte Do Educador Paulo Freire O saber é um facho de luz Qui ilumina a geração Privilégio qui Deus pai

Dá por predestinação A todos qui merecer O dom divino de ser Um marco na educação E assim nasceu Paulo Freire Com a tal predestinação De promover no encino A grande revolução Com métodos diferentes Mais justos e conscientes E sem a discriminação Em mil novecentos e vinte e um

Paulo Neves Freire nasceu

A dezenove de setembro Pernambuco conheceu Aquele qui levaria Ao encino a filosofia Qui o magistério esqueceu Nus tempo em que o encino público

Eram muinto reservados Para as classes dominante E para os alunos pobres coitados

As escolas era fechada E só filhos da burgeisada Eram privilegiados E como estudante pobre

Paulo Freire engressou No Colégio Oswaldo Cruz E dali desabrochou Pra vida dos magistérios Quebrando os grandes mistérios

Qui no encino sempre rolou E aos treze anos de idade Seu paizinho faleceu E na rosca financeira Mais um aperto se deu E pra seguir do velho a trilha

Pra Paulo Freire e a família Mais desespeiro cresceu Orfo de pai e sem dinheiro Paulo Freire enfrentou Grandes tormentos na vida Pobresa dispreso e dor E aos vinte e dois anos de idade

Ingressou na faculdade E seu mestrado conquistou Já sendo professor No SESI foi trabalhar Colhendo as sobrevivenças Das classes mais popular E como um ser humano via Qui aquela filosofia Era preciso mudar Formulou novas ideias E métodos mais entendidos Pra qui os estudantes pobres Do social excluídos

Discifracem os mistérios Qui havia nos magistérios Qui os mantia dezentendidos E com a metodologia Por Paulo Freire criada No encino brasileiro Seria u a grande virada E pra o nosso maior espanto No paiz de canto a canto Não poude ser utilisada. E até nas grandes campanhas

De alfabetisação

Foi o encino que mostrava Com claresa ao cidadão O qui que dizer parede Tijolo cimento e rede Relógio radio o fugão. E foi juntando pecinhas

Qui Paulo Freire estudou Quando em criança seus pais

Com carinho le mostrou Dos diverssos objetos Os significados certos Suas importância e valor. E com esse idealismo Paulo Freire consseguiu Levar pra seu alunado Um encino mais Brasil Com mais justa educação Sem a discriminação E o estudante pobre sorriu E foi tão bom qui os outros paizis

Aos seus métodos aderiu Mas a máfia poderosa Contra Paulo se insurgiu E os militares malvado Encuadra Paulo acusado De subverter o Brasil E apois o Golpe Militar De secenta e quatro foi preso Sofreu setenta e dois dias Como um monstro malfazejo Por melhorá todo o encino Do Brasil estudantino O qui era seu único desejo E saindo da prisão No Xile foi exilado E lá encontrando um clima

Aos seus métodos

comparado

Sem perseguições revéses Desenvolveu suas teses Por cinco anos cerrado I no istituto xileno Educando jovem e adulto Sua metodologia

Foi sucesso absoluto Com as instruções necessária

Em prou da Reforma Agraria Qui forma um paiz mais culto

Foi autor de tantas obras Qui aqui não dá pra contar Foi contra toda injustiça Contra as classes popular Qui empurra para um dezerto

O povão analfabeto Burro e sem nada enxergar

Conhecido em vários paizis Por sua praxe educativa Qui les prestava homenagem Pela forma criativa

Por trazer seu alunado Perfeitamente engajando Numa educação construtiva Paulo Freire foi um perfeito Bem feitor da humanidade Nus paiz de terceiro mundo Em qui a miserabilidade Mata escravisa e destrói E nada de bom se constrói Para a coletividade

Cazousse em quarenta e quatro

Com a professoura primaria Elsa Maria da Costa Companheira de batalha Quile dera cinco filho E ao morrer nus deixa um brilho

De educadora lendária E com dezesseis anos de exilio

Paulo ao Brasil regressou Trazendo em sua bagagem O qui o velho mundo encinou E pra seu paiz reaprender Na PUC vai exercer Sua missão de educador Lecinou na Unicamp E outras Univercidade Levando os encino aos jovens

E a toda a terceira idade Das escolas excluídos Por sistemas corrompidos Qui gera a imbecilidade Foi reitor de univercidades E renovador de estudo Foi patrono de entidades Escolas projeto e tudo E no Brasil e em outras nações

