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Vurderte alternativer – valg av utbyggingsløsninger

In document Konsesjonssøknad Åseralprosjektene (sider 61-67)

6 Teknisk plan for omsøkte delprosjekt

6.7 Vurderte alternativer – valg av utbyggingsløsninger

No que se refere às condições de salubridade, diversos viajantes deixaram registradas boas impressões da cidade. Auguste de Saint-Hilaire, quando esteve em Santa Maria entre 1820-1821, deixou registrado “É constituída sobre coluna muito irregular. De um lado avista- se alegre planície, cheia de pastagens e bosques e do outro lado a vista é limitada por montanhas cobertas de espessas e sombrias florestas” (SAINT-HILAIRE,1997, p. 338); Nicolau Dreys, entre 1818 – 1828, apontou que “[...] a população de Santa Maria é diminuta

relativamente à amenidade do lugar[...]” (DREYS apud WITTER, 2001, p. 28); Arsène Isabelle, em 1834, ainda afere que “a situação desta povoação é muito agradável; os arredores, encantadores, são passivelmente habitados” (ISABELLE apud WITTER, 2001, p. 28); e Robert Avé-Lallemant, em 1858, destaca que “da crista da serra goza-se maravilhosa vista. Sobre belos vales e desfiladeiros descortina-se a aprazível Santa Maria e, mais longe, os imensos campos da Província” (AVÉ-LALLEMAND apud WITTER, 2001, p.28-29). Comparando-se os relatos destes viajantes com o discurso dos higienistas do mesmo período, se podem encontrar algumas semelhanças ao pensamento hipocrático, espécie de manual mais recorrente do período, no qual se destaca os ares, águas e lugares. Dessa forma, compreende- se a referência à salubridade dos espaços, o bom regime dos ventos, águas e temperaturas, sendo um ambiente privilegiado em relação às outras regiões (WITTER, 2005). Entretanto, ainda se tem uma visão sobre os lugares amparados pela natureza favorável a saúde, e não como um ambiente salubre graças à intervenção humana, como pensavam os sanitaristas desse período. Ou seja, acreditavam apenas numa perspectiva de higiene através de um controle sanitário da população e do meio externo (VIGARELLO, 2001; NEVES, 2000).

Sobre o final do século XIX, o médico Astrogildo César de Azevedo fez um relato sobre as condições sanitárias da cidade, sendo este publicado na Revista Comemorativa do primeiro centenário da cidade em 1914.

Quem quer que se coloque em um ponto de observação eminente e procure abranger, num golpe de vista, o conjunto do terreno ocupado pela cidade de Santa Maria, facilmente perceberá em suas condições topográficas vantagens circunstanciais para fazer dela um sítio saudável (...) O casario crescente espraia-se dominador sobre o dorso convexo das coxilhas recortadas de vales, em cujo fundo serpeiam sangas, verdadeiros canos de esgotos feitos pela natureza previamente à drenagem do solo e ao pronto escoamento das águas urbanas. No terreno, todo enxuto, não se vêem lagoas, banhados ou pântanos. (...) A ventilação é direta, ampla e desafogada (...), o regime de chuvas nada deixa a desejar (AZEVEDO, 1914) Esse pensamento, que exaltava a salubridade natural dos espaços, não ficava restrito apenas ao médico Astrogildo de Azevedo. Além dos viajantes, que também apontaram esta característica desde o século XIX, o Presidente do Estado entre 1908 e 1913, Carlos Barbosa Gonçalves, quando se referiu as epidemias de varíola e peste bubônica nas cidades de Pelotas, Porto Alegre e Rio Grande, afirmou que devido às “magníficas condições do clima com que foram brindadas, as epidemias extinguiram-se ao entrar” (apud WEBER, 1999, p. 53). O engenheiro Saturnino de Brito, contratado por Astrogildo de Azevedo para elaborar o projeto de saneamento de Santa Maria, quando esteve na cidade em 1918, a pedido do médico que na

época era Intendente Municipal, também ressaltou os aspectos salubres do local. “As condições altimétricas e planimétricas da cidade são favoráveis à salubridade. A altitude varia entre 115 e 190 metros, sobre o nível do mar” (apud MARCHIORI; NOAL, 1997, p. 180).

Entretanto, nota-se uma contradição nos discursos de Astrogildo de Azevedo. Para a Revista Comemorativa, cujo caráter era exaltar a cidade, destaca apenas aspectos positivos da mesma. Porém, em documentação encontrada no Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul, do período em que era Delegado de Higiene do município (1899), encontrou-se um relatório enviado ao Diretor de Higiene do Estado, no qual aponta para os sérios problemas com relação à higiene e urbanidade.

