2. Methods
2.3 Weighting of Indicators
Segundo Boekarts (2002), as crianças mais novas sentem que são capazes de realizar qualquer tarefa, pois acreditam que seus esforços são suficientes para isto e têm, naturalmente, uma visão positiva de si mesmas, independentemente dos resultados obtidos, pois veem o esforço como o mais importante para a conquista do sucesso.
Já os jovens são mais realistas, isto é, as situações de sucesso ou fracasso determinam sua crença de autoeficácia e, consequentemente, a quantidade de esforço que será destinado para a realização das tarefas. São mais susceptíveis aos acontecimentos atuais, aos resultados obtidos e à opinião dos outros sobre si mesmos, às críticas ou elogios.
Portanto, o aluno precisa ser encorajado a ver a si mesmo como responsável pela própria aprendizagem, reconhecendo que o esforço empregado em determinada tarefa influencia o resultado obtido, ainda que empregar muito esforço na realização de uma atividade não implique, necessariamente, que o aluno conseguirá êxito.
Porém, os alunos só serão encorajados a acreditar que vale a pena esforçar-se para atingir um objetivo, se eles percebem que este esforço será realmente valorizado pelo
professor e pela família (BOEKARTS, 2002).
O encorajamento dado pelo professor através do elogio ressaltando, com sinceridade, aquilo que o aluno tem de melhor, transmitindo confiança em seu potencial, aumenta a autoestima do aluno e pode motivá-lo.
A autoestima é uma necessidade básica do ser humano e, na ausência dela, surgem sentimentos de inferioridade, de incapacidade e insegurança que interferem em suas atitudes frente aos desafios, podendo até impedir sua ação.
A crítica também pode funcionar como um fator motivacional quando é feita de forma sensível e construtiva, ressaltando as falhas, mas apontando alternativas, promovendo a reflexão do aluno sobre seu desempenho e suas atitudes, mostrando a ele que a mudança é possível.
De acordo com a forma de conduzir a aula e de exercer sua autoridade em sala, o professor pode favorecer a ou não a autonomia do aluno, que é um fator motivacional também importante. Como já destacado anteriormente, todo ser humano tem a necessidade de ser autônomo, de exercer seu livre arbítrio e fazer suas escolhas.
Para que o aluno possa experimentar essa autonomia de forma consciente, o professor precisa incentivá-lo a tomar decisões, e a avaliar suas escolhas, medindo as consequências que elas trazem, encarando os erros cometidos como uma oportunidade de aprender e se preparar para outras situações semelhantes no futuro.
Algumas estratégias sugeridas por Boekarts (2002) são:
− Valorizar o esforço do aluno e não somente o seu resultado, elogiando seu empenho e encorajando-o a continuar tentando.
− Valorizar as tentativas do aluno para resolver os problemas e os resultados parciais que ele encontra, levando-o a aceitar o próprio erro como parte do processo de aprendizagem.
− Incentivar o aluno a refletir sobre a quantidade de esforço empregado em uma tarefa e
o resultado obtido, para ajudá-lo a perceber a relação entre eles.
− Questionar o aluno sobre as estratégias escolhidas por ele na execução das tarefas,
levando-o a refletir sobre o porquê da decisão, mostrando estratégias mais adequadas que ele poderia ter utilizado.
Segundo Guimarães (2004), para incentivar a autonomia, o professor deve interagir com os alunos, dedicando tempo e atenção, ouvindo-os, dialogando, evitando exercer controle sobre todas as ações dentro de sala de forma autoritária e, sempre que possível, encorajando-os a:
− Participar das decisões e do planejamento das atividades. Por exemplo: deixar que eles proponham temas para estudo, tipos de atividades que já trabalharam e que mais acharam interessantes, escolher datas possíveis para trabalhos e provas, etc.
− Expor suas ideias e opiniões. Proporcionar, por exemplo, momentos de debate sobre os problemas da turma, avaliar as aulas, o conteúdo e as atividades propostas, apontando pontos positivos e negativos, sugerindo mudanças.
− Propor regras de convivência em sala de aula que eles acreditam serem necessárias,
permitindo que eles analisem as regras já estabelecidas pela escola e vejam a sua importância.
− Responsabilizar-se pelo cumprimento dos compromissos assumidos em conjunto,
incentivando-os a fazer uma autoavaliação do comportamento e das consequências da sua conduta para a turma como um todo.
− Estabelecer metas pessoais. Uma forma de encorajá-los a ter objetivos é incentivando- os a sonhar com o futuro, a pensar na profissão que gostariam de ter, a buscar informações sobre o que é necessário para chegar lá (esforço, conhecimento, anos de estudo, força de vontade, etc), demonstrando confiança em seu potencial.
− Usar sua liberdade com consciência e respeito ao direito do outro. Trabalhar de forma menos individualista e competitiva, privilegiando o trabalho cooperativo e a formação de grupos de estudo para desenvolver a capacidade de trabalhar em equipe e possibilitar a interação, a troca de experiências e a valorização do outro.
A maneira com que o professor se dirige aos alunos, comparando o desempenho deles, deixando claro o que mais valoriza (esforço ou resultado, quantidade ou qualidade, etc.), revela sua concepção de ensino e aprendizagem e pode ser um fator determinante da motivação, principalmente quando demonstra suas expectativas e julgamentos em relação à capacidade dos alunos.
O uso de palavras pejorativas ou comparativas pode diminuir a autoestima do aluno, aumentando seu senso de incapacidade diante das tarefas propostas. Para que haja encorajamento e motivação para aprender o professor deve:
− Elogiar as atitudes e o desempenho do aluno sempre que possível, de forma individual
e reservada, evitando que os outros pensem que o professor tem alguma preferência por aquele aluno ou grupo de alunos.
− Comentar com o aluno individualmente sobre seu mau desempenho, incentivando-o a
falar sobre as dificuldades que tem enfrentado, descobrindo a que ele atribui este resultado.