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W HAT CAN THIS TELL US ABOUT THE TEACHERS ‟ SCOPE OF ACTION ?

6. CONCLUSION

6.4 W HAT CAN THIS TELL US ABOUT THE TEACHERS ‟ SCOPE OF ACTION ?

No intuito de apresentar com maior clareza o processo do Coaching, buscamos em Echeverría e Olalla (2001b) uma abordagem didática de exploração das diversas fases de um Coaching Ontológico.

a. Etapa de Introdução

Usualmente esta etapa se dá por iniciada com a declaração de um quiebre por parte de uma pessoa, ao mesmo tempo em que declara sua percepção da necessidade de que outra pessoa o auxilie na solução desse quiebre.

Para que o processo tenha chances efetivas de sucesso é imprescindível que o Coachee confira ao Coach a necessária autoridade para que o ajude, outorgando-lhe confiança para que o Coach possa assumir seu papel. O Coach necessita contar com a permissão por parte do Coachee para conduzir sua indagação e saber até onde pode seguir com ela.

Há que se ressaltar o papel destacado que exerce a criação do contexto para que aconteça o Coaching. Echeverría e Olalla (2001b) o consideram o fator mais importante de toda a interação de Coaching. Para os autores o contexto não é só um espaço dentro do qual se desenvolve a ação; é um produto das ações que se realizam.

O fator mais importante de todo o contexto é a emocionalidade, ao ponto que podemos assinalar que um contexto se mede e se entende de acordo com a emocionalidade que irradia. Porém não é possível reduzir o contexto a mera emocionalidade. O contexto físico em que se realiza o processo de Coaching também necessita ser objeto de atenção. Há lugares nos quais o Coaching pode se tornar particularmente difícil, enquanto que em outros, o processo flui com leveza e gera outros resultados.

Cuidado o contexto, é papel do Coach identificar com clareza qual é o quiebre declarado. Muitas vezes, o processo de abertura do Coaching se realiza tão rápido que ambos, tanto o Coach como o Coachee, não se dão o trabalho de assegurar-se que têm clareza de qual

é o quiebre de abertura, abrindo caminhos que não são os que necessitam ser trilhados. A etapa introdutória deve concluir com a clara identificação deste quiebre inicial.

Ter um quiebre é fazer um juízo de uma situação ou experiência, juízo que precisamente converte tal situação ou experiência no quiebre declarado. Enquanto não nos são entregues esses juízos, não conhecemos o quiebre; enquanto não conhecemos os fatos, não podemos iniciar a interação de Coaching.

A separação da experiência de sua explicação é um dos recursos mais importantes do Coaching. É fundamental para o Coach conhecer tanto os fatos como os juízos emitidos pelo Coachee sobre eles, porém, imprescindível mantê-los separados.

b. Etapa de Interpretação

A interpretação é a segunda etapa do processo de Coaching. O que se busca nela é ir além do quiebre declarado para uma melhor interpretação da estrutura de coerência que caracteriza o Coachee e que faz, primeiro, que a situação apontada seja um quiebre para ele e, segundo, que não esteja em condições de resolvê-la por si mesmo. Algumas perguntas a serem feitas são: o que impede ao Coachee de observar o que lhe permitiria cuidar da situação? O que lhe impede de atuar? Em outras palavras, o que o bloqueia? Para responder a essas perguntas é necessário remeter-se aos três domínios primários da estrutura do observador: corporalidade, emocionalidade e linguagem.

É fundamental esclarecer que não se trata de três domínios autônomos. O que acontece em um nível, carrega junto com ele os outros dois. Assim, o que acontece no nível da emocionalidade se expressa em nossas posturas corporais e na forma como nos expressamos com palavras. O que dizemos aos outros, o que dizemos a nós mesmos, o que escutamos, tudo isso afeta nosso corpo e nossa emocionalidade. Queremos dizre com isso que corporalidade, emocionalidade e linguagem tendem a ser coerentes.

É essa tendência à coerência nos três domínios primários que nos permite falar da particular estrutura de coerência do observador que somos. A prática do Coaching Ontológico tem como um dos objetivos centrais interpretar a estrutura particular de coerência do Coachee e intervir nela, com o objetivo de modificá-la. Modificá-la para que o Coachee, com base em suas inquietudes, possa observar aquilo que o leva a gerar os resultados que não o estão satisfazendo e tomar as decisões necessárias para gerar resultados diferentes e favoráveis.

