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A inclusão de conceitos culturais e sociais, leva-nos a concluir que esta investigação mais do que analisar as produções artísticas realizadas pelas crianças (como bem ou mal se costuma fazer) e as suas escolhas visuais, recaídas neste caso específico, na sua maioria, sobre os símbolos religiosos e as representações familiares, procurou sensibilizar as crianças para a diversidade cultural e promover-lhes um crescente interesse, empenho e um maior desejo em conhecer e expressar plasticamente valores e crenças das suas Culturas e Tradições.

A abordagem interdisciplinar adoptada, tornou as actividades mais plurais e diversificadas, respeitou os ritmos de trabalho dos alunos, interesses e necessidades, utilizou e experimentou estratégias diversas e serviu de base à comunicação dos vários saberes em arte, pois proporcionou o conhecimento de diferentes linguagens artísticas e hábitos culturais, respeitou a riqueza da cultura individual e colectiva, tornou os dez profissionais de educação

(professores) e os dezassete alunos mais conscientes, atentos e envolvidos na realidade circundante, e propôs novos desafios, necessários e oportunos, a futuras intervenções.

A visita de convidados à escola, estratégia curricular que implicou a participação de familiares de alunos e de uma funcionária da escola, foi considerada oportuna e pertinente, mas insuficiente, pois constatou-se que os familiares convidados, por compromissos profissionais, não colaboraram como se desejava. Essa estratégia permitiu às duas professoras ficarem mais atentas às necessidades e interesses dos seus alunos e mais surpresas, pois foram favoravelmente surpreendidas pela forma como alguns alunos opinaram e como expuseram os seus sentimentos, sobre essa iniciativa.

As narrativas artísticas, realizadas pelos alunos de forma contextualizada com materiais e técnicas diferentes, constituíram uma novidade, uma vez que os alunos relacionaram as suas histórias com a cultura local e representaram-nas plasticamente. Essa contextualização foi facilitada pela análise de imagens e fomentou um verdadeiro desafio para os intervenientes da acção, em termos culturais, sociais e familiares. Por outro lado, proporcionou um diálogo entre as culturas presentes neste contexto escolar, favoreceu o encontro e a descoberta da diversidade, da mudança e da proposta de novas soluções, que ajudaram os alunos a melhor conhecerem e identificarem as suas tradições familiares, do passado e do presente e a desenvolverem as suas percepções sociais e culturais, pela descoberta de várias histórias de vida, num tempo e espaço em que a cultura do quotidiano dos mesmos, tem sido pouco valorizada na escola.

As actividades artísticas no âmbito da olaria fascinaram as crianças. Assim, as respostas dadas pelos alunos ao questionário final evidenciaram aprendizagens, sobretudo na actividade da modelação em barro, e graus de satisfação elevados, tendo todos manifestado que gostaram de intervir e participar nas actividades desenvolvidas, que se tornaram mais conscientes da realidade circundante e que passaram a conhecer melhor as suas tradições e os seus saberes familiares.

Conclui-se que, a reforma curricular introduzida na disciplina de Expressão Plástica, através do Projecto O Lugar das Tradições em Família, com dimensões multiculturais e do Ensino Artístico, incluiu novos conceitos de Cultura, Tradição e Cidadania, que permitiram a aquisição de novos conhecimentos, relacionados com as vivências culturais dos alunos, e que se testassem, a partir da Arte em contexto de Allison (1982):

(i) Novos domínios curriculares; (ii) Novos conteúdos;

(iii) Novas estratégias (análise de imagens); (iv) Novas actividades;

(vi) Novas formas de avaliação, que promoveram a autonomia e o Aprender a

Aprender.

Estes componentes do currículo foram criteriosamente explorados, como consequência de uma mudança de atitudes e comportamentos por parte da investigadora, o que constituiu um contributo maior ao ensino plural, enfatizou a cultura local e se ajustou às necessidades e interesses dos alunos.

A abordagem multicultural ao currículo de Expressão Plástica nesta investigação permitiu:

(i) aumentar os conhecimentos culturais dos alunos, a partir da colaboração directa e indirecta de familiares dos alunos e das funcionárias da E.B.1/J.I. de Benguiados, reflectindo sobre a diversidade cultural (individual e de grupo), num determinado meio sócio-cultural;

(ii) consciencializar as crianças e os docentes para a realidade circundante, os problemas, necessidades e interesses, levando-os a descobrir e a valorizar a Cultura de Rua e os Espaços Plurais, através da arte, aproveitando os saberes familiares, as histórias de vida e os aspectos da cultura e tradição de cada família no ensino-aprendizagem;

(iv) sensibilizar os dez professores para diferentes abordagens curriculares, mais comprometidas e adaptadas à realidade e ao quotidiano das crianças, proporcionando ambientes democráticos e aumentando as relações sociais entre a Escola e a Família, tão importantes à compreensão e ao desenvolvimento da Identidade e Diversidade Cultural; (v) promover participações conjuntas entre a Escola e a Família e aumentar as relações familiares, pelo contar e recontar de histórias de vida de cada família;

(vi) integrar interdisciplinarmente as múltiplas actividades, saberes, capacidades, experiências, valores, interesses e necessidades dos alunos.

Os contributos desta investigação para a Expressão Plástica no 1.º ciclo foram significativos, pois verifica-se que todos os participantes da acção colaboraram no reforço da identidade cultural e da consciência de novas perspectivas culturais, numa concepção mais plural, crítica e construtiva da sociedade. Por outro lado, a intervenção curricular centrada nas dezassete crianças em estudo, teve a finalidade de enfatizar questões, que vulgarmente eram pouco valorizadas e pouco contextualizadas dentro da sala de aula, como seja a Cultura de Rua e os Espaços Plurais (Ver Capítulo I) e promover a descoberta e valorização das tradições locais e

dos saberes familiares e a partilha de saberes entre os diversos agentes sociais (Ver Capítulos IV, V e VI).

6.2.2. Implicações da Investigação para a Formação de Professores Generalistas e