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Como já foi referido, esta investigação - acção, desenvolvida em três ciclos, envolveu diferentes actividades educativas e teve lugar na E.B.1/J.I. de Benguiados, entre os meses de Setembro a Dezembro de 2006.

O ciclo um serviu para a investigadora organizar a revisão da literatura, relacionada com teorias e práticas de vários autores nacionais e internacionais, formar a equipa (investigadora e observadora), redefinir o problema da pesquisa, a que Elliott (1994, p. 89) denomina por ideia

geral, formar as questões da investigação, preparar os recursos e seleccionar o método da

pesquisa e as técnicas de recolha de dados a aplicar nos três ciclos. Reflectiu-se sobre a pertinência da investigação e definiram-se as finalidades da investigação - acção.

O ciclo dois consistiu na preparação da intervenção curricular do ciclo três, como a planificação das aulas, na aplicação do questionário aos dez docentes generalistas da E.B.1/J.I. de Benguiados, descrição, discussão dos dados recolhidos, análise e interpretação e reformulação das aulas já planificadas, a partir dos resultados obtidos. Neste ciclo, a equipa de trabalho ainda seleccionou as estratégias, actividades e recursos e definiu todos os passos da acção, a seguir no ciclo seguinte.

O ciclo três consistiu na implementação de toda a intervenção curricular, na E.B. 1/J.I. de Benguiados, tendo sido introduzido estratégias de interacção entre a Escola e a Família. Neste

ciclo de acção foram ainda testadas e avaliadas estratégias de intervenção curricular e realizadas observações aos alunos, durante todas as intervenções.

A revisão de literatura foi feita, na sua grande maioria, entre os meses de Setembro a Dezembro de 2006, ao longo dos três ciclos da acção, sempre relacionada com teorias e práticas nacionais e internacionais e adequada à questão da multiculturalidade e do ensino artístico. Posteriormente, também foi realizada no período da descrição e análise dos dados, a fim de complementar informações e dar novas respostas, mais completas e adequadas à investigação.

A descrição e análise dos dados foram realizadas, após a intervenção curricular, entre os meses de Janeiro e Fevereiro de 2007. É de referir que as notas de campo e as observações realizadas pela investigadora e observadora, permitiram-lhes fazer as sínteses descritivas de todo o trabalho desenvolvido pelo grupo de intervenientes, que actuaram directa e indirectamente e estiveram implicados na investigação-acção em curso.

Ao longo dos três ciclos de acção, a equipa de trabalho reuniu sistematicamente, para realizar as reflexões e avaliações da acção. Nessas reuniões modificaram-se e reformularam-se procedimentos de trabalho, como os materiais, as técnicas de recolha de dados, as estratégias e as actividades, de forma a torná-los mais ajustados aos problemas, necessidades e interesses dos alunos.

3.4.1. Calendarização das Aulas do Ciclo Três

Ciclo 3 Datas Aula 1 7 de Novembro de 2006 Aulas 2 e 3 8 e 9 de Novembro de 2006 Aulas 4 e 5 14 e 15 de Novembro de 2006 Aula 6 22 de Novembro de 2006 Aula 7 23 de Novembro de 2006 Aula 8 11 de Dezembro de 2006 3.4.2. Contexto local 3.4.2.1. Escola Participante

Nesta investigação, a investigadora teve em conta o meio local onde as crianças em estudo estão inseridas e o seu local de trabalho, durante o ano lectivo 2006-2007. Pois como Graue e Walsh (2003) defendem,

Trata-se da E.B. 1/ J.I. de Benguiados, uma escola do meio urbano, do Norte de Portugal, em funcionamento desde 1989, pertencente ao estabelecimento educativo do Agrupamento Vertical Afonso Betote. Localiza-se na zona norte e noroeste do centro de Vila do Conde, distrito do Porto, junto à nacional 13, à E. B. 2,3 Frei João, à escola Secundária José Régio e ao parque da Cidade. O interior do edifício escola, onde foi desenvolvido o estudo, apresenta características modernas, sem nenhum tipo de construção definida, com salas de aula, uma cantina, um polivalente, uma biblioteca, várias instalações sanitárias, uma arrecadação, uma sala dos surdos, um bar de professores e funcionários e um gabinete para a Coordenação da Escola. O espaço exterior apresenta uma grande área recreativa, lúdica e de lazer, com dois cestos de basquetebol, cestos do lixo, bancos de cimento, dois bebedouros, árvores (pinheiros e plátanos), uma pequena horta pedagógica e um parque infantil.

3.4.3. Participantes

Esta investigação contou com as seguintes participações. No 1.º ciclo:

(i) Vinte convidados (quinze encarregados de educação dos alunos, quatro funcionárias da escola em estudo e uma observadora);

No 2.º ciclo:

(i) Dez docentes (três do sexo masculino e sete do sexo feminino) com idades compreendidas entre os 20 e os 59 anos (Ver Anexo I, Gráfico 2) e uma observadora.

No 3.º ciclo:

(i) Dezassete alunos do 3.º ano (nove do sexo masculino e oito do sexo feminino), com idades compreendidas entre os 8 e os 9 anos (Ver Anexo I, Gráfico 1) e uma observadora.

Nos três ciclos:

(i) Uma observadora (professora generalista do 1.º ciclo e 2.º ciclo, variante de Educação Visual e Tecnológica, desde 1999, licenciada pela Escola Superior de Educação do Porto, a exercer funções numa turma do 3.º ano, da E.B. 1/J.I. de Benguiados);

(ii) Uma investigadora (professora generalista do 1.º ciclo e 2.º ciclo, variante de Educação Visual e Tecnológica, desde 2002, licenciada pela Escola Superior de Educação de Viana do Castelo, a exercer funções na turma em estudo, 3.º ano, da E.B. 1/J.I. de Benguiados).

3.4.3.1. Papel da Investigadora

Em todos os ciclos, o meu papel de investigadora consistiu na implementação, reflexão e avaliação das estratégias educativas, relacionadas com os conceitos em estudo e com as técnicas de recolha de dados. Serviu para apoiar os alunos na articulação das suas necessidades e interesses e na aquisição de todos os conceitos, preparando todos os instrumentos de trabalho, observando, questionando, registando os comentários dos intervenientes ao longo da acção, implementando estratégias e actividades e usando técnicas e materiais, previamente estabelecidos pela equipa de trabalho.

No ciclo três, a investigadora actuou como facilitadora, ajudando os alunos a encontrarem caminhos para ultrapassarem lacunas ao nível do ensino-aprendizagem, planificou a avaliação e reflectiu todas as actividades das aulas. Conduziu a sua investigação de forma sistemática e rigorosa, recolhendo informações, fomentando a confiança e partilhando saberes entre todos os intervenientes, discutiu, reflectiu e avaliou com os alunos os resultados do estudo, ao nível das suas aprendizagens, necessidades, interesses e dificuldades.

Segundo Yin (1989) a investigadora não é uma observadora passiva, porque ela própria desempenha, no momento do estudo, vários papéis interventivos.

Para Bogdan e Biklen (1994) a investigadora assume vários papéis diferentes: inquiridora; ouvinte; exploradora; negociadora; avaliadora; narradora; observadora e professora, pois cabe-lhe a selecção das perguntas e dos instrumentos de trabalho e a tomada de decisões.