6 Case Study Martin Linge
6.4 Well 30/4 A-08 Liner Tieback String
As questões espaciais, a consciência corporal, a linguagem oral estruturam-se nos momentos em que cantamos, dançamos juntos. Diante desse olhar, percebemos a música como o fio condutor para o labirinto que ora nos propomos a percorrer no trabalho com as crianças. Portanto, a música não pode ser dissociada da Educação Infantil, há uma grande necessidade de se desenvolver nas crianças pequenas o senso do ritmo, pois o próprio corpo produz sons e segue um ritmo que é peculiar a cada ser.
Eu mesmo sou uma caixinha de sons variados: O som da minha voz, da minha barriga roncando, O som que faço mastigando, chupando sorvete, Estourando bola de chiclete [...] som encontra-se Em toda parte, partindo do nosso corpo, pela casa, Pelo campo, pela cidade.
(LEÃO, 2005, p. 7e 16)
Sendo a música uma área do conhecimento com fins e objetivos em si mesmos, não pode estar presente na escola no sentido de coibir comportamentos ou ser relegada a um mero recurso pedagógico, pois elaconsegue “passear”, transitar de um saber a outro, chegando onde nada mais consegue chegar. Dessa forma, procuramos, em nossa rotina diária, oportunizar momentos em que as crianças vivenciassem e entrassem em contato com o mundo sonoro. Porque a música é “Uma bebida púrpura que aguça todos os nossos sentidos”, que se relaciona com as demais áreas do conhecimento, possibilitando um trabalho transdisciplinar.
Essa relação acontece desde os tempos mais remotos, a teoria da “Música das Esferas, “por exemplo”, defendida por Pitágoras. Ele imaginava que as sete esferas produziam a música das esferas e não podiam ser ouvidas pelos humanos por ser ela própria a música da vida que nós ouvíamos desde o nascimento, ritmada de forma nata no homem, como o coração e a pulsação que batem ritmicamente. Ele atribuiu às esferas, ao Sol, à Lua e aos astros em harmonia no universo. Para Pitágoras, as coisas são números e cada coisa que percebemos possui natureza vibratória e tem seu número específico de vibração e que todas as coisas têm uma relação numérica ou harmônica no Cosmos. Ele defendia a ideia de que, se picos altos e baixos podem ser combinados numa perfeita harmonia, era natural supor que todos os objetos possuam relacionamento análogo. Para ele a harmonia significava um equilíbrio ou fusão contrários. E o número era a “chave” do universo (FEITOSA, 2007).
A sua teoria procurou estabelecer uma relação entre astronomia e a matemática, utilizando-se para isso a geometria e a música. Assim, postulou as distâncias relativas entre o sol, a Lua e os astros, levando em conta uma relação harmônica que poderia ser expressa numericamente. Para ele, tanto o sol, como a Lua e os astros possuíam frequências vibratórias correspondentes a oitavas específicas da escala universal. Cada qual produziria vibrações, do mesmo modo que uma lira produz sons.
Se os planetas são vibratórios, devem propagar oitavas que podem ser percebidas, do mesmo modo que quando alguém tange as cordas de um instrumento musical. [...] Ele não quis dizer que essa harmonia do universo pode ser audível fisicamente, como ouvimos a voz de outra pessoa[...], ele quis dizer que se não ouvirmos essa música das esferas é porque não estamos harmonizados com sua frequência vibratória.
Disponível em: www.organon.hpg.com
É inegável a importância da música para o desenvolvimento infantil e da humanidade. Ela está associada a todo um processo da construção do conhecimento. Desde os tempos mais remotos, quando o homem primitivo procurava imitar os sons da natureza para poder compreendê-la e poder se relacionar com ela em prol das suas necessidades.
Segundo os RCNEIs (Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil), a música se mostra como uma das expressões mais importantes da humanidade e isso já a justifica no contexto educacional de forma geral, e para a Educação Infantil tem uma importância ainda maior e particular. Como tal (BRASIL, 2001), definem como objetivos para o trabalho as seguintes ações:
Objetivos
Ouvir, perceber e discriminar eventos sonoros diversos, fontes sonoras e produções musicais;
Brincar com a música, imitar, inventar e reproduzir criações musicais;
Explorar e identificar elementos da música para se expressar, interagir com os outros e ampliar seu conhecimento de mundo;
Perceber e expressar sensações, sentimentos e pensamentos por meio de improvisações, composições e interpretações musicais;
Oportunizar às crianças o contato com a diversidade sonora; Desenvolver a oralidade através das canções;
Perceber e explorar os sons do corpo;
Desenvolver através dos ritmos corporais noções espaciais/espaço- tempo; Desenvolver a percepção auditiva/ atenção/concentração;
Desenvolver a oralidade.
Quanto aos conteúdos, procuramos organizá-los levando em consideração o que os referenciais propõem, como também direcionar para a linguagem matemática.