Iluminou gerações Formando o povão miúdo E todos os tipos de injustiça Paulo Freire combatia E por dar luz a humanidade Sofre a grande covardia De uma ditadura tirana Ante Brasil desumana Perversa burra e vasia

Ficou viúvo e casouse Com uma ex aluna sua Ana Maria Araujo E a luta continua

Era um magistério humano Qui em todas as matérias seus plano

Sem preconceitos atua O premio dotor honoris E outras homenagem ganhou Das mais diverssas nações E qui nas quais lecionou E prêmios de outras natureza

Qui são centenas com certeza

Qui souber o le dar valor. E em dois de maio de 97 Paulo Freire faleceu Vitima de um enfarte agudo Dado aos sofrimentos seu Sais da vida e vai para a glória

Mais fica em nossa memória A luz qui em vida nus deu. Adeus imortal Paulo Freire Renovador de escola Meus abraços aos presentes

Junto ao Celsso Filisola O papel se acabou mais Tendo outro pedido eu vou A risca meter a sola. Reavivamos Paulo Freire O marco da educação Destemido educador Riqueza de uma geração Grande mestre e bem feitor Um herói renovador do Encino desta nação.

O cordel refaz a trajetória de Paulo Freire, seu “nascimento, vida e morte”. Descreve, numa linguagem característica do sertão nordestino, seus feitos, sua carreira acadêmica permeada pelos seus conceitos, iluminando gerações e formando o “povão miúdo”.

Outros folhetos de cordel retratando a vida e a obra de Paulo Freire também estão disponíveis no acervo do Instituto Paulo Freire. Francisco Ciro Fernandes é autor do cordel Paulo Freire. Escrito em 1995 é poema de 16 sextilhas que totalizam 96 versos retratando os aspectos mais importantes da vida e obra do educador Paulo Freire. Na capa do cordel está registrado que ele foi “lançado no ato de entrega da medalha Pedro Ernesto ao Prof. Freire, no dia 6 de novembro de 1995, às 18 horas, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, por iniciativa de Augusto Boal”.

Não causa estranhamento, portanto, essa iniciativa de Augusto Boal, diretor de teatro, dramaturgo e ensaísta brasileiro (Rio de Janeiro, 1931-2009) tendo em vista suas ligações com o pensamento freireano.

Uma das grandes figuras do teatro contemporâneo internacional, Boal fundou o Teatro do Oprimido4, que alia o teatro à ação social. As teses do Teatro do Oprimido são inspiradas nas propostas de Paulo Freire. Suas técnicas e práticas difundiram-se pelo mundo, notadamente nas três últimas décadas do século XX, sendo largamente empregadas não só por aqueles que entendem o teatro como instrumento de emancipação política, mas também nas áreas de educação, saúde mental e no sistema prisional. Apesar de existirem milhares grupos e centros de estudos sobre o Teatro do Oprimido no mundo (mais de 50 países nos cinco continentes), apenas o Centro de Teatro do Oprimido (CTO) do Rio de Janeiro é reconhecido como o ponto de referência

4Localizado na Avenida Mem de Sá nº 31, bairro da Lapa, Rio de Janeiro - RJ- Brasil, o Centro de Teatro

mundial da metodologia.

O diálogo entre as compreensões dialógicas presentes nas obras de Augusto Boal e Paulo Freire é assinalado, entre outros, por Canda (2012, p. 196) ao enfatizar que as obras desses dois brasileiros “reforçam para o país e para o mundo a necessidade do trabalho de mudança social a partir do sujeito, na coletividade, possibilitando-o a construção de meios de atuação frente a um contexto social menos desigual”. Por sua vez, as similaridades entre as teorias de Freire e Boal também foram apontadas por Teixeira (2007, p.16) que ressalta as dimensões pedagógicas do Teatro do Oprimido ao afirmar que “a Pedagogia e o Teatro do Oprimido proporcionam um fazer pedagógico onde oprimidos se tornam capazes de perceber o mundo, refletir sobre o mundo, e se expressar no mundo”. (TEIXEIRA, 2007, p. 16).

Voltando ao cordel de Francisco Ciro Fernandes, vejamos a seguir como esse poeta retrata a vida e obra de Paulo Freire.

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