É sabida a importância das emoções e dos juízos na prática do Coaching. É necessário reconhecer, sem dúvida, que nem toda emoção e nem todo juízo têm a mesma relevância. Então, faz-se necessário, aqui, introduzir uma distinção.Temos, por um lado, as emoções e juízos mestres de uma pessoa. Por eles entendemos aquelas emoções e juízos que definem sua particular forma de ser e que se encontra na base de muitas outras emoções e juízos. De alguma forma, eles sustentam a existência global de um indivíduo. Aquelas emoções e aqueles juízos que resultam dos primeiros, que estão mais diretamente associados a circunstâncias conjunturais e que são, por tanto, mais específicos e temporais os chamaremos emoções e juízos secundários.

O Coach deve procurar deslocar-se do quiebre declarado e das emoções e juízos secundários que costumam acompanhá-lo para um nível de maior profundidade e no qual começamos a reconhecer as emoções e os juízos mestres. Uma vez alcançadas essas emoções e esses juízos mestres o Coach começa a sentir que conta com as peças chaves da estrutura de coerência do Coachee.

A ferramenta principal na etapa de interpretação é a indagação. Através da indagação falamos para escutar. Sua disposição básica é a abertura para o outro. Um Coach ontológico requer ser altamente competente no escutar. Quem não sabe escutar dificilmente poderá fazer Coaching.

Indagamos fazendo perguntas. Uma pergunta é um pedido onde o que se pede é informação. A princípio trata-se de perguntar para entender o quiebre. Aqui temos que ter sempre em mente que nossas perguntas devem estar dirigidas em duas direções diferentes: a informação dos fatos e a informação dos juízos que o Coachee tem sobre os primeiros e que o constituem como quiebre.

As perguntas desempenham múltiplas funções no processo de Coaching e não só a de obter informação da parte do Coachee. Muitas vezes perguntamos não tanto pra ter informação adicional, mas para corroborar algumas de nossas interpretações. As perguntas servem como ferramentas para dissolver nosso pano de fundo de obviedade ou o que consideramos de sentido comum.

Na etapa de interpretação, um dos objetivos do Coach é captar a forma de ser do Coachee através de uma indagação sustentada sobre suas experiências, suas formas de atuar e

de reagir frente a diversos acontecimentos. Seu propósito é a progressiva construção de uma interpretação sobre a forma de ser do Coachee.

A etapa da interpretação se fecha quando o Coach julga que conseguiu construir os elementos básicos da estrutura de coerência que conforma o observador do Coachee e que já está em condições de intervir nela. A partir disso o Coach sente que entende o modo particular de ser que define o Coachee. A ênfase principal desta etapa é colocada na reconstrução do ser. Ao seu final, o Coach poderia dizer ao Coachee: “Esta é sua maneira de ser. Por isso tem este quiebre. E por isso mesmo não pode dar conta dele. Enquanto continue assim, será difícil que possa resolvê-lo”.

O fechamento dessa etapa deve assegurar o cumprimento da regra de ouro do Coaching Ontológico: o Coachee deve validar a interpretação construída pelo Coach. Se o Coach conclui com uma interpretação que o Coachee não valida, esta serve de muito pouco. Não devemos nos esquecer nunca que o Coach é um facilitador. Quem leva o principal leme do processo não é ele; ao final das contas é o Coachee.

c. Etapa de Intervenção

É fundamental esclarecer que esta divisão do processo de Coaching em etapas não se verifica com igual clareza na prática. Assim, o trânsito da etapa de interpretação para a etapa de intervenção se manifesta normalmente como uma mudança de ritmo e emocionalidade na conversação entre o Coach e o Coachee. E, importante ressaltar, para intervir, o Coach deve se colocar fora da estrutura de coerência do Coachee, a partir de juízos e emocionalidades diferentes daqueles que o Coachee manifesta. Caso contrário estará envolvido pelo quiebre declarado; poderá ter “comprado” a história do Coachee.

Uma das características que mais se sobressai no Coaching Ontológico é o caráter que a ação humana lhe confere. Na etapa de intervenção a ação se coloca como central.

Em primeiro lugar, o Coach opera consciente do caráter ativo e transformador de sua palavra e a utiliza nessa direção. Nesta etapa o Coach já não tem como objetivo principal o “fazer sentido” do Coachee, e sim muito mais buscar ajudá-lo a gerar sentidos novos. Na etapa anterior, a palavra do Coachee guiava o Coach na construção de sua interpretação; nesta etapa a relação se inverte e é a palavra do Coach a que guia o Coachee na construção de novos sentidos. O caráter gerador da linguagem agora se faz patente.

Em segundo lugar, a ação possui um papel protagonista não só pelo papel ativo da palavra do Coach, mas também porque esta palavra está dirigida a que o Coachee possa iniciar ações que previamente não lhe eram possíveis. O objetivo da etapa de intervenção é a expansão da capacidade de ação do Coachee.

