5. PRESENTATION OF FINDINGS AND ANALYSIS
5.4 S PECIFIC INFLUENCES RELATED TO THE SCOPE OF ACTION
5.4.2 Biased evaluation?
Vimos, então, que o Coaching dispõe de duas perspectivas, de dois modos de observação: a estrutura e a história. Fica a pergunta: para onde dirigir o olhar? Com base em quê? Dentro dessas duas perspectivas, segundo Echeverría e Olalla (2001b) são seis os domínios passíveis de observação no mundo do Coaching Ontológico: o experiencial, o discursivo, o de execução, o moral, o emocional e o físico. Veremos cada um logo abaixo.
Para fins de simplificação, ressaltamos que o conteúdo abaixo está integralmente apoiado em Echeverría e Olalla (2001b), haja vista não termos localizado, na literatura, qualquer outra citação sobre o tema com essa abordagem.
a. Domínio Experiencial
Para entender quem é alguém, é importante conhecer a história de experiências pelas quais essa pessoa tenha passado. Ser como somos é, em parte, conseqüência das ações e acontecimentos de nossa vida. Porém, é impossível conhecer toda a história de alguém. Assim, duas fontes são importantes: o que o Coachee considera como experiência significativa em sua vida e o que o Coach pode considerar importante perguntar-lhe depois.
Em questões de seu passado onde o Coachee faça um grande silêncio, podemos suspeitar que algo importante está faltando em sua versão acerca de suas experiências. Echeverría e Olalla (2001b) dão a esse silêncio o nome de “silêncio significativo”. Significativo porque não foi dito e é algo crucial na história do Coachee.
Sabemos que nunca se terá a história completa. Nisso não há importância: mudanças ontológicas não acontecem por lidarmos com as histórias dos Coachees. Então, o Coach necessita ter cuidado para não permanecer preso ao passado do Coachee. O Coaching Ontológico sempre põe ênfase no futuro e ocorre de maneira efetiva como resultado de ter liberado o Coachee do peso de seu passado.
b. Domínio Discursivo
Existem experiências pelas quais passamos – ações e acontecimentos – e existem as histórias que contamos delas. Chamamos história a algo que vai além do relato das experiências. Uma história se constrói em torno dos juízos e explicações sobre “porque” ocorreram essas experiências. Uma regra fundamental no Coaching Ontológico é a de separar sempre a história da experiência, a explicação do fenômeno10, o juízo das ações. Podemos ter histórias muito diferentes a partir da mesma experiência.
É comum que nossas histórias coloquem ênfase na relação entre o acontecimento e nossa interpretação de por que aquilo aconteceu. É significativo para o Coaching sabermos que em uma história outorgamos sentido aos acontecimentos e os carregamos de significação para nossas vidas. A forma como o Coachee fala de suas experiências pode revelar uma forma de ser, uma forma de viver. A forma de falar de uma pessoa traz a forma como ela tem o hábito de tratar questões semelhantes em sua vida.
Quando falamos de histórias podemos distinguir pelo menos três níveis diferentes: a história que o Coachee tem de seu quiebre; a história da pessoa e de seu mundo; e as histórias encravadas no discurso histórico a que pertence o Coachee. E elas estão uma dentro da outra: a primeira dentro da segunda, a segunda (que contém a primeira) dentro da terceira. Cada situação de Coaching é uma oportunidade para revelar o vínculo existente entre o quiebre e a pessoa que o sustenta como tal; e entre a pessoa e o discurso histórico ao qual pertence. O processo de individualização - no qual produzimos nossas pequenas histórias sobre nossas pessoas e nosso mundo - se realiza dentro de discursos históricos.
A pessoa do Coachee é, para o Coach, um fenômeno a examinar. O Coach sabe que uma pessoa é somente uma possibilidade de articulação, dentre muitas.
c. Domínio de Execução
Há uma distinção entre o domínio discursivo - possuidor de uma linguagem explícita e o domínio de execução – no qual o componente linguístico está implícito.
O domínio de execução inclui a maneira como fazemos as coisas, a maneira como atuamos com transparência e para a qual não temos história, narrativa ou discurso. Trata-se simplesmente da maneira como chegamos a fazer as coisas.
