5 Experimental Work
6.5 Spontenous Imbibition
6.5.3 Secondary Smart Water EOR Effects
Neste capítulo são apresentados os aspetos dos métodos de pesquisa que podem ter invalidado a precisão e representatividade dos dados coletados ou os resultados e conclusões da pesquisa. Estrutura-se esta discussão em torno de dois blocos, a saber, algumas características do processo de construção do modelo conceitual e algumas características do processo de coleta e análise dos dados. Trata-se cada bloco a seguir.
Uma reflexão sobre o processo de construção do modelo conceitual exibido na Figura 9 indicou a existência de duas limitações. A primeira refere-se à quantidade e características dos casos estudados. De fato, o modelo foi construído com um pequeno número de casos, particularmente com relação a empresas que não têm EP-TI. Em conseqüência, é lícito supor que o modelo conceitual exibido pode não conter todas as razões que explicam a decisão de criar ou não criar um EP-TI. No entanto, pensa-se que o efeito dessa limitação sobre o modelo não é tão relevante, uma vez que ele foi construído também com base na literatura, que enfoca motivadores tanto para criar como para não criar EP. Visto que o modelo sintetizou os motivadores relatados na literatura com os encontrados nos estudos de caso, pode-se supor que o modelo é bastante abrangente em termos de cobertura de motivadores para criar e não criar um EP-TI. A segunda limitação no processo de construção do modelo conceitual refere- se à subjetividade inerente ao procedimento usado para sintetizar os motivadores e criar os construtos presentes no modelo. Portanto, é lícito supor que há modelos alternativos com relação ao número de construtos incluídos no modelo, bem como com relação às descrições dos construtos. Em outras palavras, outros pesquisadores analisando os mesmos dados poderiam chegar a modelos um pouco diferentes, mas igualmente válidos logicamente e consistentes com dados empíricos e a literatura. Embora certamente possam ser concebidos modelos alternativos que se ajustem a dados empíricos tão bem ou melhor que o modelo proposto, acreditamos o modelo proposto é um ponto de partida útil para pesquisadores interessados no mesmo tema, visto que na literatura não encontramos nenhum modelo com o mesmo propósito. Nas sugestões para pesquisa futura, abordadas no próximo capítulo, apresentam-se algumas possibilidades para aumento da generalidade do modelo.
O segundo bloco de limitações refere-se a características do processo de coleta e análise dos dados. Uma reflexão sobre este processo aponta 7 limitações. A primeira refere-se ao fato de que na maioria das empresas (38 em 40) não foi possível entrevistar dois executivos,
conforme desejado, de modo a obter uma triangulação na coleta de dados e, assim, aumentar a confiança na qualidade dos dados. Por outro lado, na maioria das empresas (33 em 40) foi possível acompanhar os executivos pelo telefone enquanto respondiam o questionário, o que serviu para garantir o entendimento esperado das perguntas. Em 6 dos 7 casos de empresas em que isso não ocorreu, foi possível conversar com o respondente previamente, explicando os objetivos da pesquisa e a natureza do questionário. Assim, espera-se que a falta de triangulação seja compensada pela maior qualidade das respostas obtidas pelos respondentes únicos. A segunda limitação refere-se ao nível hierárquico dos respondentes. Conforme se pode observar nos Anexos C e D, em todas as perguntas exige-se que o entrevistado tenha um bom conhecimento ou percepção da opinião da direção da empresa sobre aspectos do gerenciamento de projetos e sobre EP em geral. É lícito supor que dentro da área de TI o principal executivo da área é a pessoa mais indicada para esta tarefa. Entretanto, em 8 dos 40 casos, sobretudo nas empresas de maior porte, não foi possível conversar com o CIO. Nesses casos, conversamos com responsável pelo EP-TI, quando ele existia, ou com um líder influente em TI quando o EP-TI não existia. Durante essas entrevistas, destacou-se que a percepção do entrevistado sobre a opinião da direção poderia ter sido formada através de conversas com o CIO ou mesmo com os usuários, que ao fim e ao cabo influem na formação da opinião de seus chefes através de queixas ou elogios à área de TI no dia-a-dia da empresa. Quando o entrevistado sentia-se inábil para opinar, buscamos e encontramos outra pessoa na empresa. Cabe reconhecer, porém, que é difícil apurar até que ponto os entrevistados que não são os principais executivos de TI das empresas têm de fato condições para fazer uma avaliação da opinião da direção da empresa. Neste ponto, cabe mencionar, também, que para as empresas sem EP-TI muitas vezes não existia uma opinião da direção da empresa, pois ela não estava familiarizada com o