4 Water-Based EOR in Carbonates
4.2 Wettability Alteration in Carbonate by Modifying the Ionic Composition of Water the Ionic Composition of Water
O levantamento quantitativo realizado na segunda fase deste estudo permitiu testar a validade do modelo conceitual proposto na Figura 9. Este modelo, que sumariza as hipóteses de pesquisa ao final da primeira fase deste estudo, propõe que a decisão de criação de um EP- TI dependa de quatro variáveis latentes: a satisfação com a entrega de projetos, a satisfação com controle do portfolio, a importância estratégica do portfolio e a opinião sobre EP em geral. Supõe-se que as empresas com elevada satisfação com a entrega dos projetos de TI, elevada satisfação com o controle do portfolio, com uma opinião desfavorável sobre EP em
geral e, finalmente, com uma carteira de projetos estrategicamente pouco importante, não verão nenhum motivo para criar um EP-TI. Por outro lado, no caso oposto, isto é, há baixa satisfação tanto com a entrega dos projetos quanto com o controle do portfolio, há uma opinião favorável sobre EP em geral e, finalmente, a carteira de projetos é estrategicamente importante, então a direção da empresa terá muitos motivos para criar um EP-TI.
Naturalmente, os dois casos acima são extremos, sendo bastante claro entender de que forma o contexto da empresa induz a determinada decisão sobre a criação de EP-TI. Porém, se consideramos para fins de uma análise simplificada que as 4 variáveis no modelo podem assumir valores altos ou baixos em suas escalas, teremos então um total de 24=16 combinações possíveis de casos, nos quais a decisão sobre a criação de um EP-TI pode não ser tão evidente. Por exemplo, se existe alta satisfação com entrega, baixa com o controle, a carteira é estratégica, mas a opinião sobre EP é desfavorável, qual será a tendência das empresas no referente à criação de um EP-TI ? Para responder a essa questão, é preciso conhecer a importância relativa de cada variável na determinação da decisão de criação do EP-TI, o que foi feito aplicando-se análise discriminante aos dados.
Inicialmente, cabe observar que a variável importância estratégica do portfolio isoladamente não resultou estatisticamente significativa para diferenciar os dois grupos. Constatou-se que tanto as empresas com EP-TI como as sem EP-TI têm um portfolio de projetos considerado estrategicamente importante, não existindo diferenças nas médias desta variável entre os grupos. Esse resultado pode ser explicado à luz da dependência, em maior ou menor grau conforme o setor, com relação à área de TI de todas as empresas de grande porte, tanto em suas operações diárias como para a implantação de suas estratégias de negócio. Ademais, é possível que exista um viés nas respostas, uma vez que é lícito supor que os respondentes podem ser inclinados a avaliar indiretamente a importância do próprio trabalho e de sua área de atuação ao avaliar a importância do portfolio. As demais variáveis, por outro lado, resultaram isoladamente significativas para discriminar os grupos, confirmando estas hipóteses de pesquisa.
A discussão acima contempla a análise univariada da relação entre as variáveis independentes e dependente. Com a análise discriminante, porém, considera-se o efeito conjunto de todas as variáveis independentes sobre a variável dependente. Os resultados desta análise confirmaram que a satisfação com o controle do portfolio e a opinião favorável sobre EP são estatisticamente significativas para diferenciar os grupos, conforme previsto no modelo conceitual. As variáveis importância estratégica e satisfação com a entrega, por outro lado, resultaram não significativas. Não há surpresa neste resultado com relação à variável
importância estratégica, pois a análise univariada descrita acima já permitia antecipar este resultado. Todavia, causou surpresa a falta de significância estatística da variável satisfação com a entrega dos projetos quando as variáveis satisfação com o controle do portfolio e a opinião favorável sobre EP são incluídas no modelo. De fato, tanto a literatura como os estudos de casos realizados na primeira fase da pesquisa apontavam decisivamente para a existência de problemas na entrega dos projetos como um direcionador importante para a criação de EP. Uma hipótese explicativa para este resultado é que a informação contida na variável satisfação com a entrega dos projetos talvez esteja contida na variável satisfação com o controle do portfolio. De fato, a correlação entre essas variáveis na amostra é moderadamente alta (r=0,695) e pode-se rejeitar a hipótese de que seja nula (p valor = 0,000). É lícito supor que uma baixa maturidade na entrega dos projetos provavelmente esteja associada a uma baixa maturidade também no controle do portfolio, e vice-versa. Portanto, basta uma das duas para discriminar os dois grupos.
A Figura 20 exibe o modelo que resultou da análise dos dados. Este modelo simplifica o modelo exibido na Figura 9 reduzindo o número de variáveis independentes de quatro para duas.
Figura 20: Modelo conceitual validado
É interessante refletir porque Satisfação com o controle do portfolio (C) discrimina os grupos melhor do que Satisfação com a entrega de projetos (E). Analisando-se o box plots dos dois construtos (Figuras 13 e 14), nota-se que a superposição entre as distribuições dos grupos é menor para C do que para E. Ademais, conforme indicado nas Tabelas 19 e 21, a distância entre as médias dos grupos é ligeiramente maior para C do que para E (2,3 para E e 2,6 para C). Finalmente, avaliando-se o diagrama de dispersão de E e C (Figura 18), nota-se que o escore em E de algumas empresas com EP-TI é tão alto quanto para as empresas sem EP-TI, o que não ocorre com C. Isto indica que algumas empresas criam o EP-TI apesar de
apresentarem um nível alto de satisfação com a entrega nos projetos. Em síntese, Satisfação com o controle do portfolio (C) e Satisfação com a entrega de projetos (E) são correlacionados, mas C é mais importante do que E na decisão de criação do EP-TI.
Com relação ao efeito e importância das variáveis que resultaram significativas, houve confirmação das hipóteses de pesquisa. A função discriminante indica que empresas com baixa satisfação com o controle do portfolio e opinião favorável sobre EP têm contexto para criar EP-TI, e vice-versa, isto é, que empresas com alta satisfação com o controle do portfolio e opinião desfavorável sobre EP não têm contexto para criar EP-TI. Entre essas duas variáveis, a satisfação com o controle resultou mais importante. Portanto, empresas com baixa satisfação com o controle do portfolio sentem-se inclinadas a criar um EP-TI, mesmo que tenham uma opinião desfavorável sobre EP. Por outro lado, empresas com alta satisfação com o controle não se sentem inclinadas a criar um EP-TI, mesmo que tenham uma opinião favorável sobre a entidade.
Finalmente, cabe destacar que a função discriminante obtida apresentou uma taxa de acerto de classificação dos casos da amostra bastante satisfatória (90% no método de validação cruzada), proporcionando evidência empírica da validade do modelo que explica a criação de EP-TI em função das variáveis satisfação com o controle do portfolio e opinião favorável sobre EP.