Um bom exemplo do domínio de execução é o que sugere Flores (apud Echeverría e Olalla, 2001b) a respeito do hábito nos Estados Unidos de se comer pipoca no cinema. É bastante provável que se um norte-americano for perguntado sobre por que come pipoca no cinema, a resposta será “porque gosto” ou “porque tenho vontade”. A resposta consciente dos discursos aos quais estamos submetidos seria algo como “porque esta é a forma como vamos ao cinema nos Estados Unidos”.
Costumamos tomar nossa forma particular de fazer as coisas como a forma normal ou mesmo natural de fazê-las. Nem nos damos conta de que poderíamos fazer diferente. Assim, o que é um fenômeno social é considerado pelo indivíduo como um ato de liberdade (como comer pipoca no cinema).
d. Domínio Moral
O domínio moral estabelece as fronteiras da pessoa. Define o possível e o impossível, o que é necessário e o que não é, o aceitável e o inaceitável. Os limites que a pessoa se impõe podem vir de experiências particulares, discursos históricos (os religiosos aqui têm papel relevante) ou as formas como a pessoa faz as coisas, seus padrões de comportamento.
O Coach necessita saber que o que é aceitável para ele pode não sê-lo para o Coachee. Assim, é importante que o Coach peça ao Coachee que lhe aponte sempre que esteja se aproximando de seus limites morais. As fronteiras morais de uma pessoa podem ser abertas, examinadas e modificadas, mas o Coach nunca deve levantá-las; é o Coachee quem deve fazer isso, conduzido pelo Coach dentro de um contexto emocional adequado.
Os limites morais de uma pessoa não se reduzem somente a algo que possa ser mudado no Coaching, também intervêm na prática mesma do Coaching. Desafio é alterar esses limites, respeitando-os. Ultrapassar esse limite é desastroso. E é nesse ponto que o domínio emocional cobra sua máxima importância. Trabalhamos dentro do espaço que os limites morais nos permitem.
e. Domínio Emocional
Como observadores, sempre vemos os seres humanos num estado emocional ou noutro. Ao escutar o Coachee, o Coach também escuta a “música” na qual isso está sendo dito, o estado emocional que se manifesta no que o Coachee diz.
É importante destacar que o domínio emocional estabelece os limites do que é possível alcançar no futuro. Se me sinto no entusiasmo posso ver possibilidades no horizonte; ao contrário, se estou em depressão, o futuro não se apresenta com nenhuma possibilidade. Da mesma forma, o ânimo do Coachee determina a que se pode chegar numa conversa de Coaching.
Numa conversação de Coaching acontece uma dança de estados de ânimo, e o ânimo que prevalece é aquele que determinará o muito ou pouco que poderá gerar o Coaching. O que um Coach não pode esquecer é que é ele o líder, a condução é do Coach, lembrando que conduzir é diferente de controlar.
O Coaching Ontológico é um processo emocional, mas não só emocional. Qualquer coisa que se faça na conversação de Coaching está baseada no contexto emocional que o Coach seja capaz de desenhar e produzir.
Às vezes o único propósito de uma conversação é criar o estado de ânimo adequado para ter outra conversação. Nada vai acontecer se o Coachee não estiver no estado de ânimo apropriado.
f. Domínio Físico
Não há nenhuma pessoa que não esteja encarnada, que não habite um corpo. A Pessoa que somos é um fenômeno totalmente biológico, já que está enraizada em nossa biologia. Ao mesmo tempo, essa mesma pessoa constitui um domínio fenomenológico diferente. Não podemos dar conta do fenômeno da Pessoa em termos de fatores puramente biológicos. Neste sentido, a Pessoa transcende o domínio biológico.
Há uma relação circular: assim como temos uma Pessoa baseada em nossa estrutura biológica particular, agora temos também um corpo de acordo com a Pessoa que somos. O corpo, assim, se converte em um importante domínio de observação para o Coach. Ao olhar o corpo de uma pessoa, o Coach encontra importantes chaves para chegar à sua alma.
Na interação com o Coachee, este também lerá a linguagem do corpo do Coach. Se queremos ser escutados com confiança, nosso corpo deve despertar essa confiança.