conceito de EP. Nestes casos, o que foi capturado foi a opinião do próprio entrevistado em lugar da opinião da direção da empresa. Entretanto, isto pareceu ser adequado, pois se entrevistou o CIO ou algum líder influente dentro de TI, cuja opinião sobre o assunto acabará influenciando a direção da empresa quando esta estiver formando sua opinião. A terceira limitação decorre do fato de que por estar entrevistando pessoas diretamente envolvidas com a decisão tomada - criar ou não criar um EP-TI -, é possível que elas relatem ao pesquisador uma situação pior do que a real antes da criação do EP para as empresas que criaram o EP, ou melhor do que o real para as empresas que ainda não criaram o EP. Este fenômeno, conhecido como “Social Desirability” (SPECTOR, 1992, p. 11) leva os indivíduos a responder de forma socialmente aceitável, ao invés de forma consistente com suas reais percepções. Isto pode ter criado um viés nas respostas às perguntas
sobre a satisfação com a entrega dos projetos e a satisfação com o controle do portfolio, bem como nas respostas às questões sobre a opinião sobre EP. Observou-se esse fenômeno também na avaliação da importância estratégica do portfolio de projetos. Em quase todas as empresas, a carteira de projetos de TI foi considerada de elevada importância estratégica, deixando o pesquisador em dúvida se isto é realmente assim ou se na verdade o entrevistado desejava valorizar seu trabalho perante o pesquisador. A quarta limitação refere-se à dependência da memória dos indivíduos para as empresas com EP-TI. Nesses casos, tanto a identificação (nos estudos de caso) como a mensuração (no levantamento quantitativo) dos direcionadores da decisão de criar ou não criar um EP-TI são baseados nas lembranças de indivíduos sobre o contexto da empresa há meses ou anos atrás. Portanto, pode-se questionar a exatidão dessas lembranças, sobretudo para empresas que criaram o EP-TI há muitos anos atrás. Para aumentar a confiança nos dados coletados nesses casos, confirmou-se que os respondentes estavam satisfatoriamente familiarizados com o contexto da decisão sobre criar ou não criar um EP-TI, o que deixa o pesquisador tranqüilo com relação à capacidade dos entrevistados de opinar sobre esse contexto. Desta forma, acredita-se ter sido minimizado o efeito adverso da questão da memória sobre a validade das respostas dos entrevistados. A quinta limitação relaciona-se com a categorização das empresas em uma das duas categorias, com e sem EP-TI. É preciso reconhecer que embora os questionários tenham uma definição que facilita esta tomada de decisão, houve 2 casos, relatados na seção 8.2.1, em que ficamos em dúvida sobre em que categoria alocar a empresa. Isto se deve ao fato de que em muitas empresas a criação do EP-TI é um processo lento, em virtude da resistência de executivos da empresa à idéia de existência de um setor em TI focado exclusivamente em projetos. Nestes casos, as atribuições do EP-TI são diluídas entre alguns setores, que têm outras atribuições além de cuidar dos projetos de TI. Cumpre reconhecer que nesses casos outro pesquisador poderia ter classificado a empresa diferentemente. Entretanto, mesmo que assim fosse, como o número de casos em que isto ocorreu é pequeno dentro do total, então é lícito supor que eles não influenciariam demasiadamente os resultados. A sexta limitação refere-se ao tamanho da amostra. Em virtude da dificuldade em conseguir entrevistar o CIO ou outro executivo influente de TI em grandes empresas, o tamanho da amostra foi o mínimo recomendado na literatura. Em conseqüência, não foi possível testar a eficiência preditiva do modelo discriminante com uma parte reservada da amostra, isto é, não utilizada no cálculo dos parâmetros do modelo. Para mitigar os efeitos deste limitação, que produz uma estimativa enviesada positivamente da taxa de acerto da matriz de classificação, utilizou-se o procedimento de validação cruzada, que resultou em uma taxa de acerto apenas ligeiramente
inferior. Portanto, acredita-se que esta limitação não compromete a confiabilidade dos resultados. Finalmente, a sétima limitação no processo de coleta e análise dos dados refere-se à falta de verificação da validade de critério da escala e da validade externa dos índices. Spector (1992, p. 49) argumenta sobre a grande dificuldade de conduzir testes teóricos e testes de validade simultaneamente, pois se algo não der certo não se sabe se o problema está na escala ou na teoria. Portanto, era preciso que houvesse um critério confiável para que o teste de validade da escala e dos índices fossem realizados. Porém, na revisão de literatura não se encontraram variáveis confiáveis para usar como critérios. Acredita-se que as bases teóricas criadas com esta pesquisa viabilizarão esse teste em pesquisas futuras.