Ritmos/movimento; Partes do corpo; Espaço/tempo; Órgãos dos sentidos; Sequência;
Início/fim; Som/silêncio;
Movimentos (rápidos, lentos, moderados); Escuta musical;
Linguagem ora/escrita; Sons da natureza; Espaço/forma;
Jogos de faz de conta; Jogos cantados; Brinquedos cantados.
As atividades propostas foram:
A exploração de materiais e a escuta de obras musicais para propiciar o contato e experiências com matéria-prima da linguagem musical pelo fazer e pelo contato com obras diversas;
A reflexão sobre a música como produto cultural do ser humano, como importante forma de conhecer e representar o mundo.
As atividades foram pensadas de acordo com os objetivos que foram propostos e gradativamente iam surgindo novas situações quanto ao reconhecimento e utilização expressiva, em contextos musicais das diferentes características geradas pelo silêncio e pelos sons: altura (graves ou agudos), duração (curtos ou longos), intensidade (fracos ou fortes), e timbre (característica que distingue e “personaliza” cada som.); reconhecimento e utilização das variações de velocidade e densidade na organização e realização de algumas produções musicais; participação em jogos e brincadeiras que envolvam a dança e/ ou improvisações musicais; repertório de canções para desenvolver memória musical; escuta de obras musicais variadas; participação em situações que integrem músicas, canções e movimentos corporais; escuta de obras musicais de diversos gêneros, estilos, épocas e culturas, da produção musical brasileira e de outros povos e países; reconhecimento de elementos musicais básicos: frases,
partes, elementos que se repetem (a forma, o refrão); informações sobre as obras ouvidas e sobre os seus compositores para iniciar conhecimentos sobre a produção musical; construção de uma bandinha rítmica (explorando materiais adequados à confecção, sendo possível desenvolver recursos técnicos para a confecção dos instrumentos e informar-se a respeito da história dos instrumentos confeccionados); fazer músicas por meio de improvisação ou composição no momento em que os instrumentos criados estiverem prontos; ouvir os sons de diferentes instrumentos musicais; representar através de desenhos, pinturas, modelagens e outros os sons ouvidos; realizar aula de campo à Escola de Música; convidar músicos para ir à escola; criar gestuais musicais; apresentar para a escola e pais.
Como recursos, procuramos fazer uma pesquisa em que pudéssemos encontrar o máximo de opções musicais possíveis para que viessem a acrescentar no repertório musical dos pequeninos, ampliando o seu conhecimento acerca do som em vários tons. Como sugestões, propusemos dvds da Palavra Cantada; de Adriana Par Tim Pim 1 2 3; Balão Mágico; Trem da Alegria; Pequeno Príncipe no País da Música; Toquinho no Mundo da Criança; Casa de Brinquedo, de Toquinho; música de Brinquedo do Pato Fu, sons do corpo, cds. CDs infantis: Bia Bedran, Pluct Plact Zoom, Sítio do Pica Pau Amarelo, A arca de Noé 1 e 2 (Vinícius de Morais), Abelhudos, os Saltimbancos, o Baile do Menino Deus, Tum Pá, Hardy Guedes, Castelo Rá Tim Bum, O Vale Encantado, Anjos da terra, Bandeira de São João, Advinha o que é, Brincando de roda, Acalantos brasileiros, Meu pé, meu querido pé, O menino poeta, Sons por toda parte, Casa de brinquedo, Cocoricó. Vídeos: Donald no país da matemática, Pedro e o lobo, o Hino Nacional tocado por diferentes instrumentos, entre outros.
A avaliação se deu de forma contínua, através de relatos pelo professor dos avanços e recuos, participação/envolvimento das crianças nas atividades propostas.
Gradativamente fomos estruturando um trabalho que procurava de maneira lúdica tratar de conceitos abstratos com as crianças. A senha, passagem e diversão aconteceu através das atividades em que as crianças foram levadas a vivenciar situações em que pudessem pensar a respeito da matemática e que fossem construindo os seus conceitos pouco a pouco.
Diversos autores são enfáticos em defender a ideia de que só se aprende algo fazendo. As crianças quando chegam à escola já vêm com alguns conceitos construídos, pois vivenciam situações o tempo todo em que selecionam, discriminam, separam e agrupam, utilizando-se de recursos que criam para resolver seus conflitos. Os bebês, por exemplo, desde muito pequenos conseguem distinguir o som da voz materna dos sons de outras vozes, o seu rosto, o toque, e assim vão se desenvolvendo e aperfeiçoando cada vez mais seus critérios, e criando outros.
A escola, como lugar de excelência em produção de conhecimento, não tem cumprido a sua principal função, relegando as crianças a um trabalho mecânico de se reproduzir coisas já prontas e achar que unir pontinhos vai desenvolver a coordenação motora dos pequenos, ligar o número a uma quantidade de objetos é estar fazendo correspondência. As crianças não são levadas a pensarem, a resolverem situações problematizadas, não são encorajadas a desenvolverem sua autonomia intelectual para encontrar soluções para um problema. Na foto 60 podemos perceber situações em que as crianças se deparam com problemas e precisam encontrar uma solução para ele.