Na etapa de intervenção, contando com uma interpretação sobre sua forma de ser, o Coach busca ajudar o Coachee a mover-se para uma forma de ser diferente. Para que isso aconteça, é insuficiente que o Coachee se limite a modificar suas interpretações. Modificando-as, isso deve induzi-lo a modificar também seu comportamento, sua maneira de atuar. Somente assim terá se transformado em uma pessoa diferente.

Muitas vezes acontece que o trabalho do Coach se oriente a buscar um ponto de inflexão onde concentrará seu esforço de intervenção. Normalmente se trata de localizar um determinado juízo mestre em volta do qual se aglutinam outros juízos e uma gama de emoções, fazendo de obstáculo principal para a resolução do quiebre selecionado. O Coach intui que de conseguir desmontar esse juízo, ele pode gerar um efeito importante de rearticulação da estrutura de coerência do Coachee.

Não existe “uma” estratégia correta de intervenção. Sem dúvida, é útil esclarecer que o Coach pode escolher sempre três caminhos de intervenção: a linguagem, a emocionalidade ou a corporalidade. Na estrutura de coerência do Coachee os três estão comprometidos e, optando por um, estaremos atuando nos demais, inevitavelmente.

A experiência nos mostra que frequentemente é mais difícil trabalhar a partir do mesmo domínio ao qual pertence o obstáculo que desejamos dissolver. Esse domínio é onde o Coachee costuma ter desenvolvido suas maiores defesas e podemos encontrar uma maior resistência à mudança. Ao dirigir a intervenção através dos outros dois domínios, suas resistências costumam ser menores e possivelmente comprovaremos que, a partir de posturas corporais diferentes, sua abertura a revisar juízos e mudar sua emocionalidade aumenta.

O Coaching é uma experiência de aprendizagem. Como toda aprendizagem, requer, portanto, que aquilo de novo que se tenha produzido se mantenha e não se dissolva imediatamente depois. É necessário que a aprendizagem seja “incorporada” de tal maneira que se transforme numa maneira habitual de ser e em repertórios de ações que se realizem com crescente transparência. A isto chamamos o processo de “incorporação” que se caracteriza pela materialização do aprendizado.

É recomendável que se institua algumas modalidades de acompanhamento nas quais o Coach possa avaliar progressos e regressões com respeito ao alcançado nas sessões de Coaching iniciais. Porém, além do acompanhamento, os requerimentos de “incorporação” costumam estabelecer algumas exigências no momento do fechamento de uma interação de Coaching.

d. O Fechamento da Interação

Chega um momento em que a interação de Coaching deve se encerrar. Quando é esse momento? Mais uma vez, eis uma resposta que descansa fortemente no discernimento do Coach. Não há um ponto claro no processo no qual surja um sinal dizendo que chegou o momento.

O encerramento é um processo no qual o Coach necessita “cuidar” do Coachee para poder chegar ao fim da interação. Quando isso acontece, costuma-se registrar alguns fatos de importância que se podem ser utilizados como indicadores de término. Dentro desses indicadores nos interessa destacar três. Em primeiro lugar, costuma-se observar uma transformação no tipo de observador que é o Coachee. Ao finalizar o processo de Coaching, o Coachee observa seu quiebre com outros olhos e ganha o juízo de que tem um caminho para cuidar dele (o quiebre). A interação produziu uma importante mudança nele.

Em segundo lugar, e muito relacionado com o anterior, se constata uma importante modificação na emocionalidade do Coachee. Obviamente isto é uma manifestação da mudança do observador. É como se lhe tivessem tirado um peso das costas. Sua postura, seu rosto, seus olhos expressam essa mudança de emocionalidade. O Coach percebe que o Coachee ganhou um olhar diferente com respeito ao futuro.

Por último, o Coachee mostra o compromisso de dirigir-se à ação e tomar as medidas que lhe permitirão encarar seu quiebre. Costuma ser importante que o Coach se assegure que a transformação de observador que foi registrada seja capaz de fazer chegar à ação e que, portanto, consigam se identificar ações concretas a realizar.

É importante que o Coach esteja consciente de que existe uma diferença importante entre o espaço no qual se desenvolveu o Coaching e o espaço no qual o Coachee terá que atuar. Ações que surgem como possíveis em um, podem mostrar-se bastante mais difíceis em outro, onde o Coachee se encontra só, sem o apoio do Coach. Nesse último espaço, o da vida

efetiva, podem acontecer coisas que nem sempre se consegue antecipar na interação de Coaching.

A interação de Coaching nem sempre finaliza no momento do fechamento. Assim que a interação se deu por terminada, costuma ser conveniente que o Coach volte seu olhar e constate o que aconteceu logo após o fechamento. O Coach precisa ter em mente que os efeitos de sua interação continuam atuando, mesmo depois do fechamento do Coaching, e ele – o Coach – continua tendo responsabilidade diante disso.