As desvantagens que provém de suas condições topográficas reúne em Santa Maria o inconveniente de achar-se distanciada dos grandes cursos d’água, sendo apenas margeada por insignificantes regatos. A água, em geral, de má qualidade, é fornecida por algumas fontes públicas e particulares. (...) Não existe aqui serviço organizado de remoção de imundícies. O lixo é amontoado nos quintais e os materiais fecais sofrem a exposição da superfície do solo ou, o que é pior, são lançadas em fossas cavadas na terra e desprovidas do mínimo de revestimento estanque. Nos quarteirões onde a população é mais densa, há casas sem quintal, apenas servidas por uma pequena área onde a fossa de latrina e o poço de beber visinham amistosamente. Há algumas ruas calçadas de pedra, mas nunca são varridas. (...) O sistema de edificação é em geral defeituoso, mormente na parte antiga. As casas são muito baixas, sem a necessária iluminação e ventilação. Felizmente, essa rotina já vai despertando certa reação. (...) Não será necessário grande penetração para concluir que dentro de poucos anos a febre tifoide e outras moléstias infecciosas terão conquistado aqui direitos irrecusáveis de domicílio. (Correspondências expedidas da Intendência Municipal 1893-1930, maço 359, caixa 193 – AHRS).

Entende-se que os objetivos dos dois relatos eram diferentes, o primeiro foi exposto a população, tinha um caráter comemorativo. Já o segundo trata-se de um relatório interno, entre os responsáveis pela saúde do município e cujo objetivo do Delegado de Higiene era apontar os problemas pelos quais almejava que medidas fossem tomadas de imediato, inclusive porque já previa a instalação e propagação de doenças em função da insalubridade em que se encontrava Santa Maria. Evidente que não exporia isto aos santa-marienses, pois além de, provavelmente, causar um pânico geral, estaria abrindo margem para possíveis reivindicações que recairiam sob seu cargo.

Num âmbito mais global, outro dado relevante sobre a situação sanitária está relacionado à mortalidade infantil. Historiadores apontam que a rarefação de certas epidemias justifica-se por várias medidas de proteção contra o contágio. Estas se davam através do progresso na administração das cidades, aperfeiçoamento das técnicas agrícolas, controle do desequilíbrio demográfico, mas, sobretudo, devem-se às melhorias das condições de higiene e a universalização da educação. Além disso, merece destaque a diminuição da taxa de

mortalidade infantil, “enquanto esta permanece muito alta – as crianças são mais vulneráveis que os adultos às ínfimas condições de higiene – o equilíbrio demográfico só pode ser garantido por uma alta taxa de natalidade” (ADAM; HERZLICH, 2001, p. 21).

Tabela 02 – Estatística de mortalidade da cidade de Santa Maria – 1º distrito (1899) 0 a 15 dias De 15 dias a 6 meses De 6 meses a 2 anos De 2 anos a 12 anos 12 a 25 anos 25 a 40 anos 40 a 55 anos 55 a 70 anos 70 a 80 anos 80 a 90 anos 90 a 100 anos Total: H M H M H M H M H M H M H M H M H M H M H M H M 14 02 14 14 19 09 07 02 05 07 12 06 07 - 07 05 07 06 02 01 - 01 94 53

Total de óbitos crianças (0 a 12 anos): 81 Total de óbitos de jovens e adultos (12 a 55

anos): 37

Total de óbitos idosos (55 a 100 anos): 29 Total de óbitos em 1899: 147

Fonte: Relatório da Diretoria de Higiene - Correspondências expedidas da Intendência Municipal 1893-1930, maço 359, caixa 193 – AHRS

Desta tabela podem-se extrair vários dados relevantes para compreendermos o contexto do final do século XIX em Santa Maria. Primeira constatação que se faz é sobre quem coletou os dados, foi o Delegado de Higiene da cidade, Dr. Astrogildo César de Azevedo. Destaca-se que 55,1% das mortes ocorriam ainda quando crianças, sendo que destes, 54,3% ocorriam nos seis primeiros meses de idade. A partir disto, concluímos o que os historiadores Philippe Adam e Claudine Herzlich já haviam apontado, sobre a maior suscetibilidade das crianças em relação às condições de higiene. Para resolver esse problema, o Diretor de Higiene aponta várias medidas, pois, cruzando a tabela com o relatório redigido pelo mesmo médico, consegue-se perceber que sua principal preocupação era solucionar os problemas da salubridade e mortalidade da cidade. Acreditava então que, por consequência, as doenças seriam controladas e afastadas do local e os índices de natalidade aumentariam. Ele afirmou nesse mesmo documento “há muito que se fazer pela higiene desta terra”.

No início do século XX, era comum entre os Diretores de Higiene do Estado justificarem os altos índices de mortalidade pela falta de medidas higiênicas adequadas e pelo aumento considerável da população. Explicavam que o coeficiente diminuiria quando ocorressem algumas modificações anunciadas pelo governo, como “o desenvolvimento do serviço de esgotos, a remodelação de algumas áreas da cidade, a demolição de velhos ‘pardieiros’, substituição de prédios urbanos por outros mais ventilados, mais ‘higiênicos’”

(Diretor de Higiene do Estado, 1916, apud WEBER, 1999, p. 62). Embora essas ações de controle dos ambientes e da população não fossem efetivadas de imediato, ainda assim, percebeu-se a adoção de algumas profilaxias urbanas que ajudaram na diminuição gradual do coeficiente de óbitos e no controle das principais epidemias que assolaram o Estado no período. Tem-se como exemplo: a varíola em 1905, o tifo em 1909 e a peste bubônica em 1912, esta última será abordada no capítulo seguinte, destacando o caso que ocorreu em Santa Maria.

4. A INTENDÊNCIA DO DR. ASTROGILDO DE AZEVEDO E O SANEAMENTO DE SANTA MARIA

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